19/11/2014

BIOFOBIA, O FILME

A pré-equipe do filme. 


Há alguns meses, numa festa na casa da Márcia Tiburi, conheci o Beto Brant. Já conhecia e admirava grande parte da produção dele no cinema - adoro "Cão Sem Dono", "Os Matadores", "Crime Delicado", "O Invasor" - e aditivado pela bebida "intimei-o": "Quando vai fazer um filme do meu livro?"

Mandei o BIOFOBIA para ele e um mês depois ele veio me sondar sobre os direitos. Ele me avisou sobre um edital para desenvolvimento de roteiro, fiz todo o projeto (argumento, sinopse, justificativa, objetivos), mandei para eles e semana passada tivemos o resultado. BIOFOBIA foi contemplado no Proac, com uma boa grana para ser roteirizado.

Renato Ciasca deverá ser o diretor. Beto Brant já está com um filme para dirigir e ficará na produção. E ainda teremos Marçal Aquino supervisionando o roteiro, que será escrito por mim, por ideia deles. Esta semana nos encontramos todos novamente para comemorar e começar a planejar o trabalho.

A ideia é terminar o roteiro no primeiro semestre de 2015 e tentar o financiamento para começar as filmagens em 2016. Eu que nunca tive muita sorte no cinema ("Feriado de Mim Mesmo" está rolando como projeto passando de produtora a produtora desde 2004) estou confiante que desta vez vai. Pelo menos já vou ter uma grana para o roteiro. E os direitos ficam com o Beto pelos próximos anos.

O livro teve boas críticas, saíram muitas entrevistas e pude voltar a circular pelo Brasil em lançamentos, debates e festivais. Então já cumpriu o seu papel. Vamos ver o que se desdobrará em 2015. Também estou adaptando para o teatro e já comecei a rascunhar um livro novo, mas será algo para daqui a dois, três anos. Minhas conquistas sempre foram relativas, nunca pude contar com grandes poderes por trás, mas aos poucos as coisas vão acontecendo. Tudo o que conquisto é por muita insistência, teimosia, parece que o acaso nunca me favorece. O importante é que continuo fazendo sempre só o que acredito.


“Santiago escreve com a liberdade e irreverência de costume. (...) Suas virtudes como escritor nunca estiveram tão à tona, da bem dosada morbidez pop ao simbolismo potente de certas cenas.” Daniel Galera, O Globo

“Biofobia é o melhor livro de Santiago Nazarian. O título, uma única palavra que já leva o leitor para um claustro, vai se concretizando como medo da natureza, mas da natureza humana que mesmo tentando domesticar a selva mais densa, é o animal que ainda escolhe o inimigo.” – Andrea del Fuego

“Com narrativa ágil, cinemato­gráfica em imagens sutis e bem resolvidas e reivindicando outro lugar para o “existencialismo bizarro” ao qual o autor é enredado, Biofobia confirma a força do discurso de Nazarian. Nada é excessivamente estranho no oitavo livro do escritor, mas enormemente inquietante. – Mauro Morais, Tribuna de Minas

“Biofobia: livrão do Santiago Nazarian. O estilo dele está todo lá, mas mais depurado: as associações originais de ideias, as alfinetadas na vida real, o gore. Pense em "A morte sem nome" com um protagonista masculino e mais focado. (..) Tudo no livro é muito convincente, de maneira mais emocional que racional. Recomendadíssimo.” – Simone Campos

“Um romance a ser lido em diversas camadas: diverte na superfície, mas reafirma sua força em reflexões pertinentes ao leitor mais atento.” – Raphael Montes


“O autor fez um tipo e exorcismo. Mas sem perder a ironia. Além do pop e do trash, não falta humor.” – Cadão Volpato, Folha de S. Paulo

“Um thriller pop que lança mão de tantas referências externas e traz um retrato tão existencial e crítico.” – Fernando Albuquerque, Revista O Grito

“Esse é um dos grandes trunfos do livro – a incerteza. (...) Eu, como leitora, aprecio demais e, como escritora, invejo.” – Cafeína Literária

“Nazarian arma um mergulho com muitas referências musicais e literárias, que ajudam a definir a ambientação geral. O leitor é levado a uma (por vezes incômoda) intimidade com a sanidade.” – Christian Peterman, Rolling Stone

“Alguns podem classificar Biofobia de alternativo ou underground, mas isso desmerece uma das vozes mais originais da literatura brasileira contemporânea. No entanto, se Santiago Nazarian continuar com essa mesma pegada e qualidade indiscutíveis, que continue sempre sendo adjetivado dessa maneira. “ - Ney Anderson, Angústia Criadora

“BIOFOBIA parece ser um marco de guinada na carreira de Santiago. A morte, tradicional argumento de seus livros, aparece agora de forma melancólica produzindo sentimentos de isolamento, reflexão, exibindo a finitude humana como limitação presente. Nazarian nunca esteve tão Nazarian.” – Liandro Lindner

“Um livro para ser lido com calma, desfrutando as palavras e buscando nas situações vividas pelo personagem principal, reflexões sobre nossas próprias vidas e existências. Recomendo a todos que gostem de uma leitura um pouco mais profunda e reflexiva.” – Capa e Título

“Biofobia nos deixa tenso, nos arranca risadas, deixa a boca amarga com certas reflexões, nos dá esperança e nos tira, nos deixa loucos” – Rafael Noris, Coisas Horrorosas

“Daqueles livros que sequestram o leitor, você não vê mais nada, o mundo todo desaparece... incrível!” – Cléo de Páris. 


