09/08/2013
























Quanto mais escrevo, quanto mais leio, quanto mais vejo debates entre escritores, percebo que não existe uma forma-fórmula para escrever. Eu mesmo já escrevi livros em 20 dias, em 4 anos, com a história inteira já rascunhada, com a história surgindo conforme eu ia escrevendo. Acho que cada autor deve buscar seu método e por isso eu sempre sinto dificuldade ou me sinto meio fraude em fazer oficinas literárias. Ministrei só duas - uma na Venezuela, com duração de 5 dias, que foi meio um teste (e não foi um bom teste) - outra foi no Sesc Campinas, que foi bacana, mas foi só uma conversa de 4 horas numa tarde, discutindo como funcionava o mercado literário na prática.

Ando pensando em organizar uma oficina de tradução - porque apenas de eu ter um método próprio, já traduzi mais de 40 livros (a maioria péssimos) e poderia dividir técnicas, formas, maneiras como eu resolvi diversas passagens - diversas traduções possíveis, comparar traduções de outros autores, etc.

Como tradutor, o que eu mais gosto de fazer é tornar o texto o mais coloquial e natural possível, e acho que é isso o que faço melhor.

Voltando à escrita do romance. Tenho visualizado minha escrita atual como leves pinceladas pela história toda, depois vou voltando e adensando as tintas em passagens específicas, até ter o quadro todo preenchido. Essa imagem estava há dias na minha cabeça e resolvi tentar materializá-la num esqueminha ilustrado.

Postei no Facebook e o povo levou meio na brincadeira - em parte era. Mas acho uma ótima forma de visualizar três formas possíveis da escrita de um romance:

Método 1: Escrever linearmente, dando o melhor acabamento a cada frase/ parágrafo/ capítulo até seguir para o próximo. (Provavelmente esse era o método mais praticável antes que o uso dos editores de texto em computadores se tornou comum. Com a escrita à mão ou à máquina, é mais complicado voltar e alterar o texto já escrito.)

Método 2: Dar uma pincelada geral por toda a história, e ir aos poucos tornando-a mais densa.

Método 3: Dar uma pincelada geral por toda a história e ir se aprofundando em diferentes passagens/capítulos, fora de ordem. É o método que estou utilizando atualmente. É prático porque você deixa vários capítulos inacabados e se concentra mais nos que desejar, que estiverem mais vivos na sua mente ou que já tenha as melhores ideias. Porém tenho um pouco de receio do ritmo que o romance pode ter, já que você não está trabalhando linearmente, numa crescente. Também é preciso ficar atento com a continuidade. Dia desses eu me peguei fazendo o personagem pensar numa cena que ainda não havia acontecido (porque já tinha trabalhado bem nela mais pra frente).

Enfim, achei esses esqueminhas divertidos (é, fiz no giz de cera + foto + paint. Estou longe de ter as manhas básicas de direção de arte e design). Refiz hoje o 2 e o 3 (que tinham sido feitos anteriormente com linhas verticais, o que não é exatamente a imagem).

Gostou da oficina express? Deposita R$200 na minha conta que tá tudo certo.


08/08/2013

O GIGANTE INSONE

A mídia impressa está em crise há tempos, revistas são fechadas, não se paga mais por informação e a informação não é mais centralizada. Tenho observado tudo isso com muita curiosidade - obviamente um certo receio, e menos capacidade de tirar conclusões. O que pode ser positivo.

"Pobre dessa geração de hoje," comentou um amigo meu há algumas semanas, "que se informa por posts de Facebook e vídeos do Youtube."

Tive de discordar. Talvez fosse mais pobre a geração que recebia a informação "profissional" centralizada num grande irmão. Claro, eu tenho mais de 3 mil "amigos" no FB - e muitos são escritores, jornalistas, ou gente que me adicionou por gostar de ler e de escrever. Isso talvez já gere uma "qualidade de mural" acima da média, em termos de informação. Abrindo o Facebook todas as manhãs, tenho uma enxurrada de visões alternativas e links para as notícias do dia - algumas aprofundando pontos de vista, outras abrindo para o debate, muitas resvalando na teoria da conspiração.

O caso mais recente talvez tenha sido o da família de PMs morta esta semana em São Paulo, supostamente pelo filho de 13 anos. Em outros tempos, levantaria-se uma leve desconfiança que se sufocaria pela grande mídia e ação da polícia. Hoje, é possível ler posts e mais posts contra-argumentando como é praticamente impossível que o crime tenha acontecido da forma descrita oficialmente.

Posts de ateus contestando a verdadeira laicidade do estado também aparecem diariamente. E a cobertura individual de cada participante das manifestações atuais de rua (minha inclusive), com textos e vídeos multiplicam exponencialmente os pontos de vista e impedem a conivência com a ação violenta da polícia.

