18/08/2013

VELHOS ESQUELETOS

Crítica assinada por mim, na Folha de ontem:

O norte-americano William Kenney - que esteve na Flip em 2010 - é conhecido principalmente por seu “Ciclo de Albany”, conjunto de romances do qual a obra mais famosa é “Ironweed”, que lhe rendeu o Prêmio Pulitzer e foi adaptado ao cinema por Hector Babenco. No quinto volume desse ciclo, “Velhos Esqueletos”, acompanhamos Orson Purcell, um escritor de meia idade que depois de uma crise psicótica volta de seu serviço no exército, na Alemanha, para morar com o pai em Albany, na década de 1950. Seu pai, Peter (irmão do protagonista de “Ironweed” Francis Phelan, interpretado no cinema por Jack Nicholson) é um pintor em ascensão que não o reconhece como filho e vive para sua obra.

Mergulhando nos quadros do pai, Orson desdobrará uma série de crônicas familiares de quatro gerações, enquanto busca seu próprio papel na história. A linda passagem em que Peter resolve trocar às pressas a iluminação a gás por luz elétrica na casa da família, para iluminar o velório da mãe. O surto de seu tio-avô, Malachi, que acredita que a esposa está possuída pelo demônio. O tio infatiloide que anda pelas ruas imitando Charlie Chaplin. São todas imagens afetivas dos Estados Unidos pós-guerra, 
descritas com virilidade por Kennedy. “Estou sugerindo que toda sua obra, e portanto toda a sua vida, é uma paródia do subconsciente que você tanto reverencia. Estou sugerindo que você não consegue levar a sério nem mesmo a parte mais profunda de si, que você tem problemas para admitir sua condição de ser humano, bem como a condição do seu filho, que você trata como uma das suas obras de arte, recusando qualquer responsabilidade por ele,” observa Orson. Tudo culminará com a leitura de um 
testamento, que sedimentará a estrutura familiar e assegurará o legado dos Phelan. 

A estrutura intrincada e fragmentada do romance torna por vezes difícil ao leitor não familiarizado com os personagens seguir o épico familiar, talvez por isso tenha se impresso uma árvore genealógica no início do livro. Independentemente disso, a obra pode ser apreciada por suas crônicas isoladas, que equilibram lirismo, violência e humor. 

(Avaliação: bom) 

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