18/03/2023

SEJA UM AUTOR FRACASSADO SEM SAIR DE CASA!



Terminou hoje mais uma oficina, de cinco aulas, que dei por Zoom – “Como se Escreve o Romance Contemporâneo”, com participação da Andrea del Fuego, Raphael Montes e Alexandre Staut.
 
Adoro, mas detesto. É sempre bom conversar sobre literatura, saber o que os outros estão escrevendo, estão lendo, receber as dúvidas deles sobre escrita, sobre o meio, muita coisa que a gente, já avançado na carreira, toma como natural.
 
O saco é vender o curso em si, promover – e não só por ter de ficar enchendo o saco nas postagens, chamando aluno, patrocinando post, mas por “vender o sonho” em si, a promessa; tenho sério conflitos com isso.
 
Cada vez mais vejo gente aí vendendo curso, seja de literatura ou do que for, e sempre com essas promessas: Seja um autor de sucesso! Conquiste mais leitores! Você já pensou em viver de escrita? Acho uma picaretagem, me dá um mal-estar, que é difícil precisar...
 
Talvez seja um pouco por minhas frustrações pessoais com a literatura. Talvez seja muito por eu ter literalmente abandonado a publicidade para me tornar escritor (e agora o trabalho de escritor me obriga a voltar). Mas tem sido agonizante ver como a Internet tem cada vez mais obrigado TODOS a se tornarem publicitários, vendendo o tempo todo a si mesmos.
 
Instagram hoje só aparece conteúdo pago, “post patrocinado” e, além da venda de cursos, para mim o que mais aparece é rapazinhos sem camisa. O cara patrocina post dele na piscina. O cara paga pra você vê-lo sem camisa. É o povo pagando para ser famoso, ser amado, ser seguido.

Já tô velho demais para este mundo.

Nesses 20 anos de carreira (como escritor), me sinto cada vez mais perdido. Parece que no começo eu sabia mais o que fazer, como fazer e acontecer (e acontecia). Agora, a cada livro, encontro um terreno desconhecido (no anterior, foi a pandemia) em que tenho de repensar totalmente a maneira de promover um livro, de tentar chegar às pessoas.
 
Não tem chegado. (E não é nem o livro em si, é a “mensagem”, o número de seguidores que vai se tornando proporcionalmente cada vez menor, minha presença no meio literário, o alcance cada vez limitado...)

(Você já conhece a palavra de Santiago?)

Nunca dá pra confiar só na editora. Mesmo numa editora fodona, como a em que estou. O livro sempre depende do autor. A carreira é dele. É ele quem tem que fazer (escrever, divulgar, acontecer). Eu, em editora grande, tenho muito menos alcance do que muito autor da Patuá, da Nós, da Autêntica; gente mais bonita, malemolente e integrada. (O existencialismo bizarro é um projeto fracassado...)

Mas a gente segue, como sempre falo, porque antes de tudo (ainda) tenho muito prazer na prática, na escrita, na discussão sobre literatura. Um “coach literário” pode falar que estou fazendo errado. “O marketing não pode ser pensado só a posteriori, para vender o livro, Santiago. O marketing tem que estar na escrita em si, no texto vendedor...”

(Daí fodeu de vez. O existencialismo bizarro é, na verdade, literatura de autodestruição disfarçada.)

O que ferra é sempre o marketing. O que sempre ferrou e salvou minha vida foi mesmo a publicidade.
 
Por enquanto, não vai ter curso novo. Estou pensando em novos formatos, novas possibilidades, de repente presenciais, em outros lugares.. Vamos ver o que acontece.

Talvez estar em crise com a atualidade seja um sinal de que faço parte dela. Integrado ou não, estou pensando, agindo, e buscando alternativas para sobreviver nesse cenário. Talvez seja mais válido e consistente do que a bolha em que vivem os integrados, especialmente para quem quer criar algo consistente, que dure, que fique. A voz da literatura não deveria ser a voz dos outsiders?
 
Mas o que ficará daqui a cem anos, meus livros ou um canudo de plástico?

13/03/2023

MEDINDO MEUS PASSOS



A última atualização do meu iOS trouxe um aplicativo chamado "Fitness". Resolvi testar. Para ele me dar uma meta de calorias/movimento por dia, coloquei minha altura e peso.

"Tem certeza de que é isso mesmo, Santiago?"

"Claro que tenho!"

