18/07/2012


O QUE ANDA LENDO?



Leandro Juliani, modelo. 


Nazarian: Quer fazer minha coluna, boneco?

Juliani: Como assim? Hahahahaha

Nazarian: Coluna ESCRITA (a coluna servical prefiro EU fazer...).

Juliani: Eu sei disso seu besta... hehehehe

Nazarian: Eu tenho pego todo tipo de pessoas, bato um papo rapidinho aqui sobre o que a pessoa está lendo e publico em forma de bate-papo mesmo, no meu blog. Uma vez por mês sai numa revista de literatura também, mas lá faço só com escritores.

Juliani: Entendi.

Nazarian: E aí, o que tem lido?

Juliani: Ultimamente ando tão bitolado com assuntos da facul que tenho tido pouco tempo para me dedicar à leituras por hobby... O último livro que li foi O Mundo de Sofia...Tão infantil...rs

Nazarian: Ahh, não é tão infantil... Bem, falando em infantil, eu imagino que esse livro seja em parte responsável por esse surto de Sofias que estão nascendo por aí, nome da moda... Mas, gostou?

Juliani: Gostei, é interessante para os totalmente leigos em filosofia poderem descobrir um pouco mais... Assim como eu...heheheheh

Nazarian: Mas é escrito como ficção, não? Não segue uma trama? Já ouvi falar muito desse livro, mas nunca li.

Juliani: É escrito como ficção sim, mas tem uma ordem de acontecimentos...

Nazarian: Como é a trama em si?

Juliani: Bom, Sofia tem 15 anos e um dia voltando pra casa encontrou primeiramente dois envelopes... Dentro desses envelopes há conteúdos que a fazem questionar sua existência, de onde viemos, para onde vamos, etc... E isso se repete com o passar dos dias, despertando-lhe ainda mais o interesse...

Nazarian: Um tarado a está perseguindo...

Juliani: Não é um tarado...kkkkkkkkkkk Mais para frente ela irá descobrir que é seu próprio pai que lhe envias essas correspondências...

Nazarian: Então essa é a moldura fictícia? As perguntas que assolam a filosofia (e a Sofia) vão chegando em envelopes anônimos fazendo ela questionar sua realidade?

Juliani: Exatamente, ao mesmo tempo que lhe dão mais clareza sobre os filósofos da natureza...

Nazarian: "Sofia era uma menina muito inquieta, porém muito feia, coitada. Tinha dúvidas existencialistas e o único homem que lhe mandava cartas era seu próprio pai."

Juliani: hahahahahhaah. Não tinha pensado por esse ponto de vista... Ela não tinha interesse por esse assunto... Nunca tinha se questionado sobre se tinha vindo da barriga da sua mãe ou sido feita pelo cosmos...

Nazarian: Bom, eu posso estar sendo extremamente machista, mas talvez as questões fundamentalmente existencialistas nasçam mesmo com os homens... As mulheres acho que procuram resolver isso... com um homem. Haha. Digo, as mulheres talvez resolvam o "de onde vim" com um "para onde vou" mais concreto, sendo capazes de engravidar. A gravidez talvez seja a maior manobra anti-existencialista...

Juliani: Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk Ai, Santiago, to chorando de rir com sua versão do livro....

Nazarian: O homem, mesmo quando se torna pai, permanece essencialmente um filho. Afinal "pai" é um papel meio acessório, dispensável... Você prefere ler coisas assim, com um fundo didático por trás ou curte ficção/entretenimento também?

Juliani: Na verdade li esse livro por indicação de um professor... Mas curto também alguns temas puramente fictícios...

Nazarian:  Em que linha?

Juliani: Li algum tempo atrás também Histórias Extraordinárias.

Nazarian: Uh-hu, Poe. Sabia que tinhas um lado gótico...

Juliani: Achei interessante...Essa linha do Terror me fascina bastante tb... Achei rico e cheio de detalhes...

Nazarian: Hum, hum, agora estamos chegando a algum lugar... Hehehe. Bom, O Mundo de Sofia é um sucesso, né? Você arrisca dizer por quê?

Juliani: Porque fala sobre Filosofia de uma forma que facilita a compreensão... Sem ser maçante... Entende?

Nazarian: Hum, é, as pessoas sempre querem conhecimentos objetivos, mesmo num livro pretensamente de ficção...

Juliani: Exato!!!

O Mundo de Sofia foi publicado no Brasil pela Cia das Letras. 

13/07/2012

LEMBRANÇAS DE MORTES PASSADAS


Eu, aos 9. 


- Quando eu tinha uns cinco, seis anos, tive uma daquelas febres de criança. Minha mãe voltou do trabalho e me trouxe bonecos de borracha do Pernalonga, da Pantera Cor-de-rosa, do Tom & Jerry. Não entendi direito o que eu havia feito para merecer presentes, mas foi instantaneamente instaurado em minha mente (por "reforçamento positivo") que era bom ficar doente.

