10/05/2013

RUFUS! RUFUS!




Você é um cara simpático, bem apessoado, toca piano muito bem, domina o violão, compõe lindamente, escreve letras riquíssimas, sabe cantar como poucos e tem um belo alcance vocal. Ainda assim, as pessoas não estão interessadas no que você tem a dizer. As pessoas acham você meio chato. Elas se empolgam mais pelo novo single da Lady Gaga ou por uma nova banda com um som genérico. E os grandes prêmios - tipo Grammy - passam longe de você, claro. Você nunca vai estar nas paradas da Billboard.

Essa foi minha conclusão ao ver hoje o show do Rufus Wainwright em São Paulo, num HSBC praticamente vazio. Eu mesmo não iria ao show - confesso - já tinha visto o show de 2008, não queria gastar e não me empolgava em ver mais um show dele só de voz e piano. Mas me surpreendi.

Fabbie me ligou ontem dizendo que tinha ingressos, então me empolguei rapidamente. Fomos numa turma grande para o HSBC, sentamos todos juntos perto do palco (porque TODO MUNDO sentou perto do palco), pedimos garrafas de vinho e comemoramos.

O show foi perfeito. Mesmo.Apesar de ser no mesmo esquema de 2008 - voz e piano/violão - e de não ter o apoio da irmã e da mãe dele, como no anterior, o show foi superior, musicalmente impecável. Ele falou menos, tocou mais, foi o show de um artista mais maduro, e ainda assim simpático e flexível. No bis, ele distribuiu pandeiros e maracas para a plateia acompanhá-lo, e foi tudo lindo.

Quando ele tocou "Zebulon", sozinho no piano, perto do fim, confesso que deixei umas lágrimas escorrerem. Quase borrei minha maquiagem...

No show. 

Na metade do show, eu comentava com a Fabbie sobre como ele fazia tudo bem, cantava, tocava, compunha. Ainda assim... por que ele não é um sucesso?  Bem, comentava também como ele era "mais bom" do que "legal" e isso faz toda a diferença. E onde está a diferença, quando você sabe que um artista é ótimo, faz tudo bem, e até tem bastante carisma e simpatia, mas não é tão legal ou divertido como as pessoas gostariam. Bom, talvez o problema esteja aí. Por que o tão "bom" não é tão "legal"?

Talvez seja como eu falei naquele outro post, do tradutor/editor, talvez você precise ser um pouco pior para ser mais legal. Ou não necessariamente, mas talvez você possa ser reconhecidamente muito bom, e ainda assim não tocar tanto as pessoas, porque elas não se identificam tanto com você. Taí uma lição a ser aprendida. O artista alienígena - genial ou não - que tem um universo muito próprio e que não se comunica muito com o que as pessoas estão vivendo, sentindo, fazendo, acaba meio abandonado. Como Rufus Wainwright no HSBC Hall.

As pessoas que falam como Lady Gaga é revolucionária, blablablá, obviamente estão falando dela numa realidade muito restrita - estão falando como ela é revolucionária para quem escuta Madonna, para quem escuta lambada - se alguém escuta opera, música pop, MPB, Lady Gaga não tem nada de novo. Mas ainda pode ser boa por juntar uma ou duas coisas que não estavam combinadas...

Não acho que o Rufus seja "bom demais para ser apreciado", o som dele não é difícil assim. Mas acho que ele seguiu por uma direção elitista que poucas pessoas apreciam. É um som pop para quem já pode absorver o erudito, taí o dilema. Não basta fazer muito bem o que você sabe. Você também tem que mostrar muito bem o que AS PESSOAS QUEREM (ouvir/ver/ler), ao menos para fazer sucesso. Obviamente, eu estou fazendo minhas anotações pessoais.

Em tempo, o último disco dele "Out of the Game", eu acho dos mais fracos. Porque ele busca arranjos pop para o som sofisticado dele, mas acaba se contendo. Resultou num CD meio pasteurizado. Meus favoritos ainda são "Want One" e "Release the Stars", que talvez sejam de fato os mais pop.

Set list:

The Art Teacher

This Love Affair

Matinee Idol

Vibrate

Out of the Game

Jericho

Who Are You New York?

Martha

Memphis Skyline

Hallelujah

California

11:11

Going to a Town

Montauk

Zebulon

Cigarettes and Chocolate Milk


Millbrook

Candles

Poses




ESTRADA

Não sei porque colocaram só meu sobrenome, mas achei chique.  Finalmente o ano está começando para mim. Já voltei para São Paulo e sem...