27/07/2026

FLIP 2026

Literatura em Desacordo: Eliana Alves Cruz e eu, mediados por Diogo Borges. 

Foi-se mais uma Flip. Para mim, foi só a terceira. Estive na primeira, de 2003, na programação principal, depois só em 2014, pelo Sesc. É caro; entendo quem esteja disposto a pagar para chegar lá, mas, quando a gente já foi nas condições ideiais, não acho que compense pagar. Fico sempre na espera de um bom convite, de um marido rico; quem não tem marido ainda tem o Sesc.


Beatriz Beá Rezende foi das primeiras que encontrei: foi jurada do Prêmio que me revelou em 2002.


Tive uma mesa sábado, no Sesc Santa Rita, com Eliana Alves Cruz: “Literatura em Desacordo”. Só havia tido uma mesa online com ela, no Fliaraxá, durante a pandemia, e a gente havia se cruzado como jurados do Prêmio Sesc. Então li o romance mais recente da Eliana, “Meridiana”, já com o tema da mesa em mente. Encontrei LITERATURA, não encontrei Desacordo.

Bastidores.

Belíssimo, “Meridiana” é narrado por diversos personagens de uma mesma família, narrativas em paralelo avançando no tempo, como meridianos. Se a estrutura é genial, o discurso não está de forma alguma em desacordo, pelo contrário, está em total confluência com pautas atuais, com o bom gosto e o bom senso. E como eu vim ao mundo para causar, resolvi direcionar a discussão da mesa para isso: questionar se o bom senso não é o verdadeiro cognato do senso comum.

A plateia era da Eliana: divertia-se com meu atrevimento, mas aplaudia das pérolas às platitudes dela. Considero que nós dois saimos ganhando, porque nós dois fizemos o que viemos fazer. Ela questionou se eu, como homossexual (ainda que não praticante), não sentia necessidade de me engajar mais. Minha defesa foi que literatura não é lugar de levantar bandeiras, porque estamos pregando a convertidos; quem vai ler um livro como “Veado Assassino” já é a favor dos veados e contra o presidente de extrema direita. Eu questionei se ela não sentia que só escrevia para quem já concordava com ela. Eliana disse que não, e ilustrou com exemplos (e aplausos!). Talvez a conclusão seja que é preciso dizer o óbvio para furar a bolha, como ela fura. Mas eu nunca quis falar para o povo...

Tenho que agradecer ao Diogo Borges, ótimo mediador, que arquitetou tudo isso. E ao convite do Sesc, que ofereceu belo cachê, belo hotel, tudo do bom e do melhor. Só faltou o sol.

Jantando com dois dos meus autores favoritos que fiz leitura crítica: Maurício Mendes e Chico Leite. 

Eduardo Halfon foi meu colega de Bogotá 39, quando éramos os jovens autores mais destacados da América Latina. 


De resto, foi só amor. Encontrei muita gente querida, muitos velhos amigos, velhos colegas, novos autores que só conhecia por leitura crítica. Logo que os autores começaram a anunciar suas mesas, fiquei na dúvida se eu não devia ter cavado mais na minha agenda, marcado mais participações. Agora acho que fiz bem; consegui assistir a gente bacana, pegar piscina, ir a festinhas, beber...

Afonso Borges (com Marcelo Moutinho, Cláudia Lamego e Myriam Scott) foi generosíssimo comigo (na mesa e na vida). 

No domingo, vi a mesa da querida Tracy Mann, com Angela Grillo, mediadas por Michel Alcoforado. 

(Mais fotos e registros no meu Instagram: @nazarians)


Lembro-me de que na última Flip em que fui (também pelo Sesc) tinha achado o clima pesado, tinha saído carregado de energia ruim; dessa só saí carregado de livros. Se não senti  o hype que eu tinha na primeira Flip, senti muito carinho, de colegas, de leitores; senti que às pessoas já entendem e respeitam o que eu faço, um lado bom de não ser mais novidade. Com quase 25 anos nessa indústria vital, essa é a primeira vez que isso me acontece.


FLIP 2026

Literatura em Desacordo: Eliana Alves Cruz e eu, mediados por Diogo Borges.  Foi-se mais uma Flip. Para mim, foi só a terceira. Estive na pr...