- Aos 18, fui operado de apendicite e fiquei internado no Sírio Libanês. Além da família, minha avó, minhas tias, vieram me visitar a menina que eu namorava e o menino com quem eu ficava. A chapação da anestesia geral tornou minhas lembranças mais oníricas e prazerosas. E que falta que me faz, desde então, uma cama cheia de movimentos e posições.

- Aos 24, defendi o bar que eu trabalhava de um assalto. Levei quatro tiros e fiquei em coma quinze dias. Mas nesse período tive os delírios que iriam gerar A Morte Sem N.... Ah, é mentira.

- Aos 27 eu tinha um namorado loiro, russo e cabeludo, e isso acabava comigo. Quando eu tinha uma gripe, uma febre, uma dor de siso, eu até procurava colo. Mas era ele deitar comigo para confirmar que eu ainda tinha muita saúde. E assim nós nos matávamos aos poucos.

- Nesta semana, após anos de pura saúde, tive uma febre de 39 graus. Achei gostoso não precisar sair, não precisar comer, não precisar nadar. Dormi umas 20 horas por dia, trabalhei umas 4 - na cama. Teria sido melhor se OS FILHOS DA PUTA dos vizinhos não estivessem (como sempre) martelando o prédio inteiro reformas abaixo. De toda forma, deu pra aproveitar, por dois dias. Na noite do segundo já estava hiperativo, sem sono, sem febre - bem, estou postando isso agora, de madrugada. Checo o termômetro e confirmo: Merda, amanhã vou ter de ir pra escola.


09/07/2012

 E LENDO A LISTA DA GRANTA...


Os excluídos.

Com Cristiane Lisbôa, escritora e editora. 


Lisboa: Naza, hoje saiu a Granta, todo mundo comentando. Tu tá bem? Vai fazer alguma coisa? Vai ficar em casa? Pega teu cartão de crédito, compra uma passagem e vem pra cá [Porto Alegre] pra gente beber drinques com cores que não se misturam. Tô com saudade, tô preocupada, me dá um sinal de vida. Amo-te.

Nazarian: Ai, Cris, não me azucrine com isso de Granta, por favor. Estava super bem até AGORA.


Lisboa: Ai, Naza. Poxa. Só queria mesmo saber como tu está. Enfim. Me desculpe então.

Nazarian: Agora estou bem de novo, só porque abri um champanhe e estou tomando solito. Mas me senti ultrajado com sua incitação de alarde por minha parte.

Lisboa: Naza, sou tua amiga. Conversamos sobre isso há algumas semanas, eu sabia que estavas chateado. Enfim, me desculpe. Não era minha intenção te ofender.

Nazarian: Bah! Não é pra tanto. Não fiquei ofendido. Só foi MUITO DIFÍCIL superar isso. Haha. E daí vem você tipo: SANTIAGO, NÃO SE MATOU PELA GRANTA, NÉ? Haha. Mas ok. Vi a seleção, não me surpreendeu. Achei que eles pegaram basicamente os indiscutíveis, sem ousadia. Uma coisa de bom gosto, e eu sei que sou de gosto discutível. Mas tenho de firmar nisso, no que eu gosto e sei fazer. Inclusive, o texto que eu mandei pra Granta, que era um conto, será meu próximo romance. Já comecei. Nicole [minha agente] gostou bem da ideia. Se o romance for sucesso, digo CHUPA GRANTA, se for fracasso, me mato.

Lisboa: Tua mensagem foi drama queen. “Chupa Granta” pode ser o título. Hahahahahahahahahahahaha. Achei a lista bem óbvia. Ninguém me espantou. Que sem graça.

Nazarian: Muita gente com instituições por trás, né? E nós que estamos sós... Achei bacana que o Cristhiano Aguiar está. Que não é tão conhecido, e é um menino talentoso. Mas nada de surpresas. Todo mundo acadêmico, hétero, vestidinho de escritor. O importante é isso, PARECER bom escritor. 

Lisboa: Aham. Blé. E capa feia. Que explodam. Que bom que tu tá bem. E tinha champagne.

Nazarian: Tem três garrafas de Veuve Clicquot aqui há meeeeses. Mas nada nem ninguém para comemorar. Achei que eu merecia abrir uma. Ah, feio também  (A) Napaula Maia não estar.

Lisboa: Ela é boa.

Nazarian: E Andreia, e Veronica, mas acho que essas nem mandaram, enfim. Marcelo Moutinho...

Lisboa: Enfim, estas listas são sempre tolas. Sinceramente acho.

Nazarian: Meio palha essa coisa de só ter entrado gente com formação acadêmica. Porra, eu NEM MENCIONEI minha formação acadêmica no meu currículo de inscrição, porque pra mim isso é irrelevante para um escritor.

Lisboa: E é.

Nazarian: (Não que eu tenha lá grande formação. Comunicação na FAAP, né? Haha)

Lisboa: Comunicação na FAAP é teu lado patricinha. Faz contraste com a parte de roteirista de tele-sexo e maroto [paquito da Mara].

Nazarian: Eu devia ter colocado que fui maroto no currículo da Granta. Continuaria desclassificado, mas receberia um convite pra G.

Lisboa: E na tarja preta da capa? CHUPA GRANTA. Eu riria por semanas a fio. Semanas.