Discutiu-se muito tudo isso esta semana, com a entrevista do grupo Mídia Ninja no Programa Roda Viva. Ao meu ver, uma das colocações mais interessantes dos entrevistados - Pablo Capilé e Bruno Torturra - foi da hipocrisia das grandes (ou velhas?) mídias em se assumirem imparciais. Há anos escuto esse questionamento, de que todo jornalismo é parcial e que deveria ser assumido assim - e agora isso ganha força nesse neo-jornalismo feito de múltiplas visões simultâneas.

É um fenômeno tão curioso, que ao mesmo tempo que via os nobres combatentes Ninjas - defendidos por vários amigos meus - enfrentando os dinossauros, lia queixas de outros amigos sobre a falta de transparência na captação de recursos, desvio de verbas e falta de pagamentos do coletivo Fora do Eixo (do qual o Mídia Ninja faz parte e Capillé é um dos fundadores). Ninguém escapa ileso da vigilância atual?

Verdade que essa "vigilância" e essa contestação muitas vezes se torna uma patrulha pentelha - como um bando de marmanjos que se pôs a malhar a menina de 20 anos que tentou dar uma carteirada numa boate e postou no FB - ou então uma paranoia conspiratória: Dia desses um amigo questionava o vídeo de segurança que mostrava o salvamento da menina que foi atacada por um tubarão no Recife: "Repare no vídeo. Por que o salva-vidas pega primeiro uma outra pessoa e só depois vai atrás da menina atacada? Isso está estranho..."

Eu, como bom relativista, acho que, mais do que nos aproximar da verdade, essa nova era veio para deixar claro que a verdade não existe. E talvez fôssemos mais felizes quando aceitávamos uma verdade oficial. Mas eu também nunca fiz apologia à felicidade...

 A presença massiva do brasileiro nas redes sociais o está tornando um povo mais questionador, contestador e inconformista. Resta saber se há motivos para comemorar.

02/08/2013

A NOVA EDIÇÃO

Capa do Alexandre Matos. 


Cuidado. Este livro quer te comer. O suculento naco que você tem agora em mãos (ou já sobre o prato?), traz os dentes afiados e a mais tenra fome temperada com fartas doses de apetite e gula. Mordisque algumas páginas, galerias e câmaras, e seu estômago é que gritará para devorá-lo! Porque são tantas as fomes salivando entre si, famélicas umas das outras que, seja abocanhando, seja engolido, ao fim estaremos saciados. O que difere então uma isca do prato principal? Banquete e junkie food? Humano, animal, mente, corpo, civilização, barbárie, sol, luz fluorescente, desejo, moral...? “Preencher as frestas em silêncio” ou parafraseando o jacaré narrador desta história, a vida é apenas o intervalo entre o que nos alimenta de verdade – e só a variedade alimenta. Por isso você lamberá os dedos para mudar essas páginas. Por isso regurgitar a digestão e vice-versa. Como bem disse Sebastian Salto: “minha fome é maior do que eu mesmo”. O mundo é definitivamente um grande estômago – e é preciso tê-lo para sobreviver engolindo sapos ou comendo moscas. Existe luz no fim do esgoto, ou melhor, dentro dele, melhor ainda: existe humor gourmet in natura. Enfim, você está lendo uma ORELHA, percebe? Feche com muito cuidado este livro (e sua boca) se não quiser tornar-se um suculento naco entre as patas do próximo leitor...

Michel Melamed

E está no prelo a nova edição de Mastigando Humanos, agora pela Editora Record, com texto revisto e levemente alterado por mim. Sai até setembro. 

Adoro a capa da edição anterior, mas uma nova edição pedia uma nova capa. Convidei o Alê Matos, grande amigo com quem já fiz vários trabalhos, e ele me mandou algumas propostas. Essa eu gostei de cara, mas fique olhando, olhando e tive de escrever pra ele: "Alê, sem querer ser chato, mas acho que isso não é um jacaré, é um crocodilo." E eu estava certo. Alteramos o bicho, pedi outros pequenos ajustes e - voilá - chegamos nessa capa. 

Para a orelha, queria alguém que tivesse o tom pop e insano do livro. E ninguém seria mais perfeito do que o Michel Melamed. 

Como eu já disse, não seria capaz de alterar substancialmente o texto  - só corrigi uns vícios de linguagem e reforcei algumas brincadeiras. Um exemplo: 

Com esse calor, a janela aberta, um corvo vem voando e
pousa sobre meu mancebo — estou falando daquela haste com braços, não daquele garoto cara-de-pau com braços tatuados.

Virou: 

Com esse calor, a janela aberta, um corvo vem voando e
pousa sobre meu mancebo — estou falando daquela haste de madeira com braços, não daquele traste cara-de-pau com braços tatuados.

Coisinhas assim, apenas, por todo o texto. 

