27/02/2014

A MARCHINHA ZERO ZERO


Neste país que despreza nossa literatura, nunca teríamos uma escola, um desfile, uma marchinha que seja que homenageasse nossa valorosa GERAÇÃO ZERO ZERO,

Mas não tem problema, porque viajamos pelo mundo e podemos fazer nós mesmo nossa marchinha-literária-ostentação.

Senhoras e senhores, A MARCHINHA ZERO ZERO


Alô Galera, Alô Cuenca,
O Tio Pécora tá que não se aguenta
Alô Pratinha, alô Michel,
Cadê meu nome na coluna da Raquel?

Viajo pelo mundo,
Não levo mala não
Só do que eu preciso
É bolsa de tradução

Do Rio para França
De Flip a Frankfurt
Acordo com champagne,
Como se fosse iogurte.

Alô del Fuego, alô Terron
A vida é boa e Villas Boas acha bom
Alô, ‘na Paula, Alô Marçal
Quem não tem Granta espera a de Portugal.

O Sesc é minha casa
Marcelino meu prefeito
Rodrigo Teixeira
tem todos meus direitos

Se o amor é expresso,
Um micro-conto de oficina,
Tiro de Sete Letras
e mudo de Companhia
  
Alô Emilio, alô Scott
Quem não tem mira, isola, faz o seu fricote.

Salve Santiago , Salem Levy

Eu sou teu fã, teu seguidor, mas nunca li

Você pode ouvir a versão demo-deluxe funk ostentação aqui:



25/02/2014

CARTA A UM JOVEM ESCRITOR



Neste meio em que se valoriza tanto a experiência, e onde os anos parecem estar sempre à favor do autor, pouca gente terá algum conselho útil ao jovem escritor, além daquela máxima rodriguiana: “Envelheça!”

Porém essa perspectiva não só está desatualizada como carregada de inveja, recalque e hipocrisia. Como autor de meia-idade que começou razoavelmente cedo e hoje vive de glórias do passado, posso dar conselhos realmente proveitosos ao jovem autor que deseja ingressar no mercado literário.

- Publique o quanto antes, hoje, ontem! Podem te dizer para não ter pressa, podem aconselhar a escrever com calma, mas só querem é eliminar a sua viçosa concorrência. O quanto antes, melhor. Publicar aos trinta e pouco qualquer um pode; aos vinte e pouco é para os fortes; antes dos vinte é para prodígios! Pense em Rimbaud!

- Não basta ser jovem, tem de aparentar. Moleques pançudinhos com pinta de nerd não humilham com o frescor da mocidade. Corrija essa miopia. Troque os estudos pela esteira. Se a genética não te beneficiou, por hora sua ambição pela Academia deve ser a Biorritmo!

- Um adendo aqui. Até para juventude há limites. Certifique-se da verborragia de seus pelos púbicos e pelo menos um ou outro fio de barba, para sua publicação não cair automaticamente na literatura infanto-juvenil. Acredite, a crítica irá verificar isso.

- Não basta publicar cedo – Sete Letras é para os fracos! - tem de ser por uma grande casa editorial. De preferência pela Companhia das Letras, que conferirá um selo automático de confiabilidade a toda sua malemolência juvenil.

- Não basta publicar por grandes casas editoriais, tem de estar no primeiro time e participar da FLIP, FRANKFURT, GRANTA! Claro, como jovem autor você tem tempo para tudo isso. Daqui a vinte anos a Granta lança outra edição de “Melhores Jovens” e você ainda poderá participar, mas se puder entrar ainda na portuguesa, melhor! Todos os coquetéis, festas, viagens, entrevistas de que você participar serão mais bem aproveitados na sua mocidade, solteiro, com saúde e cútis intocada. Aos trinta e poucos seu fígado já estará capenga. Você PRECISA estar na PRÓXIMA FLIP!

- Como bem aponta Luciana Villas-Boas, que bebe da fonte Catherine Deneuve de juventude eterna, começar com contos e poesia é para punheteiros! Isso todo mundo faz, e o mercado despreza livros de contos e poesia. Porém aponto ressalvas em começar pelo romance: você perde o trunfo de poder publicar o primeiro romance já com uma carreira sólida e bem-estabelecida e concorrer automaticamente ao Prêmio São Paulo de autor iniciante aos 45 do segundo tempo!  (Ou melhor, aos 39, onde concorrerá apenas com os iniciantes mais jovens, aumentando consideravelmente suas chances).

- Então, se não pode começar pelo conto, poesia ou romance sugiro começar pela... autobiografia! Vamos, um livro de memórias é muito mais fácil de escrever aos 19. Não precisa ser tudo verdade, claro que não, o ideal é que tenha a emoção da ficção com o fetiche do biográfico. Pense em Mayra Dias Gomes!

