30/04/2012

E O QUE EU ANDO LENDO

Terminei esses dias a leitura do último livro que havia comprado em Helsinque. Ou melhor, comecei e terminei em dois dias. She´s Never Coming Back, do sueco Hans Koppel (que dizem ser um pseudônimo do sueco Petter Lidbeck) é um "page turner", um thriller desses que você não consegue largar até chegar ao fim. A premissa: uma mãe de família é sequestrada e mantida num porão na casa em frente à sua, conseguindo ver seu marido e filha apenas por um televisor que transmite 24 horas por dia o que se passa na fachada de sua casa. Desde o começo sabemos que a mulher não é lá tão inocente, mas aos poucos vamos conhecendo a história que a leva a passar por todo tipo de tortura, incluindo, é claro, estupros sistemáticos.

Lembra muito aquelas histórias cabulosas dos telejornais, de meninas que ficaram mantidas em cativeiro por anos, que tiveram filhos com seus sequestradores e tudo mais; coisa louca desses países frios. Quando terminei, não sei se me senti aliviado por ter fugido da Escandinávia ou frustrado por não ter tido emoções mais fortes por lá... Haha.

She's Never Coming Back dará um ótimo thriller cinematográfico. É aguardar para ver que editora publicará em português, por aqui. Eu li a tradução para o inglês.

Antonio Xerxenesky. Enfim, um novo autor novo.


Quase mudando de assunto...

Eu tive sorte de surgir numa geração de escritores que teve grande visibilidade. No começo dos 2000, os "jovens autores" eram a bola da vez na mídia. Moleques de vinte e poucos anos tiveram um espaço que há muito (ou nunca?) não se via para escritores iniciantes. Clarah Averbuck, Daniel Galera, João Paulo Cuenca, André Takeda e eu conquistamos um espaço inédito, em grande parte pela força das novas mídias, a Internet e o barateamento da auto-publicação. Três meses depois de publicar meu primeiro livro (em 2003) eu era chamado para a mesa de abertura da Flip, para dar um exemplo da dimensão da coisa. Mas depois de um tempo, o furor passou, ficaram os autores que tiveram persistência, paciência e, quem sabe, talento; e o hype em cima de novos autores passou.

Hoje não se vê mais tanto alarde em cima de novos nomes como a gente teve, infelizmente. E eu me pergunto tanto onde estão os moleques de vinte e poucos anos, de talento, que estão publicando hoje. Encontro muito poucos. Mas acabei de encontrar mais um.

O gaúcho Antonio Xerxenesky tem 27 anos e publicou dois livros: um de contos e o romance, Areia nos Dentes, que acabei de ler.

É bem, bem, bacana. Um faroeste metalinguístico com zumbis, para resumir. Não sou lá muito de faroeste, mas Xerxenesky joga muito bem com os estereótipos (ou "regras") do gênero, e usa isso para discutir o fazer literário. O narrador/autor do livro (que é um personagem) surge entre os capítulos para reavaliar sua história, valer-se da autocrítica e livrar-se do pastiche. Eu mesmo já morei em Porto Alegre e sempre achei que aquele lugar era o perfeito cenário de faroeste, então Xerxenesky está em casa.

Não conheço o menino, nunca vi, nem sei se ele já me leu. Mas o romance dele estava num pacote que recebi da Rocco, junto de vários outros títulos, e quando li a orelha (escrita pelo Galera) dizendo que o livro tinha zumbis, decidi levar para ler no avião à caminho de Bogotá.

Bom ver que eu não estou só em levar os zumbis à literatura brasileira. Bom ver que novas gerações (bem, se é que se pode dizer que os sete anos de diferença que me separam dele formam uma nova geração....) continuam acreditando na escrita. Eu continuo firme acreditando que o que a literatura brasileira mais precisa é de juventude, novidade, frescor.


25/04/2012


O QUE TEM LIDO?

Com TábitaMaurenValentini, cabeleireira

Tábita, minha cabeleireira pin-up de Florianópolis. 


Nazarian: E aí, Tabitinha, qual foi o último livro que leu?

Valentini: “A Vida como Ela É”, de Nelson Rodrigues.


Nazarian: Hum, e foi como a vida é mesmo?


Valentini: Bem, é a vida que muitos têm, mas q nunca confessariam ter...


Nazarian: Confessa que é a sua? Haha


Valentini: Aiaiai... Não me comprometa que agora sou uma mulher séria, mãe e tudo mais...


Nazarian: Haha, ok. Então digamos que você pode viver no livro uma outra realidade... Hehe. O que mais gostou no livro?


Valentini: Claro que sim... E o que mais gostei foi como o narrador trata as coisas com profunda naturalidade, como se tudo fosse absolutamente normal, possível e aceitável...


Nazarian: O livro é uma coletânea das colunas de jornal do Nelson...


Valentini: Isso mesmo. São 100 contos. Dá para se divertir bem...