O livro está há algum tempo esgotado - porém ainda é das leituras obrigatórias do vestibular da Universidade Estadual da Paraíba, deste ano. Tenho recebi emails desesperados de alunos que não encontram o livro - outros que recorreram às bibliotecas, PDFs e estoques antigos de livrarias. Para quem ainda não achou, aguenta mais um pouquinho que esta edição está bem melhor ;)

E continuo trabalhando no novo romance, que deve sair no primeiro semestre de 2014. Sim, ainda tenho apetite para mais. 




26/07/2013

LEMBRANÇAS DO FRIO

Claro que fiz esses 5km a pé. 

Tivemos uma das semanas mais frias da história de São Paulo. Chegamos aos 4 graus de madrugada. Fui dar uma verificada se era possível nevar na cidade - e vi que houve o último registro de neve em 1918. Talvez nos dias de hoje  (com aquecimento global e o crescimento da cidade) seja bem mais difícil, de qualquer forma chegamos perto. 

Nunca me esqueço de que meu professor de finlandês dizia que sentia mais frio em São Paulo do que na Finlândia. Porque em São Paulo, se está dez graus lá fora, está dez graus na sua casa. Não há aquecimento, estrutura, planejamento para o frio. Na Finlândia, o país está preparado para isso. Todo lugar é aquecido e as pessoas sabem e têm as roupas certas para sair numa boa...

Deu até uma saudadezinha. 

A janela do meu apartamento em Helsinque, no inverno. 


Neve é sempre lindo, especialmente para nós brasileiros, que não estamos tão acostumados. Com meu espírito nostálgico de sempre, fiquei me lembrando..

- Primeira vez que vi neve foi aos 9 anos de idade, em Bariloche. A cidade me pareceu um campos de Jordão com neve... E sem a playboyzada. E lembro que achei a neve... "Ah, igual aquela que a gente vê dentro do congelador." Haha, sim, foi isso que eu disse ao ver a neve. Sempre fui um ser blasé.

Aos 9. 

- Vi neve no Brasil só em 2000, em Caxias do Sul, rapidinho de passagem por lá. Ainda tenho vontade de fazer aqueles passeios bem "Jornal Hoje" na Serra Catarinense.


No centro de Helsinque. Nesse dia eu estava de bike, e foi foda voltar pra casa....


- O mais frio que já peguei foi -25ºC, em Helsinque, ano passado. Até fui bem mais para o norte da Finlândia, e para a Rússia, mas não cheguei a pegar tanto frio assim não.

Assim que eu tinha de sair todo dia de casa. 

-  Fora da Finlândia, peguei -14C no Atacama, de manhãzinha, dos lugares mais lindos que já fui. 

O deserto. (2007)


- Já ouvi muita gente dizendo: "Ah, depois de -10ºC não faz mais diferença, -15, -20..." Não é verdade. -10ºC eu pegava praticamente todo dia em Helsinque, e saía de bicicleta numa boa (agasalhado) , via o povo correndo nos parques, etc. Pra baixo de -15ºC já ficava mais complicado...

- Com -10ºC eu também via muito coelho e PATOS nos pontos onde os lagos não congelavam. 


- O principal a se cuidar num inverno extremo são as extremidades. Luvas de dedos não funcionam abaixo dos 0ºC, é preciso comprar aquelas inteiras (mitenes), e uma bota forrada com pele. Fora isso, eu usava uma calça mais grossa, camiseta, malha, um casaco acolchoado e chapéu com proteção nas orelhas. Saía assim de bike e chegava na academia já suando. Nunca precisei usar ceroulas por baixo da calça, nem cachecol. 


- O foda era fazer essas fotos no frio. Só de tirar a luva para poder acionar a máquina, meus dedos quase congelavam... e a máquina também. Até hoje o foco da minha Sony e do meu iPhone estão comprometidos por causa disso. 


Perdendo o foco em Rovaniemi...

- Teve uma madrugada que voltei quase uma hora caminhando para casa, a -25ºC. Era sábado, hora em que as boates fecham (todas são obrigadas a fechar às 3:30), não há metrô e fica uma fila absurda para pegar táxi. Preferi caminhar uma hora do que esperar uma hora na fila. Mas quando cheguei em casa, meu corpo todo estava dormente. Entrei num banho quente e... nunca senti tanta dor na minha vida, pelo choque térmico. Dia seguinte acordei 100%. 

Mar (Báltico) congelado em Helsinque.  

- Grande parte do mar congela na Finlândia, no inverno. No noroeste (Kemi) é possível fazer um passeio bem bacana num barco quebra-gelo que atravessa o mar congelado. É um cenário polar, meio fim do mundo. Passei lá o carnaval do ano passado. 

Alto mar. 

Alto mar. 

- Viajei bem pela Finlândia no inverno. Era era muito estranho olhar pela janela do trem. Uma paisagem preto e branco. Não parecia que o mundo era real lá fora. (O mundo é real lá fora?)