- Claro que vender uma autobiografia sem sobrenome de peso ou grande acontecimento/tragédia/conquista na vida não é fácil, mas pense em todas as coisas que você faz, que todo mundo faz, mas ninguém conta. Fez sexo grupal? Cheirou cocaína até cair? Acordou na casa de uma travesti? A literatura está aí para dizer o que todo mundo faz, mas ninguém diz. Pense que um ator da Globo nem pode dizer que fuma uma baseadinho. Pense em Bruna Surfistinha.  

- Agora, essa dica é difícil, eu sei, e também vai bem contracorrente, mas é importante:  Publicou? Afaste-se das mídias sociais. Twitter, Facebook, Skoob. Você está acima disso; seu livro impresso, revisto, preparado, editado e selado é seu atestado, e seus posts insensatos, impensados e embriagados só deporão contra você. Nada vale mais do que o jovem discreto e misterioso. Nunca despeje tudo (ou mais do) que querem saber. Corpo a corpo com os leitores na rede é coisa de autorzinho juvenil da Novo Século.  


- Obviamente esses conselhos não almejam que você escreva melhor, que tenha a melhor obra, que seja um grande autor; apenas que tenha uma vida plena, feliz, realizada, com uma polpuda conta bancária. A permanência da sua obra está menos condicionada a isso do que ao derretimento das calotas polares, os vazamentos de Fukushima e à iminente extinção da raça humana.

A citação final é aquela tradução livre de Roberto BolanõS: "Se você é jovem ainda, jovem ainda, jovem ainda. Amanhã velho será, velho será, velho será..."


23/02/2014

ENCONTROS

Com os queridos irmãos Antonio Cícero e Marina Lima, esta semana. 

A Azougue Editorial acaba de lançar "Encontros", volume de entrevistas com o poeta, filósofo e letrista Antonio Cícero, organizado pelo querido (músico) Arthur Nogueira. Estive no lançamento esta semana e bati bons papos com Cicero, que sempre é a pessoa mais fofa do mundo.

Eu mesmo o entrevistei anos atrás, para a revista Joyce Pascowitch, junto com a Marina. Procurei, procurei a entrevista para postar aqui, mas não encontrei. De todo modo, acabei de fazer uma NOVA entrevista com o Cícero para meu Programinha Bizarro e você pode ouvir aqui, com direito a grandes músicas escritas por ele:

https://soundcloud.com/santiago-nazarian/programa-7-antonio-c-cero

No mais, o livro está delicioso, recomendo bem.


O lançamento já passou, mas o livro está aí. 




16/02/2014

LOBÃO SEM RAZÃO

Sou um grande entusiasta da Internet, redes sociais, do Facebook.

Enquanto que o discurso padrão é sobre o esvaziamento do indivíduo, a Internet sempre como "superficializadora"; não consigo deixar de ver com otimismo essa pulverização (em todos os sentidos) da informação. É um pouco o que coloquei (ironicamente) numa frase aqui outro dia.

"Essa geração de hoje só se informa por Facebook. No meu tempo, a Veja tinha mais páginas."

Eu acordo todo dia e abro o Facebook. Como o ritual de ler o jornal, passo pelos links dos amigos, as matérias postadas, fotos, comentários do dia (até porque, quando eu acordo o dia já começou há um tempo...). Muitas vezes encontro diferentes pontos de vista para uma mesma notícia. Diferentes matérias para um mesmo fato. Bate-bocas por um determinado assunto. Isso sem falar nas indiretas, picuinhas, alfinetadas...


[Se você não encontra tudo isso. Talvez o problema seja seus amigos...]

É inegável que isso dá uma visão mais ampla do que sempre ler apenas o mesmo jornal, a mesma revista. Claro também que grande parte dos comentários/visões/colocações são superficiais, não-embasadas e derivadas de uma terceira fonte, mas o conjunto de tudo isso possibilita que o indivíduo pensante tenha uma visão mais rica e questionadora.

Apesar disso, vejo com suspeita essa tendência de hiper-politização. Todos antenados, politizados, com algo fundamental a acrescentar. Aliás, vejo com suspeita essa tendência de hiper-tudo. Todo mundo tem algo a dizer sobre tudo, de BBB à morte de Lou Reed, Direitos Humanos, Copa do Mundo, Pec, Pac, Tetrapack e religião. Claro que é legal que todos se informem e procurem saber um pouco de política, mas na Internet parece que são todos profissionais sobre TUDO. E muitos RECEBEM para isso.


Gosto muito do Lobão, como roqueiro, como figura; outro dia estava vendo (tardiamente) a entrevista dele no Roda Viva, vendo como ele argumentava mal, como falava merda, e achando muito certo mesmo. Lobão é um roqueiro lesado, fala merda, tem umas ideias toscas, quem acha que se pode levar a sério o que ele fala sobre política? Quem vai pagar para ele falar sobre política? Lobão está certo de falar o que pensa, está sendo íntegro - coió é quem paga ler; safado é quem paga para ele escrever e está faturando em cima. 