Nazarian: "Diversão" não é uma palavra que as pessoas hoje em dia associam com leitura...


Valentini: Mas eu associo porque em alguns momentos não consigo conter as minhas gargalhadas, por mais estranha que a história seja...ou pareça... Devo ser louca…


Nazarian: Não foi o Presidente Lula que falou que ler era "como correr na esteira" da academia, chato, cansativo, mas importante…?


Valentini: Bem, se ele disse isso, faz jus a tudo que penso dele... Quer saber qual o conto de que menos gostei?


Nazarian: Sim.


Valentini: O conto que menos gostei foi “Cemitério de Bonecas”... Porque é tenebroso demais, o final é horrível...


Nazarian: Hum, não é algo aconselhável para uma mulher grávida...


Valentini: Não por isso... Mas é que o velho personagem da trama é um nojento, um falso bom samaritano... Acharia horrível em qualquer circunstância...


Nazarian: Mas você menos gostou por não ser tão bem escrito ou por ser bem escrito "para o mal"?


Valentini: Por ser algo para o mal...


Nazarian: Hum, melhor assim, não? Eu mesmo acho que a literatura mal escrita em si é para o mal, mesmo que fale de anjos, amor e "a chave para a felicidade".

“A Vida Como Ela É”, de Nelson Rodrigues, é uma coletânea de crônicas que ele publicou no jornal Última Hora, durante a década de 50. Sua edição mais recente é da Agir (2006). 


E falando em leituras...


Com o verdadeiro JT LeRoy, a autora Laura Albert. Gravei entrevista com ela. Aguarde...

22/04/2012

PRA LÁ DE BOGOTÁ



De volta a Colômbia (foto de Rodrigo Lacerda).


Em 2007 estive pela primeira vez na Colômbia no mega festival Bogotá 39 (que elegeu os 39 autores com menos de 39 mais importantes da América Latina). Uma experiência incrível  que me deixou com uma ótima impressão do país.



A foto de 2007 (da Verônica Stigger). 

Agora voltei como convidado da Feira do Livro de Bogotá, que este ano tem o Brasil como convidado de honra. Até 1 de maio há uma programação intensiva de mesas, debates e lançamentos com autores brasileiros.


Com Daniel Galera e João Paulo Cuenca, mediados por Mauro Ventura.

Minha mesa foi na sexta, um debate sobre nossa identidade como "escritores brasileiros"  e "escritores universais", nossas experiências fora do Brasil (como autores, turistas e imigrantes) e aceitação (ou não) da nossa obra lá fora. A conversa dava muita discussão, pena que foi uma mesa tão rapidinha, apenas uma hora, sem nem tempo de abrir para participação do público. 



Com o grande Ferrez. Gente boníssima. 

Além das discussões "oficiais", é sempre muito bacana participar desses festivais onde você encontra muita gente do meio, escritores, jornalistas, ilustradores, agentes. Sempre surgem discussões proveitosas nos bares, na noite. Tomei café com o Ferrez, o Ziraldo e o Zuenir Ventura. Tive um ótimo almoço com o Rodrigo Lacerda. Fui ver um show da Anna Cañas e Paulinho Mosca com a Ana Maria Santeiro, o Daniel Galera e mais uma galera (hohoho). Você percebe que muitos dos seus questionamentos são partilhados pelos colegas, tem uma visão mais ampla sobre sua própria carreira. 



Ana Cañas e Paulinho Mosca fizeram shows para a programação paralela da Feira.


Da cidade mesmo eu não aproveitei tanto. Já conhecia aqui, e depois de tantas viagens que fiz recentemente, não estava no menor pique para o turismo. Mas ontem a noite quebrei todas...


Com a queridíssima Paola.

Uma leitora colombiana me escreveu no Facebook, foi assistir minha mesa e me convidou para as noitadas. Fomos ao "Teatron", que eu já conhecia de 2007, mas que não deixou de me impressionar. É uma boate gay imensa, IMENSA, mas com uma proposta bem mais bacana do que essas mega boates paulistanas. São incontáveis pistas (sério, perdi a conta), cada uma tocando um som - eletrônico, drag hits, salsa, rock alternativo - são vários ambientes, dá para se perder fácil-fácil. Você paga mais ou menos uns 25 reais, ganha um copo de plástico duro e tem open bar de cerveja e vodca vagabunda. Não deu nem 5 minutos lá dentro e já vieram meninos me tirar para dançar - isso, tirar para dançar, agarradinho, uma coisa "chorando se foi". Eu não levo jeito para isso, me senti meio o Scharzenegger naquele vídeo antológico do carnaval do Rio nos anos 80, mas deu para ser bem feliz. 

Fico aqui até amanhã, daí volto a SP. Espero que agora que estou de volta ao Brasil, a São Paulo (pelo menos por um tempo) se intensifiquem os convites para eventos literários, porque os últimos anos foram uma lástima. Pelo menos fora do Brasil a coisa está rolando. 


