08/12/2014

O INCOLOR TSUKURU TAZAKI

Assinei mais uma resenha do Murakami, na Folha deste sábado:



Durante a adolescência, cinco amigos inseparáveis definem suas próprias

personalidades através do relacionamento entre eles. Com apelidos derivados de 

seus sobrenomes, Vermelho é o estudioso, Azul o esportista, Branca é a bela e 

Preta a extrovertida. Como uma quinta perna dispensável ao equilíbrio há 

Tsukuru Tazaki, o protagonista, que não tem o nome relacionado há nenhuma 

cor e nem consegue definir sua própria personalidade. É o elemento neutro, 

sobrando entre dois casais, que teme ser expulso do grupo a qualquer momento. 


Isso de fato acontece pouco depois que ele ingressa na universidade. Os 

quatro amigos o rejeitam sem explicações e Tsukuru mergulha numa depressão 

de seis meses, que o leva quase até a morte, seguido de anos de vazio que se 

estenderão até que ele decida resolver seu relacionamento com os amigos, já 

chegando à meia-idade. Para isso, ele volta à sua cidade natal, redescobre quem 

seus amigos se tornaram depois de adultos e chega até uma cidade de veraneio 

na Finlândia, onde um deles reside atualmente.


“O Incolor Tsukuru Tazaki e seus anos de peregrinação” é o romance mais 

recente do escritor Haruki Murakami, um dos autores mais importantes do Japão 

atual, que vendeu um milhão de cópias só no mês de lançamento desta obra. 

Escrita numa prosa objetiva com diálogos didáticos, que a assemelha a um fábula 

realista, é digerida facilmente e parece bem menor do que suas trezentas e 

poucas páginas. 


Na história da literatura não faltam protagonistas apáticos – talvez uma 

projeção idealizada de tantos autores emocionalmente derramados – mas o 

“incolor” de Murakami cumpre o seu papel exatamente ao investigar seu lugar e 

sua responsabilidade no mundo. Ao longo da narrativa, nem todas as perguntas 

são respondidas, mas a chave para a conclusão parece estar no próprio título, 

fundamentando a existência do romance durante os anos de peregrinação de 

Tsukuru. Se seus personagens monocentrados só poderiam ter nascido no Japão, 

suas buscas não deixam de ecoar verdades universais. 


Avaliação: Ótimo.

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