09/04/2006

ZÉ CARIOCA, PERSONAGEM TÃO SUTIL, CRIAÇÃO DO SEU VALDISNEI, QUE FEZ COISAS LINDAS MIL.

Os temas, a abordagem, as fotos. Tudo é uma forma de provocar, surpreender, chocar? O que você quer com a sua arte?
Não. A preocupação da minha obra não é chocar. Minha preocupação é mostrar certa beleza e elegância em temas considerados obscuros. Exatamente por isso pode ser relacionada ao gótico. A arte gótica tem essa característica principal, mostrar o lado belo, romântico da morte.

Trecho de uma entrevista que concedi a Fernanda Miranda, do jornal Tribuna da Imprensa, de Araraquara. O caderno todo de comportamento do dia 2 de abril discute o tema "atração pela morte". Uma página inteira é dedicada aos meus livros.

E ontem teve Casa das Rosas. Gostoso. Estava bem cheio, com um pessoal interessado e carinhoso. Quem esteve lá levou de quebra um caderninho com um conto inédito meu, de dez páginas, além de um conto inédito da minha mãe. Também sorteei um "Olívio" e distribuí pílulas de ecs... haha, zoeira, zoeira.

Continuando no terreno "mórbido", entraram uns filmes de terror aqui para eu traduzir. Oba, finalmente. Eu só andava traduzindo filmes políticos franceses de esquerda... E o melhor de traduzir filmes de terror é que 90% dos diálogos são só gritos. haha.

Hoje está sendo um domingo dos mais dominguentos. Chuva. Solidão. Depressão pós-farra. Saudades imensa de um andar lindo e leve no sol de verão... "E o coraçãaaaaaaaaao..."

05/04/2006

FELINOS! NÃO RECONHECERÁS!

E aí, gatcheeenho, o que vai fazer no finde?

Hehe. Tenho um convite. Sábado, 18 horas, na Casa das Rosas (Av Paulista, 37), vou fazer uma leitura de algumas coisinhas, incluindo um continho de terror (quem sabe assar marshmellows?) e bater um papo com o público. Entrada gratuita.

Muita gente aparece no Orkut, manda emails, quer ser amiguinho, mas nessas horas, cadê? Vamos ver quem é macho (ops!) de aparecer. Ok, prometo sortear um livro. E podem levar livros pra autografar, claro. Depois podemos sair todos de mãos dadas cantando: "Nós gatos já nascemos pobres..." E sentar num bar por lá para drinques. Que tal? Mais do que isso eu não posso fazer...

Quer dizer, posso também ir até a SUA cidade, fazer uma leitura, um debate, participar de uma Bienal ou feira de livro. Basta contatar a Promoart.... Nah, basta você formar um lobby e propor meu nome nesses eventos. Eles se encarregam de passagem e hospedagem. Eu adoro viajar para fazer essas coisas, mas acaba rolando mais em Rio e São Paulo.

E o que tá rolando? Não muita coisa. A coisa aqui deu uma esfriada. Tive uma idéia de uma antologia/tradução, e assim que conseguir fechar com uma editora, dou mais detalhes. Tem também aquela "antologia antológica" de contos gays, que estou organizando com o Marcelino Freire. Tá embassado. Na verdade, já definimos praticamente todos os nomes, mas a editora ainda não fechou tudo direitinho, então estamos esperando. (Antes que me perguntem: não, não vamos ter autores inéditos. Vão ser só contos de temática gay de autores clásicos - gays ou não - e alguns contemporâneos de peso. Para entrar um inédito, tem de ser travesti! [hum, espero que ninguém mais se lembre de "Tootsie"... Hahaha])

Já estou trabalhando com o Marco Túlio na capa de "Mastigando Humanos". Também vai ser uma capa bem diferente das outras, seguindo o estilo "psicodélico" do livro. No final de semana, fiz fotos de divulgação com a Fabbie (algumas já estão no Orkut). E a foto de orelha vai ser novamente do Luciancencov.

Que mais? Estou escutando Arnaldo Baptista cantando: "Eu quero ver o nascer do sol, antes do outro comercial..." É madrugada, mas não tanto.

03/04/2006

HUMANOS SÃO NOSSOS AMIGOS, HUMANOS NÃO SÃO PERIGOSOS...

Na madrugada de sexta para sábado eu até dormi num horário decente. Mas lá pelas tantas acordei com uns barulhos meio esquisitos, sirenes, gritarias, almas torturadas pelas labaredas de um incêndio!

Não é que eu more num bairro, assim, "peligroso", é que as fronteiras entre as classes se estreitam cada vez mais e blablablá, blablablá... Então aqui na frente tinha um cortiço invadido por sem-tetos. E depois de muito barraco com a polícia, parece que eles resolveram incendiar o local. Tipo, "se a gente não pode morar aqui, ninguém pode". (Ai, ai, que meda!)

Eu tentei continuar dormindo, mas meu sonho foi invadido pelas sirenes de uma forma estranha...