18/04/2012

O QUE TEM LIDO?

Michel Laub.


Comecei este mês uma coluna mensal na revista de literatura Metáfora (http://www.revistametafora.com.br/). É um bate-papo soltinho, coloquial, sobre o que as pessoas estão lendo. Para a revista, o bate-papo deverá ser primordialmente com escritores, mas a coluna se desdobrará semanalmente (todas as quartas-feiras) aqui no meu blog, com todo tipo de gente. A intenção é não apenas saber o que as pessoas estão lendo, e dar dicas de leitura, mas seguir com discussões paralelas ao tema do livro, da leitura ou da literatura em geral.

Comecei esse projeto com o grande e querido Michel Laub (http://michellaub.wordpress.com/). Já foi publicado na revista. Reproduzo abaixo.

Quarta que vem tem outro. E assim eu movimento um pouco mais esta bagaça.


Nazarian: E aí, Laub, o tem lido?

Laub: O último foi “Viagem ao Fim da Noite”, do Céline acabei semana passada, estava para ler há anos.

Nazarian: E valeu a pena toda essa espera?

Laub: Sim, muito; além de tudo, é um livro engraçado, coisa que eu não esperava

Nazarian:Por que levou tanto tempo para ler?

Laub: Não tinha tempo ou não lembrava. E leio cada vez menos esses clássicos, acabo lendo muito lançamento e coisas de trabalho

Nazarian:Ah, essa é a praga dos escritores contemporâneos...

Laub: É difícil parar tudo e ter concentração para pegar um clássico e ficar lendo só isso durante um mês; é uma praga mesmo. Fora o tempo para escrever, coisa que às vezes não combina com leitura, em especial a leitura de clássicos.

Nazarian: Hum, você acha? Para mim isso não compete. Tipo, ler só ajuda para escrever, nas épocas que mais leio, é quando mais escrevo...

Laub: Eu também; mas em geral com um outro tipo de texto, uns pedaços de livros aqui e ali, muita coisa ruim, inclusive, mas que por algum motivo me ajuda

Nazarian: E o livro do Céline, entrou na categoria "livros da minha vida"?

Laub: Sim, é muito bom mesmo e muito moderno; ou contemporâneo (poderia ter sido escrito agora) o que é raro em clássicos.

Nazarian: E raro também a gente encontrar hoje em dia "livros da vida", não? Parece que eles ficaram todos na adolescência ou começo da nossa vida adulta...

Laub: Sim, de ficção mesmo, é um a cada dois, três anos.

Nazarian: Uau. Você tem mais sorte do que eu. Haha

Laub: Não-ficção é mais fácil, depende mais do tema, nem precisa ser bem escrito, basta ter informação.

Nazarian: Bacana.

Laub: Mas talvez não seja a categoria “livro da minha vida”, talvez nem o Céline esteja nela. É só aquela coisa de dizer, pqp, que foda é este cara, o que é muito raro. Mas este ano eu até que estou com sorte.

“Viagem ao Fim da Noite” , do francês Louis-Ferdinand Céline, foi publicado originalmente em 1933, como uma crítica à sua época, e foi considerado um romance maldito. A Cia das Letras lançou no Brasil uma edição de bolso da obra.


12/04/2012

A VOLTA DA CARECA LOUCA

Novo single da Sinéad O´Connor.

Em 1994, aos 16 anos, eu já era fã de Blondie, Eurythmics, Pretenders. Estava fazendo intercâmbio na Inglaterra, e um dia entrando num Pizza Hut para almoçar, ouvi o "Nothing Compares 2U" da Sinéad O'Connor. Eu já conhecia a música, mas foi só naquele momento que a ficha caiu , e eu descobri que Sinéad era mais uma cantora que eu poderia chamar de minha.

Sou fã desde então. Nunca vi ao vivo, mas acompanho a carreira e tenho todos os álbuns (e alguns singles). Mesmo mega surtada, Sinéad conseguiu manter um certo padrão de qualidade. Há discos melhores, piores, mas todos têm grandes momentos, algumas músicas de chorar, como nesse novo que acaba de ser lançado: How About I Be Me (And You Be Me) (ok, que merda de título).

Sinéad já ameaçou largar a carreira várias vezes. Chegou a postar uma carta em seu site dizendo que não queria nem que fãs viessem falar com ela na rua, que se a vissem que atravessassem para o outro lado. Mas acho que é essa crise e essa insanidade que mantém a personalidade e a força do trabalho.

Fire on Babylon, de 1994. Um quase hit.

O ponto alto de sua carreira foi mesmo o "Nothing Compares 2u" (que é um cover do Prince), em 1990. Depois disso, não teve nenhum grande hit, mas seu trabalho sempre foi intimista, e não ajudou em nada ela rasgar uma foto do Papa João Paulo II, ao vivo no Saturday Night Live, em 92.