 A vida lá fora é PB.


- Papai Noel não mora no Polo Norte. A residência "oficial" dele, fica na Lapônia, bem onde passa o Círculo Polar Ártico. É frio, mas não tem neve ano todo, não. A primeira vez que estive lá, em outubro de 2010, estava 5ºC.

Isso é a Lapônia. 

Nevezinha rasteira. 

E isso é a Lapônia (e a casa do Papai Noel) no inverno. 

- E fui até 8 horas acima do círculo polar, em Karigasniemi, fronteira da Finlândia com Noruega, em outubro de 2011, e também estava por volta de +4ºC

Extremo norte da Finlândia, no outono.

- Por essas, dá até para acreditar que o frio é meio um mito... Bem, o frio certamente tem mais solução do que o calor - você sempre pode se agasalhar, mas com um calor de 40 graus só banho e ar-condicionado dão jeito. 

Um hotel de gelo. 


- A neve é a parte mais gostosa do inverno. Lembro em dezembro na Finlândia, que demorou para nevar. Era uma depressão só, praticamente sem luz do dia, chuvoso. Bem melhor fazer -10C com neve do que +10 com chuva. Com chuva não há o que fazer, como sair de casa, como se manter aquecido. 

- Fico pensando também como o Brasil contornaria a neve, se fosse uma ocorrência constante. Os países nórdicos estão mais do que acostumados/preparados e lidam bem com isso - mas precisam de estrutura de caminhões para limpar as ruas; técnicos para limpar os telhados e vigiar possíveis estalactites que se formam em prédios (que são um perigo real de morte); casas não apenas com sistema de aquecimento, mas construídas com todo um isolamento. A neve, depois de um tempo acumulada, fica como uma lama na cidade. Parecia que cidade está toda coberta de areia. Imagino como seria aqui em São Paulo, que não consegue ainda nem dar conta das chuvas de verão...


 Numa boa. 

20/07/2013

MEMÓRIAS BUCÓLICAS DE UM JUNKIE URBANO


Com os restos do lombo esfriando no prato, ele se levantou e contemplou o vazio. Levantou-se e contemplou os excessos. Um capoeirão, que descia pelo terreno algumas centenas de metros. O que ele herdara, meu deus? Um bom lugar para se enterrar. Podia ouvir o canto de pássaros, insetos, mas não via nada além do verde. A vida camuflava-se, se escondia. Ele queria fazer parte? Enterrar-se naquele solo e deixar seus nutrientes alimentarem a natureza? Nutrientes? Muita química armazenada. Anfetaminas que nunca bateram. Ácidos que iam e voltavam. Pó ao pó. Cinzas de cigarro. As árvores provavelmente murchariam. Sua carcaça podre, plastificada, serviria como herbicida, formicida, veneno contra cupins."

                                                                *


A irmã ia para a varanda e postava-se de frente para o mato. “Era aqui que ela queria ficar, não é? Vamos dispersar as cinzas.”

Ele olhou para o mato, para a irmã. “São só cinzas. Se ela quisesse mesmo ficar aqui, teria pedido para ser enterrada no terreno.”

A irmã fez uma careta. “Isso é ilegal. Você não pode enterrar um corpo no quintal de casa, só jogar as cinzas.”

“Mas... Eca, a gente está vendendo o terreno!”

A irmã franziu a testa. “E daí? A gente não está enterrando um corpo no terreno, é o que você mesmo disse, são só cinzas.”

“Exato, a gente vai dispersar as cinzas dela para uma casa... que nem vai ser mais dela... Ela vai ficar com os novos moradores. Você não viu Beetlejuice?!”

A irmã riu. “Não viaja.” Por mais diferentes que fossem, eles eram irmãos, tinham um repertório em comum. 

                                                                 *

Achou ter encontrado a hortelã. Arrancou alguns ramos. Seguiu para a árvore de lima, logo em frente. Começou a colher as frutas. Ficou atento aos insetos, taturanas, algo a lhe picar. Tinha trauma de infância, das taturanas. Fora um moleque tão urbano, tão indoor, tão preso ao videogame, aos brinquedos, nunca desses que brincara na rua, no campo, subindo em árvores. Das únicas vezes em que subiu numa árvore, num verão primário, sentiu um estranho ardor no braço e se virou para ver o que era. Três taturanas verdes grudavam-se em seu braço. Ele gritou, paralisado, sem conseguir descer da árvore nem espanar as lagartas para longe. Seu primo, um galho mais alto, desceu da árvore e as arrancou com um pedaço de pau. “Para de gritar feito retardado,” caçoou, e continuou a subir. Ele desceu meio caindo da árvore, se esfolou todo, e nunca mais subiu. Talvez, depois disso, tenha tomado alguns choques elétricos nos equipamentos de som. Certamente depois disso tivera choques anafiláticos da má cocaína que boas almas lhe serviram. Mas disso não ficara trauma. Disso, ele nem se lembrava.