Sonhei que a polícia estava me perseguindo [a mudança na cor da fonte é para dar o tom onírico]. E eu, para me esconder dos gambé, mergulhei no fundo de um lago cheio de jacarés. Eles não me faziam mal.

O que isso quer dizer, Sra Del Fuego? (fuego, répteis, veja só, tudo se encaixa). Para mim, a lição foi "NÃO COMA SEUS AMIGOS", uma coisa meio PETA, né? Não? "Humanos são nossos amigos, não coma humanos. Nem tente digerir seus sonhos...". Haha.

Mais bonitinho foi um vizinho/leitor, que viu a fumaça de madrugada e achou que era no meu apartamento. Ele tinha lido aqui no blog sobre as velas, L'autreamont, etc, daí fez as ligações erradas...

Voltarei no seu churrasco!

Aproveitando a deixa, coloco um conto inédito e antigo. Acho que é o momento propício. Pra quem gosta de reality show: tchau!


Minha Casa Pegou Fogo

Esperávamos no meio da estrada por um ônibus. O sol forte, o céu azul e a ausência de prédios me dava a impressão de que o horizonte era quase infinito e que eu poderia seguir qualquer caminho que quisesse. Que o mundo estava aberto, sem pedágios, e eu teria de manter um percurso muito definido em mente se não quisesse me perder. Na vida.

Minha mãe tinha quase metade da minha altura, mas ainda assim me pegava pela mão e fazia sinal para o ônibus parar. Eu era o filho que ela colocava no mundo, dizia para eu não ter medo e voltava para sua casa. Voltava para a casa que foi sempre sua. Voltava para o lugar de onde sempre veio. De onde veio? Eu mal sabia para onde eu ia, perdido naquela estrada, com tantos céus azuis, sóis, horizontes e calor me derretendo a masculinidade. Agradeci ao motorista, paguei com meu próprio dinheiro e me sentei ao fundo.

Lá dentro, continuava fazendo muito calor. O céu continuava imenso pela janela e permanecia em mim a crença de que eu poderia ir para qualquer lugar. Não porque eu fosse tão livre na vida. Não porque eu quisesse tudo conquistar. Mas porque, saindo da casa da minha mãe, não haveria lugar algum em que eu me sentisse realmente à vontade. Não haveria lugar algum que eu chamaria de lar.

A casa da minha mãe era nova. Eu nunca havia morado lá. Foi uma casa construída para quem não tem filhos, mas recebe visitas. Eu podia entrar em todos os quartos. Eu podia comer os chocolates. Podia deitar na varanda e os cachorros viriam fazer festa em mim. Os cachorros me reconheceriam como filho. A comida era feita para mim. E embora não houvesse cicatrizes minhas no quintal, onde mais eu poderia chamar de lar?

De noite, acendêramos a lareira. Foi necessário um grande esforço por parte da minha mãe. Gravetos, jornais, lenha e velas, até o fogo pegar. Ela é que conseguiu fazer assim. Ela conseguiu incendiar dentro da sala, sem o fogo se alastrar. Estava frio o suficiente para nos sentirmos aquecidos. Frio o suficiente para fazer calor.

E naquele ônibus, perdido na estrada, eu quase não sentia o sol entrar. Depois de uma hora de viagem foi que percebi o lado esquerdo do rosto arder. Afastei-me da janela e fechei as cortinas. O ônibus entrava na cidade e eu perdia a poesia que me fragilizava e tornava-me incapaz. Desci e peguei um metrô, para o meu apartamento.

Ia chegando lá no final do dia. O suor como resquícios do sol. A barba por fazer como fim de feriado. A mochila em minhas costas que só continha restos, roupas já usadas, nada a começar. Precisava de um banho para endireitar minha coluna. Dormir e acordar em meu próprio colchão. Mas diante do prédio só encontrei uma mancha negra com cheiro de pão queimado. A torrada da minha própria vida.

O prédio havia se incendiado. Ninguém mais gritava ou chorava em desespero. Um porteiro sentava-se na calçada, melancólico, conversando com o vigia. Alguns moradores se lamentavam. Algumas donas-de-casa pareciam conformadas. Já haviam passado pelo estágios em que eu me encontraria: espanto, revolta, resignação. Minha casa pegou fogo.

"Afinal, o que aconteceu?" Ninguém sabia explicar, ninguém queria mais falar nisso. Os vizinhos voltavam para suas casas como se aquele fosse apenas mais um ônibus do qual desceram. Voltavam às casas dos pais, dos irmãos, à família. Deixavam-me ali em frente, olhando para minhas próprias cinzas.

E eu, voltaria à lareira de minha mãe? Aquela, que exigiu tanto trabalho para se acender? Tantos gravetos, jornais, lenha e vela. Como um prédio se acendia assim, em acidente? Gravidez indesejada, rejeitada pelos próprios pais. Resolvi assumir meu filho e dar-lhe de comer.

"Você não pode mais entrar aí. O prédio corre o risco de desabar." Se eu não tivesse seguro, só teria a lamentar. Eu não tinha seguro, mas não lamentava. Não me deixavam nem mesmo revolver os restos, procurar documentos, verificar o que sobrara de uma vida que eu fingira ser minha.