Mesma coisa com tanta gente, sei lá, Rodrigo Constantino. É para ser levado a sério só por estar na Veja? Por que interessa o que ele acha de gay, política, do Bolsonaro? Que ele pode dizer além de achismo? A tendência da mídia impressa, "séria", "profissional" de financiar o "opinianismo" da Internet é que é a merda, por legitimar algo que deveria ser relativizado. Mas se todo mundo ler o blog da Veja como mais um blog (como este), fica tranquilo o direito de todo mundo dizer merda. 


Talvez o problema seja essa inclusão digital. Tanta gente sem ensino básico, nutrida a bolacha recheada, sem nem saber ler direito e achando que pode comentar...


Comento sobre isso (assim, gratuitamente, na minha casinha, ouvindo minha musiquinha) por essa pseudo-obrigação que se criou também do escritor ser politizado, atuante, determinante e participativo. Parece que o escritor que não fala de política não é politizado. Parece que o escritor não politizado é alienado. Eu participo quando acho que tenho algo a acrescentar. Não escrevo sobre TUDO. Sou um ficcionista. Faço literatura pop-underground-existencialista-bizarra e acho que já faço muito. Já faço muito pagando meus impostos. Ou já faço demais pagando os juros do Itaú. Já faço muito escrevendo a crítica de um livro para a Folha. Já faço muito assumindo publicamente minha homossexualidade. Já faço muito questionando o papel do indivíduo na sociedade (em tantos, em tantos livros, posts, comentários). Já faço muito questionando os valores acadêmicos. Já faço mais expondo tantos conflitos de minorias dentro de minorias. Já questiono muitos valores da cultura de massa que passam despercebidos pela massa pensante. E luto e me esforço e acho que o importante é fazer, quando muitas vezes eu preferiria passar o dia em coma. Eu me esforço. 


Esta é minha contribuição política. Não menospreze. 


E este é apenas um post, um achismo, uma opinião sem valor de alguém que acha que tem mais a dizer em seu próximo livro..




06/02/2014



“Talento, voz, rosto, tudo murcha com o tempo. A natureza é madrasta e, para um roqueiro de meia-idade que já viveu todos os excessos de sua geração, a natureza só existe como ameaça, inimiga, perversa. Isolado numa casa de campo, após o suicídio da mãe, ele enfrentará suas frustrações e medos internos, enquanto o mato cresce lá fora, o solo espera por seu sangue. BIOFOBIA é a volta de Santiago Nazarian ao thriller, seu primeiro romance ‘adulto’ em cinco anos, numa narrativa tão literária quanto cinematográfica. Prepare-se para o pior.” 


Isso! Finalmente posso revelar! Meu novo livro se chama BIOFOBIA, é um romance, um thriller de cerca de duzentas páginas, que fica num tom entre Feriado de Mim Mesmo e A Morte Sem Nome.

Foram cinco anos desde o último (O Prédio, o Tédio e o Menino Cego), nesse meio tempo lancei um de contos, lancei um juvenil, tentei me matar e tentei começar vários romances que não engrenaram. Na metade do ano passado tive a centelha para esse, daí foi um jorro, da primeira linha à versão final em seis meses.

É um romance de crise de meia-idade, claro, o confronto do homem com a natureza. O protagonista é uma personificação de várias frustrações, rancores e crises; um decadente cantor de rock alternativo num país que não sabe o que é isso.  É pesado, sim, tem seu flerte com o terror, mas não deixa de ser carregado de um humor negro.

Sairá novamente pela Record, que sempre entende tão bem o que sei fazer; já está entregue e no processo de edição. Sai na segunda quinzena de abril; lançamento em São Paulo provavelmente na primeira quinzena de maio (aceito sugestões de lugar), e no resto do Brasil onde me chamarem. (Ei, vamos lá me chamar de volta para as Bienais, Festivais, Festas, Simpósios, Colóquios e Flips?)

Os frutos são sempre incertos. Como um negativista, sempre me decepciono. Ou como esperançoso, sempre espero que meus livros possam alcançar mais. Mas já é um alívio e um alento saber que consegui mais um - que fiz o melhor que pude, que o livro está saindo, tem todo meu orgulho e estou inteiramente ali.

Aliás, obrigado a todos os amigos, queridos e leitores que postaram os teasers por esses dias no Facebook e Twitter (e vão CONTINUAR postando sobre o livro). Vocês sabem, literatura é essa arte mais solitária que existe.

Na verdade, é meio egoísta, não é? Nesse mundo multicultural, em que todos estão fechados em companhias, cooperativas, coletivos, produtoras, todos com seus projetos, tentando emplacar sua obra, sua resenha, serem vistos no coletivo, o escritor é como um motorista solitário de uma Kombi numa marginal na hora do rush... Tem de fazer TUDO sozinho, podendo contar um pouco com a editora quando o livro já está sendo vendido. Não, você que faz teatro divide com atores-produtores-diretores--iluminadores-som-figurino, você que faz cinema divide com isso e muito mais. Você que tem uma banda divide com a banda, e mesmo um cantor solo tem os músicos, o produtor e os técnicos. A escrita é um artesanato de praia. Então a força dos amigos, colegas e leitores faz toda a diferença.

