03/02/2008

TEM UM GREMLIN NA MINHA SOPA!!!


Nazarian says: "Oh, escrever é um processo doloroso?"


Não sei como todos podem estar pulando e sambando e suando, quando acaba de morrer o cowboy brasileiro, Beto Carreiro...

Continuam existindo... e morrendo... os cowboys brasileiros...


Eu bem que estou conseguindo aproveitar o luto. Tem sido boa a proteção de um feriado para eu largar-me em livros e contos e textos e dvds, sem preocupar-me com o dia de amanhã. É tão difícil levantar da cama. É tão difícil encarar o dia. Eu sempre quero um pouco mais de inconsciência. Mas mesmo nos feriados, a culpa, e os relógios, e o calendário me arrastam para fora da cama, mais do que a bexiga cheia.

Ai, isso está muito Feriado de Mim Mesmo... Mas enfim, o Feriado é meu mesmo.

E sinto a obrigação de ser belo sob o sol. Sinto a obrigação de viver o sonho tropical. Exercitar os músculos e queimar a pele, ir a academia, ver a luz do dia. Então mesmo quando não tenho absolutamente nada a fazer, sinto a obrigação de estar fazendo algo, estar vivendo o dia, queimando a cota diária de calorias.


Oh, paranóia, paranóia. Depois, de noite, nunca parece ser tarde o suficiente para dormir.

Queria só me esquecer.

Voltando a ser objetivo: tenho lido contos fabulosos do Nabokov. Contos fabulosos também de um dos nossos escritores contemporâneos. Tenho lido contos, procurando um bom romance. Tentando consertar minhas páginas, enquanto ainda é tempo. Enfim, revisando meu livro, agora consegui engatar.

(Não me distraia. Não me indique nada. Não me peça para ler uma linha sequer, que você não vai acertar...)


E se você acredita em juventude, se acredita em beleza, se acredita em perfeição e que a vida tem um sentido, que a arte tem um sentido, que alguma coisa permanece, não olhe, não olhe, eu disse NÃO OLHE PARA A FOTO ABAIXO.

Não olhe...


Não olhe...


Eu disse não olhe....






NÃAAAAAAAAAAAAAO!

(Bjorn Andresen, o Tadzio, em dias atuais).


A vida é triste.






Aliás, tem muito disso no conto “Perfeição”, do Nabokov. Muito a ver com “Morte em Veneza”. E eu, que li o conto e revi o filme esses dias, fiquei pensando o quanto eu estava longe... mas o quanto meu trabalho realmente não se baseia na perfeição.

Então troquei o DVD por Gremlins.

E fico feliz ao constatar que, mesmo como passar dos anos, mesmo com toda a nova tecnologia, diferentemente do Tadzio, os Gremlins não envelheceram.


Beleza!



Joe Dante, o diretor diz que hoje em dia não faria sentido um novo filme dos Gremlins, porque a graça da época era o que os bonecos podiam fazer. E hoje, com CGI, tudo é possível, pode-se fazer dinossauros e gorilas gigantes, então quem vai se interessar por Gremlins?

Ele está certo. Melhor então preservar aqueles Gremlins dos anos 80. Gremlins da minha infância. Minha infância comida por Gremlins. Minha infância alimentada depois da meia noite...

O problema é o seguinte:

O problema é o dia seguinte.

O problema é o excesso de apetite... e a borracha dos meus dentes...



É borracha, mas são meus.



O problema é esse samba, esse som, esse sol ofuscante.


E é isso, é interessante... partir a perfeição alheia como um crustáceo entre nossos dentes. Digerir sua carne como um camarão gigante... Mas é o que eu digo, meus dentes são de borracha, quero colocar Tadzios e Gremlins na mesma página, essa é minha busca e esse é meu barato, então não posso me preocupar, não posso me ocupar, não posso pensar em perfeição, porque isso atrapalha meu trabalho. Perfeição não tem a ver com o que eu faço.


(Sai da minha cabeça, Mann! Sai da minha cabeça, Nabokov! Tragam na minha sala o Joe Dante!)



Muito bem, vou ver o DVD "Rufus! Rufus! Rufus! Sings Judy! Judy! Judy!" (Sim, sim, agora é tarde. Já tenho aqui e você não me deu. Não pode se orgulhar de ser detentor de minha felicidade. E de minha felicidade ser tão materialista e estar em suas mãos, entre suas pernas, na baba viscosa que derramo de meus dentes de borracha sobre ti.)




(Agora não pode mais - lalalalalá)




(Este sorriso em meu rosto não foi você quem me deu/este sorriso é só meu /de tudo o que posso ter/ Este é o sorriso de um coração de lata/ de dentes de borracha/ de um enorme apetite que você não pode satisfazer/ Então, sim,/ ainda assim/ ainda assim, não me estenda a mão/que eu posso morder.)


(Esse aí é um poeminha que fiz sobre os Gremlins.)


(Ou era sobre o Rufus? Ou sobre você? Agora nem sei mais.)



Beleza...

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