Não poderia voltar atrás. Pegar o ônibus, dizer à minha mãe que eu havia fracassado. Tinha que aceitar meu próprio destino, escrito em carvão. Seguir em frente, novos horizontes. Mesmo que eles fossem obstruídos por prédios queimados e edifícios em construção.

Foi só o sol se esconder que ninguém mais notou. O prédio ficou escuro para que eu pudesse entrar sem problemas, passar pela faixa de segurança, caminhar pelos corredores silenciados. O chão ainda parecia sólido o suficiente. O incêndio tornara o prédio ainda mais acolhedor. Como uma toca de rato, um buraco negro, um cantinho só meu, para eu me esconder. Fui seguindo os degraus, que achava que me levavam, e me deparei com portas que poderiam ter sido minhas.

Era difícil dizer. Difícil dizer até mesmo em que andar eu me encontrava. Como todo o chão, e todo o teto, como todas as paredes estavam pretas, eu não sabia ao certo se subia ou descia, se estava deitado ou de pé. A mesa de minha sala era de plástico, e uma grande massa derretida poderia se passar por ela nessa nova encarnação. Numa explosão, poderia ter se grudado ao teto. Onde eu me encontrava, poderia estar olhando para a televisão, que se grudara ao telefone, que se grudara à geladeira, que se grudara ao teto, numa grande massa derretida.
A divisão dos cômodos ainda existia, mas com os móveis, eletrodomésticos e interruptores incendiados, era difícil até diferenciar o quarto da cozinha, o banheiro da sala, o lado de dentro do lado de fora. Também estava tão escuro e o prédio tão silencioso, que eu me sentia invadindo um sonho de outra pessoa. Logo encontraria um mendigo sonhando comigo. E nesse sonho eu é que não faria sentido.

Tive de seguir então o que o cheiro de queimado me induzia: lareira na sala, torradas na cozinha, aquecedor no banheiro, sexo no quarto. Cada cômodo queimado trazia lembranças olfativas, de quando eu riscara um fósforo, de quando eu fizera amor. A mente se recorda instantaneamente, como num flash, foi assim que a encontrei no quarto, sob o colchão.

"O que você está fazendo aqui?" Ela dormia num quarto queimado. No meu quarto queimado. No meu colchão que restava intacto. Eu invadia seu sonho. E parecia que era eu quem não fazia sentido.

Ela abriu os olhos. Olhou envolta um pouco indecisa. E decidiu levantar-se e olhar para mim. Percebeu que eu estava mesmo ali. Que não era apenas um sonho, com seus olhos inchados. Eu não fazia sentido. O que estava fazendo ali vendo-a dormir?

"O prédio pegou fogo. É perigoso ficar aqui." Eu sei. Ela sabia. Eu sabia também, mas estava lá, invadindo o sono dela. Ela invadia o meu, entre aquelas paredes negras. E entre aquelas paredes negras, parecia que apenas ela fazia sentido.

"O que você está fazendo aqui?" Eu moro aqui, respondi. Ela olhou em volta meio indecisa e decidiu olhar para mim. "Sim, mas o prédio pegou fogo..."

A pergunta era a mesma. Nós dois invadíamos o prédio, tentávamos recuperar uma vida e considerávamo-nos os legítimos moradores de nós mesmos. Só que nós dois invadíamos, nenhum era o morador legítimo. Nenhum poderia ficar lá, era perigoso.

"Eu não tenho para onde ir. Sobrou este colchão", disse ela. Eu me aproximei e sentei no cantinho, não queria manchar minha calça de cinzas. "Esse apartamento é seu?", perguntei eu. Ela deu de ombros, mais consciente de sua incapacidade de determinar. "Não posso nem dizer em que andar estamos. Apenas segui o cheiro de torrada, o cheiro do aquecedor..." Ela seguira. E nos encontrávamos sozinhos no mesmo quarto, no único colchão, que agora era de nós dois.

"O que vamos fazer?", perguntei. Ela deu de ombros e voltou a deitar. Achei que ela queria voltar a dormir, mas antes fez questão de explicar. "Ainda não sei. Se a gente dormir, e descansar, amanhã podemos estar mais otimistas, com mais energia para encontrar uma solução. Ninguém vai vir aqui tão cedo. Podemos dormir até mais tarde, para não sobrar nem um restinho de depressão."

Fazia sentido. Depois fechou os olhos. Não sei se ela esperava que eu fizesse o mesmo. Talvez quisesse apenas me esquecer. Talvez quisesse esquecer todo o resto. Como ela mesmo dissera: acordar sem nem um restinho.
Só sei que quando acordei já era dia. E era cedo. O sol entrava por uma fresta que deveria ter sido uma janela. Podia ter sido uma parede, quem sabe, agora esburacada. Ela abriu os olhos logo, ainda deprimida. "Já é tarde?"
É cedo. E este quarto não se permite escurecer. Nosso plano não deu certo. O tempo que eu dormi, se é que eu dormi, foi como se estivesse apenas pensando. Foi como se estivesse apenas pensando em meus sonhos, no que eu gostaria de sonhar, em não fazer sentido. E essa técnica de divagar só me fez acordar num dia cedo, num prédio queimado, num quarto esburacado.

