22/08/2026

VIAGENS DE AGOSTO


Eu e meu jerimum.

Depois de BH, Flip, Bahia, teve Minas de novo: FLIF, um festival do Instituto Federal do Sul de Minas em que EU fui o autor homenageado, veja só, estou ficando velho. Tem sido lindo ver o respeito que minha obra vem conquistando. Apesar do hype no início da carreira, sempre me senti um autor muito menosprezado; as pessoas não entendem (ou não entendiam) o que eu faço - se é literatura comercial, se é alta literatura, terror, descartável... Agora, com quase 25 anos insistindo, as pessoas levam mais a sério. Já publiquei muito, já abri porta para muita gente, e sigo fazendo só o que eu acredito. Ajuda também estar numa Editora que me valoriza. 


Com os queridos Daniel Mindu, Daniel Knight e Jéssica Paes, em Pouso Alegre. 

O festival em Pouso Alegre foi bacaninha; totalmente voltado a estudantes, peguei um público BEM novinho (13 a 16). Eu e o Daniel Knight, curador e mediador da minha mesa, tivemos de calibrar bem o discurso. Mas acho que a garotada gostou. Na hora dos autógrafos teve muitas fotos (mas vender livro mesmo, não vendi quase nada; levei uma porrada, mas era mesmo um povo muito novo). 

Caipirinhas com Dona Elisa. 

Antes da FLIF, dei um pulo na casa da minha mãe, no interior de SP, que fazia tempos que eu devia uma visita. Fiz feijoada, consegui pegar cachoeira e nadar. Bom que com essas viagens tenho nadado praticamente toda semana (porque academia com piscina é caro... e eu passei a adolescência toda numa casa com piscina e não aproveitava porque era trevoso...). 


Essa cachoeira do lado da casa da minha mãe sempre só tem eu, porque é uma escaladinha...



De volta a SP, decidi ver SP do alto, no Pico do Jaraguá. Tinha visto um vídeo de um casal que foi de trem, da Barra Funda, e chamei vários amigos. Ninguém quis. Fui sozinho e foi a melhor coisa (como sempre), ouvindo uma musiquinha, seguindo no meu ritmo (acelerado); fiz a trilha (de subida) em  45 minutos.  

Um paulistano no Pico. 

Agora devo dar uma sossegada nas viagens. Mas tem alguns eventos já marcados ainda para este ano. Sigo sozinho, mas acho que num bom caminho. 








03/08/2026

FLIRECÊ

Mais que colegas, friends. 


Ainda tô chapado. A luz da Bahia é ofuscante – cegou meus olhos, queimou minha pele, transformou minha paulistanidade em pó.


Pronto, sensualizei. 

Fui a convite da Flirecê, uma feira/festa literária que acontece em Irecê, entrada para a Chapada Diamantina. Tive uma programação intensa, duas mesas e uma oficina, em três dias, mas consegui o domingo livre e ótimas companhias para explorar paisagens cinematográficas.

Minha primeira mesa foi com Hãmalú Tuxá e Allison Esdras Fernandes, bem mediados por Marcio Fila Flor. 

A Feira em si tem um ótimo público. É voltada para professores (ou professorAs, principalmente, que ocuparam grande parte da plateia), então discute muito sobre literatura como educação e o poder transformador disso. Com minha honestidade habitual, tive que confessar que nunca foi esse o papel da educação em minha vida – eu tive em casa uma formação literária e cultural melhor do que nas escolas, apesar de sempre ter estudado em ótimos colégios particulares. (Lembro da minha mãe contestando as indicações de leitura...)

Também ouvi muito nas mesas os discursos identitários, de autores negros, indígenas, baianos... Essa sensação de pertencimento, de identidade, de reconhecer as raízes e uma cultura regional forte. Eu sou paulistano, quais são minhas raízes regionais? Cresci jogando videogame e vendo filmes de terror. Mas ainda consegui transformar isso em livro...

De toda forma, me senti acolhido como animal exótico. E levei os chapéus, e pintei os olhos. Acho que as mesas tiveram  um caráter de DEBATE maior do que em qualquer outro festival/festa/feira em que já fui (em que geralmente é um escritor babando o ovo de outro). Aqui eram professore(a)s querendo aprender e querendo ensinar/contestar/remoer.

Minha oficina foi uma apresentação express da Oficina do Personagem – era só um turno de três horas e não tinha como pedir que escrevessem nada –, então apresentei o modelo de tema – tese – personagem – trama, e como estruturar isso (escolha de pessoa narrativa, como batizar personagens, descrição, criação de diálogos). Teve um público surpreendentemente grande (principalmente para uma manhã de sábado). E foi revigorante (até porque meus cursos online andam cada vez mais miados).

Mas na boca nem beijei.

Aqui se deram as melhores discussões.

Nesses eventos, as melhores discussões se dão nos bastidores, a troca com outros escritores, e nessa pude trocar também com tradutores, principalmente a Volha, menina tão querida da Belarus, que foi e voltou ao meu lado na estrada Salvador-Irecê. Conversamos de música russa, cantamos Hej Sokoly  (que sei de cor, apesar de saber por alto o que significa), e compartilhamos bastidores de tradução. Outro bom amigo que fiz nessa viagem foi o Rodrigo Aguiar, médico e novo autor também lançado pela Rua do Sabão. Gente boníssima. O carro que ele alugou me salvou de bons perrengues (porque também teve maus perrengues, principalmente para chegar numa cidade tão distante, num evento ainda claudicante).


Rodrigo, Volha e eu. 


Acima de tudo, fiquei impressionado com o público, como as mesas estavam cheias (e eu consegui ver três além das minhas - eu sempre gosto de estudar a concorrência.)


O saldo foi mais que positivo. E agradeço principalmente à Rua do Sabão, minha Editora atual, que tem feito por mim muito mais do que as grandes que ainda me têm em seu catálogo.

Os Sabonetis. 

Por fim, pensei no que escrever sobre as paisagens. Mas a natureza não precisa de palavras...


Chapado!



VIAGENS DE AGOSTO

Eu e meu jerimum. Depois de BH, Flip, Bahia, teve Minas de novo: FLIF, um festival do Instituto Federal do Sul de Minas em que EU fui o auto...