Nazarian: Hahaha. Continue se esforçando nessa conversinha... Que estou pensando em editar isso pra minha coluna...

Lisboa: Me perdoa. Tô morta com farofa em volta. Não consigo ser inteligente quando tô cansada e de regime. A fome me tira o sarcasmo e o cansaço, a rapidez. Foda.

Nazarian: Você pode mandar as piadas depois para eu enxertar.

Lisboa: E palmas na sequência. Como chama isso em roteiro de comédia ruim? Claque? Cague? Clegue?

Nazarian: Claquete...? Não, é claque.

Lisboa: Clegue é o nome da mulher do Júpiter maçã. Preciso entrevistar o Maçã.

Nazarian: Eu me surpreendo de ele ainda estar vivo!

Lisboa: Sim. Eu também. Ele é muito, muito doido. Tenho um pouco de medo.  Sabe que Caio [ o gato de estimação dela] foi morar na praia? Bicha aposentada que se muda pra praia; classe média.

Nazarian: O gato?

Lisboa: Não, o escritor. Claro que o gato. Ele tava bem louco, muito grande para um apartamento pequeno, o veterinário disse que ele precisava de espaço. Fiquei bem triste. Mas amar é deixar livre. Isso o veterinário disse também.

Nazarian: Bom, mas vamos falar mais da Granta, que se eu for fazer coluna preciso de material.

Lisboa: Não tenho mais nada pra dizer. Capa feia. Gente óbvia. Nenhum drama. Nenhum sangue. Nenhuma fofoca. 

Nazarian: Eu gostei da capa. Dá uma (bad) trip.

Lisboa: Enfim, uma chatice só. Exatamente como o mundo dos escritores.

Nazarian: Não sei se vai estar chata, mas sem dúvida vai estar muito séria.

Lisboa: Chata, Naza. Vai ser chata. Me escuta.

Nazarian: Bom, Geração Zero Zero já é meio chata, mas é uma seleção bem mais real dos que já fizeram. Não foi feita por um só texto.

Lisboa: Gosto do nome zero-zero, biro-biro.

Nazarian: Viu que a Record lançou um "Geração Subzero", tipo com os "excluídos" [da Geração Zero Zero]?

Lisboa: Hahahaha. Não vi. 

Nazarian: Não. Não são bem os excluídos, são autores que vendem, mas são ignorados pelo meio literário, tipo André Vianco, Thalita Rebouças.

Lisboa:  A Thalita tem um apartamento em Portugal. Achei a ideia mara. Adoro autor que vende e detesto este gueto de gente supostamente inteligente.

Nazarian: E quem nem vende nem é inteligente? Tipo time dos losers...

Lisboa: É gente feliz. Estão ai, preocupados com as maldades da Carminha da novela.

Nazarian: Carminha who? Você não esta falando de mim, está?

Lisboa: Tu vende e é inteligente. Não me venha com dramas existenciais inexistentes a esta hora. Fora que tu é magro- tão melhor ser magro

Nazarian: Fui magro. Agora sou bombado. Digo, bombado no mau sentido.

Lisboa: E o XXXXXXXXXXXXX [autor selecionado da Granta]? Cara de pau mole.

Nazarian: Cuidado que isso entra na minha coluna.

Lisboa: Ele é meio bonitinho. Isso dentro do meu ex-tipo.

Nazarian: Vou postar que tu acha XXXXXXXX pau mole.

Lisboa: Hahahahahah, que horror! Mas tu não acha?

Nazarian: Bom, os paus moles nunca me impediram de ser feliz.

Lisboa: Ah, é.

Nazarian: Granta, Granta....

Lisboa: Muda o disco. 

Nazarian: Estou pensando na minha coluna! Eu vivo do meu sofrimento!

Lisboa: Não faça isso. Ou não diga que fui eu.

Nazarian: Não vou postar que você disse que XXXXXX é pau mole. Coloco uma tarja preta no bingolim mole dele. Escrito CHUPA GRANTA. De repente, endurece.

Lisboa: Hahahahahahaha.  Olha, certo que é. [Nesse momento, todos os selecionados da Granta com problemas de ereção acham que estamos falando deles].  Hahaha. Eu rio sozinha contigo.

Nazarian: Será que a Averbuck mandou?

Lisboa: Sei lá. Mas tem gente boa, né? A Bensimon é boa. Gosto do Laub. Gosto mesmo. E o Fraia. 


Nazarian: O Galera... Porra, a gente tá aprovando muita gente, tá legitimando a seleção. Bem, meia dúzia lá não precisava estar...


Lisboa: Aquela lista do Cuenca [Amores Expressos] era mais legal, dava pra viajar, rolava uma grana.

Nazarian: Sei lá, essa de repente gera mais business... Viagens também. Eu estar no Bogotá  [39 - dos melhores autores jovens latino-americanos] gerou todas essas minhas viagens pelas América Latina, Espanha. Mas Brasil caga para América Latina. Aqui não repercutiu.

Lisboa: Mas adoro o fato de que as pessoas reais nem sabem que isso existe.