"Biofobia é um livro denso. Mistura existencialismo, humor, ironia e ainda traz a natureza como espelho para o medo e questões internas do personagem. É literatura rica, construída em períodos curtos e certeiros. E, como se não bastasse, tem um compasso que instiga até a última página." - Anita Deak. 


"Santiago volta com tudo naquilo que ele faz de melhor. Personagens solitários, nesse limite entre morte e vida. Entre a lucidez e a loucura. A natureza quando mete medo. Os personagens estão longe das cidades, mas o urbano pulsa no livro. O rock está lá. Vai virar filme, vai ser do caralho." - Ismael Caneppele, Melhores Livros do Ano no Ornitorrinco. 


“Com "Biofobia" Santiago Nazarian retoma, com toda a força narrativa, os aspectos ficcionais que marcaram seus romances anteriores. E com algumas novidades. O aprofundamento nas neuroses, nas psicoses, na solidão, no "existencialismo bizarro" que promove a desorientação social e os pequenos e grandes vícios humanos - tudo isso está lá - com o plus de uma dose generosa de ironia cáustica” – Rodrigo Lopes da Fonte

“Suspense psicológico do autor paulistano que depurou seu estilo reiterativo estruturado em frases curtas enoveladas em ritmo hipnótico. Avaliação: Ótimo.” – Ronaldo Bressane, Guia da Folha

15/11/2014

SAINDO DO SUL


Na estrada. 

Amanhã volto a São Paulo depois de uma curta turnê sulista. Fui convidado pela Feira do Livro de Porto Alegre e resolvi esticar em Florianópolis, organizando um lançamento por lá em parceria com o grande escritor catarinense Carlos Henrique Schroeder.

Irmãzinhas Letícia e Taina, no obrigatório almoço no Baalbek. 


Como coloquei aqui, adoro Porto Alegre, já morei lá, tenho grandes amigos, mas não é um amor muito correspondido... Todos os lançamento que fiz por lá foram um pouco frustrantes, vazios, desmotivam de fazer um próximo.

Valeu por conhecer a Bianca, leitora gatinha que acabou de fazer uma tatuagem igual a minha, tirada de  Mastigando Humanos, inclusive com minha assinatura. Responsa. 


A Feira do Livro tem grandes qualidades, uma programação variada e se orgulha de ser a maior feira de livro a céu aberto da América Latina, mas não faz muito bom uso disso. Os debates muitas vezes ficam perdidos na avalanche de eventos, espalhados em lugares de difícil acesso. Minha mesa com Tailor Diniz, por exemplo, poderia ter acontecido numa tenda em meio a Feira, para aproveitar o movimento, os passantes. Aconteceu escondida numa sala no terceiro andar do Santander Cultural, aonde só quem soubesse e quisesse mesmo chegaria (ainda mais às 18h de um dia de semana, com chuva).


Com Luiz Paulo Faccioli e Tailor Diniz. 

De toda forma, o bate papo mediado por Luiz Paulo Faccioli foi ótimo. Ele se ateu bem aos nossos livros mais recentes, e pudemos discutir em profundidade, inclusive com participação da (parca) plateia.

Meu último sarau. 

Um dia antes participei do Sarau Elétrico, no Ocidente, também em Porto Alegre. Confesso que a palavra "sarau" me provoca urticária. Me soa como um fluxo ininterrupto de "vendedores de poemas" interrompendo a noite de quem quer beber e conversar. Porém o Sarau Elétrico é bem tradicional e fica evidente que o povo que está lá foi de fato para ouvir literatura... mas ainda assim não é nada a minha praia.

O Sarau dessa semana tinha o tema de "literatura latino-americana"e eu fui jogado meio de paraquedas. Enquanto os outros convidados liam trechos de Borges, Bolaño e Cortazar, eu apresentei BIOFOBIA e convidei para o debate na feira do livro. Bem constrangedor. O pessoal do sarau foi carinhoso (ou compreensivo), mas mesmo assim só serviu para confirmar para mim mesmo: não participo nunca mais de saraus.
O lindo lançamento na Ilha. 

Todavia, se Porto Alegre valeu mais pelas amigas e um ou outro leitor querido, Florianópolis continua linda.

Schroeder lendo para nossa plateia. 



Conheci o querido Tobias, que apareceu com uma pilha de DEZ livros para eu autografar. 

O lançamento em si foi bem além do que eu esperava. Não esperava grande coisa, de fato. Achei que se vendesse uma dúzia de livros já estava de bom tamanho (foi um lançamento + debate numa livraria, sem grande promoção, sem um grande evento por trás). Mas estava bem cheio, vendemos bem, o pessoal foi muito querido e o papo com o Schroeder sempre é ótimo. Valeu por toda a viagem.

