15/12/2005

NÁUFRAGOS DO PICHE

Ontem foi lançado o segundo livro da minha amiga Andréa del Fuego, "Nego Tudo".

É uma edição bem bacana da Fina Flor, editora finérrima que faz tiragens pequenas de livros chiques numerados um a um, com ilustrações e interferências a mão, que fazem com que cada livro seja único (e que já fez com que a proposta da editora gerasse crias).

O livro da Andréa é um conjunto de contos vermelhos e brancos, femininos e ferinos, com trechos como:

"O acidente aconteceu, os corpos no chão, a noite desce. Sentada no acostamento, vejo as luzes disformes, sou uma náufraga do piche."

Aliás eu já ouvi esse conto em áudio-ficção, na casa da Cristiane Lisbôa, editora da Fina Flor. Era ótimo. Elas podiam ter colocado num cdzinho encartado no livro, hein? Taí uma idéia...

Vocês podem saber mais sobre o livro da Andréia, onde comprar e tal no: www.delfuego.zip.net (mas não sei se ainda tem, não, porque eram só 107 cópias)

Eu ainda vou lançar um livro com a Fina. Não dá para ser um livro "de carreira", porque as tiragens são pequenas e a distribuição também é limitada. Mas de repente uma prosa ligeira, para se ter como um mimo. Enfim, com certeza não será projeto para 2006...

Em 2006 quero investir mais nos lançamentos fora do Brasil. Preciso de dinheiro, porque por aqui a coisa tá feia...Vamos ver se consigo viajar, se consigo fechar outros contratos lá fora, com os três romances que já lancei por aqui.

Há o QUARTO romance, sim, "Mastigando Humanos", que já está sendo negociado. Provavelmente ficará para o segundo semestre do ano que vem, mas eu não me importaria se ficasse para o começo de 2007, porque venho lançando um livro por ano e é preciso dar um tempo para não saturar. Mas vamos ver. Eu também já estou com o livro pronto e fico querendo vê-lo logo nas ruas. Segundo semestre de 2006 é uma boa perspectiva.

E como "Mastigando Humanos" já está pronto há alguns meses (não foi tão rápido não, nesse eu levei mais de um ano - "Feriado" foi escrito há mais de dois), eu comecei recentemente a trabalhar em outro texto. Não será algo para ser lançado comercialmente. Ao menos, não em papel. Trata-se de uma PEÇA de teatro. Bem, talvez mais uma novela, escrita já se prevendo as possibilidades de transposição para o palco. A intenção é essa. Ainda não sei se vai ficar bom, se vou conseguir terminar, se vai prestar. De repente acabo jogando fora. Mas se eu ficar satisfeito com o resultado, vou espalhar por aí. De repente até coloco o arquivo inteiro aqui no blog, porque não será algo que pretenderei vender mesmo. Então vamos ver, vamos ver, nem título ainda eu tenho, estou começando...

E estou terminando uma tradução, do quarto livro que fiz este ano. Chama-se "Pink", romance escrito pelo cineasta Gus Van Sant. Não dá nem para dizer do que se trata porque é uma psicodelia geral. Psicodelia gay, absurda e fragmentada. Talvez algo como um "Naked Lunch" de praça de alimentação.

Esse ano também entreguei as traduções do "Quando Eu Era o Tal" (que já está nas livrarias há alguns meses), "Coração Traiçoeiro" e "Fan-Tan" (que começarão a ser vendidos no começo do ano que vem). Foram todas encomendadas pelas editoras – não exatamente propostas por mim – e feitas naqueles prazos corridíssimos que os tradutores têm. Mas, de qualquer forma, me deram muito prazer, é um trabalho que gosto de fazer e que me ensina muitíssimo. Espero que eu também continue progredindo nisso em 2006.

E realmente agora é só torcer para que o próximo ano seja melhor, não é? Porque este parece que já acabou e deixou um gosto amargo na boca (como uma mousse de chocolate em "O Bebê de Rosemary"). Claro que teve coisas boas, mas muita crise (de todos os tipos), loucura (de todos os tipos), insegurança (de todos os tipos) e um certo tédio sobre tudo (do único tipo possível).

Mas a vida continua, e o blog continua, sem recessos. Porque eu (infelizmente) nunca tiro feriado de mim mesmo.

QUANTO GANHA UM ESCRITOR

Com Paulo Scott na Garopa Literária Aqui em Maresias. Na casa que Murilo alugou. Cheguei nesta noite fria de sábado e fui fazer um ch...