(Do meu próximo romance. É, minha mãe vai me matar.)

14/07/2013

CARREIRA


Com Betty Faria, a diva do episódio de hoje. 

Já estão divulgando por aí, então posso falar. Estamos nas gravações da série de TV Passionais, que tem roteiros meus e da Paula Szutan.

É uma série de ficção, livremente inspirada em casos reais, sobre crimes passionais - casais que se matam. Cada episódio traz uma história completa, mas há o núcleo de um bar, que desenvolve uma história paralela durante a temporada.

Esta semana fui assistir às gravações e já vi dois episódios prontos. Está bem bacana. O diretor, Henrique Goldman (de Jean Charles) tem um humor negro inglês que trouxe um tempero bem interessante ao projeto. Tenho certeza de que meus leitores vão achar que várias soluções e sugestões trazidas por ele foram de minha autoria. Para quem escreve livros, escrever uma série de TV pode muitas vezes ser frustrante, por ter sua visão alterada por limitações de produção, de direção, do canal. Mas ainda há muito de mim lá, e acho que vai ficar bacana.

Passei quase um ano escrevendo, em parceria com a Paulinha, que já havia escrito várias séries (Mothern, Sítio do Pica-pau Amarelo, Até que a Morte nos Separe) e me ensinou muito sobre estrutura de TV. Foi realmente um prazer trabalhar com ela - a gente é muito diferente, mas para mim isso só somou.

A série vai ao ar em outubro, no GNT.

Fora isso, agora engrenado num novo romance, finalmente. Espero terminar até o final do ano para publicar no primeiro semestre de 2014. Consegui recuperar o prazer de escrever, depois de tantos projetos interrompidos, engavetados.

Para o jovem autor de hoje, eu digo: escrever é mesmo a melhor parte. Claro que é inevitável querer publicar. Mas a expectativa pela repercussão de algo que é tão importante para você mesmo, que tem tanto de você, sempre é frustrante. Me peguei neste momento de epifania pensando com certo horror em todo o processo de publicação - na recepção da crítica, que seja positiva ou negativa, com intensidade ou desprezo, sempre é uma decepção. Nos próprios amigos, que não leem ou nem comparecem na noite de autógrafos. No papel limitado que a literatura tem - enquanto se comenta tão entusiasmadamente sobre o BBB...

Lembro de quando uma amiga estava publicando o primeiro livro, cheia de medos do que "a crítica" iria dizer/pensar sobre certas passagens, e eu tive de dizer: "Querida, infelizmente você terá de se dar por satisfeita se ao menos sentir que LERAM o livro, não copiaram simplesmente o release."

Mas faz parte do jogo. É minha carreira, é disso que eu vivo e dependo disso para pagar as contas. Digo, para além da VENDA de livros, estar publicando garante que eu ganhe cachê em eventos literários, receba encomenda de textos para jornais e revistas, roteiros, até traduções. Além das viagens, a venda dos livros anteriores.

Embora eu tenha lançado nos últimos anos o juvenil, e um livro de contos, o meio literário só valoriza mesmo romances. E faz quatro anos que não lanço um romance adulto - tenho vivido das glórias do passado... que nem foram tão gloriosas assim. Minha agente já me deu várias comidas... no mau sentido.

Aproveitando, daqui um mês e pouco deve sair a nova edição de Mastigando Humanos, pela Record. O texto foi revisto (e levemente alterado) por mim. A capa é do Alexandre Matos e a orelha é assinada por... Em breve eu conto.

No set, com a Paulinha.

08/07/2013

O CAÇADOR DE JACARÉS


Minha mãe morreu e eu ganhei uma casa de campo. Mentira. Era só uma boa maneira de começar um post... ou um livro. Eu perco a mãe, mas não perco uma frase de efeito.

Minhas raízes são urbaníssimas, paulistaníssimas, mas agora as raízes estão ficando brancas e é preciso encontrar novos caminhos. Quando os filhos saíram de casa, minha mãe construiu uma linda casa para si a 60km de São Paulo, no meio do mato. Eu também já busquei a praia, a neve, o fim do mundo, mas acabo sempre voltando. Talvez o melhor de ir seja saber que sempre se pode voltar. 

Mas sobre o que estou divagando? Fim de semana. Feriado. Resolvi receber amigos na casa de campo-da-mãe-dos-nazarian, lugar muito gostoso com lareira, uma varanda enorme, cachorros e mato. Há muito que eu não preparava o meu clássico "Frango Thomas Schimidt" (que é basicamente um frango ao curry que inventei lá pelos 22 anos, quando fui morar sozinho e não sabia cozinhar) e há muito que eu não preparava jacaré (carne exótica que inclusive foi servida no lançamento do Mastigando Humanos, em 2006, em São Paulo). Então - aproveitando a turnê do Masticando na Espanha e o relançamento do livro por aqui (em breve), resolvi misturar os dois. Fiz um "Jacaré Thomas Schimidt". 