"Não é isso o que identificamos pelo nosso dispositivo... Você não vai chegar a lugar nenhum enganando a si mesmo."

"Ah, é?! Então coloca aí o que você identifica no dispositivo..."

"Bem, se você tiver até 80kg, pode PISAR no aparelho, que calculamos pra você..."

"Er, deixa como está..."

Agora o app está me deixando neurótico, literalmente calculando cada passo que eu dou, do banheiro para a sala, da sala para o quarto. "Você não está cumprindo sua meta, Santiago." Tenho que viver com o celular no bolso e ele nem é justo de fato; calcula o que eu gasto andando até a academia, mas não o tempo que fico na esteira! "Assim você não vai chegar a lugar nenhum, Santiago."

Ontem fui dormir cedo. Tive sonhos intranquilos. Acordei mais cansado do que dormi. Abri o aplicativo e já estava cumprida a meta do dia.

Estava lá registrado: Pico de movimento - entre 4:15 e 5:38 da manhã.
 
"Noite agitada, hein, Santiago?"

"Como assim? Eu tava dormindo...."

"Aham, sei."

"Sério. Fui dormir cedo. O que aconteceu? O que tu registrou aí?"

"Está de ressaca? Lembre-se de que a bebida prejudica sua meta..."

"Me conta! O que foi que eu fiz?!"

"Usou camisinha, ao menos?"

11/03/2023

OS FILMES DO OSCAR (que eu vi)



- FABELMAN: Filmão de Oscar mesmo. Exatamente o que eu esperava e não me provocou naaaada.
- AVATAR 2: Lindo de ver em 3D no cinema. E só. (Me deu uma dor de cabeça de dois dias...)
- CLOSE: Dos mais lindos e mais tristes de todos os tempos. Só acho muito rápido e desproporcional tudo o que acontece... Não dá para entender como as coisas chegam naquele ponto. 
- OS BANSHEES: Bacaninha. Um pouco enfadonho, mas bacaninha. 
- ELVIS: Outro filmão de prêmio, mas divertido. (Nunca fui fã de Elvis, mas o filme levanta bem o personagem, talvez até demais - ele é muito idealizado; fico pensando que na vida real o Elvis não devia ser aquele santo todo.)
- TRIÂNGULO DA TRISTEZA: Divertidíssimo, provocativo, mas o final decepcionou.
- TUDO EM TODO LUGAR: Chato, histérico, neurótico. Não aguentei nem metade.
- A BALEIA: Meio teatro demais, falta um pouco em cinema, mas bacaninha.
- TÁR: Meu favorito. Amei.

22/02/2023

MINHAS CINZAS


Perdido no povo. 


“Tem que aproveitar o carnaval, mas com Jesus no coração.”

Foi o que ouvi de transeuntes assim que saí de casa no sábado.
Segui o conselho. Aproveitei o carnaval com essa limitação.

Prometi ao nosso senhor que não beberia mais, não treparia mais, não seria mais feliz até resolver minha situação financeira/profissional. Já faz três meses. Tem sido curioso passar por todas as festas (Natal, réveillon, carnaval) sem beber, a gente percebe mais a embriaguez do outro. Mais complicado é festa em que NINGUÉM está bebendo, a conversa não flui legal. Melhor que eles bebam, e eu não.

A bebida não é um problema, por isso resolvi parar antes que se tornasse. “As pessoas só param de beber quando já é tarde demais”, li não lembro onde. Então parei antes. No meio literário, beber é meio obrigatório (por sinal, traduzi um livro bem bacana da Leslie Jamison sobre alcoolismo/abstemia entre escritores, “A Reabilitação”, para a Globo Livros). Beber ajuda no trabalho. Ajuda nos contratos. O problema é quando NÃO beber prejudica (na criatividade, na sociabilidade...). Sinceramente, não tenho sentido diferença. Só sigo na seca porque é mais barato. E a saúde agradece.

Voltando ao carnaval, é uma época difícil de controlar as vontades... Até fiquei bonzinho em casa. Até trabalhei na segunda. Até tentei maratonar filmes. Mas os trios na Augusta latejam até aqui: “Venha, venha, dê só um pulinho...”

É bom para o moral. 


Dei só um pulinho mesmo.

Lucas. 
         