Em 2000 ela tentou ser pop, mas não deu certo.

Para mim, ela sempre foi compositora de algumas das pérolas mais lindas da música pop. Um talento e uma voz absurdas. No disco novo (o primeiro em cinco anos) ela volta em grande forma (ainda que chubbyzinha). Está longe de ser o seu melhor trabalho, mas todas as faixas são boas, com destaque para o primeiro single (o vídeo acima) "The Wolf is Getting Married", o cover de "Queen of Denmark" e "Old Lady". É um disco folk-pop, com arranjos mais pop do que seus últimos discos, que não deve fazer grande sucesso, mas mantém sua base de fãs cativa.

É bem bonitinho acompanhar a carreira e perceber, por exemplo, que no disco de 1994 seu filho participava cantando numa faixa, ainda pequeno. No álbum novo ela canta "Back to Where You Belong" (para mim, a melhor faixa do disco), com uma letra que leva a gente a fazer as contas, e imaginar que hoje o filho dela já tem seus vinte anos, e saiu de casa porque não aguentou a mãe surtada:

Oh it's hard to
be a boy
when
all the men have
lost their joy
and they can't find the ones they left behind .

Harder still to think
of being a man
in this world of
no lessons or love ,
it's only war that men be thinking of .

Should you stay
or should you come down with me ?
Is that the question
you are asking of me ?
And do you think that you can
take the answer ?
As it turns ,
you have to wear life well .

Come down with me ,
come down
when you need me
but for now I want you
to be happy .

Sometimes life does
things to you
that will hurt you
and confuse you ,
but when you're left behind
you're sure to find .

I am with you though I can't
come with you .
I am in you and I'm
always part of you ,
and all you ever have to do
to bring me to you
is ...

Come down with me ,
come down
when you need me ,
but for now I want you
to be happy .

So you must go back home ,
that's where you belong.
You must go back home .

You must go back home ,
that's where you belong .

You must go back home ,
and I can't come along ...

Essa é daquelas, de chorar. Sinéad sabe cantar como ninguém, e sabe dosar muito bem a potência de sua voz, começando algumas estrofes lá em cima e terminando quase num sussurro.

Enfim, com "How About I Be Me" Sinéad O´Connor volta aonde ela pertence, ao topo dos meus artistas favoritos.



Sinéad em sua melhor forma, em 1990.


04/04/2012

SÃO PAULO SELVAGEM

Sim, estou de volta a São Paulo (a um mês, na verdade, apesar de ter passado alguns dias em Floripa). Algumas pessoas me perguntaram sobre as atualizações mais esporádicas do blog, a falta de ânimo, de fotos, de neve... Você quer mesmo ver fotos de eu pedalando na Avenida Paulista? Subindo a Augusta? Indo e vindo no minhocão? (Não responda!)

Eu criei este blog para divulgar meu trabalho – embora eu saiba bem que isso é o que menos interessa a grande parte do povo que vem aqui. Com o tempo, fui pegando gosto também por essa função de diário, registro de momentos importantes para mim mesmo, e uma forma de dividir com os amigos. “Como está na Finlândia?” muita gente me perguntava. E eu podia simplesmente responder: “Leia no blog. Lá tem fotos e tudo mais.”

Além disso, sempre posso divulgar coisas bacanas que ouvi, assisti, li. Divulguei incontáveis peças, filmes, livros, discos – de amigos e desconhecidos. E mais do que um universo noir (ou trevoso), que caracteriza mesmo meu gosto e interesse principais, acho que a linha constante aqui foi sempre fazer a diferença, trazer algo diferente, deixar de lado o que está todo mundo comentando. Embora o que se espera hoje dos escritores seja um olhar diferenciado sobre o mundo em que vivemos, minha busca é sempre trazer um olhar diferenciado sobre um mundo diferente. Um mundo próprio, talvez. Ou um mundo alienado, se preferir.

Essa é a integridade que procuro manter tanto no Jardim Bizarro quanto no meu trabalho. E isso para deixar claro, Jardim Bizarro não é meu trabalho. Eu não ganho um tostão para escrever aqui. Já recebi convites para mudar de hospedagem, para colocar link de patrocínio, mas nunca tive pretensões de bombar de acessos, preferi sempre me manter independente, para manter minhas postagens pessoais e bizarras. Por esse motivo também nunca fechei uma coluna fixa em veículo algum – nunca me acertei com o que queriam de mim e o que eu queria fazer.

Enfim, isso não é uma despedida. Não estou terminando com o blog, não. E não estou me suicidando (ainda). É só para reforçar que este é um blog pessoal, que escrevo quando quero escrever, quando tenho o que dizer, quando quero guardar o momento para mim mesmo, e quando a vida me inspira...