Antes que pudéssemos decidir qualquer coisa, o quarto desceu um pouco mais, como se fosse um elevador. Sentimos o chão desabando mas não nos preocupamos. A queda foi suave e alterou pouco ao nosso redor. Talvez apenas um pouco mais aconchegante. Talvez apenas um pouco mais enclausurados. A luz continuava entrando pelas frestas, mas agora era filtrada pela fumaça dos escombros. Minha companheira fechou os olhos e voltou a dormir, talvez para afastar a depressão que começava a retornar.

Quando acordamos, estávamos dormindo juntos. Sobre nós, passos. Talvez fossem ratos. Talvez moscas caminhando no teto. Talvez uma equipe de resgate. O que importava é que havia outras vidas no prédio. E caminhavam ao redor da crisálida que chamávamos de nossa.

Fiz sinal para que ela ficasse quieta. Não se mexesse. Assim talvez eles fossem embora e nos deixassem em paz. "Mas que diabos, estamos na nossa casa!", disse ela. Só então percebi que estávamos mesmo. Estávamos na nossa casa, minha e dela. "Mas fale baixo, mesmo assim, qualquer ruído maior pode desabar..."

Havia mais o que fazer lá do que apenas dormir. E quando já estávamos bem dispostos, resolvemos sair para fazer compras. Afinal de contas, era nossa casa. Podíamos sair quando bem entendêssemos. Podíamos voltar ainda na luz do dia. Ninguém poderia dizer que não. Ninguém poderia nos expulsar pelo bem de nossa própria segurança.

Não foi fácil rechear, não foi fácil mobiliar. Não foi fácil encaixar móveis num chão irregular, num solo quebradiço. Mas já havíamos feitos isso antes, não seria impossível fazer de novo. Com cuidado e paciência. Pouco a pouco juntando as migalhas. O pão de hoje no forno de ontem com o queijo de amanhã, tínhamos uma refeição. E pouco a pouco, juntando as migalhas, tínhamos a mesa para servir, pratos para dividir, facas para cortar.

Helena, era o nome dela. Me disse num desses dias em que a gente arrumava a luminária. A luz foi acesa. A energia voltou e nós com medo de desabar. Jantamos olhando para o teto, nos preparando para correr. "Enfim, Helena, prazer em conhecê-la."

Com a boca ainda cheia, ela me disse que estava satisfeita. Com o estômago cheio, ela me disse que estava grávida. Era meu. Nosso filho. Em nossa casa. Enfim, tornávamo-nos uma família feliz. Olhei novamente e o teto não estava mais lá.

Não que estivesse tudo perfeito, nunca esteve. Afinal, a reconstrução nunca terminaria. Acho que nunca termina, a reconstrução de nossa própria casa. Foi tudo tão queimado. Foram tantos andares destruídos, que o que pudemos recuperar já era uma grande conquista. E talvez houvéssemos recuperado mais do que perdêramos. Um quarto extra que desabou entre a sala e a cozinha. Uma nova pia que emergiu do encanamento do banheiro. Mais móveis retirados do escombros, uma porta que nunca esteve lá. Ainda que com problemas na fechadura, nossa casa era mais nossa. Os pedaços de nossos dois apartamentos formavam mais do que um, embora não chegasse a formar dois completos. O bebê vinha dividir.

Já tínhamos vizinhos. Dizíamos bom-dia. Antigos moradores e novos que vinham se apropriar. Donas de casa que armavam seus coques e fingiam nem ligar para as cinzas em suas bochechas. Diziam bom-dia. E respondíamos de volta com um sorriso no canto do rosto, na bochecha, onde não notávamos mais nossas próprias cinzas.

Helena não era a melhor dona de casa do mundo, mas, nesse mundo de casas incendiadas, ela era boa o suficiente. A divisão de papéis, que já não é mais tão rígida hoje em dia, nos tornava ambos donos, ambos responsáveis. E quando nasceu o pequeno Cristiano, essa responsabilidade se tornou ainda maior.

Afinal, tínhamos de alimentar uma criança, trocar fraldas e dar vacinas, tudo isso sob o risco do chão se abrir. Pisando em falso, nesse chão irregular. Isso gerava uma constante tensão. Isso causava um enorme cansaço. E, por isso, às vezes, eu e Helena brigávamos, derrubávamos uma parede, abríamos buracos. Cristiano apenas chorava.

Afinal, isso é que é vida em família, não? Nem todos têm lareiras a acender. Alguns têm de se contentar com um apartamento incendiado. Nem todos bebês tem bochechas rosadas. Alguns são manchados com carvão. O importante é seguir em frente e sentir-se em casa. O importante é trocar as fraldas e não pisar em falso.