Mas só assim que essa arte pode existir - sem compromisso nenhum com consenso, empresas, patrocinador, governo, tendência, é a visão de um único indivíduo materializada no produto livro. E não vou me cansar de insistir na importância disso. Cada vez mais.

Agradeço especialmente ao Taiya Löcherbach, querido irmãozinho de Floripa que fez a foto da capa, e ao Murilo que, com o infeliz posto de cônjuge de escritor, tem de participar de infinitas discussões sobre a trama, sobre a capa, sobre o futuro do país depois desse livro...



Trabalhando nas ideias da capa, dezembro passado. 


03/02/2014

RESENHAS DO FINAL DE SEMANA



Duas resenhas minhas publicadas neste final de semana, na Folha:


LIONEL ASBO: ESTADO DA INGLATERRA, de Martin Amis.

Sarcasmo, cinismo e ironia são recursos de estilo difíceis de serem traduzidos por aqui. Não apenas porque não encontram muita correspondência num país pretensamente simpático como o nosso, mas porque dependem de antemão de uma compreensão do leitor, uma cumplicidade, tornando-o aquele que também caçoa ou aquele que é caçoado.

Esse jogo está em alta em “Lionel Asbo: Estado da Inglaterra”, a começar pelo título, com um intraduzível “Asbo” (de “ordem de comportamento anti-social”, em inglês) e um “State of England”, que nem em português deixa claro se se refere ao estado atual da Inglaterra ou a um fictício “Estado” do Reino Britânico.

Um pseudo-fictício momento atual da Inglaterra é o que encontramos no romance de Martin Amis. Desmond é um jovem criado nos subúrbios de Londres pelo marginal tio Lionel, um antipai, ou contrapai (“Lionel falava; Des ouvia com atenção e depois fazia outra coisa”) que recomenda que ele falte na escola, só leia porcaria e só use o computador para pornografia. Contrariando a educação familiar, Desmond, gentil, feminista e “romântico”, segue um progresso lento e constante através dos estudos, enquanto seu tio avança loucamente pelo crime e pela sorte, tornando-se uma celebridade instantânea ao ser premiado num bilhete de loteria.

A estrutura do romance é ousada, não só oscilando entre os dois personagens, como também incorporando reportagens e desconstruindo a linearidade, mas sempre oferecendo a possibilidade do leitor de rir daquilo como uma grande piada, um traço da boa literatura pop que não parece existir entre nós. O teor imoral do caráter de Asbo (que afinal é o herói do romance) e seu comportamento violento poderiam tornar o romance pesado. Mas sua completa inversão de valores toma ares de nonsense, como nos melhores filmes de Tarantino, e oferece um desafio ao leitor na voz do protagonista: “O mundo dos ricos é pesado. Tudo tem peso. Porque está aqui para durar. E o meu velho mundo... é leve! Nada pesa um grama! As pessoas morrem! As coisas... voam e desaparecem! Portanto este é o meu desafio. Ir do mundo flutuante... para o mundo pesado. E sou capaz de enfrentá-lo.”

Lionel Asbo é um desafio. Uma experiência literária sublime, mas produto da Inglaterra, que talvez perca grande parte de sua força em outros territórios, reinos e estados.

Avaliação: Bom


O TÍMIDO E AS MULHERES, de Pepetela. 

Pepetela é pseudônimo de Artur Carlos Maurício Pestana do Santos, escritor angolano que recebeu o Prêmio Camões em 1997, esteve na Flip de 2008 e tem duas dezenas de obras publicadas em seu país. No Brasil, a editora Leya vem publicando boa parte de sua obra, e agora traz seu romance mais recente, O Tímido e as Mulheres, recém lançado em Angola.
            Heitor é o “tímido”, um aspirante a escritor de “cabelo grande, barba grande, despenteado, um Jesus Cristo Negro”. Sua paixão platônica é Marisa, uma radialista sedutora de “seios fartos, uma bunda generosa e lábios carnudos”; que por sua vez é casada com Lucrécio, um filósofo resignado, aprisionado a uma cadeira de rodas. O que à primeira vista se apresenta como um triângulo amoroso se desdobra numa série de histórias interligadas, num foco narrativo que migra para outros personagens da Luanda dos dias de hoje: o fiscal corrupto, a estudante de história, os amigos boêmios.
            Com humor fino e uma sensível observação da sociedade, o autor constrói um texto delicioso que remete muito à crônica de costumes brasileira – passando por Machado de Assis, Nelson Rodrigues e Jorge Amado (esse citado nominalmente pelo autor). A proximidade da realidade angolana com a nossa é instigante, embora tal familiaridade também tire um pouco o brilho do romance. A esposa voluptuosa com o marido impotente, o protagonista aspirante a escritor, o amigo safo, até o imprescindível cão companheiro do herói – tudo resvala num déjà vu, magistralmente escrito, mas sem grandes novidades.
            Como tempero especial temos o português angolano, perfeitamente compreensível (a edição apresenta o texto original, sem adaptações), porém repleto de expressões curiosas e grafias alternativas. Um glossário de cincos páginas ao final desvenda termos como “ngombelador”. “ximbeco” e “cassule”.