Eu poderia dizer que São Paulo não me inspira, mas a verdade é que tenho escrito um livro novo bastante paulistano, no pior sentido. São Paulo me inspira terror. Sábado passado eu voltava para casa de uma peça de teatro, lá pelas duas da manhã, e fiquei chocado com todo aquele povo verde no baixo-augusta, lotando a rua, bebendo, cheirando; aquela rua suja. Eu NUNCA gostei de boteco, e hoje sinto que não tenho nem mais idade nem mais saúde para isso, embora todos meus amigos continuem lá, bebendo, cheirando, fazendo sexo antes do casamento... (haha, ok, ok, menos, menos).

Acho isso uma miséria de final de semana.

Não estou imune, claro, não estou acima. Mas sempre tento escapar... Claro que São Paulo tem coisas imbatíveis. A diversidade de pessoas, talvez de vidas. A cena cultural. Acho fenomenal isso de ter centenas de peças para assistir todos os dias da semana. Sábado passado fui assistir à meia noite, no Espaço Parlapatões, a estreia de “A Máquina de Dar Certo”, do Roberto Áudio. É um espetáculo experimental, quase um espetáculo de dança, que de certa forma lida muito com a “máquina” dessa cidade. Recomendo bem.


Aqui, por enquanto, não tenho muito mais a contar. Vou levando o cotidiano como sempre, e cada vez mais faz menos sentido.

30/03/2012

EL FUTURO NO ES NUESTRO

[Meu blog está ficando poliglota. Recebi este release da minha agente e resolvi reproduzir em espanhol mesmo]

EL LIBRO QUE NO PUEDE ESPERAR
Agencia DraftFCB y Eterna Cadencia Editora presentan una edición especial del libro

El futuro no es nuestro. Nueva narrativa latinoamericana, de Diego Trelles Paz (comp.)

Una selección de nueva narrativa latinoamericana en una edición que desaparecerá en dos meses.

El contenido de este libro fue impreso con una tinta que se borrará completamente a los cuatro meses de abierto el embalaje, con el objetivo de que sea leído al poco tiempo de ser adquirido.

Mucho se puede decir del libro como objeto, de su amenazada existencia por distintos peligros. Los que amamos los libros sentimos que nunca van a desaparecer.

Todo surge de una anécdota durante la última feria del libro en Santiago, Chile. Allí, un panel de autores latinoamericanos intentó contestar la pregunta “¿Por qué no nos leemos?”. La idea resultante de la mesa fue que era difícil conectar a los autores latinoamericanos con sus lectores de habla hispana por fuera del propio país.

La Agencia de Publicidad DraftFCB tuvo entonces la idea de crear un libro que tuviera que leerse con urgencia, para ayudar a la difusión de estos autores. Para dramatizarla, imaginó un libro cuyo contenido tuviera una fecha de vencimiento y salió luego a la búsqueda de algún título de literatura latinoamericana ya existente que pudiera protagonizar el proyecto. Ese libro es El futuro no es nuestro. Nueva narrativa latinoamericana, una compilación de narradores jóvenes de distintos países del continente, seleccionados por el escritor peruano Diego Trelles Paz y editado por Eterna Cadencia Editora en 2009. Este libro, que fue editado en distintos países de América por distintas editoriales independientes, cumplía con la intención de dar a conocer de modo novedoso y urgente una literatura excelente que poco a poco se está abriendo paso entre los lectores de habla hispana y más allá. La impresión se hizo en serigrafía en Papelera Palermo.

“Pensamos que es una manera mágica y poética de contar un problema real. Quisimos hacer un libro que fuera un mensaje en sí mismo. Que nos incentivara a leer a estos autores antes de que sus relatos desaparezcan de verdad, ahí delante de nuestros ojos”, cuenta Javier Campopiano, Director General Creativo Regional de DraftFCB.

Ideia divertida. O Diego já vinha fazendo um ótimo trabalho com essa antologia, que saiu em tudo quanto é lugar, Argentina, Peru, Bolívia, Estados Unidos, Hungria e sei lá mais onde. Eu estou lá, o único autor brasileiro (com o conto "Espinha de Peixe"), na companhia de ótimos escritores e amigos como Tryno Maldonado (México), Samanta Schweblin (Argentina), Santiago Roncagliolo (Peru) e Daniel Alarcón (Peru), entre outros. Não, no Brasil o livro não foi lançado.

21/03/2012

A SOUTHERN SOUL




Merman.

[Para poder dividir Floripa com os amigos de fora, resolvi fazer este post em inglês. Até porque já escrevi horrores sobre a ilha aqui e você já sabe de tudo...]

So, I´m back in Brazil. A friend from Helsinki asked me: “it should feel good to be back home after all those months” but I guess I have to give the Bela Lugosi´s answer: “Home? I have no home…” And it´s true. I still haven´t found (what I´m looking for…) a place to call home, basically because I´m always by myself, bringing my job with me wherever I am, and I am not attached to anyone. Maybe it´s a typical writers thing, to always see yourself as a foreigner, a strange; I don´t know. But I have my favorite place in the world, for sure, and it would be the Island of Santa Catarina, Florianópolis.






