01/03/2008

TRUE COLORS


Porto Alegre pelas minhas lentes...


Ahhhhhhhhh, alguém me tire daqui! Voltei há um dia para São Paulo e não agüento mais. Na verdade, já não agüentava mais antes de voltar. Dia desses eu estava em Porto Alegre, uma tarde de sol, e comecei a estranhar a luz, as cores, a claridade. Porto Alegre tem uma luz impressionante, um céu de um azul sem igual, que se percebe facilmente nos dias de calor, mas que fica ainda mais especial nos dias de frio. São Paulo não tem disso. São Paulo não tem luz. Verdade, é difícil perceber. Quando aqui faz sol e o céu está limpo a gente acha que tudo está bem, está claro, e azul, e tropical, mas sempre há um leve filtro cinza, sempre um monóxido de carbono, um véu de poeira nos olhos.




E Porto Alegre ainda tem as árvores, pela cidade toda, os parques, parques que fazem sentido, parques que são freqüentados, parques onde você pode comer churros e encontrar os amigos e perder o amor da sua vida, atrás de uma árvore, num enxame de abelhas selvagens. As pessoas freqüentam os parques, e são vistas de dia, caminham pelas ruas. Aqui em São Paulo o dia não existe. Estão todos trancados dentro de casa, das firmas, dos shoppings, cinemas... Aqui não há qualidade de vida.





Sei que estou achando meu cotidiano todo cinza, e chato, difícil, a vida está muito cara, muito demorada e pouco recompensatória. Para cada página ser virada você basicamente tem de esperar o avanço em metros de placas tectônicas, e raramente elas provocam terremotos. É uma fila injusta, pois os mortos são sempre os primeiros, e os urgentes, ansiosos e desesperados morrem esperando, todos os dias. - Isso é de "Mastigando Humanos". Você vê como minha literatura faz sentido, pelo menos para mim. A literatura ainda faz sentido, embora ninguém sinta o mesmo, embora pareça que os escritores avancem milimetros nas placas tectônicas.



Mas um dia ainda destruiremos Tóquio.


(Gojira!)



Voltei de Porto Alegre como voltei de Florianópolis, com vontade de continuar por lá. Acho que quero continuar em qualquer lugar que tenha um pouco mais de horizonte, um pouco mais de calma. Por que diabos sou obrigado a escutar pagode tocando nos vizinhos se não aproveito de fato o tropicalismo deste país?



Para suavizar um pouco, coloco as fotos dos amiguinhos que reencontrei na viagem. Bom saber que meus laços continuam fortes por lá, que algumas amigas que fiz quando morava no sul permanecem para sempre, sempre próximas, mesmo distantes.


Duda, eu, Leticia e Taina (a irmã do Thomas...).




Será que a Renata seria uma serenata? O que será que a Renata seria, se não fosse Renata Leiria? Acho que a Renata seria uma serena nata. Não fosse sua séria ira. E sua risada sarcástica.



O trabalho em si foi tranqüilo. Festival com bons filmes, mas poucos eu legendei. Sempre é interessante legendar vários dias seguidos o mesmo filme, porque alguns que são chatíssimos na primeira sessão, passam a revelar signos escondidos, você tem oportunidade de estudar com cuidado a obra, ver e rever, de uma forma que você não faria normalmente, como espectador comum.

Agora, tem alguns filmes que são chatos na primeira sessão e se tornam cada vez piores...



Também consegui trabalhar bastante no livro novo. Alguns capítulos foram inteiramente refeitos. É um livro com sete protagonistas, então eu sempre acho que preciso contar melhor a história de algum deles, que posso me aprofundar mais em alguns dos meninos (ops!). Fora que ando com idéias terroristas de cortar personagens, reestruturar toda a idéia central do livro.

Tudo isso para que você... e mais uns 3, quem sabe 6 mil nerds que ainda lêem livros, possam se divertir por uma semana e depois me escrever: "Adorei. Mas prefiro Feriado de Mim Mesmo."

LEVE NEVE

Com minha herdeira, a Trevosinha Valentina.  Lançamento ontem em São Paulo. São Paulo é o que conta - é minha casa, minha base, daqui...