Nazarian: As pessoas reais não sabem que nada do que fazemos existe. Então em quanto mais coisas pudermos estar - Granta, Zero Zero, Subzero, Bogotá - melhor. Viagens, Lisba, publicações. É nisso que eu pensava mais pela Granta. Tô pouco me fodendo se Manuel da Costa Pinto acha se eu sou dos melhores ou não.

Lisboa: Hora de dormir. Vou ficar rica e te levar pra viajar, prometo.

Nazarian: Bom, viajar eu já viajei demais. Agora preciso ficar feliz quando os OUTROS NÃO viajam. É o que eu falo, a felicidade é uma utopia. Melhor se contentar com o sofrimento alheio. Haha. Beijos. 



Os jovens autores selecionados para a Granta são: Cristhiano Aguiar, Javier Arancibia Contreras, Vanessa Barbara, Carol Bensimon, Miguel del Castillo, J.P. Cuenca, Laura Erber, Emilio Fraia, Julián fuks, Daniel Galera, Luisa Geisler, Vinicius Jatobá, Michel Laub, Ricardo Lísias, Chico Mattoso, Antonio Prata, Carola Saavedra, Tatiana Salem Levy, Leandro Sarmatz e Antônio Zerxenesky.


Parabéns sinceros a eles. E tudo de pior aos jurados (quando vocês estiverem sofrendo, pensem que eu ficarei feliz em saber.)




Só dá para brindar ao sofrimento alheio. 



04/07/2012

O QUE ANDA LENDO?
Charly Braun, cineasta. 


Nazarian: Charly, bora? O que anda lendo?

Braun: Agora estou lendo Argentinos, de Jorge Lanata, um grande jornalista do país hermano que é uma espécie de Michael Moore e consegue ser uma das poucas vozes ativas de peso contra o atual (e catastrófico) governo de Cristina Kirschner.

Nazarian: Hum, eu li o recorte de jornal que você postou. Está preparando algo sobre o tema ou é curiosidade de cidadão mesmo?

Braun: Eu sou metade argentino e esse livro na verdade é um livro muito mordaz que conta a história do país desde o seu início. Decidi conhecer um pouco mais, pra tentar entender esta minha outra metade. Confesso que a história deles é bem mais trágica do que a aparente elegância de Buenos Aires pode insinuar.

NazarianAchei que você era metade uruguaio...

Braun: Sou 50% brasileiro, 30% argentino, 10% Uruguaio e os outros 10% não decidi....

Nazarian: Paraguaio que yo sei...

Braun: Hahahahaha...  Na verdade, avô inglês e outro chileno, avó gaúcha e a outra uruguaia. Pai argentino, mãe brasileira e nascido no Rio. É complexo! Mas queria falar também do livro anterior que li a algumas semanas atrás. Retrato de um Viciado quando Jovem, Bill Clegg. 

Nazarian: Hum, é não ficção, não é? Que tal?

Braun: Um daqueles livros que você não consegue largar! Visceral, uma autobiografia fascinante sobre a descida ao fundo do poço de um jovem agente literário de sucesso.

Nazarian: "Jovem agente literário de sucesso" me parece um paradoxo...

Braun: Sim, mas falamos de América, terra onde essas coisas são possíveis... rs. Mas é curioso como cheguei nesse título. Tenho um amigo, o cineasta Jonathan Nossiter, que me indicou um filme de um amigo dele que estaria no Festival de cinema de Tribeca, em NY. Chama-se Keep The Lights On. Fui sem muita expectativa e o filme é muito bom. Conta a história de um relacionamento, ao longo de dez anos, que termina porque um jovem agente literário de sucesso não consegue conter seu vício (crack). No bate papo após a sessão o diretor contou que era um filme autobiográfico, sobre a história dele. Descobri depois que seu parceiro era o Bill Clegg, que havia contado a sua versão da história, mas falando menos da relação e mais do vício. Comprei o livro e não consegui parar de ler. Uma história assustadora, muita bem escrita, de uma franqueza assustadora.O livro foi editado em português pela Cia. da Letras. Espero que alguém traga o filme também porque é muito bom!

Nazarian: Eu estava conversando com a Tatiana Salem Levy esses dias sobre isso, sobre esses livros de DROGAXX, que mesmo quando mostram o lado sórdido e verdadeiro acabam gerando uma curiosidade, uma vontade... Não é assim?

Braun: Sim, geram isso sim, ainda mais neste caso. Um cara jovem, bonito, educado, com uma profissão de sucesso, que joga tudo pela janela: carreira, dinheiro, amor, família, tudo. É uma loucura!

Nazarian: Mas não entendi direito, o filme é baseado no livro?

Braun: Não. Pelo que entendi o Bill escreveu o livro antes, e depois o Ira fez o filme. São duas obras bem diferentes, mas ao mesmo tempo muito complementares.

Nazarian: Ah, então os dois eram um casal, isso?

Braun: Sim, eram. O filme é uma grande e trágica história de amor, no fundo.O livro já vai mais pro lado do vício e seus psicologismos.

