23/01/2008

POBRE PAULISTA, POBRE SÃO PAULO.



Então é mais um feriado, feriado de aniversário de São Paulo?

Ai, já não teve reveillon há algumas semanas? Carnaval semana que vem? Páscoa, Olimpíadas e Campeonato Brasileiro? Será que a gente não pode colocar um diazinho cotidiano atrás do outro pra eu tentar me encaixar nos trilhos?

Muito bem. Fiquei pensando esses dias o que é ser paulistano, o que é morar em São Paulo. Percebi que quase ninguém que eu conheço nasceu aqui. Acho que, dos escritores, eu sou o ÚNICO realmente paulistano. E talvez por isso, eu seja o menos paulistano que existe.


Nasci no Jardim América. Depois morei no Itaim e no Jardim Paulistano. Atualmente moro na Bela Vista. Estudei no Itaim, em Pinheiros, na Santo Amaro, na Faap. Aprendi a andar de bicicleta no Ibirapuera. Beijei pela primeira vez nem lembro onde. Beijar menino eu lembro que foi na Consolação...

Lembro de quando eu ia estudar no Sacre Couer e passava pela fábrica da Kopenhagen, que ficava no Itaim e espalhava um cheiro de chocolate por todo o bairro.



Desde essa época sou viciado em Nhá Benta.




Meu programa favorito, quando eu era criança, era ir ao Instituto Butantã, depois foi jogar boliche, ir na Loca, na Torre. Hoje acho que é ficar em casa, bem acompanhado.



Fiz mais de um aniversário no América, a lanchonete.




Na adolescência, ia de metrô dos Jardins até a Penha, carregando um teclado enorme, pra ensaiar com minha banda. Quando mudamos o local de ensaio para Pinheiros, fui assaltado na porta do estúdio e roubaram meu teclado.

Falando em banda, subi num palco pela primeira vez no extinto Retrô, en Santa Cecília. Minha banda era ruim de doer. O vocalista era o Leandro Cunha, hoje do Multiplex. E entre os músicos que tocaram na mesma noite estava o Adriano Cintra, hoje do Cansei de Ser Sexy.

Fui em todas as Bienais de arte, desde que me lembro. Minha mãe trabalhou em algumas. Algumas tinham trabalhos do meu pai. Eu mostrava para os colegas da escola. Hoje, um dos quadros que foram expostos lá está aqui na minha sala.

É esse aqui:









Acho que o máximo de tempo que fiquei sem visitar SP, quando morava fora, foi de 8 meses.



Meu primeiro salário veio da Livraria da Vila. Fui vendedor lá, por pouco tempo.

Meu primeiro trabalho foi na Young & Rubicam, na Avenida Faria Lima (antes de trabalhar na Livraria da Vila). Como era estagiário, eu não tinha salário. Nem ticket refeição.

na minha infância, minha vó tinha uma casa na Rua Colômbia, e a gente sempre comprava revistinhas do Hulk na banca em frente. A banca ainda existe, mas não tem mais casas por lá. A da minha vó virou uma concessionária Mercedes-Benz.







Nossa! Eu tinha essa revista do Hulk. E comprei nessa banca, na Colômbia com Groenlândia (viu o que é uma criança do Jardim América). Achei a capa na net.

A família da minha mãe é de imigrantes armênios, que estão há tempos em SP. A do meu pai está aqui nem sei desde quando.




Tinha essa revistinha também.




E essa! (ah, desculpa, é que fiquei emocionado de achar a capa dessas revistinhas na net. O que é viver numa época tecnológica e nostálgica, não é mesmo?)




Ok. Olha eu e minha mãe na rua que moro atualmente, em foto do ano passado (Globo.com):




Lembro da Monga do Playcenter, antes de pegar fogo. Ficava ao lado do trem-fantasma. Agora ela está de volta, né?

Aliás, a última vez que fui ao Playcenter faz uns 6 anos, e achei bem decadente.

No Hopi-hari eu nunca fui. Não é do meu tempo. E também não vem ao caso porque não fica em São Paulo e este post é só sobre a cidade.

Naveguei no rio Tietê uma vez, na peça “Br 3”. O desfile da Cavalera não conta, porque o barco ficou parado.

Cavalera à margem.




Não, não, não me lembro do rio Tietê despoluído.



Mas ainda lembro dos cinemas de bairro que tinham pinturas de cartazes dos filmes do Freddy Krueger, como o Chaplin, da Sto Amaro. Eu sempre morri de vontade de entrar nos filmes do Freddy Krueger, mas só conseguir ir no cinema mesmo a partir do quinto.


Era esse aqui:





Vi esse filme no shopping Iguatemi. Acho que o Iguatemi hoje em dia não passa mais filmes tão toscos. Só os hollywoodianos de calibre.


Aliás, lembro que quando eu tinha acabado de voltar da Inglaterra, com 16 anos, fui ver "O Anjo Mau", com o Macaulay Culkin, no Shopping Iguatemi. Era um dia de semana a tarde, e quem vai ver um filme desses em dia de semana de tarde? Bem, um tiozinho veio sentar do meu lado e puxar papo. Na época não entendi direito...


E não faturei um centavo.


Alguns meses depois, outro rapazinho puxou um papo semelhante, numa loja de aluguel de smoking, na Rebouças. Eu ia pra uma festa de quinze anos. Ele era bonito. E pela primeira vez eu pensei que poderia...

Vi cobra uma vez na rua, indo pra casa da minha namorada no Morumbi. Será que isso é que mudou tudo?

Vi também coruja, há uns seis anos, na casa da minha mãe no Jardim Paulistano.

Jacaré aqui em SP eu nunca vi.

Fui mordido por um cachorro uma vez, na Faria Lima. Tive de tomar vacina por dez dias no Instituto Pasteur, na Avenida Paulista.

Hoje moro tão perto da Paulista que já perdeu a graça. Mas lembro de uma época que eu a achava bonita.

Nunca fui ao reveillon na Paulista.


Ah, minto, fui uma vez, mas já tinha acabado a festa. Chegamos tarde. Fui com o (hoje DJ) Max Blum. A gente tinha uns 18 anos.


Fiz minhas primeiras tatuagens com a Zuba. Lá fiz meus primeiros piercings também.

Olha minha foto com ela em lançamento do meu primeiro livro. Essa saiu no Estadão, foi minha primeira foto como "autor":





Essa foi minha primeira foto em jornal, na Folha, em 97:


O ser em questão sou eu, com 19 anos.


Não não, nunca fui gótico de cemitério. Mas ia ao Madame Satã. E montado.

Olha só (aí eu tinha 19 anos):




Tentei alugar um apartamento em frente ao cemitério, na Sergipe, ano retrasado. Mas não me aceitaram.

Aliás, até os 22 anos, quando fui morar sozinho, eu só tinha morado em casas.





Nunca brinquei na rua.

QUANTO GANHA UM ESCRITOR

Com Paulo Scott na Garopa Literária Aqui em Maresias. Na casa que Murilo alugou. Cheguei nesta noite fria de sábado e fui fazer um ch...