Avaliação: Bom. 

28/01/2014

QUANDO EU ERA VIVO


Assisti hoje à pré-estreia de Quando Eu Era Vivo, filme de Marco Dutra, baseado no romance de Lourenço Mutareli, A Arte de Produzir Efeito Sem Causa. Já gostava muito do romance, gosto do Marco, mas tinha receio de como aquela história havia se transformado, aparentemente, num filme de terror.

A trama acompanha Júnior (Marat Descartes), um homem de meia idade que volta a morar com o pai (Antônio Fagundes) com o término de seu casamento. O retorno à casa paterna desperta lembranças de um passado enigmático, da relação com a mãe falecida e do irmão internado numa clínica. Nesse cenário há também a personagem interpretada por Sandy, uma estudante de música que aluga um quarto no apartamento; e a vizinha Miranda (a diva Gilda Nomacce), uma vidente supostamente picareta.

Marco Dutra estreou em longa com o ótimo Trabalhar Cansa, dirigido em parceria com Juliana Rojas, um drama doméstico com elementos sobrenaturais e apenas um leve flerte com o terror. Nesta nova produção, a escolha pelo gênero é mais explícita. Quando Eu Era Vivo é assumidamente um filme de terror psicológico, em tons polanskianos. Como no longa anterior, há uma tensão latente constante, porém nesse a dosagem é um pouco mais pesada, com desenvolvimentos mais sinistros e violentos.

Não é um filme para todos - e talvez não seja um filme para o expectador habitual do cinema nacional, graças a Deus. Eu pessoalmente adorei e vejo com entusiasmo a produção dessa nova geração (minha geração) de cineastas que vem trazendo novos climas às telas. Além do Marco, há o Esmir Filho, que há alguns anos fez o excelente Os Famosos e os Duentes da Morte  (embora tenha o pior título do mundo; aliás, eu diria que em geral o maior defeito dessa geração de cineasta está nos títulos que escolhem). E há o Rafael Primot - que está com os direitos para cinema de Feriado de Mim Mesmo e também está para estrear um thriller louquíssimo estrelado por Regina Duarte e Bárbara Paz, que já assisti e amei.

 Marco Dutra agora se confirma como um diretor nacional de peso - que vou ter prazer de acompanhar. Fico feliz de, finalmente, me identificar com coisas feitas (literalmente) aqui por perto. Quando Eu Era Vivo estreia em circuito nacional no próximo final de semana. Recomendo muito. É tenso, sinistro, com pitadas de um humor bizarro.

Falando em bizarro, o diretor foi meu entrevistado do Programa Bizarro de ontem. Dá pra ouvir aqui:

https://soundcloud.com/santiago-nazarian/programa-bizarro-3-entrevista

(Conforme prometido, tenho subido um programa novo todo domingo de noite - o link está sempre na aba "Programa Bizarro", então confira por lá - ou pelo meu Facebook - porque nem sempre vou linkar com um post relacionado.)





24/01/2014

A ARTE DE FAZER UMA ORELHA


A orelha é um órgão essencial do ser humano. Auxilia não apenas na orientação, estética e escuta, mas também é alça indispensável na formação ética e responsável do indivíduo, através da qual progenitoras podem puxar suas crias em reprimenda diante de falta grave.

Em livro, sua função é mais discutível e sua presença é opcional. Não só há livros sem orelhas como há orelhas sem ouvido, orelhas (literalmente) de abano, as que estão lá apenas para ostentar bijuterias, as repletas de cera.

Para mim, a boa orelha é uma peça publicitária. Informa o conteúdo do livro, resumo, breve contexto na obra do autor, encerra com um convite instigante e enaltecedor à obra. São três parágrafos, algo mais ou menos assim:

Uma orelha pode esconder muito mais do que cera. Nos labirintos recônditos do canal auricular, Boni, um besouro frustrado e existencialista busca refúgio da sociedade detritivora que o repele tanto quanto chinelos humanos e a indústria de inseticidas. Aparentemente isolado do mundo, ele revê sua história de vida - do rastejar na lama às asas, e de volta à lama - alheio aos percalços de seu hospedeiro. 

Greg, um jovem estudante de biologia vive seus próprios dilemas e conflitos familiares. Em sua crise pós-adolescente, não dá importância à sua labirintite crescente, e recorre a psicotrópicos para encontrar o sentido de uma vida sem sentido. Revendo os dogmas cristãos com os quais foi criado, Greg nem imagina que ele próprio pode ser o Deus de um universo muito particular, abrigado dentro de seu corpo. 