Por tudo isso é que não te convido para vir aqui, mãe. Por tudo isso é que anda difícil te visitar. Muito trabalho a fazer, uma criança a alimentar. Tenho medo de que, se eu saia, tudo desabe. E quando volte não haja mais nada aqui. É difícil manter uma família em pé. É difícil manter um lar. Especialmente quem não tem lareira para acender, mas tem lenha para queimar.

(08/04)

30/03/2006

QUANDO ACORDOU, O DINOSSAURO AINDA ESTAVA LÁ*

A fome é maior do que a perpetuação, sim, porque a satisfação individual é maior do que a da espécie. Quem tem fome demais não pode procriar, quem está saciado também não. Mas a perpetuação ainda é maior do que o medo, porque quem se arrisca por esporte também se arrisca por amor. Afinal, talvez o medo seja menor do que tudo. Então a pornografia é maior do que o terror. (de Nazarian, "Mastigando Humanos")

Estou com uma pilha de coisas malditas aqui para ler. Lautréamont, Genet, Dennis Cooper, Will Self. Fora os livro que recebo e não dou conta. Se eu não me policio, acabo só lendo os colegas/contemporâneos. E tem tantos autores clássicos que ainda não comecei. Tantos outros que preciso me aprofundar mais... E todo dia surge alguém assim, bem discreto: "gostaria muito que você desse uma opinião sincera sobre meus contos..."

Deus, preciso ler "Grande Sertão: Veredas" antes dos 30 anos! Mas as franjas, e a França, e as franjas me chamam...

Então (como bom paulista), não que eu leve a sério essa goticidade toda, mas a luz do meu quarto queimou há algumas semanas. E não tem nenhum homem aqui para trocar... De madrugada é meio chato ficar lendo na sala, só de cuequinha, com a brisa fria de outono sobre minhas tatuagens (ok, estou tentando te seduzir, haha). Então decidi acender umas velas no meu quarto para ler os "Cantos de Maldoror".

Na prática, essas idéias funestas nunca funcionam. Mesmo com três velas presas numa lata de sonho de valsa, eu ainda não conseguia enxergar direito. Como sou adolescente, não tenho nenhum abajur. A única coisa que consegui arrumar foi a luminária do meu iguana, com uma lâmpada fluorescente UVA/UVB.

"Então, já que teu sangue e tuas lágrimas não te enojam, alimenta-te, alimenta-te confiante de lágrimas e de sangue do adolescente." (dos Cantos, do Lautréamont)

E o que deveria ser um momento de terror se tornou algo assim, sci-fi. Eu lendo os malditos sobre lâmpadas de radiação reptílica. Será que acordarei como um dinossauro?

Bem, bem... são 4:49... meu iguana ainda dorme. E eu estou aqui.


*o título do post é um micro-conto de Augusto Monterroso, da Guatemala. Não que eu seja de micro-contos...

28/03/2006

BIBAS DEPRIMIDAS.

Estou aqui, em mais uma madrugada, depois de tentar em vão dormir num horário decente (por decente, entenda-se quatro da manhã). Acabei levantando, lendo as cartas e os contos deprimentes do Caio (descobri um sobre a praça Roosevelt, veja só) e baixando o cd novo do Placebo, que é uma porra... porra de ruim.

Ao menos serviu para isso. O cd novo do Placebo serviu para conectar os anteriores com toda essa vibe e me fazer reconhecer a importância que eles tiveram. Ao menos aqui na terra nazariana. (Brian Molko foi meu cliente - ops! - em Londres. Bem tosco. Inclusive cantou um dos barmen e deixou o telefone.) Sempre considerei o som deles um subproduto de Suede, mas ok. Os shows deles no Brasil também foram picaretagem, sem a menor energia e espontaneidade. Mas agora tenho ouvido direto "Centerfolds". E sofrido com a letra camp de fossa:

Come on Balthazar, I refuse to let you die.
Cause that’s wrong,
I’ve been waiting far to long
For you to be... be mine.


"Centerfolds" é do álbum anterior, "Sleeping with Ghosts" (meu favorito). E "Sleeping with Ghosts" tem sido um conceito recorrente aqui em casa, desde "A Vida Iluminada por Fantasmas" até "Aquele que se Escondeu Dentro do Armário". Tem a ver com as fotografias fantasmas, com o filme "Espíritos", com o fantasma de Mário de Andrade no quarto de rapazolas, Caio Fernando Abreu sendo ressuscitado, minha porta rachada, minhas madrugadas sonambulescas e "I Fell in Love with a Dead Boy", do Antony and the Johnsons.