Nazarian: (Você tem que me explicar, que não estou acostumado com esse mundo de homossexualidades. Para mim "parceiro" é tipo brother, brow, haha)

Braun: Hahahaha

Nazarian: Mas enfim, o cara é jovem, bem sucedido, tem um período viciado em crack, escreve um livro, tem adaptação para o sistema, é traduzido em diversas línguas... Acho que não é das piores propagandas do crack.

Braun: Não, porque ele consegue sair do vício. Mas no caminho põe seus anos de ouro a perder.

Nazarian: EU TENHO PASSADO UM INFERNO MAIOR COM NUTELLA!

Braun: Ele chega no fundo do poço mesmo, quase morre. É muito triste.

Nazarian: Vou comprar... Embora eu tenha um pouco de medo de ler essas coisas, ando tão purinho...

Brau: hahahaha

Retrato de um Viciado Quando Jovem foi lançado no Brasil pela Cia das Letras. 

02/07/2012

O EXISTENCIALISMO BIZARRO COMPENSA



Vampiros não são fofinhos. Lobisomens estão cheios de pulgas, e zumbis fedem como um esgoto a céu aberto. Acredite em mim, eu sei do que estou falando. Não só porque sou um especialista em filmes de terror, mas porque meus pais tiveram a brilhante ideia de me matricular num colégio para monstros.  Ok, ok, sei que pode parecer bem legal. Tipo, aprender a virar morcego em vez das equações exponenciais; ter de decorar todos os assassinatos do Jason no lugar da tabela periódica. Além do mais, minha diretora é uma baita gostosa. Mas... do que eu estou reclamando? Pô, tem gente MORRENDO! Derreteram a cara de um colega meu com ácido! Você acha isso divertido? O que há de errado com você?! Bom, senta aí então que eu acho que você vai gostar dessa história. 



Taí. Essa é a capa do meu romance juvenil, que sai no próximo mês, pela Record. Foi ilustrado pelo Lestrange e teve patrocínio da Petrobrás. Um desafio bacana escrever algo especificamente para esse público, até porque será meu sétimo livro, e fico procurando alternativas para que cada nova publicação não seja apenas "mais uma", para eu mesmo não me repetir, buscar outros formatos, outros públicos, outros resultados...

Conversei bastante sobre isso este final de semana. Fui jantar ontem com minha agente, Nicole, que sempre me dá valiosos conselhos de carreira. Editora no Brasil, salvo raríssimas exceções, não trabalha a carreira do autor, só trabalha o livro. E eu mesmo sou muito pouco integrado ao meio literário, não frequento, não é minha turma, não tenho muito com quem bater bola. Marcelino Freire é dos meus raros amigos escritores (e ele é meu AMIGO, pelo amor de Deus. Tem tanta gente que acha que a gente é namorado, ou tem um caso, que até livro pra ele agora mandam entregar na minha casa - Haha. Porra, o povo ainda não entendeu que meu apetite é só para os andróginos, delicados e alternativos?). Também encontrei com ele este final de semana e também pudemos trocar figurinhas (figurinhas!!!). Há um bom tempo me sinto numa encruzilhada na carreira, agora as coisas começam a ficar mais claras...

Com Nicole, planejando como DESTRUIR o mundo. ("Conquistar" já não é uma opção.)


Falando nisso, tem novas publicações internacionais vindo aí. "Eu Sou a Menina Deste Navio" (conto do Pornofantasma) sairá numa antologia na Alemanha. "Espinha de Peixe" está na antologia El Futuro No És Nuestro, de autores latino americanos, que já foi publicada numa dúzia de países e agora sai em inglês, nos EUA. E o Mastigando Humanos está para sair na Espanha, se a Espanha não acabar antes...

De resto muito trabalho, roteiros, resenhas, pareceres, traduções, entrevistas. Estar em São Paulo faz toda a diferença para os trabalhos virem, mesmo que eu continue trabalhando em casa. Mas não deixo de dar uma escapadinha para Floripa todo mês. A natureza me masturba. 



27/06/2012

O QUE ANDA LENDO?

Santiago Nazarian com Tatiana Salem Levy, escritora. (Publicado na revista Metáfora de junho.)

Nazarian: E aí, princesa, o que está lendo?

Levy: É pra dizer a verdade?

Nazarian: Se a verdade for interessante...

Levy: Tô lendo um romance chamado E a Noite Roda, mas é um livro português, ainda não saiu aqui, é de uma jornalista, Alexandra Lucas Coelho, correspondente do jornal “O Público” aqui no Rio, primeiro romance dela. Muito bom. A história se passa no oriente médio, sobretudo em Israel e Palestina, mas também na Espanha; é uma história de amor entre 2 correspondentes em Israel.

Nazarian: Hum, então tem essa coisa de correspondente jornalístico dela... E tem a questão judaica, não? Vocês sempre puxando a brasa para a sardinha de vocês!

Levy: Haha. Não, isso não... tem a questão palestina, é um livro super pró-palestina! Mas posso falar de outro, ou começar a ler outro.

Nazarian: Tá, vai lá no cantinho, te dou meia hora para começar outro e me dizer o que está achando...

