02/10/2006

AS MINA, PÁ!

Antes que eu me esqueça, ninguém vai me arrumar ingressos para ver a estréia do Diogo Vilela fazendo Cauby! Cauby!??? Puxa, se tem alguém em São Paulo que merece ir sou eu!

Sábado fui no lançamento da Coleção Literatura Inclusa do Ateliê Casa Madalena, com textos de Cristiane Lisbôa, nas roupas e livretos.

Cristiane Lisbôa é a grande criadora da Fina Flor, uma micro editora fina, que faz livros com tiragens limitadíssimas, interferências a mão e mimos mil. Não, não se tratam apenas de livros de mesa de centro, são livros poemas lindíssimos, que ainda por cima têm a inteligência de virem com um plus.

Cristiane é assim, uma dessas pessoas que entendem e vivem a literatura, por isso conseguem expandi-la para além das páginas. Eu inclusive contei com sua valorosa colaboração na divulgação de "Mastigando Humanos". Foi dela a idéia (e a execução) dos braceletes numerados imitando couro de jacaré, e ela também que arrumou parte do meu figurino de réptil. Há quem torça o nariz e ache que os escritores devem se ater apenas ao papel. Então esses que mofem por aí, enquanto a gente desfila com nossa literatura pelas passarelas... haha.

Meu único pesar é ela ser tão boa escritora, porque gostaria de poder continuar contando com ela como editora:

"Por dentro ela gritava. Mas com ele falava baixo e calmo. No exato tom que inconscientemente todas as pessoas usam quando estão a segundos de começar o maior escândalo de suas vidas."

(do livro dela, "Deles e Quase o Resto". Sim, sim, ela é minha amiga. Tá pensando o quê? Escolho bem minhas amizade...)

E falando em meninas más, assisti duas vezes ao filme "Hard Candy" (que foi horrivelmente traduzido como "Menina Má.Com"). O tema, a estrutura e os atores já bastariam para me interessar. Mas o filme superou minhas expectativas, embora eu acho que deslize diversas vezes para o didatismo e a lição de moral.

É um thriller de dois personagens num ambiente fechado. Um fotógrafo de 32 anos que conhece uma menina de 14 num chat e a leva para casa. Ele é um pedófilo, ela é uma psicótica. O que temos então é uma mistura de "A Morte e a Donzela" com "Audition". A semelhança com "A Morte e a Donzela" inclusive é espetada de maneira ousada em determinada passagem do filme, quando a menina relembra o caso de pedofilia em que Polanski se envolveu. Há cenas agoniantes, a tensão se mantém durante o filme inteiro, mas as vezes parece um pouco mais longo do que o necessário. Além disso, frases como "eu sou todas as meninas que você já olhou" não precisavam ter entrado. De qualquer forma, o roteiro é extremamente bem escrito e os diálogos são incríveis, principalmente no começo, em que há aquele clima falso de pessoas que estão se conhecendo e querem impressionar uma à outra com sorrisos e frases de efeito. A menina, Ellen Paige (que fez a "Lince Negra" no último X-men) dá um show. Isso sim é interpretação para Oscar (passará longe, claro). Me lembrou um pouco Lou Taylor Pucci, de "The Thumbsucker", nessa coisa de adolescentes encenando adolescentes com um misto de prepotência e impotência. Aliás, o filme puxa mais para o cinema independente americano – "The Thumbsucker", "Bubble" - do que para o cinema de horror (ou de suspense). O diretor David Slade, já foi diretor de videoclipes (e fotógrafo? Provavelmente...), o filme tem sim alguns momentos clipados e uma preocupação excessiva com a fotografia que poderiam comprometer, mas as atuações são tão boas e os diálogos tão inteligentes, que no final tudo fica na medida certa.

Enfim, um excelente thriller, com o deslize de se preocupar muito em deixar uma "mensagem moral".

E já que estamos falando das minas, sexta passada gravei uma pequena participação... no programa "Saia Justa". Não me perguntem. Assim que eu souber quando vai ao ar coloco aqui.

Hoje tive chat-entrevista no IG e no Uol. Você esteve lá?

E, vejam que bonitinho, o Portal Literal fez uma enquete (e promoção) com seus leitores perguntando "qual é o jovem escritor de maior destaque dos últimos anos?" Ganhou o Marcelino Freire, claro, que não apenas tem livros incríveis, mas movimenta a cena e ajuda a divulgar vários novos escritores. Só que ele não é tão jovem não, tem até uns pés de galinha, velhaco, não achei justo. Já roubou a posteridade do Mirisola agora quer roubar minha juventude?!! Hehe, bem, eu fiquei em segundo. E o mais legal foi ler algumas das mensagens fofinhas de leitores que votaram em mim. Agora cadê minha medalha? Será que não tem prêmio em dinheiro? Tô precisando fazer um botox... Haha.



pic by Mix Brasil.

COMEMORAÇÕES

Fim de semana em Maresias.  A neve enfim chegou. Semana mais fria do ano no Brasil coincidiu com a publicação de meu nono livro, Nev...