03/05/2013

TROLL FAIL


Como eu não tive infância - você sabe, enquanto você brincava de gato mia eu estava na labuta como Maroto, separando as carrerinhas a serem aspiradas pela chefa durante a exibição de "Cavalo de Fogo" -  tento resgatar o espírito lúdico no meu árido dia-a-dia.

Levei esse besourinho de borracha para a academia. Tenho uma colega, senhora mais velha, que sempre deixa sua garrafinha d'água marcando lugar na bicicleta ergométrica. Entrei na sala sorrateiramente, antes da aula, abri a garrafinha e coloquei o besouro dentro.

Enquanto esperávamos a aula começar, conversávamos:

ELA: Onde se meteu essa professora?

EU: Parece que está conversando com a fiscalização sanitária. O pessoal tem encontrado baratas, besouros aqui na academia.

ELA: Credo. Ainda bem que trago minha aguinha de casa.

E ela bebia sua garrafinha roxa-transparente, sem notar o besouro lá dentro.

A aula começou, avançou, e ela virava a garrafinha sem perceber o bicho lá dentro.

EU: Dá um gole dessa água?

ELA: Não, essa daqui é aditivada, não é pra criança.

EU: Mas tô com seeeede...

ELA: Azar o seu.

EU: Quero descobrir o que tem nessa água aí..

A aula foi passando, a água acabando, e nada de ela gritar por causa do besouro.

Na hora de ir embora, comecei a me preocupar dela jogar o bicho fora sem notar, de ter um ataque cardíaco. Se não deu certo o troll, pelo menos queria meu besouro de volta.

EU: Er... Preciso te dizer... Tentei te tollar mas não deu muito certo...

E sacudi a garrafinha contra a luz, mostrando a ela o conteúdo.

ELA: Acha que não vi, seu retardado? E não adianta que não vou devolver essa porcaria, não.

QUAC!

QUAIS SÂO OS LIMITES DA FICÇÃO?

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