Flagrante verde e amarelo da esquina... |
Fui hoje de manhã pra academia. Moro do lado da Paulista. Deprimente ver a quantidade de bolsominions, gente com camiseta do Brasil, muitos tiozões e velhinhas.
Confesso que soltei uns mugidos, identificando o gado; se me xingaram eu não sei, estou sempre de fones de ouvido - os fones salvaram minha vida, como diria aquela música da Björk (lembro de uma vez, louco de cogumelo em Amsterdã, em que a música nos fones foi o que me deu a noção de tempo, para eu conseguir voltar ao hostel...)
(Não entendo esses autores sociabilíssimos, que dizem ouvir "as vozes das ruas" - as conversas dos transeuntes, dos taxistas - hoje em dia é melhor não ouvir. Eu estou sempre de fone; sempre trancado comigo mesmo; a minha trilha é o que faz com que eu me sinta em casa, onde quer que eu esteja...)
(Mas estou divagando.)
Provavelmente o gado achou que meu mugido era só eu cantarolando; ou um "hmmmm" apreciativo, uma cantada. (Uma vez descobri um bolsominion no meu chuveiro, depois do sexo; se fosse antes, talvez eu tivesse broxado... ou não, às vezes é bom foder com raiva...)
Hoje foi só broxada. Não tenho mais esse ímpeto. Não tenho mais vontades. Vejo os amigos postando no feed: "se ainda tiver bolsomion aqui, caia fora, blábláblá" - isso desde 2018, quando eu também, eu ainda tinha esse espírito, ainda tinha esperança... Meu vizinho de baixo ainda grita "fora bolsonaroooo", e eu só faço um joinha. Minha voz não tem mais projeção; já tive um falsete tão agudo...
Surdo, mudo e broxa... a cegueira também avança. A cada semana fica mais difícil para eu ler sem óculos - é impressionante; e ainda insisto. Mas também já li muito, já vi de tudo, não há mais nada de bom a ver, por vir... (Isso também não é uma música da Björk?)
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