Bastou ir até a esquina pra ver o trio de Bollywood, o trio da Salete Campari, a Rita Cadillac (de novo), e todo aquele povo... Aqueles jovens descamisados... Aqueles velhos também... Muito mijo e purpurina (isso não é um nome de um conto do Caio Fernando Abreu?). Não tive ousadia nem pra pintar o olho, sambei no máximo levantando os dedinhos. Nem beijei. Mas até que foi divertido.

Encontrando ex...
   

“Eu vou no trio pelas músicas”, me disse uma amiga. Não consigo pensar num motivo pior. Som horrível, com músicas que eu não gosto. (E se eu gostasse seria ainda pior, não tenho coragem de ir num bloco que assassina as músicas do Bowie). Também não fui pela bebida. Nem pelo sexo. Te digo, tenho um crucificado no coração.

Thi é amigo das amigas, de quando éramos clubkids...
 

Mas fui por boas companhias, no domingo, no “Explode Coração”. O Lucas De Assis Rossato o Marcelo Maluf, a Daniela Pinotti Maluf (que é a vereadora do carnaval). Acho que fui mesmo para ver o povo – não só os amigos, o povo mesmo, os corpos, as fantasias. É motivo suficiente e excessivo.

Marcelo e Daniela Maluf, casal 20 do carnaval.
 

Abri mão da felicidade para não enfrentar a decepção. Mas agora já passou. Passou o carnaval e o ano começou – queira nosso senhor. Que este ano não morro. No Halloween serei feliz.   

14/02/2023

O GATO OU O QUICO




Queria ter um cachorro...

Mas antes precisava de um marido.

É muita grana criar um bicho sozinho.

Fora que precisa de mais espaço. Para o marido e o cachorro.

Não ia aguentar um homem aqui o dia todo.

Ou um cachorro, pedindo pra sair.

Por isso que eu tinha coelho.

Mas os coelhos morrem cedo.

Os maridos também, quando a gente é gay.

Se alimentar direitinho, chega no máximo a uns seis anos.

O coelho e o marido.

O gato ou o Quico...

Não, com gato é diferente. Mas quem quer gato não precisa de marido.

Quem quer gato não precisa de amor.

Quem quer gato não precisa de espaço.

Mas eu preciso. Por isso nada tenho.

(Essas vontades não alimento.)

09/02/2023

BLOCO DO EU SOZINHO

Em outros carnavais...


Ai, os bloquinhos voltaram...

Investi tanto no apocalipse que agora não tenho mais condições de ser feliz.
 
Meu último carnaval foi em 2020, às vésperas do fim do mundo, eu faceiro-solteiro-sarado-esperançoso aproveitei como se deve. Subi no trio da Gretchen, puxei o cabelo da Cadillac, beijei desconhecidos e contraí sapinho.
 
Fui mais feliz no governo bolsonaro...

(Sou como a Regina Duarte, que foi mais feliz na ditadura.)

Depois, não teve mais o que se esperar, não teve mais pelo que lutar... Com a eleição do Lula, nem sou mais contracultura.

Agora não, não bebo mais, não trepo com estranhos, não tenho mais vontades.
Mas ainda gostaria de ter (tipo panetone, que ninguém gosta, mas se esforça.)

(Ou literatura brasileira contemporânea.)

Ainda tenho inveja dos que gostam. Só a inveja move meu bloco.
 
Para encerrar, uma questão vazia, só para provocar engajamento: Você é favor de oração nas escolas?

24/01/2023

GROW FOR ME

 


Ganhei essa linda planta no meu aniversário de namoro ano passado, há quase um ano. O namoro acabou há uns meses.

A planta resistiu bem – murcharam as flores, nasceram novas flores, ramos secaram, brotaram outros ramos -, até que, no saldo, foi mais morrendo do que vivendo, cada vez mais seca, como tudo por aqui...

Mas eu resisti. Sem namoro nem coelho, a planta era o que sobrava pra cuidar diariamente. “Vamos tomar um sol”, levava ela pra área de serviço. “Tá com sede?” colocava água. Ela nunca respondeu. Mas eu ainda tomava como uma analogia (ainda que batida) da minha vida. Quando melhorarem as coisas, ela vai melhorar. Quando ela melhorar, é sinal de que as coisas estão melhorando...

Agora parece que morreu. (“Não tava muito bom, tava meio ruim, agora parece que piorou”, como diz o poeta.) Uma mulher zelosa me diria para desistir. Mas fui pegar o vaso para jogar fora e senti meio quente, meio pulsante, pensei em todos os microrganismos que ainda podem estar aqui.