Enfim, não espero que entendam. Ao menos leiam o post anterior, das fotografias fantasmas, que vai diverti-los...
Volto a tentar dormir agora ouvindo "Bibas Deprimidas", um cdzinho que gravei fazendo seleção das coisas mais gays e mais dramáticas da minha discoteca. Um sofrimento gostosinho. Fica o playlist:

KLAUS NOMI – DEATH
RUFUS WAINWRIGHT – L’ABSENCE
ELTON JOHN – SACRIFICE
LEMONHEADS – BIG GAY HEART
SECOS E MOLHADOS – AS ANDORINHAS
LOU REED – WALK ON THE WILD SIDE
ANTONY AND THE JOHNSONS – I FELL IN LOVE WITH A DEAD BOY
MARC ALMOND – YESTERDAY WHEN I WAS YOUNG
DAVID MCALMONT – IT’S ENOUGH
BOY GEORGE – DO YOU REALLY WANT TO HURT ME
CAUBY PEIXOTO – WHAT’S NEW
MICHAEL JACKSON – SPEECHLESS
ERASURE – SO THE STORY GOES
MORRISSEY – WE’LL LET YOU KNOW
HIM – BEAUTIFUL
BILLY MACKENZIE – PAIN IN ANY LANGUAGE
KÉ – I AM NOTHING
PLACEBO - CENTERFOLDS

(Achava o que? Que eu era um desses que escutava blues? Me poupe.)

25/03/2006

AQUELE QUE SE ESCONDEU DENTRO DO ARMÁRIO.

Uma vez em Bremerhaven, uma pequenina cidade no norte da Alemanha, eu estava conhecendo um cemitério e vi uma crípita aberta. Resolvi entrar para dar uma explorada, desci as escadas, cada vez mais escuro. Lá embaixo não consegui ver mais nada. Um breu só. Como estava com minha câmera, resolvi bater uma foto e iluminar com um flash o local...

Nada. Nenhum caixão, nenhuma alma penada. Apenas uma sala vazia. Devia estar aberta por isso, tinham esvaziado. Mas eu tinha certeza de que quando revelasse o filme, haveria algo lá...

Nada. Nenhuma velhinha. Nenhuma névoa. Nem mesmo uma sombra estranha. E essa foi minha última tentativa de registar um fantasma. Que oportunidade melhor eu teria?

E hoje fui assistir com Cristiane Lisboa o filme "Espiritos", dirigido por uma dupla de tailandeses. O filme é em cima dessas fotos que mostram espíritos. Interessante. Mas repete todas as fórmulas de filmes de terror orientais recentes ("O Chamado", "Dark Water", "The Eye"). Nada novo. Pelo menos o protagonista é gatinho...

Então vai aí. Acho que já coloquei este link aqui, faz tempo, mas mando de novo. Um site brasileiro que analisa supostas fotos de fantasmas. Bem divertido:

http://www.ceticismoaberto.com/fotos/fotofantasma00.htm

E também tem um vídeo, que recebi ontem do Coelho:

http://youtube.com/watch?v=yjH6hwWRD68

Para quem acredita nessas coisas... Outro dia eu estava conversando com um pitéu... e ele me disse que costumava ver uma aparição no apartamento dele: "De um escritor, sabe, aquele de óculos, que tem um rosto comprido, como é mesmo o nome dele?"

"Mário de Andrade?"

"Isso, esse aí. Outro dia eu estava dormindo, só de cueca, de repente vi um homem sentado ao lado da cama. me cobri e fechei os olhso. Quando olhei de novo, ele não estava."

Ele parecia falar sério... então tive de avisá-lo...

"Mocinho... você sabia que Mário de Andrade era gay?"

24/03/2006

SINAPSE NONSENSE

Deu curto circuito na minha casa das máquinas. Tenho sentido gosto de mousse de limão ao tomar coca-light. Meu frango tem resquícios de detergente e água sanitária. Se me virem esquelético por aí, é porque ainda não descobri qual peixe tem gosto de chocolate.

18/03/2006

ELEKTRO BRASILIS

Ontem fui a mais um show da Karine Alexandrino, no Studio SP, festinha organizada pela Fabbie, minha ex oficial. Além de ver a Karine, tive o prazer de ganhar o novo single do Multiplex, em duas partes. Coisa contagiante, principalmente a faixa "Particularidades", com um refrãozinho cheesy anos 80 e uma deliciosa guitarra funky.

O Multiplex é banda que mistura elektro, disco e glam, com os vocais retrô de Leandro Cunha - que parece um filho de Marc Almond, Cauby Peixoto e Scott Walker. E eles têm muitas influências desses artistas, desse som de fossa, mas atualizando com batidas eletrônicas. Fossa Nova, baby.

A Karine Alexandrino também tem algo de elektro e também muito de kitsch, mas com influências mais de jovem guarda e cantoras francesas dos anos 60. As letras são hilárias, com títulos como "Como me Tornei uma Adúltera" e "Tenho Fome, Mas Vou Buscar Nosso Dinheiro".

Karine está em SP para shows, mas é do Ceará, assim como o Montage, outra banda de elektro, essa com muito de punk e elektrogoth. Daniel Peixoto, vocalista, tem uma performance impressionante no palco, se esfregando só de cuequinhas nos alto-falantes e cantando coisas como "I Wanna Fuck You So Hard". Eles também fizeram um funk pronto para tocar no Globo Esporte, "Ginastas Cariocas", em homenagem/sátira a Daiane dos Santos e Danielle Hipólito.