Levy: Já sei, tem um que li há pouco, bonzão. Um de um cara q vai atrás de uma casa de ópio, porque diz que nasceu pra fumar ópio. A Última Casa de Ópio, Nick Toshes

Nazarian: Conheço um cara que vivia nas casas de ópio em Amsterdã.

Levy: Sério? Tem casa de ópio em Amsterdã?

Nazarian: Clandestina, mas tem. Bem, segundo ele tem.

Levy: Pô, eu queria fumar ópio, deve ser incrível...

Nazarian: Eu também. Só falta esse...

Levy: Hahaha. Pra mim faltam outros...

Nazarian: O livro alimenta essa vontade?

Levy: Tem a coisa da aura da casa de ópio. Porque ele não quer só fumar ópio, quer fumar numa casa de ópio. E sai viajando pelo Vietnã, por Hong Kong, Tailândia, atrás da tal casa; e eu estava nesses lugares agora.

Nazarian: Acho que mesmo quando esses livros trazem uma visão negativa, acabam dando uma vontade... O que tem de adolescente que resolve experimentar depois de ler "Christiane F". Eu fui meio assim...

Levy: Ah, total. Mas o dele não é nada negativa. Diz que nasceu pra fumar ópio, e depois de fumar diz que tinha toda a razão.

Nazarian: Felizmente livros não são produtos de massa, senão já caía juiz em cima querendo recolher o livro por apologia... Recolheriam Lolita por apologia à pedofilia... Acho que o Brasil está chegando nesse ponto.

Levy: Tá complicado. Se os evangélicos tomarem conta então, fodeu.

Nazarian: Melhor a gente ficar quietinho, não dar ideia, senão os livros passarão a vir com "classificação indicativa" (Ops! Já dei)

A Última Casa de Ópio, do jornalista Nick Toshes, foi publicado no Brasil pela Conrad, em 2006. 


26/06/2012

UM CONTO DE FADAS PUNK

Com Laura Albert, a criadora de JT LeRoy. 


“Nós preferimos que as crianças abusadas morram. Porque daí podemos ir para a porta de suas casas, colocar flores, ursinhos de pelúcia. Mas quando as pessoas encontram uma criança que foi abusada, ela não é uma criança fofa. Ela teve de sobreviver por muita coisa. Ela rouba nossa casa, bate nos nossos filhos. Nós a queremos morta. Queremos uma fantasia. No meu trabalho era importante mostrar uma visão mais realista.”


Saiu na revista Metáfora deste mês a entrevista exclusiva que fiz com Laura Albert, autora do personagem/autor JT LeRoy. Não vou colocar aqui, compre a revista nas bancas (também tem um bate-papo meu com a Tatiana Salem Levy). Laura foi fofíssima, contou toda a história em detalhes e ainda gravamos um videozinho para o videolog do Duilio Ferronato (que não sei quando/se vai ao ar). 

Falando em JT, há uns dez dias fui na estreia da peça baseada na história dele, JT Um Conto de Fadas Punk. Gostei bem, bem. Conta muito bem a história, é divertida e os atores estão ótimos. Olha o serviço aí: 





Falando em peça. Feriado de Mim Mesmo, da Cia Teatro de Extremos, baseado no meu livro, reestreia agora rapidinho no Rio (flyer abaixo). Em agosto, passa por SP. Assim que tiver os detalhes, eu aviso. Espero que a peça circule mais e fique mais tempo em cartaz, porque assisti ano passado e fiquei bem feliz com o resultado. 




E além da Metáfora, onde tenho escrito mensalmente, este mês estou com Mário Prata e Barbara Gancia na revista Glamour, cada um com um continho "de amor" (por causa do dia dos namorados). O meu é um conto de amor platônico, meio bittersweet, mas mais sweet do que tenho sido ultimamente. 

Tem também uma crítica que fiz para a Bravo!, sobre o novo filme do Tim Burton, mas essa não sei ainda se saiu, então não vou dizer o que achei...


Eu e Laura, unidos por um romance bizarro. 



20/06/2012

O QUE ANDA LENDO?


Nina Lemos, jornalista.


Nazarian: Enton, Nina, o que anda lendo?

Lemos: Eu amei o último Paul Auster, Sunset Park. Sobre a crise americana. Tem até uns squatters. Você leu?


Nazarian: Não, li pouca coisa dele, e confesso que não gosto muito. Li Cidade de Vidro e um que chama Mr. Vertigo...


Lemos: Mas esse é foda porque é pop. Pensa, crise, falta de casa...


Nazarian: Será que ele sabe o que é crise? Hoje em dia?

Lemos: Ele romantiza, mas fala dos jovens. Tipo, o personagem principal recolhe entulho de casa abandonada. E tira foto das coisas. É bem legal, viu? Mas eu acho que é uma crise maior do que a crise deve ser.


Nazarian: Como assim?

Lemos: Vou falar loucuras, mas não sei se a crise do mercado imobiliário nos EUA é tão grande assim. Haha. O livro coloca como uma coisa beeem grande. Tipo América devastada, ocupação no Brooklin, jovens sem grana.