Talvez a planta ainda rebrote no tempo certo? Talvez os microrganismos tenham algo a me dizer. Eu posso continuar regando e esperando. Se música clássica não salvou minha planta, talvez haja esperança com Raça Negra?

06/01/2023

ABRINDO OS TRABALHOS...

 


Em fevereiro e março vamos discutir a escrita do romance. Serão 5 encontros (por Zoom) – 1 de introdução, 3 com grandes convidados apresentando seus processos de escrita e o último para debater os projetos dos inscritos. Teremos participação de Andrea del Fuego, ganhadora do prêmio Saramago; Raphael Montes, autor bestseller de policial e suspense, criador da série “Bom Dia Verônica” (Netflix); e Alexandre Staut, autor e editor especialista em descobrir novos talentos. Conduzindo o papo tem eu, Santiago Nazarian, autor de 12 livros publicados pelas maiores editoras do país. Informações no flyer. Mais detalhes por email. Inscreva-se já #oficinaliterária #literaturacontemporânea #romancebrasileiro

12/12/2022

MAIS UM ANO HORRÍVEL

Com Manal, leitora querida, na Bolívia. 


Não deu para ser feliz em 2022.

Foi  um ano muito difícil, de eterna luta, atrás de trabalho, de reconhecimento, de sanidade. Os trabalhos, que haviam se mantido estáveis durante a pandemia, desde o fim do ano passado começaram a miar, miar, e no começo do ano pararam de vez. Chegou ao ponto que eu não tinha mais pro aluguel, não tinha mais pros boletos, não tinha nem mais pra comer.

Tive que pedir help pelas redes, e a tristeza da situação só foi balanceada pela generosidade de alguns amigos, de muitos leitores e desconhecidos. Gente que me indicou para trabalhos, que me mandou ovo de páscoa, até pix recebi. No meio dessa crise, pifou minha geladeira, e uma querida surgiu do nada e me DOOU uma geladeira. Sem a bondade de estranhos eu não teria conseguido sobreviver...

(Tem gente que diz que eu só reclamo. Queria eu poder ser daqueles que é só gratiluz, que só compartilha sucesso e riqueza; quando eu posso, eu compartilho, mas tem sido raro... Por mais que seja constrangedor expor fraquezas e penúrias, se eu não exponho, nada acontece. Se eu não peço ajuda pelas redes, não arrumo trabalho, não tenho o que comer. Vivo sozinho, trabalho sozinho, todas as minhas relações são meio distantes. Meu único jeito de pedir ajuda é esse.. Só assim é que lembram que eu existo.)

Quando expus as dificuldades no começo do ano, muita, muita gente sugeriu que eu desse oficinas de escrita. Sempre tenho resistência - porque acho que é ganhar em cima do sonho do outro, com uma promessa que não leva muito a nada. Mas vamos lá, os boletos não param, então fui de oficina. 

Organizei nos moldes em que já dei, uma ou outra vez, não uma oficina de escrita, mas sobre escrever-publicar-divulgar, como funciona o meio literário e a carreira do escritor. (Muita gente me escreve com dúvidas sobre isso, mas na hora de PAGAR pelo conteúdo...)

A oficina que não foi. 

Criei dentro da plataforma da Balada Literária, do querido Marcelino Freire, e NINGUÉM se inscreveu. Tá certo que estava um pouco caro, R$ 600 pila por uma oficina não-presencial, mas deixou claro que oficina não é a solução. Alguns meses depois, em agosto, tentei de novo de forma independente, cobrando a metade do preço - assinei Zoom, patrocinei post, enchi o saco de divulgar - e consegui 8 alunos. Acabou sendo bem bacana, 4 aulas de 2 horas, todos os sábados. que sempre se estenderam além. Mas arrumar esses 8 alunos já foi tão sofrido, que se eu fizesse outra creio que ninguém mais viria...

Grandes discussões com alunos lindos. 

Tirando essas coisas que eu tive de inventar, quase nada. Dizem que os eventos literários voltaram com força, mas talvez meu momento já tenha passado. Não colhi nada de frutos das finais dos prêmios ano passado. Fiz DOIS eventos e só. Ao menos teve uns cachezinhos...

O Oceanos ao menos promoveu uns debates online (com cachê) e me chamou pro júri deste ano. O Jabuti cagou pra mim. 