E tem vários outros amiguinhos fazendo música eletrônica. Um dos que eu mais gostava era o Real Madrid, do Ronaldo Estevam. Era um som assim... meio abertura de programa de socialite, tipo Amaury Junior ou Ataíde Patreze. Lounge kitsch finérrimo. Eu até deixei tocando no lançamento do "Feriado", ano passado. Mas não sei por onde anda atualmente.

Tem também o Jumbo Elektro, que apesar do nome não é tão elektro assim. É uma banda inteira, com bateria, baixo , guitarra, apesar dos samples. O som é uma mistura de Karnak, Devo e B52's. Lançaram um álbum bem legal. E os shows são um espetáculo. Mas também não sei o que andam fazendo.

Totalmente eektro é o No Porn, projeto da queridíssima Liana Padilha e do Luca Lauri. Eles estão bem inseridos no mundo da moda, um som muitas vezes perfeito para desfiles, com letras que fazem referência ao underground paulistano, como "Baile de Peruas" ("peruas, peruas, peruas").

E uma das duplas que trabalha a eletrônica a mais tempo é o Tetine. Há alguns anos estão com base em Londres, e ultimamente flertam com o funk carioca. Mas eu gostava mais quando eram trevosos e suas músicas eram histórias sinistras baseadas em Brecht, como no excelente cd "Música de Amor", de 98 (meu favorito).

Quem mais? Cansei de Ser Sexy, claro, a mais bem produzida dessa bandas. Têm tudo para estourar. É algo como uma "Kelly Key from hell". Se eu fosse eles, faria urgentemente um clipe da música "Superafim", para grudar na cabeça do povo o refrão "superafim, superafim, superafim de mim".

E eu mesmo já tive meu projetinho elektro, antes mesmo de saber o que era isso. Em 98. Chamava-se Silhouetics, e era uma porra. Haha. Mas divertido. Eu estudei piano, então fazia tudo, teclado, programações e vocal em Spoken Word. Vai aí uma das letras toscas, inspirada naquele carro que vende pamonha:

CORN CREAM COMES

I've Done My Best to Look androgynous
I've tried so hard to look Britsh
But I can't pretend to be what I'm not
when the car with the corn cream comes
right through the streets I'm working in

Eu sou um menino, latino, cassino, albino, suino...
I've tried so hard
But I haven't tried the castration

16/03/2006

EPITÁFIO

Outro dia estávamos conversando sobre epitáfios. Eu não conseguia pensar em nada para o meu. Daí esta semana me perguntaram isso numa entrevista e tive de pensar em algo interessante. Então veio:

Aqui, jazz. Lá fora, funk. Quem se fodeu?

Haha. Vocês podem ver a entrevista completa aqui:

http://www.teatrofantasma.blogspot.com/

15/03/2006

QUEM QUER BRINCAR COMIGO PÕE O DEDO AQUI!

Ontem provei do arroz de carreteiro mexicano de Cristiane Lisboa. Nos reunimos todos, escritores emergentes, na casa dela, com a presença célebre de minha agente, Ray-Güde, que está no Brasil para a Bienal, para assistir a reprise do Jô. Só mesmo muita vodca para não me constranger. Mas meus dotes de barman foram questionados, haha. A Ray não conseguiu beber minha caipirinha de carambola com Kiwi, e olha que os alemães são bons para essas coisas...

Hoje tenho mais uma caralhada de emails e scraps de gente que viu o programa. Tudo bem, desta vez eu já estava preparado, e acho que foi mais suave do que da primeira vez. Mas ainda acho muito esquisito. Todo mundo querendo "ser meu amiguinho" . Vale pelo carinho, tem algumas mensagens bonitinhas, mas e os livros? Fui no programa para divulgar isso. Daí recebo aquelas coisas esquisitas escritas em minxinguês: "Mi add, axei vc d+, kero ler seu livro". (Esse povo sabe ler?)

O orkut é lerdo, sempre dá pau, eu não quero chegar aos 1000 amigos e ficar recebendo spans idiotas. Nem dá para responder os scraps (e muitas vezes eu não tenho o que responder). Então só leio mesmo.

Mas para os razoáveis, que perguntam onde acham os livros, respondo: Existem lojas especializadas nesse comércio, chamadas de livrarias. Haha. E geralmente, quando elas não têm o livro lá, fazem encomenda. Isso é normal. Uma livraria raramente tem um grande estoque. Geralmente elas só têm os lançamentos e bestsellers. Livros de catálogo dependem de encomenda...

Ou podem ser facilmente pedidos pela net: www.submarino.com.br; www.livrariacultura.com.br; www.saraiva.com.br; etc, etc.

Também podem ser encontrados na Bienal, principalmente no estande da Planeta. Eles andam escondendo meus livros, talvez por eu ter assinado contrato com a concorrência. Sábado nem tinha "A Morte Sem Nome" exposto, só "Feriado de Mim Mesmo". Mas quero acreditar que depois do Jô eles corrigiram isso. E você pode e deve ir lá, pedir. Afinal, eles não querem ficar com meus livros encalhados, querem?