"Barra da Lagoa", where I used to live. A fishermen village, east of the Island.


The south is the colder (well, not that cold) and quieter (for sure, not that quiet, if you come to think about Finland) part of Brazil. It has roots in German immigration and a stronger touristic and commercial connection with the rest of South America, specially Argentina, Chile and Uruguay, which are geographically closer. Florianópolis is an Island, capital of the State of Santa Catarina, south of Brazil, well known basically for its beaches and surf culture. I’ve lived there for one year, from 2010 to 2011, and I’d love to tell you that there’s much more than that, but there´s not. Nature is the great thing about this island that is still so underdeveloped, maybe for the better.


The map in my arm. Always bringing the Island with me.


It has around 40 beaches, plus lakes and native parks. It´s a touristic place, yes, but nothing as close to Rio, thank god. Even on a new year´s eve you can still find a quiet spot on a popular beach, leave your things unattended at the sand and go swimming (Uh, I guess this is pretty standard in Scandinavia. Sorry to say it’s NOT in Brazil. And for sure there would be people telling me NOT to leave my things unattended in Floripa. Well, I always do, but never would in a place like Rio.)




My credit card, iPod and clothes were somewhere in the sand...


Much of the “quiet” feeling of Floripa (short of Florianópolis), I have to say, is due to its underdevelopment. Much of the nature is preserved, yes, but it means you don´t have much infrastructure for tourism. At high season (January, summer) the traffic jams are a nightmare (because the roads are so narrow) and services in general (restaurants, supermarkets, HOSPITALS) are quite poor. Yeah, I think it’s part of its charm, but I couldn’t live forever in a place with such a shallow cultural life, very few theaters, no literary life, etc. That´s sad.





See, those pics were taken on a sunny weekend, and the beaches are pretty peaceful. Also, can you see the mountains? Do you see any houses? Buildings? Favelas? THAT'S how a beach is supposed to be.


The nightlife is quiet good, tough. Well, it´s a “city” as big as Helsinki, anyway, and it´s a capital city, so it has its clubs and a decent gay nightlife, maybe bigger than Helsinki’s. But for sure the daylife is much more interesting…





Friends by the lake.

I´ve travelled so much abroad, and I’ve seen so many people travelling to São Paulo and Rio. Well, Rio is undeniable beautiful, and maybe it holds a great sample of the Brazilian culture, but it´s still a big, stressful and not so safe city. São Paulo is stressful as hell, even though it has maybe one of the best nightlives and cultural lives in the world. Florianópolis is perhaps an accessible Brazilian “roots” experience (for Dummies), far from perfect, but still my favorite place in the world.



The little mermaid.


(Before you ask me – the AMAZON rain forest is not well known by the Brazilian people in general. It´s far, expensive and, thank god, still pretty much wild. A trip there from São Paulo could be more expensive than a trip to Europe.)





Seafood is obviously the choice in Florianópolis. Shrimps, prawns, oyster and fish in general are served in huge portions, as the Brazilian tendency for excess dictates.

It was great to be back south this weekend. And it´s great to know that I can always go back there (Uh, well, it´s around 10 hours by bus from São Paulo, I think it´s close, almost a trip from Helsinki to Rovaniemi… YOU should go more to Rovaniemi, you schmuck! maybe my 2nd favorite city in the world…?)




(C´mon, Paris is for hipsters.)




You are the one missing here.


08/03/2012

MEME DE MIM MESMO

Criando meus próprios memes. Mais tarde eu volto.

29/02/2012


CHEGANDO AOS FINALMENTE

Estou nos meus últimos dias de Finlândia, me preparando para voltar ao Brasil, a São Paulo, pelo menos por um tempo...
Em Helsinque, dezembro.

Finlândia é um sonho realizado, um antigo sonho. Estive pela primeira vez aqui há dez anos, no início de 2002 e me apaixonei pela delicadeza do país, pela melancolia... Voltei no mesmo ano, em agosto, quando eu estava morando em Londres, trabalhando como barman. Então só oito anos depois, em 2010, a caminho do Japão, por dez dias.

Quando fui convidado para apresentar minha obra na Alemanha, em outubro do ano passado, planejei fazer a quarta visita ao país. Aconteceu que fiquei sabendo de uma amiga que estava alugando o apartamento dela em Helsinque – eu estava com uma graninha, em crise existencial, sem saber para onde ir – e decidi passar cinco meses na Finlândia, no inverno...
Eu nunca achei que seria fácil. Não foi. Foi tão difícil quanto eu imaginava, pela solidão, a escuridão, meu estado já pré-depressivo; o frio em si foi a parte mais gostosa, mais peculiar.
Helsinque congelada.
Os finlandeses são muito educados, simpáticos e gostam de brasileiros. O problema é que é um povo extremamente individualista, fechado e... receoso. Quer dizer, eles recebem bem, tratam bem, mas não dão muita abertura, é difícil fazer amigos de verdade, e eles não são muito solidários e prestativos. Cada um cuida da sua vida.
O inverno realmente muda a personalidade das pessoas, elas saem menos de casa, ficam menos dispostas a se divertir e, talvez pareça estranho, mas o finlandês ODEIA o inverno. Eles não gostam de frio. E perdi a conta de quantas vezes eu ouvi: “O que você veio fazer aqui no inverno? Você tinha de curtir o VERÃO da Finlândia, blábláblá.”
Helsinque ainda no outono.

