20/05/2015

O MESTRE CUCA E O COELHO



Nunca gostei de reality. Acho imbecilizante, não vejo qual é a graça de assistir um monte de gente burra confinada numa casa. Mas ano passado acompanhei toda a primeira temporada do Masterchef; Murilo era fã e me viciou– e ainda descobri que tinha uma antiga amiga, a Bianca, participando da disputa. Não sei nem se o programa pode se chamar de reality. É uma competição onde os participantes têm de fato demonstrar um talento – para a cozinha – onde o expectador aprende algo – sobre culinária.

Eu mesmo sempre gostei de cozinhar, vou além do básico, já preparei até urso, alce, rena, quando morei na Finlândia. Mas o Murilo é mais ambicioso, estudioso, leva a coisa mais a sério. E quando abriram as inscrições este ano, ele decidiu participar.

Desde que nossa coelha Asda veio aqui para casa, nos pegamos pensando se seríamos capazes de comer coelho novamente – nunca foi das minhas carnes favoritas mesmo. Quando pensávamos no que seria um bom vídeo de inscrição para ele, achamos que um prato de coelho seria um bom desafio. Murilo testou várias receitas e fez um divino. Colocamos a Asda no comecinho do vídeo, meio como uma piada para chamar a atenção da produção (já que nesse primeiro momento eles só poderiam ver, não poderiam provar).

Chamadinha no site do Uol, onde até eu apareci. 

Funcionou. Eles gostaram do vídeo, chamaram o Murilo e ele passou por várias etapas até ser chamado de fato para gravar o programa. No dia da gravação, quiseram reproduzir a brincadeira que ele fez no vídeo de inscrição. Relutamos um pouco, não pela segurança dela (ela ficaria comigo, na casinha de transporte, não havia “risco” nenhum), mas pelo sensacionalismo. Murilo queria ser avaliado pelo prato, não pela piada. Também era um pouco esquisito trazer um animal para a cozinha. Como a produção insistiu, topamos. Convém dizer que eles fizeram tudo para Asda ficar confortável e anteciparam a gravação do Murilo para ela ficasse o menor tempo possível no estúdio.

"Quem ama come"

Quando Murilo entrou para apresentar o prato, fiquei do lado de fora. Então não tinha visto exatamente o que aconteceu lá dentro. Mas entendi e gostei da mensagem que quiseram passar – de associar o animal à comida servida, mostrar que aquela carne foi um animal vivo, bonitinho, que poderia ter sido um pet, um membro da família. É um choque de consciência, ou para se ter mais respeito pelo alimento ou para se tornar vegetariano de vez. E se muita gente se choca com a ideia de cozinhar o próprio pet, convém lembrar que isso é normal para quem é criado em sítio, em fazenda...

Eu na torcida. 
Quem viu o programa ontem já sabe, Murilo ganhou o avental. E vocês vão poder ver como de fato ele cozinha (se não puderem provar...). Torçam por ele. Asdinha está aqui, está bem e manda beijos. 

Asda é blasé e nem liga pra TV. 

A QUEM POSSA INTERESSAR...

Eu e Raphael, apocalípticos e integrados.  É aquele velho ranço: o autor que vende ressente não ser levado a sério, o autor que é leva...