11/08/2011

MELANCOLIA





Tem sido dias bastante melancólicos...


Na verdade, tenho me sentido bastante fechado, com rompantes de ansiedade, querendo apenas que tudo se resolva e, como sempre, para se resolver é preciso a minha iniciativa, eu não posso contar com ninguém e eu estou sempre sozinho. E fui eu que escolhi assim.




Fim de semana foi mais pesado por eu ter de fazer isso por outro – um amigo realmente com problemas – o que me deixou claro como estamos todos ilhados e não há nada a fazer, nenhuma ponte verdadeira, a vida não se divide com ninguém...


Por isso eu fui ao cinema.


Tenho ido muito ao cinema e ao teatro, para isso. Deixar a vida passar, o tempo passar e eu apenas assistindo. Tenho conseguido ler bastante também. E escrever. É assim, quando a gente não quer, não consegue, não precisa ou percebe que não pode contar com o outro. Pode ser produtivo.


Mas também tem sido frustrante porque não vi nenhuma grande peça, não li nenhum grande livro, não assisti nenhum grande filme. Até agora.



Acabei de assistir Melancolia.


E longe de eu estar depressivo – estava melancólico – fiquei com certo medo de Lars Von Trier.


Gosto de quase todos os filmes dele (talvez a única exceção seja Manderlay), mas quase todos são dos mais pesados. Anticristo é uma bomba. Os Idiotas também. E quando comecei a me encantar com Melancolia, ainda na cena do casamento, rezei secretamente para que o filme não descesse a ladeira do desespero. Eu não estava deprimido, e não queria ficar.



Mas na metade para o final do filme, quando consegui perceber o que ele estava fazendo, só consegui me maravilhar.



Ele conseguiu outra vez. Melancolia é uma obra-prima. Uma anti-ficção científica. E, estranhamente, apesar do título e de ter sido feito durante seu período de depressão, é um filme de uma pureza que só me despertou alegria.




No final, apesar do que é dito textualmente, a conclusão que me deixou o filme é a mesma de toda grande obra de arte: podemos estar ilhados, mas não estamos sozinhos.



VIVA LA RESISTENCIA

Do alto de Medellin.  Voltando da Colômbia, após cinco dias em Medellin, numa daquelas viagens mais proveitosas do que divertidas. Via...