17/10/2013

E OS JOVENS CONTINUAM ESCREVENDO...


Prefácio meu para "O Caos do Acaso", de Mauro Nunes, editora Kazua. Recém lançado: 


Este é um romance de estreia. E geralmente se associa os romances de estreia com a ingenuidade, imaturidade; quando se elogia um autor iniciante geralmente é com a palavra “promissor”, como se ele prometesse fazer melhor no futuro, como se ainda estivesse por fazer. Mauro Nunes já está fazendo.
O Caos do Acaso é um romance de estreia, com o melhor que pode haver nisso: paixão, espontaneidade, uma liberdade criativa delirante e um universo literário muito próprio, ainda não contaminado pelas formas académicas. Este não é “só” um romance  de estreia, é uma enxurrada de narrativas fragmentadas que se cruzam, se chocam e se destroem. A criança trancada num porão, o tetraplégico à espera da eutanásia, a enfermeira que realiza abortos, o gay enrustido de violência escancarada. Seus diversos protagonistas espelham o caos de um mundo esquecido por Deus – ou seria um mundo que torce demais por uma solução divina?
“Limpeza urbana, salvação da família, preservação do amor. Deve estar louco. Os valores estão falidos. Os valores não servem de nada. A sociedade se alimenta de si mesma. Se consome em miséria. Não há deus que salve.”
É uma escrita cruel, visceral, mas que a mim parece uma benção, trazendo esperança quanto ao futuro da literatura, em meio a tanto textinho pau no cu (no pior sentido), tanto autor “coxinha”.
A literatura é uma arte de senhores. E tanto se valoriza os “senhores escritores”, que muitas vezes se negligencia o talento que só um moleque de vinte e poucos pode ter. (Não é toa que todo o Romantismo foi feito por moleques que morreram cedo.) O Caos do Acaso é uma prova da importância de se escrever (e publicar) cedo. Provavelmente daqui a 50 anos Mauro Nunes ainda estará escrevendo – mas certamente não será mais capaz de escrever uma coisa dessas .
“Você não me conhece...” se apresentou ele para mim há algum tempo no Facebook, perguntando se eu poderia escrever esse prefácio. E hoje me sinto honrado de ele ter pedido. E feliz de poder dizer: não conhecia, felizmente, nunca tinha lido nada igual. E isso é só o começo.

Santiago Nazarian

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