Bem, já estive aqui no verão uma vez, realmente é uma época mais festiva. Mas eu venho do Brasil, para mim é muito mais interessante ver essa realidade glacial. Fora que o clima glacial é muito mais parte da realidade do finlandês do que o verão, que dura pouco, pouco tempo.
O mar congelado em Helsinque.
Então o problema maior do inverno para mim foi como as pessoas recebem o inverno aqui, como o povo se tranca em casa, como a vida fica em stand-by. Dezembro foi o pior mês; já é um mês deprê em si, pelo final de ano e tal, e nesse último quase não nevou em Helsinque. Ficou só uma escuridão, um nublado, eu estava de rolo com um loiro idiota que só me colocava para baixo; quase me suicidei. Sério, quase me suicidei.
Quando a neve chegou ficou tudo mais lindo, mais típico, eu mandei o loiro passear e passei a me servir de loirinhos por quilo. Tive minha cota. Entre o final de janeiro e começo de fevereiro a temperatura fixou abaixo de -20C em Helsinque, e teve um ou outro dia que eu realmente penei. Mas vim para cá para isso. E pode acreditar, viver a -10C é tranquilo – eu nunca deixei de sair de bicicleta, ir para a academia. Todos os lugares têm aquecimento, a cidade é preparada. Usando as roupas certas, você não sente nada de frio.
Na Lapônia, norte da Finlândia, no inverno.

Agora o inverno já está acabando, está fazendo -1C, +1C, que no Brasil seria um inverno polar mas, veja só, a gente se acostuma rápido. Hoje eu saí de casa a +2C, com a neve derretendo, céu azul, pensando: “Ai, tá quente hoje...”
Aqui em casa.
Tive muita sorte de arrumar um belo apartamento em Helsinque, numa zona central, todo equipadinho com microondas, lavalouça, máquina de lavar, TV, talheres, móveis, etc. Vou sentir falta daqui. Meu cotidiano, como sempre, era trabalhar em casa, sair para malhar e os programas culturais/sexuais/noitadas, além das viagens.

Extremo norte, fronteira com a Noruega.

Como me propus a realmente viver o país, eu não poderia ficar só na capital Helsinque. Eu já havia visitado algumas outras cidades, nas outras vezes, e agora contabilizo dez cidades finlandesas (se eu não contar Vantaa, onde fica o aeroporto): Helsinque, Suomenlinna, Turku, Tampere, Jyväskylä, Oulu, Kemi, Rovaniemi, Inari, Karigasniemi. Olha o mapa, marcado com setas onde passei:


