04/01/2007

FURA BOLO E PAI DE TODOS


(eu era assim)(fiquei assim)


Uma virada nos dígitos e eu já posso relaxar daquela ansiedade e pressão do ano todo desmoronando em minhas costas e "vamos ser feliz antes que o mundo acabe". O mundo acabou em fogos e agora me sinto naquele confortável limbo pós-2006 e "ainda-não-2007-realmente". Por mais que eu mesmo nem tenha interrompido meu trabalho (e algo como um blog) é como se apenas eu seguisse brincando de ano letivo e não esperasse que ninguém mais acompanhasse meu ritmo. Acho que é tudo herança do período escolar, as pessoas continuam levando a sério essas coisas de "férias", "janeiro", "julho", ou será por causa dos filhos?

Eu, que desperdiço meu esperma e não vivo o contraste do "ar-condicionado da firma", sinto os dias mais meus, o ritmo mais meu, para fazer o que faço o ano todo (mas também não me sinto confortável de ligar para empresas que me devem, porque já prevejo a compreensível resposta: "logo vamos voltar com os pagamentos", pelos DOIS dias oficiais de feriado que tivemos desde novembro -25 de dezembro e 1 de janeiro - que paralizaram toda a atividade financeira, menos a dos credores). Posso até me largar na madrugada lendo sem culpa livros que não dão seqüência à minha fila de originais nem se configuram como "autores importantes" que eu deveria ler. Sidney Sheldon, é isso, é isso que estou lendo... Haha. Não, estou exagerando, Hans Ruesch novamente, talvez para referescar com a neve...

Entrei também em mais uma fase "hardcore Bowie", resgatando todo o material dele que tenho aqui. Dia deses conversava sobre ele com uma das minhas tias, num jantar de natal, e ela comentou que não conseguia lembrar de nenhuma música dele, que conhecia bem a cara, a história, mas não as músicas. Então pensei realmente que música teria para ser lembrada. Em quarenta anos de carreira, quais foram os hits pelos quais ele seria lembrado pela massa. Talvez os piores "Let's Dance", "Modern Love" e "Fame", mas mesmo esses não chegavam aos pés do reconhecimento instantâneo de músicas como "Sweet Dreams Are Made of This", dos Eurythmics, filhos óbvios e diretos do velho Bowie.

Então eu, como fã ardoroso, chego a conclusão de que Bowie se tornou mais lembrado pela figura do que por suas músicas não por demérito delas, exatamente pelo contrário. Porque ele soube criar uma embalagem pop e se projetar para as massas muito além do que suas requintadas músicas conseguiriam. Afinal, mesmo após todos esses anos, o som de David Bowie ainda pode ser considerado alternativo, por vezes até mesmo experimental (o que dizer de alguém que tem como ponto alto de sua carreira a etérea trilogia "Heroes, Low, Lodger"?).

E por tudo isso também, sua influência foi maior sobre músicos e artistas do que sobre as massas em geral. Eu até arrisco a dizer que Bowie é o pai de TODO o rock britânico (e boa parte do americano) que veio depois dele. E isso sem ser pioneiro em estilo algum - ele nunca originou nada realmente, apenas captou o que estava no ar, formatou e deu seqüência; como exemplo pegue "Ziggy Stardust" (quando ele descobriu o glamrock do T-Rex), "Heroes" (quando ele descobriu o ambient de Brian Eno), "Outside" (quando ele descobriu o industrial do Nine Inch Nails) e "Earthling" (quando ele descobriu o techno). Ou seja, ele se tornou pai escolhendo muito bem os filhos adotivos.

E já que eu ando investindo nas listas, vai aí meu "Best of Bowie":

Álbuns: - Ziggy Stardust - Outside - Hunky Dory - Hours - The Man Who Sold the World

Músicas: - Five Years - The Motel - Bring me the Disco King - Thursday's Child - Soul Love

O que tenho mais ouvido aqui é o clipe de "Thursday's Child" (de onde foi tirada a segunda foto, acima), simples e genial, com o velho Bowie apenas se olhando no espelho, observando sua velhice, tentando resgatar seu antigo rosto, enquanto sua esposa usa a pia ao lado. Só isso. Uma aula para qualquer bandinha sem verba para produzir o primeiro clipe (bem, não vamos entrar na grana gasta na fotografia nem no fato de que você precisa ter um rosto de BOWIE para poder fazer um clipe assim...).

Para encerrar, algumas palavrinhas sobre meu livro novo, para os leitores que perguntaram: Está avançado. Provavelmente eu tenho já 1/4 de um livro grande. O Bowie não faz parte (hohoho), talvez apenas em espírito. É narrado em terceira pessoa e não tem um único protagonista, são vários. É dividido em capítulos longos. Tem um certo humor, sim, mas mais sutil do que o "Mastigando", também deverá ser bem mais violento. Minha previsão é terminar a primeira versão no final deste ano, retrabalhar até meados do ano que vem e lançar no segundo semestre de 2008, apenas. Se a coisa fluir muito rápido, lanço no primeiro semestre do ano que vem, mas não tenho a menor pressa - e neste ano NÃO lanço, de forma alguma. Se eu quisesse mesmo publicar algo em 2007, reuniria meus contos, mas preciso dar um tempo dessa função de lançamento. Prefiro voltar ano que vem com um romance matador. E podem ter certeza de que será, em todos os sentidos...

Agora chega, já disse demais.

VOTUPORANGA, SÃO PAULO, SÃO ROQUE E FIM!

Quinta agora, com Reynaldo Damázio. Se há algo de que não posso me queixar este ano é dos eventos. Antes mesmo de lançar o livro novo o...