Nazarian: Uma coisa apocalíptica?


Lemos: Éeee, meio Berlim demais pros EUA, eu acho. Como se os jovens americanos estivessem mais alternativos do que eles são.


Nazarian: Mas ficção é isso, né? A gente não precisa ver os EUA reais... Talvez esse EUA seja mais interessante...

Lemos: Como se alguém escrevesse sobre a especulação imobiliária em SP. Por sinal, alguém podia escrever. E pensando, é legal um livro americano sobre... como é a palavra mesmo? Gentrificação.


Nazarian: Bem, acho que a crise no Brasil tem data certa para acontecer, e vai ser muito mais grave do que a europeia, porque a gente não tem séculos de estrutura em educação, saúde, transporte... A crise aqui começa quando o Brasil perder a copa.


Lemos: A gente já tá na crise!!! Pinheirinho. Ocupação Mauá.


Nazarian: Mas tem essa euforia do consumo...

Lemos: ...mas assim, essa coisa da moradia, especialmente tá foda, não é à toa que o Mano Brown foi lá e gravou o clipe na ocupação Mauá. O Emicida deu uma entrevista incrível sobre isso. A gente reclamados aluguéis e dos prédios neoclássicos, mas pobre NÃO TEM ONDE MORAR e em SP é pior, Kassab, cracolândia, incorporadoras... A gente tá muito fodido e infeliz.

Sunset Park, do Paul Auster, foi publicado no Brasil pela Cia. das Letras.




15/06/2012

PÍLULAS MALDITAS




– Uau! Ludovique, né? Ou Lu-do?
– Ludo, pode ser.
– Uau! Bonitão você. Vai fazer sucesso com as gatcheeeenhas daqui, hahaha. Peraí...
A diretora pegou meu histórico e deu uma olhada. Fiquei olhando para ela, não querendo olhar, meio assustado. “Uau”? “Gatcheenhas”? Não que o jeito de animadora de palco dela me impressionasse tanto, me impressionava mais o decote, e os peitos que pareciam ter cinco litros de silicone em cada. Aquele cabelo descolorido, escorrido, chapinhado. Cara de plástica, botox e uma vida na indústria pornográfica. Essa era minha diretora no Colégio Pentagrama? Dona... Samanta... Era isso, dona Samanta?
– Samantha, só, não precisa de “dona”, mas com agá, hein? – cacarejou minha diretora.
– Certo. – Segurei o riso.






Quando você já está morto, e pode atravessar paredes, possuir corpos e assombrar a galera em geral, por que vai querer uma mãe por perto te atazanando? Por que um fantasma seria carente a esse ponto?
Era o que eu me perguntava, assistindo ao final de um filme de terror japonês no meu celular, enquanto esperava com a minha mãe na sala da diretora.
– Detesto esses filmes de terror emque o fantasma é bonzinho, que o fantasma só é mal compreendido e precisa de amor. Fantasma tem de ser mau! Fantasma tem de ser mau! – deixei escapar.
Minha mãe puxou o fone do meu ouvido.
– Desligue isso, Ludo. Não precisa ficar assistindo essas coisas até aqui, a essa hora da manhã.
Ah, “essa hora da manhã.” Muito cedo para ver filmes de terror, né? Mas o horário perfeito para aprender sobre equações exponenciais. Bem, eu não estava aprendendo muita coisa naquele colégio, isso é certo, e também por isso minha mãe estava do meu lado, esperando para falar com a diretora, que estava demorando horrores.






– Sonhei com você ontem – me disse ela.
– É? – Fiquei meio sem graça. E acabei dizendo o que não devia. – Também sonhei com você outro dia...
– Sério? O que você sonhou?
Ai, pamonha. E agora o que eu ia dizer a ela, que tive um sonho bizarro dela e do Lupe querendo me levar para o Inferno?
– Diz você primeiro: o que sonhou?
Camila riu.
– Não, diz você, perguntei primeiro...
– Mas você já começou contando...
– Está com vergonha de me dizer o que sonhou, Ludo?
Fiquei todo vermelho.
– Ah... não, tipo, não foi nada demais... A gente estava numa floresta...
Ela ficou me encarando, assentindo com a cabeça, encorajando:
– E..?
– E nada, tinha um... lobisomem atrás de você, e eu te salvava. Só isso.
Camila riu.
– Que fofo, Ludo!
Er... hum, “fofo”. Me saí bem?
– E você, o que sonhou?
Ela então ficou mais séria.
– Ah, nada demais também, foi só um sonho erótico.