Em seu primeiro romance, Thomas Schimidt nos traz uma deliciosa alegoria da busca divina, com um humor sarcástico e uma inteligência delirante. Uma grata surpresa que já revela um nome de peso da "Geração 10". Deite-se confortavelmente, mantenha a cabeça aberta, O Labirinto de Deus vai desestabilizar seus conceitos de onde a nova literatura brasileira pode chegar. 


(Esse livro não existe, ok? Foi uma orelha criada apenas para fins didáticos...)

Acho que a estrutura é mais ou menos essa...


Já perdi a conta de quantas orelhas escrevi, assinadas ou não (a começar por todas as minhas). Marcelino Freire, Cristiane Lisbôa, Mayra Dias Gomes, Ana Paula Maia (duas vezes), Rafael Primot, Hugo Guimarães, Mauro Nunes, Elisa Nazarian foram alguns dos autores para quem assinei orelha, algumas se tornaram prefácios; além dos autores estrangeiros, de Simon Van Booy a Agatha Christie.

Ao meu ver, a orelha assinada tem a mesma função da orelha "release", a diferença apenas é que a opinião sobre o livro se torna mais pessoal, há uma associação imediata da obra com o assinante. A escolha de quem assina a orelha também já traz uma indicação do autor de parentesco e afinidade de sua obra - ainda que o parentesco muitas vezes seja bastardo, só por afinidade, de décimo grau.

No caso de O Labirinto de Deus, se fosse uma orelha assinada eu só modificaria, talvez, de leve, o último parágrafo:

Em seu primeiro romance, Thomas Schimidt nos traz uma deliciosa alegoria da busca divina, com um humor sarcástico e uma inteligência delirante. Desequilibrado como sou, tive de me deitar cuidadosamente, abrir a cabeça (e limpar as orelhas) para me deixar perder no universo fascinante desse novo autor. O Labirinto de Deus revela um talento divino, que deixará sequelas irreparáveis na literatura brasileira. 

Santiago Nazarian 

O perigo da orelha assinada é que o autor convidado muitas vezes tem uma percepção diferente de como o autor quer apresentar o livro. Escreve um texto em que o autor não se reconhece, e que por isso não quer que faça parte de seu produto final.

Por pretensão do assinante, a orelha assinada muitas vezes também adota um tom de análise profunda da obra. Não é o local. A orelha é uma peça para ser lida em pé em livraria - para o leitor que está folheando entre Dan Brown e Zíbia Gaspareto saber do que se trata o livro. Tem menos ainda a função de crítica, apontar pontos negativos - você não expõe os defeitos na embalagem de um produto.

Centralizador como sou, costumo cuidar de TODAS as etapas da produção do livro - incluindo capa e release - e sempre tenho receio de convidar assinantes, por achar que a função não será cumprida. Também nessa cruzada solitária que sigo, não consigo encontrar verdadeiros parentescos entre os autores ao meu redor. Acho curioso gente que fala em "grupo literário", talvez um eufemismo, talvez uma interpretação mais positiva de "panelinha".

Minha única orelha assinada de fato foi a nova edição de Mastigando Humanos, pelo Michel Melamed, não só por admirá-lo e acreditar que o livro tem seu parentesco com ele, mas também por ser um livro já conhecido, a orelha não tinha tanto a função de apresentar o livro (e de qualquer forma a quarta capa cumpriu a função publicitária, com sinopses e comentários da imprensa).

De todo modo, andei pensando bem nisso ultimamente, por ter cogitado assinatura de orelha no meu livro novo (o que desisti) e por ter ajudado um "jovem autor carioca" esta semana a editar sua própria orelha (que estava absurdamente longa e pretendia contar a história toda do livro).

Vai fazer a orelha do seu próprio livro? Sinopse, breve análise de estilo, contexto na sua carreira e adjetivos positivos à obra. - Ok, acho que pesei a mão na primeira orelha de O Labirinto de Deus, o próprio autor fazer sua orelha e colocar "um nome de peso da Geração 10" é um pouco de pretensão demais - até para um jovem autor. Vai aí um parágrafo final mais comedido:

Em seu primeiro romance, Thomas Schimidt nos traz uma deliciosa alegoria da busca divina, com um humor sarcástico e uma inteligência delirante. Uma grata surpresa entre o realismo que impera entre nossos autores. Deite-se confortavelmente, mantenha a cabeça aberta, O Labirinto de Deus vai desestabilizar seus conceitos sobre literatura contemporânea.


Vai assinar orelha? Aqui: sinopse, breve análise de estilo, contexto na obra do autor e elogios exaltados. Se topou assinar a orelha é porque gostou do livro, gosta do autor, então tem de procurar os pontos mais fortes para exaltar. Para mim, isso não é difícil e não me considero generoso ao fazer isso; se a obra merece, ela já te deu algo em troca (isso sem comentar que muitas vezes a editora está pagando por sua orelha). Tantos autores (e atores, e músicos, e cineastas) eu exalto seguidamente por aqui, porque eles já estão me dando algo em troca. E espero (muitas vezes em vão) que eles ajam da mesma forma, comigo e com os que vêm a seguir.