O primeiro foi em maio, no Pantanal, a grande viagem do ano. Tive uma mesa no Festival América do Sul, em Corumbá (MS), que estava lotada e inesquecível. Consegui ainda dar um pulo (literalmente) na Bolívia, logo ao lado, atravessando a fronteira a pé, para almoçar carne de jacaré. Foram três horas fora do Brasil, mas posso dizer que fiz uma viagem internacional em 2022.

Ótima mesa no Pantanal, com Carla Maliandi e Márcia Medeiros, medidos por Wellington Furtado Ramos.

Em setembro, teve a segunda viagem. Uma turnezinha por três cidades do Paraná, pelo Sesc, que gerou ótimos encontros e papos. E foi só. Não viajei mais pra nada, férias, praia, nada. Nem na virada do ano, nem no meu aniversário - na virada do ano eu dormi e no meu aniversário não fiz absolutamente nada.

Ótimos encontros no Paraná. 

Todo esse tédio, toda essa depressão ajudaram na escrita, sim. Se passei quase dois anos sem escrever, em 2022 fluiu toda minha criatividade represada. (Mas é aquela coisa, as tristezas e decepções alimentam a escrita... que não alimenta nada... ou só alimenta mais tristezas e decepções...)

Sem ter mais o que fazer, nos primeiros meses do ano comecei e terminei uma novelinha, que foi vendida para a Companhia das Letras e deve sair no primeiro semestre do ano que vem. Tem uma estrutura bem diferente de tudo o que já fiz - estruturada só em diálogos - e é um retrato dessa geração atual, militante, não-binária, que sabe contra o que lutar, mas não o que defender. Será mais um grande fracasso... ou um fracasso mediano. 

Falando nisso, mês passado tirei do armário um infanto-juvenil que havia sido engavetado, "O Príncipe Precoce". Com a dificuldade de encontrar uma nova editora para ele, resolvi experimentar uma publicação independente, em ebook e impressão sob demanda, pela Amazon, com a parceria do irmãozinho Alexandre Matos nas ilustrações. NINGUEM comprou (bem, poucas dezenas, mas teve centenas de joinhas nas minhas redes). Ainda tá lá para quem quiser, baratíssimo, de repente uma hora engrena. Por enquanto, considero (mais) uma experiência fracassada. 


Em ebook aqui: https://www.amazon.com.br/Pr%C3%ADncipe-Precoce-Alexandre-Matos/dp/B0BLGDR995

Daí veio OUTRO livro, outro romance, que comecei a escrever mês passado. (Porra, entreguei romance pra Companhia em março, comecei a escrever outro em novembro - não tem nada de outro mundo; pra mim, escritor é quem ESCREVE.) Mas esse ainda deve levar um tempo. É um romance bem baseado na minha infância nos anos 80, talvez o mais próximo que eu já tenha chegado da autoficção. Por enquanto ainda está meio sem estrutura, os capítulos surgindo como lembranças, em ordens aleatórias, mas já engrenei na escrita diária, então acho que dá um livro, a médio prazo. 

De traduções, este ano fiz mais versões para o inglês, que pagam melhor (ou deveriam pagar), mas levam bem mais tempo pra mim. E só vieram coisas pequenas, infantojuvenis, trabalhos de 500, 600 reais. Fiz bastante tradução pra dublagem - que foi algo novo, indicação de um colega querido, que me deu essa puta força quando eu mais precisava. Mas também longe de me salvar, mais trabalhinhos de 500 pila. Tem vindo tudo assim, picado, que não cobre nem meu aluguel. A gente tem 20 anos de carreira, fala 5 línguas, se especializa, mas só surge trabalho de 500 pila. Estudar pra quê, né? Pra ser Uber!

E estamos aqui falando de trabalho, de falta de trabalho, de falta de dinheiro, mas e na vida pessoal? O que meu ano deu? (com trocadalhos)

Bom, eu nunca tenho muita vida pessoal, né? Se não acontece muita coisa na vida profissional, na vida pessoal menos ainda. 

Eu estava namorando, até dois meses atrás, mas tivemos que acabar. Fomos nos distanciando, nos víamos cada vez menos, e eu não reconhecia mais a pessoa com quem eu estava - e não foi só pela transição de gênero. Às vezes parece que a gente conhece mais a pessoa no começo do namoro, porque projeta tantas coisas, tem uma visão equivocada. Com o tempo, com a intimidade, a pessoa vai se tornando mais estranha, mais diferente, até você achar que não tem mais nada a ver com você...