– Então, você é virgem?
Pffffff, o mesmo papo de sempre. Agora eu até acreditava que era realmente aquela caveira quem falava comigo, aquela caveira era meu psicólogo, o dr. Yorick. Mas que papo era aquele? Por que ela ou ele estava tão interessado na minha vida sexual?
– Olha, eu vim aqui para falar sobre minha transformação em lobisomem, se sou virgem não é problema seu.
– Hum, estou achando então que é sim, é virgem sim, não quer admitir.
Afe, agora essa, a caveira tirando onda com a minha cara.
– Você não me escutou? Eu não quero falar da minha vida sexual.
– Virgem-em-em, virgem, lalalá – cantarolou ela. Que coisa infantil. Era de se esperar que uma caveira, ainda mais de um psicólogo, fosse mais madura.
– Eu não sou virgem, já falei!
– Sexo oral não conta.
– Mas não sou virgem de jeito nenhum! – Oops! Não, não era bem assim. – Quero dizer, já transei com mulher sim, eu tinha namorada no colégio anterior.
– Acho que está é querendo contar vantagem... – A caveira continuava aloprando comigo. Que raiva.
– Que contar vantagem, cabeça oca? Que contar vantagem? Tinha namorada sim.
– Virgem-em-em, lalalá.

[Trechinhos de Garotos Malditos, meu primeiro romance juvenil, contemplado no programa Petrobrás Cultural. Lançamento em agosto, pela Record. Ilustrações de Lestrange.]

13/06/2012

O QUE ANDA LENDO?

Jairo Bouer, médico psiquiatra e comunicador.


Nazarian: Jairo, bora fazer minha entrevistinha?

Bouer: Beleza. De quanto tempo precisa?

Nazarian: Ah, uns quinze minutinhos...

Bouer: Onde estás?

Nazarian: Tô em casa, SP. Mas eu faço por aqui mesmo. A ideia é ser esse chat.

Bouer: Ok, manda bala Santi.

Nazarian: Então, como eu falei, o que está lendo, ou um último livro que leu. Se for ficção, melhor.

Bouer: Ok. Vamos lá.

Nazarian: Me fala o livro! Hahah.

Bouer: Então, pode ser mais de um... Ou eu escolho? É que sempre leio 3-4 ao mesmo tempo.

Nazarian: Me fala um livro bacana que dê para a gente conversar, ou que renda conversas paralelas interesantes.

Bouer: Ok. Manda. Escolhi.


Nazarian: É para eu adivinhar?!

Bouer: Claro... Haha.

Nazarian: Pornofantasma, de Santiago Nazarian.

Bouer: Haha... Não... Pois então, tô lendo o último livro que encontrei do Armistead Maupin... Já ouviu falar dele?

Nazarian: Ahhh, ótimo. Gosto bem do Night Listener. Qual está lendo?

Bouer: Night Listener é incrível, Maybe the Moon também. Mas agora ele voltou à série Tales of the City. O novo livro se chama Mary Ann in Autumn; a protagonista da série volta a São Francisco vinte anos depois para reencontrar os amigos...

Nazarian: Você já leu a série toda? São oito, não? É meio obrigatório seguir ou dá para ser lido independentemente?

Bouer: Sim, sim, comecei há uns vinte anos quando morava em Londres. Dá para ler sem ter lido os outros. Mas acho que há muito mais signficados e desdobramentos se você tem pelo menos uma ideia do que já se passou.

Nazarian: Acho que eu só segui assim com a série infantil O Pequeno Vampiro, haha, e os livros do João Carlos Marinho. Sou pré-Harry Potter. Os livros do Maupin foram inicialmente publicados em jornal, é isso? Uma espécie de folhetim...

Bouer: Ele começou no San Francisco Chronicle, se não me engano, como um folhetim mesmo. Daí foi publicando alguns livros. É a vida de um grupo de amigos em SF na passagem dos 70 para os 80... Ex-hippies, yuppies, AIDS, as diversas possibilidades de se viver a sexualidade humana, drogas, media power...

Nazarian: É muito gostoso quando você pega um romance, convive com o personagem, depois sente falta dele. É bacana trazer essa sensação que as pessoas hoje só têm com novelas, com seriados... A série vai se atualizando ou fica naquela época?

Bouer: Pois é... É muito legal isso que você disse. É como se você deixasse os personagens na geladeira por vinte anos. Daí sente saudades e resolve "ver" como eles estão hoje. Nesse livro, a Mary Ann tá com 57, e volta a SF para entender/resolver uma série de crises e nós que deixou amarrados no passado. A Mary Ann e sua turma passaram por muita coisa nesses 20 anos... Daí você faz uma ponte e os joga no futuro. Incrível, não? E para o leitor é tão bom reencontrá-los... Sentia uma puta falta deles, sabe? Tipo sete livros é foda, muita intimidade, hehehe.

Nazarian: Putz, adoraria fazer isso. Mas eu mato todos os meus personagem. Só se deixasse na geladeira literalmente, como criogenia. Estava comentando inclusive que se eu tivesse filho, não teria mais nome para dar, porque já gastei todos que eu gosto nos meus personagens... que tiveram destinos trágicos.

Bouer: Você vê novela, Santi?

Nazarian: Não vejo. A última que segui foi Senhora do Destino. Mas acho que uma série de livros assim pode ser uma boa pedida. Fiquei com vontade... Morre muita gente?

(A série Histórias de Uma Cidade foi publicada no Brasil pela Record.)

FLIP 2026

Literatura em Desacordo: Eliana Alves Cruz e eu, mediados por Diogo Borges.  Foi-se mais uma Flip. Para mim, foi só a terceira. Estive na pr...