21/01/2014

A CULPA É SUA

Pérolas de meus amigos (mais ou menos) imaginários...


"Sou a favor dos rolezinhos, desde que não aconteçam quando eu estiver no shopping com meu filho."

"O trânsito não tem mais jeito. Levei meia hora para ir de carro até a padaria da esquina."

"Queria que o brasileiro consumisse mais cultura. Mas que a Mostra de Cinema fosse mais vazia."

"Beleza é coisa de gente superficial, que julga pela aparência."

"Ela não é empregada, é como se fosse da família... mas comesse na cozinha."

"A gente paga o salário dos políticos; eles são NOSSOS funcionários. Que nem a faxineira ou a professora dos nossos filhos."

"Mais um gay vítima do preconceito e intolerância. Podia ter sido um amigo meu - só não era porque não frequento esses lugares de bichinha feia pão-com-ovo."

"Quem usa drogas financia a violência. Quem paga impostos financia a corrupção."

"Ai, esses debates de Sesc eu deixo pra tentar ver na Flip..."

"Essa geração de hoje só se informa por Facebook. No meu tempo, a Veja tinha mais páginas."

"Detesto gente que se acha. Faço questão de colocar esse povo no seu lugarzinho."

"Ainda não li nada seu, mas ouvi falar super bem. Pode me ajudar com meu livro?"

"Você só não é conhecido como boçal porque ainda não é conhecido."

"Na rua, trato com respeito e ofereço cigarro ao mendigo. Na balada, viro a cara e não dou confiança pra bêbado."

"Sou uma pessoa sincera nas amizades. Meus amigos é que estão comigo por interesse."

"Todos meus namorados foram ruins de cama."

"Não acredito em assombração, só em Jesus."

"Amo meu povo. Mas tenho nojo."

"Jornalista de verdade se reconhece pelo texto. Blogueiro se reconhece pelo layout."

"A Finlãndia é um exemplo de educação e igualdade. Tanto que são todos loiros."

"O tempo dirá quem são os grandes autores. Os ignorados de hoje continuarão a escrever; e mortos encontrarão agentes, editores, críticos, jornalistas e leitores que os valorizem."




17/01/2014

NINFOMANÍACA

O cartaz mais pertinente.

Lars Von Trier ocupa relativamente o posto de meu diretor favorito. Suas obras nunca me deixam indiferente. E mesmo que a maior parte delas tenha me destruído, sempre é uma montanha-russa, uma roleta-russa, uma salada-russa de sensações (ele não é russo, é dinamarquês, só para lembrar).

Algumas delas como Anticristo eu vi uma vez, amei, e não quero ver nunca mais. Outras como Melancolia eu veria seguidamente. Adoro Os Idiotas, Dançando no Escuro, Dogville, O Grande Chefe. Acima de tudo, admiro esses poucos artistas que conseguem manter sua autoria, sua visão particular (ou negativa, no caso dele) de mundo e ainda assim terem um respeito universal.

Mas, como grande esnobe, já me preparava para desdenhar Lars Von Trier com a recepção de seu "filme pornô".

Ele já fez documentário (os filmes Dogma), musical (Dançando no Escuro), teatro (Dogville/Manderlay),
faroeste (Querida Wendy), comédia (O Grande Chefe), terror (Anticristo) e sci-fi (Melancolia) , sempre, claro, subvertendo e expandindo as regras do gênero. Se for para apostar num próximo, eu diria que ele vai fazer um filme infantil. E estava curioso, ainda que não ansioso para ver como ele subverteria as regras do pornô...

Digo não ansioso porque boa parte dos filmes de Von Trier me fazem tão mal, ainda que eu goste tanto, que eu poderia esperar mais um tempo por elas. Via os amigos baixando traillers, discutindo a trama, eu só pensava: "Porra, espero que esse filme não saia tão cedo."

Mas infelizmente tenho de encarnar o masoquista a dizer: "Infelizmente a porrada não veio."

Fui ver o filme só hoje, entrando na segunda semana. Tentei duas vezes antes e a sala estava lotada. Quando entrei hoje em plena quinta-feira no cinema (lotado), comecei a pensar em qual era esse fenômeno que aproximava Von Trier de Spielberg. Era o SEXO o efeito especial orgânico insuperável?

Quando o filme começou com trilha de Ramstein (uuuuh, Von Trier querendo ser mau) e pouco depois com Stepenwolf (uuuuuuh, querendo ser radical) pensei que a coisa iria de vez para um divertimento Multiplex. Mas nem isso.

 A história, para quem não sabe, é que a Charlotte Gainsbourg é encontrada fodida (literalmente) num beco pelo Stellan Skarsgard, que a leva para casa e pergunta sua história. Daí ela começa a provar como é bad girl.

Ninfomaníaca (Volume 1) é um filme brochante de sexo, pelas razões erradas. Eu já esperava que fosse ser cruel, pesado, agressivo, talvez nojento, mas não é nada disso. É um filme inócuo, chato, carregado de lugares comuns.