Eu mesmo só tenho "Olívio", meu primeiro, para vender aqui. Esse é mais difícil de encomendar nas livrarias, porque saiu por uma editora pequena. Então mando autografado por 21 reais, para todo Brasil. É só fazer depósito na minha conta e confirmar mandando o endereço. Para pegar os dados da conta, escreva para santiagonazarian@gmail.com

Aqueles que querem saber mais sobre os livros, podem ler nos links aí no canto superior direito da tela. "Mastigando Humanos" é o próximo lançamento, previsto para agosto, que ainda não estava pronto quando fui ao Jô, por isso não falei nele. E ainda não posso dar detalhes.

Hum... que mais? Quem quiser amostra grátis, pode ler os contos que estão linkados, também no canto superior direito da tela. Ou podem ir me ver na Casa das Rosas, na Paulista, dia 8 de abril, sábado, 18h. Vou ler um conto meu de terror, algumas outras coisas e responder eventuais perguntas do público. É uma boa oportunidade para quem for de São Paulo me encontrar. Podem levar livros para eu autografar, claro. Não autografo guardanapos. haha.

Meu iguana continua me tratando com indiferença, isso é o que me impede de ficar esnobe.

Valeu pelo carinho. Obrigado pela atenção.

13/03/2006

A VIDA ILUMINADA POR FANTASMAS

Você vê, quando consigo acertar um final de semana carinhoso e cultural, meu apartamento desmorona. Ele precisa de mim, acho que sim, é só eu pisar na rua para as frutas apodrecerem na geladeira...

Bienal foi dos programas mais intensos. Bom para verificar a pré-recepção de meu próximo livro - "Mastigando Humanos" - com alguns editores, ganhar presentinhos e confirmar lançamentos. Dentre eles, uma nova edição de "O Senhor das Moscas" (William Golding), na qual eu faço a introdução. (Para quem não leu, é um clássico de naufrágio, mistura de "Lost" com "A Praia", só que mais perverso) Já está à venda. Nova Fronteira.

Comecei com um amigo um roteiro para um curta baseado no meu conto "Pó de Vidro e Veneno de Cobra". Vamos ver se esse dá certo.

Teve também "Praça Roosevelt", a vida encenada por lá. Bad trip das melhores. Coisa para deprimir filhos do milho como eu, que moram augusta acima, e estão sempre escorrendo para o ralo... Estou falando de uma peça de teatro, querido, elogiando.

E teve festinhas com amigos queridos que andavam afastados. Quero dizer, eu andava...

Então volto pra casa e o telefone não funciona, meu refrigerador não seca minhas meias, minha chaleira não passa as camisas e o ferro torra as torradas. Araki faz a festa no terrário. A luz do meu quarto queima e não posso ler. Para ver alguma coisa por lá, tenho de ligar a televisão, que fica fora do ar, daí meu quarto é iluminado pelos fantasmas. E eu acho que minha vida inteira é iluminada assim .

Ui, drama, drama. Trauma, trauma.

Nah... essa decadência toda deve ser fruto do que eu venho ouvindo. Os cantores decadentes de Cabaret. Só isso. Agora é Marc Almond, mas também tem Antony, Rufus, Scott Walker, McAlmont, Andi Sex Gang, Cauby, Dussek, Nelson Ned... Vai aí uma amostra de letra decadente genial:

Yesterday when I was young
The taste of life was sweet as rain upon my tongue
I teased at life as if it were a foolish game
The way the evening breeze may tease the candle flame
A thousand dreams I dreamed
The splendid things I planned
I always built alas on weak and shifting sand
I lived by night and shunned the naked light of day
And only now I see how the years ran away
Yesterday when I was young
So many drinking songs were waiting to be sung
So many wayward pleasures lay in store for me
And so much pain my dazzled eyes refused to see
I ran so fast that time and youth at last ran out
I never stopped to think what life was all about
And every conversation I can now recall
Concerned itself with me, me, me and nothing else at all
Yesterday the moon was blue
And every crazy day brought something new to do
I used my magic age as if it were a wand
That never saw the waste and emptiness beyond
The game of love I played with arrogance and pride
And every flame I lit too quickly quickly died
The friends I made all seemed somehow drift away
And only I am left on stage to end the play
There are so many songs in me that won’t be sung
I feel the bitter taste of tears upon my tongue
The time has come for me to pay
For yesterday....when I was young, young, young,......young

Mas decadente mesmo é o cd de reggae da Sinéad O'Connor, que estou baixando...

E para quem ainda não viu, esta segunda tem reprise da minha entrevista no Jô.

E, marquem na agenda, dia 8 de abril, sábado, 18h, vou estar numa leitura aberta na casa das Rosas (Paulista). Lendo coisas decadentes, trevosas e inéditas. O lugar não é assombrado?

Até lá, já vai estar nevando.

VIAGENS DE AGOSTO

Eu e meu jerimum. Depois de BH, Flip, Bahia, teve Minas de novo: FLIF, um festival do Instituto Federal do Sul de Minas em que EU fui o auto...