Mas foi um término tranquilo, sem dramas. Ela é uma ótima pessoa e eu só quero que dê tudo certo, estou aqui para o que ela precisar. 

No momento, não penso em namorar nunca, nunca mais. Estou cansado, desesperançado, pensando em morrer e me aposentar...


Pequeno se foi. 

Não tem mais namoro e não tem mais coelho. Gaia morreu no final do ano passado e ainda faz falta. No começo do ano veio o Pequeno, coelho do Ayrton Montarroyos, que perguntou se eu não podia cuidar por uns meses. Foram 9 meses, um hóspede muito bonzinho, educado, que não deu trabalho nenhum, mas também não deu amor. Totalmente ao contrário da Gaia (e da Asda), ficava o dia inteiro quietinho, na dele, sem interagir. Ayrton enfim levou embora, há poucas semanas e não penso em pegar mais bicho nenhum. Mal consigo cuidar de mim...

E as perspectivas para 2023... São as piores. Sei que muita gente apostava na eleição do Lula, mas eu na verdade fui de Bolsonaro... MENTIRAAAAA (tô querendo me diplomar em auto sabotagem). Acho que ano que vem vai ser MAIS difícil, mais penoso. Lula pegou um país totalmente quebrado. Derrotado, Bolsonaro jogou um fodasse total, cagou na economia, mijou na educação (me pergunto em que condições Lula vai encontrar o Palácio da Alvorada). Não vai ser fácil colocar tudo nos eixos e acho que não dá para esperar felicidade em 2023. 

Em 2025... quem sabe. Mas eu não devo chegar até lá...


22/11/2022

APOCALIPSE FUTEBOLÍSTICO

 


Acho curioso criticarem, boicotarem a Copa atual pela homofobia, misoginia, exploração. Futebol não foi sempre isso?

Fui daquelas crianças viadas com horror. E a total falta de interesse, de talento com a bola minaram muitas das minhas relações sociais durante toda a infância, até meados da adolescência. “Para que time você torce”, é das primeiras perguntas que um menino escuta ao entrar numa nova turma. Geralmente eu dizia “Corinthians”, só pela cor (porque sempre fui um trevosinho); levou muitos anos para eu conseguir admitir: “Não gosto de futebol.”

O fato de ser trevosinho, por sinal, é o que me salvava de ser totalmente excluído, que me denotava certa masculinidade: gostar de filmes de terror, HQs, videogame, ainda era considerado um traço masculino. E talvez eu até pudesse ter sido mais popular, ter tido mais amigos, se não fosse pela aula de educação física...

Na educação física ficava clara minha inadequação: ninguém me queria. A clássica cena de dois meninos (os “dois melhores”) escolhendo seus times e eu sobrando com os mancos, com os vesgos, com os gordos. Mal conseguia tocar na bola, meio que eu fugia, e nunca consegui marcar um gol na vida. (Alguns diriam que nem na literatura...)

(Até pouco tempo... até agora, acho, eu poderia ter dito que na educação física eu só era bom em queimada. Mas fico pensando se era mesmo um talento em fugir da bola, ou se os meninos nem se importavam em mirar primeiro em mim. Eu só era um dos últimos que sobrava.)

Eu tinha um primo rico que era dos meus melhores amigos. Quando estávamos só nós dois, a gente se divertia com o Nintendo, com o He-man, Comandos em Ação. Quando tinha outros amigos – e ele era cheio de amigos – ele ia jogar futebol no campinho da própria casa. Eu continuava na TV, até zerar o “Simon’s Quest.”

Foi uma falha na minha criação. Na minha casa, nunca se teve o menor interesse por futebol, nem os homens. Era dado um interesse exagerado pelas artes. (E deu no que deu...) Futebol só se assistia em Copa do mundo, o que pra mim era um martírio, não fazia sentido. Mesmo depois de entender minha sexualidade, a hipermasculinidade dos jogadores nunca me foi um atrativo. Nesse quesito, acho bem mais interessante as Olimpíadas, onde há de fato celebração de diversidade.

(Nota: Essa ilustração foi outra feita pelo meu irmãozinho Alexandre Matos, para um texto de jornal antigo, mais ou menos com esse mesmo tema, que o jornal não quis publicar...)