O cinema (Frei Caneca) estava lotado (numa quinta-feira) de gente comendo pipoca, falando alto, mandando mensagens no celular.

Talvez aqui seja pertinente fazer uma observação social e mandar de vez um bando de Gremlins fazer um rolezinho numa sessão em que esteja assistindo a Eliane Brum. Os oprimidos que sempre foram relegados a Homem de Ferro agora decidem invadir os espaços dos cultões e assistir Lars Von Trier falando alto e comendo pipoca. É o rolezinho chegando às cinematecas, para os excluídos que não querem só Mizuno. Ironias à parte, foi isso que eu vivi esta quinta-feira.

E Ninfomaníaca faz juz ao título de "Lars Von Trier for Dummies".

É chato, cansativo, brochante. Entendo e aprecio a ironia do diretor. O texto não pode ser lido literalmente, porque soa falso. Como em filmes anteriores, é uma grande fábula, alegoria... mas precisa usar imagens tão gastas? Compara-se o andar de um homem com um gato, flertar com pescar; em determinado a protagonista diz: "não se pode fazer um omelete sem quebrar os ovos." Porra, pode ser MAIS clichê?

Sei que já fico armado para desgostar de algo quando todo mundo comenta, é um traço esnobe inescapável. Mas meu bocejo não me engana. Assisti Ninfomaníaca ansioso pelo fim, agradecendo por ter sido dividido em duas partes, e isso de um diretor que tanto amo e TEMO.

Ninfomaníaca não me perturbou, não me trouxe nada novo, nem de longe me excitou. Se é pra dizer algo de positivo, gostei da cena com a Uma Thurman, que descamba de vez para o cinismo e a comédia... mas nem gostei tanto assim.

Claro, é só metade. Talvez ele tenha sido prejudicado por isso. A segunda metade do filme só estreia daqui a alguns meses, e eu certamente irei ver. Já espero que seja a "metade pesada", mas também não espero muito. Não tenho mais medo. Tenho certeza de que o cinema não estará mais tão cheio de gente desavisada. E isso já será ótimo.





10/01/2014

PROGRAMA BIZARRO

Boa noite, cambada!


Lá pelos idos de 2007 eu tinha um programinha de rádio delicioso semanalmente no Mix Brasil, chamado de Le Kitsch C'est Chic, que tocava basicamente música kitsch de todo tipo: Cauby, Abba, Reginaldo Rossi, Aqua, Klaus Nomi, Lindomar Castilho, As Marcianas, Santa Esmeralda, Luis Miguel, bolero, disco, chachacha, e por aí vai.

Além da música, cada programa costumava trazer um entrevistado, e eu tive bate-papos muito legais com o Marcelino Freire, Daniel Peixoto, Esmir Filho, Karine Alexandrino, Trash pour 4, Cristiane Lisbôa, Rodrigo Faour e muitos outros.

O programa acabou basicamente por falta de estrutura ($$$). Eu era apresentador, produtor, escolhia as músicas, tinha de escolher os convidados, preparar as perguntas e ir até o Mix gravar semanalmente, sem verba nenhuma, o que acabou me esgotando. Mas sempre quis reacender o programa de uma forma mais informal, talvez com temas musicais mais abrangentes, de uma forma que eu pudesse fazer aqui de casa, como um podcast.

Domingo passado, com a morte do Nelson Ned, eu resolvi que era uma boa deixa. Em duas horas pesquisei os programas que precisaria baixar para editar o áudio, escolhi as músicas do Nelson Ned e gravei a locução (pelo IPhone). Coloquei no ar um programinha teste/piloto, curtinho, com quatro clássicos do "gigante da canção" e assim começamos. (Coloquei inclusive uma música antológica GAY dele, de um cara que não consegue se confessar para o amigo. Eu estou louco para ter algo contigo, algo mais que um amigo...)

Então foi inaugurado e resolvi manter semanalmente. Todo domingo à noite vou postar um novo programa (via Soundcloud). Não vou dar um horário específico, porque isso me obrigaria estar aqui todo domingo no mesmo horário, mas fica combinado para as noites de domingo (e você pode ouvir durante a semana toda).

Já deixei um link permanente pra isso aqui no blog (Programa Bizarro - Já tem o link do programa do Nelson Ned lá). Manterei atualizado. Aviso das atualizações pelo Facebook, e vocês também podem me seguir no Soundcloud.

O programa do próximo domingo é com clássicos kitsch diversos - sem entrevistado. Mas quero em breve fazer programinhas especiais com gente bacana. As músicas também não serão sempre nesse tom cafona - qualquer som que passe por bizarro, engraçado, estranho, raro ou simplesmente curioso pode entrar. Só no meu IPod tenho mais de 23 mil faixas e quero dividir algumas coisas.

E é isso. Tentando movimentar (e me divertir) em 2014.

Abraços.






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 Tem sido difícil atualizar o blog com a concorrência de todas as outras redes sociais. Eu acabo usando como um apanhado de momentos especia...