Abrindo os trabalhos na noite de sexta, com um fondue básico. 

Em São Paulo, encontra-se a carne de jacaré no Mercado Municipal. O quilo do filé, que vem da cauda, está por volta de R$70. É uma carne branca, leve, entre o frango e o peixe (com um gosto talvez próximo da lagosta). Eu já cheguei a preparar um jacaré inteiro (e postei no blog), lá por 2008, mas dessa vez só encontrei o filé mesmo. 


O filé congelado. 

O filé cru. Temperei na véspera... Mas não dou a receita.  


 Na cozinha.

 Arrumando a varanda para o almoço ensolarado de sábado.



A jarra de caipirinhas... (que me mataria).



Um freguês satisfeito. 



Arthur, um cão insatisfeito. 


 Murilo e Tomé. 


Além do Murilo e da minha mãe, convidei Luis Fernando e Carlos, grandes amigos que são sempre grandes anfitriões e sempre me oferecem almoços e jantares fabulosos. Eu estava em dívida.




A mesinha de entrada. 

Sabe onde conheci essa galera super divertida? No SUPERPAPO! Mentira. Foi no GRINDR... Mentira... em parte. 




Prontos para servir. 

 O prato pronto. 




 A mesa. 


A receita deu super certo. A companhia estava ótima. Só a caipirinha que me pegou de jeito e não consegui nunca mais levantar da sesta, e olha que estou longe, longe de ser fraco para bebida. Ou estava. Meu fígado não é mais o mesmo, meeeeeesmo. 


E no sofá, na frente da lareira, o feriadão termina assim. 


24/06/2013

A CURA GAY



O mundo gay está cheio de doenças, a começar por Marco Feliciano. Dizer que ele é um gay enrustido, mal-resolvido, já virou senso comum e parece mera provocação, mas revela algo bem sintomático. Ele aparenta ser gay. Independentemente da biografia dele, dos estereótipos que se cria, da diversidade da homossexualidade, o fato é que o visual e os modos dele despertam essa provocação. E isso já é mais do que emblemático.

Talvez Marco Feliciano seja hétero. Mas que já cansou de ser chamado de gay é algo inquestionável. EU já cansei de ouvi-lo ser chamado de gay. Talvez ele ouça desde a infância, a adolescência, e talvez daí venha sua obsessão doentia com o tema. É inegável que Marco Feliciano sofreu “bullying”, sendo chamado de viadinho. Sinceramente, talvez ele seja hétero, e ache que ache todos os gays são como ele, que fazem a sobrancelha, fazem chapinha, mas podem transar com mulher se sofrerem um bom redirecionamento/lavagem cerebral/terapia de cura.

Ser gay não é fácil. Mas também não é fácil ser negro, ser gordo, albino, qualquer padrão que fuja da grande maioria ou do que é considerado bacana. Aqueles “bem intencionados” que dizem “não tenho nada contra gays, mas não gostaria que meu filho fosse” poderiam falar o mesmo de gordos, de vesgos, de cantores de axé. Acho que o que pega para os pais é principalmente uma identificação. Eles gostariam de olhar para os filhos e se identificarem. Para muitos pais caretas e/ou homofóbicos isso é impossível com um filho gay. Eu não só tenho certeza de que minha mãe, que sempre amou literatura, que sempre foi contestadora e contra os padrões se identifica comigo, como ela mesmo já disse isso. Eu sou o filho com quem ela mais se identifica.

Você esperar que seu filho seja o “mais integrado e menos conflituoso” possível é um ponto de vista mega coxinha, cagão e escroto. Acho mais bonito as mães que esperam que o filho transforme o mundo (mesmo que, obviamente, ele tenha de enfrentar sofrimentos e obstáculos para isso); é até um ponto de vista mais CRISTÃO. E o que um filho gay sofre vem principalmente de casa, de como os pais lidam com isso.

Na escola, ser chamado de bicha (como o Feliciano) não é algo exclusivo de futuros homossexuais, é algo com que qualquer menino mais delicado, sensível ou bonitinho passa, independentemente da sexualidade - sei, claro, não só por mim mesmo, mas por tantos amigos héteros. O “peso da delicadeza” vem muito antes da prática sexual. E acho mesmo que a coisa melhora bem quando a sexualidade é encontrada – seja o hétero que percebe que o rótulo de viado não se encaixa nele, seja o gay que percebe que ele é viado mesmo e pode ser feliz/ter prazer/ser amado assim.

