04/04/2012

SÃO PAULO SELVAGEM

Sim, estou de volta a São Paulo (a um mês, na verdade, apesar de ter passado alguns dias em Floripa). Algumas pessoas me perguntaram sobre as atualizações mais esporádicas do blog, a falta de ânimo, de fotos, de neve... Você quer mesmo ver fotos de eu pedalando na Avenida Paulista? Subindo a Augusta? Indo e vindo no minhocão? (Não responda!)

Eu criei este blog para divulgar meu trabalho – embora eu saiba bem que isso é o que menos interessa a grande parte do povo que vem aqui. Com o tempo, fui pegando gosto também por essa função de diário, registro de momentos importantes para mim mesmo, e uma forma de dividir com os amigos. “Como está na Finlândia?” muita gente me perguntava. E eu podia simplesmente responder: “Leia no blog. Lá tem fotos e tudo mais.”

Além disso, sempre posso divulgar coisas bacanas que ouvi, assisti, li. Divulguei incontáveis peças, filmes, livros, discos – de amigos e desconhecidos. E mais do que um universo noir (ou trevoso), que caracteriza mesmo meu gosto e interesse principais, acho que a linha constante aqui foi sempre fazer a diferença, trazer algo diferente, deixar de lado o que está todo mundo comentando. Embora o que se espera hoje dos escritores seja um olhar diferenciado sobre o mundo em que vivemos, minha busca é sempre trazer um olhar diferenciado sobre um mundo diferente. Um mundo próprio, talvez. Ou um mundo alienado, se preferir.

Essa é a integridade que procuro manter tanto no Jardim Bizarro quanto no meu trabalho. E isso para deixar claro, Jardim Bizarro não é meu trabalho. Eu não ganho um tostão para escrever aqui. Já recebi convites para mudar de hospedagem, para colocar link de patrocínio, mas nunca tive pretensões de bombar de acessos, preferi sempre me manter independente, para manter minhas postagens pessoais e bizarras. Por esse motivo também nunca fechei uma coluna fixa em veículo algum – nunca me acertei com o que queriam de mim e o que eu queria fazer.

Enfim, isso não é uma despedida. Não estou terminando com o blog, não. E não estou me suicidando (ainda). É só para reforçar que este é um blog pessoal, que escrevo quando quero escrever, quando tenho o que dizer, quando quero guardar o momento para mim mesmo, e quando a vida me inspira...

Eu poderia dizer que São Paulo não me inspira, mas a verdade é que tenho escrito um livro novo bastante paulistano, no pior sentido. São Paulo me inspira terror. Sábado passado eu voltava para casa de uma peça de teatro, lá pelas duas da manhã, e fiquei chocado com todo aquele povo verde no baixo-augusta, lotando a rua, bebendo, cheirando; aquela rua suja. Eu NUNCA gostei de boteco, e hoje sinto que não tenho nem mais idade nem mais saúde para isso, embora todos meus amigos continuem lá, bebendo, cheirando, fazendo sexo antes do casamento... (haha, ok, ok, menos, menos).

Acho isso uma miséria de final de semana.

Não estou imune, claro, não estou acima. Mas sempre tento escapar... Claro que São Paulo tem coisas imbatíveis. A diversidade de pessoas, talvez de vidas. A cena cultural. Acho fenomenal isso de ter centenas de peças para assistir todos os dias da semana. Sábado passado fui assistir à meia noite, no Espaço Parlapatões, a estreia de “A Máquina de Dar Certo”, do Roberto Áudio. É um espetáculo experimental, quase um espetáculo de dança, que de certa forma lida muito com a “máquina” dessa cidade. Recomendo bem.


Aqui, por enquanto, não tenho muito mais a contar. Vou levando o cotidiano como sempre, e cada vez mais faz menos sentido.

PRÉ-PÓS-URBANO

Igreja de Satã A natureza é madrasta. A verdade da mata é impenetrável, intransponível, inabitável, não se pode pôr os pés lá. Não há tr...