Em quantidade de meses, já fiquei mais tempo na Inglaterra, mas acho que a Finlândia é o país que pude conhecer melhor (fora o Brasil, obviamente). E posso discorrer sobre algumas questões...
A CULTURA: Há quem diga que o finlandês é tímido. Eu não colocaria assim, eu diria que é um povo... cauteloso... para não dizer medroso. Isso se reflete desde as relações pessoais, até a preocupação com segurança – mesmo sendo um dos países mais seguros do mundo, as pessoas trancam suas portas, os hotéis, a academia, têm medo quando são abordadas na rua. É um povo que faz tudo segundo as regras, o que tem seu lado positivo, mas que tem muito medo de experimentar algo novo, de tentar fazer de maneira diferente. Enfim, é um povo cagão, sinto dizer.
ECONOMIA: A Europa em geral é muito menos capitalista do que a América. E a Finlândia está no limite de um país socialista. É uma sociedade extremamente igualitária, onde todos têm um nível financeiro próximo e o estado cuida para que ninguém tenha demais ou de menos. O povo não é nada consumista, e mesmo no Natal não se sente a pressão para o consumo. Essa igualdade também se reflete nas relações pessoais. Idosos não têm preferencia nas filas. Homens não abrem portas para as mulheres. As mulheres não se produzem tanto. E elogiar o outro não é um costume finlandês.
Um estado eficiente assim se mantém com altos impostos, é claro, e isso reflete em altos preços. Viver é caro na Finlândia. Comer é caro na Finlândia. Beber é caro na Finlândia. Tudo é caro na Finlândia, na verdade... ou quase. Livros são mais baratos do que no Brasil, veja só, roupas talvez também sejam. Mas o dia-a-dia é caro, bem caro.
A LÍNGUA: O finlandês não tem correspondência com nenhuma outra língua. É muito, muito difícil. Estudei finlandês durante dois anos em São Paulo, numa porcaria de escola. Aqui, fiz mais algumas aulas, em outra porcaria de escola. Não falo, e entendo muito superficialmente. Mas todo, todo mundo fala inglês, ao menos o básico, nos restaurantes, supermercados, lojas, táxi, até o eletricista que veio aqui em casa outro dia (e que era mega gatinho, preciso dizer...). Enfim, com o básico que eu tenho consegui sobreviver muito bem.
Rena de microondas.
A COMIDA: É uma merda. Haha. Nah, tá, a comida é interessante. Acho melhor que a comida inglesa, na verdade, porque não é apenas “ruim”, é diferente. Muita coisa em conserva, seca, azeda, obviamente pelo inverno rigoroso. Mas é engraçado como o finlandês não é chegado em doces – o “doce” finlandês é o salmiakki, que é uma coisa amarga, próxima do alcaçuz, feita de sal de amônia. Também não há essa cultura de salgados gordos com queijo derretendo e presunto. Os sanduiches são de pão preto com salmão. Poderia se pensar que isso faria o povo daqui mais magro, mas não é não. O finlandês é um povo chubbyzinho. Ou seja, eles engordam de pão preto, sem o prazer de engordar.
Das coisas mais bizarras que comi aqui foi a carne de urso. Carne de rena é típica, cara, e uma delícia. Carne de alce é ainda mais rara e cara, com um gosto parecido. Das comidas do dia-a-dia... acho que não sentirei muito falta de nada. E tenho horrores de carne de urso para queimar...

O círculo polar ártico.
TURISMO: Recomendo muito, muito, muito a Finlândia para o turismo. É um país extremamente seguro, civilizado, onde tudo funciona. Eles recebem muito bem o turista. E é um país diferente, pitoresco, cheio de paisagens lindas, coisas interessantes a fazer. É uma delícia para visitar, mesmo no inverno (ou “principalmente no inverno?”). Eu poderia dar (mais) dicas de turismo aqui, hotéis, restaurantes, bares, etc, mas estou propondo isso para algumas revistas e vamos ver se alguém me PAGA por isso.
Cuidado: alces na pista.

NATUREZA: A Finlândia é dos países com menor densidade populacional do mundo. Isso garante extensões e mais extensões de florestas de pinheiros. Viajar pela Lapônia (o norte) é uma delícia. O trem só chega até a capital Rovaniemi, depois disso você pode ir ainda mais ao norte de ônibus. São paisagens incríveis e menos frias do que se imagina. Estive em Karigasniemi, oito horas acima do círculo polar ártico, em outubro, e estava por volta de 5C positivos. Viajando pela Lapônia é comum ver renas na pista. Vi também alguns outros veados. Alces não vi. Também não consegui ver a aurora boreal, que foi uma grande frustração.

Comi muito.
A VIDA GAY: A homossexualidade é muito bem aceita aqui. É um país pouco religioso, isso ajuda. Na recente eleição presidencial, há algumas semanas, um dos favoritos era um homossexual assumido que tem um namorado equatoriano vinte anos mais novo (ele não foi eleito, mas ficou com 30% dos votos). A bissexualidade é mais normal ou menos tabu do que no Brasil. E isso também quer dizer que a “cena gay” é pequena e os “gays exclusivos” ou os “homoafetivos” são uma minoria passiva... Aliás, é disso que eles se queixam, que os gays (com quem eles podem namorar – porque os bissexuais namoram mulheres, vejam só- todo mundo precisa de alguém para lavar e passar.) são todos passivos. Isso está longe de ser um problema para mim... Mas eu descobri que aqui passivo é PASSIVO, que deita na cama e não faz nada, nada. Juro. Eles esperam que o ativo cuide de tudo. Cheguei a pensar em sair para a noite com uma camiseta: “Sou ativo. Não sou necrófilo.” Ainda assim, deu para eu me divertir bem, me servindo de loiros a granel. De volta ao Brasil, só me alimentarei de cafuçus.
Em Turku (2010).

E esse é meu saldo de Finlândia. Destruiu muita da minha idealização sobre o país, mas tive uma vivencia mais real e intensa, que vai deixar saudades. Espero voltar, sim, em breve. Até porque, depois de 5 meses, as coisas começam a ficar mais fáceis, eu vou me integrando mais ao país e formando amigos de fato.
Talvez o desafio agora seja eu me reintegrar a São Paulo...
No Kiasma, museu de arte contemporânea de Helsinque, ontem mesmo.

VIAGENS DE AGOSTO

Eu e meu jerimum. Depois de BH, Flip, Bahia, teve Minas de novo: FLIF, um festival do Instituto Federal do Sul de Minas em que EU fui o auto...