Acredito que o maior problema para o gay é quando ele nem mesmo tem certeza de ser gay. É a questão de assumir para si mesmo, depois para os amigos, a família. O resto fica mais fácil. Mesmo. Pode continuar não sendo fácil, mas é fácil ter alguma sexualidade? Tanto hétero reclamando da dificuldade em entender e se relacionar com as mulheres. E daí tem o hétero que curte um sadomasô, ou que se só curte meninas que nunca o curtiriam. Sexualidade nunca é fácil. E “algumas homossexualidades” podem ser muito mais fáceis, tranquilas e normais do que “muitas heterossexualidades.”

O problema principal para muitos gays (e pais de gays) é a questão da procriação. Os evangélicos mais pau no cu (no mau sentido) vem com aquela história de que “se o mundo todo fosse gay, a humanidade acabaria”. Eu nem deveria estar discutindo isso no meu blog, que eu já pressuponho que seja lido por uma minoria inteligente, mas...  Se a humanidade acabasse, qual é o problema?!! O mundo ficaria com as plantas, e os peixes, e os coelhinhos... Nah, o que eu diria (se eu tivesse de contra-argumentar esse argumento tosco) é que este mundo densamente populado não poderia ser procriado por filhos de lésbicas com gays? (Fossem feitos naturalmente, por inseminação artificial ou whatever?) E que... Ah, por favor, ALGUÉM, por mais evangélico que seja acredita mesmo que nossa grande ameaça hoje é A EXTINÇÃO DA RAÇA HUMANA PELO SEXO ANAL?!!!

Felizes-anus para vocês.

Já foi negada a homossexualidade como doença há anos pela psicologia, então a “cura gay” proposta por Feliciano só vêm retroceder o país ao Brasil das tribos, crenças e curandeirismo.


O resto de toda a dificuldade em ser homossexual hoje em dia é por causa de mentalidades atrasadas, burras, restritas. Eu, sinceramente, da família que venho, no trabalho que tenho, no meio social em que transito, praticamente não sinto. Mas ainda sou sujeito a leis de um país com uma realidade bem mais atrasada do que a que eu vivo. Por mim, seria melhor que evangélicos só fizessem sexo anal.

E SE SEU FILHO sofreria pelo preconceito contra os gays, você já ajudaria muito dentro de casa. 

Termino com um vídeo emblemático, de um menino de Singapura.



Grande menino. Queria um filho assim.


17/06/2013

A GUERRA ESTÁ GANHA

A guerra acontece na porta de casa, mas como estava no exterior, acompanhei tudo pelas redes sociais.  Meu namorado, inclusive, gravou da janela do seu apartamento a polícia correndo atrás e bombardeando manifestantes que fugiam. Não era contenção, era perseguição.

Na Espanha, em Frankfurt, na Colômbia, e em todos os lugares que estive como autor nos últimos anos, sempre me perguntam sobre "a ótima situação do Brasil", e eu sempre tenho de destilar certo ceticismo. "É visível o desenvolvimento do Brasil em termos do crescimento da economia, o consumo," eu costumo dizer. "Mas ao mesmo tempo, parece um crescimento superficial e não-sustentável. Aumentou-se o crédito, até a renda, mas não se vê um investimento em estrutura, transporte, educação, saúde, o que torna esse crescimento insustentável a longo prazo. Faltarão profissionais capacitados, faltará qualidade de vida." O Brasil como sede da Copa e das Olimpíadas é um ótimo exemplo. Gasta-se com estádios, mas o transporte, os aeroportos estão na mesma. Esses eventos deixarão benefícios permanentes nas cidades em que ocorrerem? Duvido. O que acontecerá será o "jeitinho brasileiro" de sempre. Criarão linhas especiais de ônibus, estruturas temporárias para suprir as necessidades dos turistas, que serão desmontadas pós-evento.

Então eu costumava dizer que acreditava que a crise brasileira tinha data para acontecer: "No dia seguinte em que o Brasil perder a Copa. Se o Brasil ganhar a Copa, talvez a crise aconteça um ano ou dois depois."

Otimista estava eu; ao meu ver, a crise já começou.

As demissões na Abril, MTV, contenções em diversas outras editoras e meios de comunicação mostram que uma crise mais profunda já está acontecendo. O brasileiro aumentou seu poder de consumo, sim, mas os setores de informação e cultura não estão se beneficiando disso. O gasto é com camaro amarelo e bolacha recheada.

Mas daí há razões para um novo otimismo.

O tiro saiu pela culatra. Esse investimento na imbecilização do povo está mostrando seus efeitos colateiras. O povo que virou classe media e ganhou crédito para comprar tablet, iPhone, agora grava as condições do transporte público, da saúde, das escolas, posta nas redes sociais.

As manifestações dos últimos dias ressaltaram o poder revolucionário da internet. Não há mais um "grande irmão" transmitindo a verdade, não há mais a versão oficial do governo nem de "meios de comunicação de massa". Cada manifestante pode gravar, postar e discutir sua visão pessoal dos acontecimentos. Esse é o lindo efeito colateral da supremacia do consumo.