07/11/2022

O PRÍNCIPE PRECOCE

 

TEMOS LIVRO NOVO, hoje! Já!

(bem, é uma autopublicação infantojuvenil, não se decepcione...)

Depois de "A Festa do Dragão Morto", a editora me pediu outro infantojuvenil, comprou meu Príncipe e estava tudo pronto para sair, chegou até a ser revisado... 

Mas mudanças internas inviabilizaram o livro - a editora achou muito violento, eu preferi manter como estava e minha antiga agente não conseguiu fazer nada. Ouvi de muitos sobre essa dificuldade de livros que não sejam “adotáveis” pelos padrões atuais, que não sigam a cartilha infantiloide da literatura infantojuvenil, para vender para o governo, e decidi por uma publicação independente.

Então, sim, O PRÍNCIPE PRECOCE já pode ser comprado HOJE, em ebook na Amazon, aqui:  

https://www.amazon.com.br/dp/B0BLHR8B1X


Vai ter impresso? JÁ TEM! A Amazon oferece a opção de impressão por demanda, mas estranhamente só nas lojas de outros territórios (EUA, Europa, Ásia), então para comprar o impresso é preciso pedir nas Amazons de fora, como aqui: 

https://www.amazon.com/PR%C3%8DNCIPE-PRECOCE-Portuguese-Santiago-Nazarian-ebook/dp/B0BLHR8B1X/ref=sr_1_1?crid=3U8T5QNDDYC8D&keywords=O+Pr%C3%ADncipe+Precoce&qid=1667650627&sprefix=o+pr%C3%ADncipe+%2Caps%2C1311&sr=8-1

Ainda não sei como fica a impressão. Quero juntar uma quantidade para pedir - fica uma grana de frete, demora. Esse esquema inviabiliza que eu possa vender o impresso autografado, pelo menos por enquanto, mas assim que eu souber como fica o impresso eu divulgo. (Se alguém de fora comprar, me mostra?). De repente mais pra frente conseguimos uma edição convencional também (mas isso depende do sucesso do ebook). 

Foi lindamente ilustrado pelo meu ilustrador favorito, Alexandre Matos, (que já ilustrou livros meus, do Noll e muito mais) e custa só R$10 em ebook, U$10 no impresso (e valores similares em euros e tais).




Vai ser uma nova experiência para mim, uma publicação independente, que de repente dá outros frutos. (Mas romance novo sai pela Companhia, ano que vem.) Quem já tiver publicado assim, pela KDP, e tiver dicas e conselhos, vou adorar.

Conto com a força de vocês, como sempre: comprem, divulguem, avaliem, que no espírito eu sempre fui um autor independente, e agora só posso mesmo contar com o boca-a-boca. 

Talvez alguns reconheçam a história - é uma velha fábula minha - que foi totalmente reescrita, retrabalhada, com várias surpresinhas... 

Sinopse:

O Príncipe Precoce sempre fez tudo muito cedo na vida - nasceu de sete meses, foi alfabetizado aos três anos e aos dez já era o melhor cavaleiro do reino. Por isso, no seu aniversário de quinze anos, não foi surpresa quando ganhou de seu pai uma espada mágica, para invadir o reino inimigo e conquistar a Princesa Pretérita. Mas para chegar lá, ele terá de enfrentar muitos desafios, soldados, ogros e seres mágicos. Em sua primeira publicação independente pela KDP, o premiado autor Santiago Nazarian narra um conto de fadas divertido, cínico e sangrento - uma alegoria do despertar da adolescência com uma pegada de musical da Disney. Com belas ilustrações de Alexandre Matos, O Príncipe Precoce é uma aventura para (quase) todas as idades...




ATUALIZAÇÃO: Para quem é de fora, parece que a versão impressa vale. Um amigo em Portugal recebeu em três dias, me mandou fotos e vídeos. A capa ficou linda, o papel e a impressão também são bacanas (mas as ilustrações internas perdem um pouco a qualidade). Pena que para pedir para o Brasil fique tão caro e demore tanto, mas é uma opção. (Eu ainda não tenho em mãos...)

O livro físico, impresso sob demanda. 



#literaturajuvenil #literaturainfantojuvenil #contosdefadas #kdp

FLIRECÊ

Mais que colegas, friends.  Ainda tô chapado. A luz da Bahia é ofuscante – cegou meus olhos, queimou minha pele, transformou minha paulistan...