23/11/2011

CSS @ ROCKFELLER, OSLO


Resenha que fiz para a revista Noize, de Porto Alegre, sobre o show do CSS neste domingo. Publicada em: http://noize.virgula.uol.com.br


Como uma banda que nasceu para ser underground, uma celebração de amigos do “baixo augusta” paulistano, poderia oito anos depois estar firme e forte, fazendo turnês pelo mundo todo, mantendo a espontaneidade (e a insanidade) que a elevou ao status de uma das bandas mais cools do planeta?


Eu mesmo não assistia ao CSS ao vivo há muito, muito tempo. E a recém saída do baixista/baterista/guitarrista/produtor e principal compositor, Adriano Cintra, me fazia questionar em qual clima encontraria o grupo. O que eu assisti aqui na Escandinávia foi uma banda de punk rock divertidíssima, energética e muito profissional, que cobriu a saída dele com músicos de apoio.


Apesar do som impecável, o que destaca CSS no palco de mais uma banda de rock pesado é, obviamente, o carisma absurdo da vocalista Lovefoxxx. Uma mistura perfeita de Cyndi Lauper com Bjork, ela troca de peruca, conversa com a plateia, dá risada com os outros músicos, e parece estar se divertindo tanto quanto no início de carreira. Não é a toa que seu mantra, tatuado no braço, seja “rip shit”, ou seja, “meter o pé na jaca.”

Nas entrevistas atuais, Lovefoxxx parece ressentir o nome original “Cansei de Ser Sexy”, mais panfletário e menos internacional do que a abreviação “CSS.” Ainda assim, poucas bandas têm um nome tão pertinente a seu conceito. A proposta do CSS parece ser essa celebração do “tô nem aí”, com figurinos mal-ajambrados, gritando o mote de “fuck everything.” A plateia segue o clima. E quando a banda sai do palco, o público pede bis gritando “C-S-S SUX! C-S-S SUX!”

Verdade que a casa estava com menos da metade da lotação, e longe da animação com que os brasileiros estão acostumados. “Achei o povo daqui meio frio,” diz a guitarrista Luiza Sá. “Ontem na Suécia foi uma loucura.” Mas ainda que os noruegueses não sejam lá o povo mais empolgado, pareciam conhecer cada uma das músicas e berravam pedindo “Alcohol” (faixa do primeiro álbum, que não foi tocada). Um rapaz havia dirigido cinco horas da Suécia só para ver o grupo(e ia voltar dirigindo em seguida). E conforme o show foi avançando, os meninos e meninas mais próximos de mim foram se abraçando, cantando junto, e quando eu vi estava pulando abraçado com eles, parando só entre as músicas para anotar o set list.

A divulgação da saída de Adriano foi feita há pouco mais de uma semana, mas ele já não vinha se apresentando com a banda desde setembro, e as meninas já estavam preparadas para isso há muito tempo. O clima tenso que pode ter se estabelecido há princípio não pode ser percebido agora, nem no palco nem conversando com elas depois do show.

Dizer que o futuro do CSS – com a saída de seu principal compositor – é incerto seria um pleonasmo. Todo futuro é incerto. O que importa é que, como nenhuma banda brasileira, o CSS pode dizer que chegou lá, se tornaram cidadãos do mundo, e parecem estar aproveitando cada segundo disso.

Com a Luiza.

Setlist
Rythm to the Rebels
Off the Hook
Hits me Like a Rock
Music Is My Hot Hot Sex
Red Alert
Let’s Make Love
Jager Yoga
Echo of Love
Move
We Could Have it All
Let’s Reggae All Night
Fuck Everything
Alala
City Grrrl

Art Bitch
Rap de agradecimento à plateia
Beautiful Song

PRÓXIMOS, PÓS E PARALELOS

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