Não entendo muito quem critica as manifestações dizendo que "foram feitas por filhinhos de papai que nem pegam ônibus." Sim, talvez não peguem ônibus porque aumentou-se o crédito e a facilidade de comprar carro, enquanto que se abandonou o transporte público e, consequentemente, fodeu-se de vez com o trânsito das grandes cidades. O lindo milagre brasileiro parece anunciar: "Hoje menos pessoas dependem do transporte público. Então essas que se fodam!"

Talvez hoje mais pessoas POSSAM comprar um carro, até pagar uma escola particular, mas isso não quer dizer que DEVERIAM. Até porque, quando a conta chegar, esse povo vai voltar a depender de algo em que o estado não investiu.

Talvez grande parte do povo que vai às manifestações não ande de transporte público. Mas se não anda é porque não há condições de andar. Em país de primeiro mundo, todo mundo utiliza o transporte público. Aqui, o governo prefere incentivar a compra de carro. E quem não utiliza transporte público paga caro por isso. E quem não utiliza transporte público sofre pela falta de transporte público, com o trânsito, a poluição.

Podem me chamar de elitista, mas o povão que ainda depende de transporte público não vai mudar o Brasil e não vai ajudar nem a si mesmo. O povão não está indo para as ruas, não. O povão está indo pra igreja universal, está ouvindo sertanejo universitário, assistindo ao Datena, votando em Marco Feliciano e Jair Bolsonaro. Podem me chamar de elitista, mas não acho mesmo que quem nunca teve acesso à cultura e educação pode ter inteligência e bom senso.

Os policiais estão, em sua grande maioria, nessa esfera. Vêm de classes mais baixas que os manifestantes, recebem ordens, estão em menor número e armados. Não podem ter inteligência e bom senso. Eu arriscaria dizer até que "são duvidosas as razões que podem levar alguém a querer ser policial hoje em dia", mas se são duvidosas, são discutíveis, e até podem ser validadas. Eu mesmo tenho um amigo PM, um doce de menino...

O que importa é que, mesmo com tiros, prisões, vandalismo, registrou-se com quem está o poder. Não está com o governo - o governo está mais do que perdido; não está com os policiais. Pode não estar com o "povão" - eu digo, o "povão" está com Marco Feliciano. Mas, ao que parece, esse crescimento da classe média agora está começando a mostrar seu valor.

UPDATE: Fui à manifestação de hoje, na Faria Lima. E acho que me equivoquei em parte. O que eu vi me pareceu um movimento da classe média, sim, mas principalmente de estudantes, grande parte dos quais não parecia nem ter idade para ter um carro, por isso talvez pegue de fato o transporte público. Faz sentido, é legítimo, e está certíssimo. 

15/06/2013

MASTIGANDO AS ÚLTIMAS MORDIDAS...


Já estou de volta a São Paulo, antes que a cidade acabe. E faltou registrar os melhores pratos dessa rápida passagem pela Europa. Dessa vez não teve nada de extravagante ou bizarro, como carne de urso, mas deu para comer muito bem, especialmente em Portugal. No momento Ivana de hoje (da época em que a Ivana de fato registrava essas coisas em blog), destaco:

Tartar de atum com arroz de sushi: Comi em Zaragoza, depois da minha participação na Feira do Livro. É como um sushizão, frio e bem gostoso. 


Churros com chocolate quente: Dá confeitaria Valor, em Salamanca. Os churros espanhóis - sem recheio - perdem para os portugueses (que são mais próximo dos nossos), mas molhados nesse denso chocolate quente fazem a festa. 

Lula e camarões fritos: Almoço em Valladolid. Gordo, gorduroso, mas bem gostoso. 


Polvo a lagareiro: é um povo grelhado, leve e delicioso. Meu primeiro jantar em Lisboa. 


Pasteizinhos: os pasteizinhos de Belém daqui são conhecidos como pastéis de nata lá. Perdi a conta de quantos comi. E quase todos eram igualmente incríveis. 

Esse foi meu último café na cidade, tigelada. Parece um pastelzinho de nata, mas é na verdade uma espécie de... omelete doce. Gostosin. 


Espetada de lula e camarões: esse foi meu último almoço em Lisboa. Leve e delicioso. 

Voltando a SP, foi hora de comemorar atrasado o dia dos namorados. Ganhei um hofolote laser para animar as noites aqui em casa. Dei uma série de lembrancinhas da Europa. E preparei uma paella nazariana, melhor do que qualquer uma que já comi, em qualquer lugar do mundo. 


Frutos do mar trazidos da Península Ibérica... tá, mentira. 


E o resultado. 

Agora é voltar para a academia para (tentar) queimar todas essas calorias. 


 Nós. 


ÚLTIMA AULA DO ANO

Vou dar minha última aula este ano, em cima dos textos de vocês. Me mande as dez primeiras páginas ou o projeto de um romance em que esteja ...