Pira e Gabriel, amigos das antigas. 

E ainda rendeu página inteira no Notícias do Dia. 

Daí estiquei o final de semana na ilha, nas praias, em longa pedaladas da Barra até a Lagoa do Peri, até os Ingleses. O clima estava ótimo e a recepção de minha mãezinha Ida fez toda a diferença.

Na Barra.

Assim vão se encerrando os lançamentos este ano, que foi bem mais movimentado literariamente do que os últimos, basicamente porque me esforcei muito para criar oportunidades. Ano que vem não terá livro novo, mas continuarei os trabalhos em adaptações, roteiros e teatro... 2015 promete.

Morro das Pedras. 

10/11/2014

CORAÇÃO SULISTA


 
Com Leticia em Porto Alegre, no início do século.

No começo de 2000, eu tinha vinte e dois anos, estava terminando a faculdade de comunicação da FAAP em São Paulo e queria mudar de ares, sair da casa da minha mãe, morar sozinho.

Escolhi Porto Alegre meio aleatoriamente - talvez acreditando, como paulistano jeca, que iria para um Brasil loiro com temperaturas amenas. Encontrei algo melhor, uma terra acolhedora, com ótimo nível cultural e mulheres que se tornariam amigas para a vida toda. 

Com irmãzinha Taina, no meu primeiro lançamento por lá, em 2004. 

Na época eu trabalhava com redator publicitário em SP, e tinha um dinheiro guardado. Pedi demissão, aluguei um apartamento no Floresta e fui procurar emprego nas agências de Porto Alegre. Acabei trabalhando quase dois anos na Escala, de onde novamente pedi demissão em 2002 para ir à Europa (onde fiz mochilão e trabalhei um tempo como barman). 

Então Porto Alegre foi onde comecei de fato minha vida adulta, minha independência, onde morei pela primeira vez sozinho e caí na vida. Não teria conseguido se não tivesse sido adotado pelos colegas de trabalho, a Taina, Letícia, Telmo, Renata, Miltinho, Márcia... Foi lá também que escrevi meus dois primeiros livros (que seriam publicados anos depois). Até hoje acho que minha escrita está muito impregnada da literatura sulista. 

Isso tudo para dizer que amanhã estarei de volta por lá, para lançar BIOFOBIA no Sarau Elétrico do Ocidente e na Feira do Livro, nos horários abaixo. 

Divulguem, apareçam, comprem. 


De lá eu sigo para outra paixão, Florianópolis, simplesmente o lugar que mais gosto NO MUNDO.


Lá eu morei por um ano, de 2010 a 2011, também numa busca de mudar novamente de ares, de vida, ficar mais em contato com a natureza e ser garoto de praia enquanto ainda restava algo de "garoto" em mim. Foi lindo, mas era uma aposentadoria. E a falta de vida cultural e de trabalho local me fez ter de abrir mão da ilha depois de um ano - mas permaneço com o coração lá, e a ilha tatuada no braço. 

Na varanda da minha casinha na ilha, na minha vida de surfista em 2011.

Minha família em Floripa foi a Ida Andersen, dona da pousada em que passei algumas semanas até conseguir alugar uma casa. Seus filhos foram meus irmãozinhos, e a capa do BIOFOBIA inclusive foi feita por um deles, o Taiya.


Taiya e Ida, anos atrás. 

Então quinta-feira terei o prazer de lançar o livro por lá, em parceria com o grande escritor catarinense Carlos Henrique Schroeder. O convite é esse: 



Assim conto com os amigos de Porto Alegre, de Floripa. Apareçam, divulguem, comprem, não me deixem só. Quero continuar sempre com um pé no sul, com histórias para contar. 

Barra da Lagoa. 

06/11/2014

SUCO DE ESCANDINÁVIA


Na próxima segunda o duo norueguês Röyksopp lança seu quinto (e supostamente último) álbum de estúdio, "The Inevitable End" ("O Fim Inevitável"), que já pode ser baixado pelos mais ansiosos ou ouvido em streaming em links como este: http://noisey.vice.com/pt_br/blog/ouca-o-ultimo-lp-do-royksopp-the-inevitable-end

Estou longe de ser um especialista ou entusiasta de música eletrônica. Mas o Röyksopp está longe de se limitar por isso. Em quinze anos de carreira eles foram do elektro ao ambient, passando por várias vertentes do pop e do experimental. Sendo basicamente uma dupla de produtores noruegueses, recorreram a grandes artistas escandinavos para dar voz às suas composições, mas também conseguiram completar sozinhos várias faixas instrumentais e cantadas que não ficam nada atrás.



Meu álbum favorito provavelmente é o "Senior", de 2010, totalmente instrumental, que deixou de lado qualquer intenção pop em favor de faixas climáticas, longas e lentas, que eu demorei a entender mas hoje me soam geniais. É um disco para se ouvir com atenção às texturas, aos andamentos, aproximando-se da música erudita.



No começo do ano eles lançaram um EP de cinco músicas com a Robyn - cantora sueca que eu detesto - que não me empolgou, mas confirmou o talento deles no experimentalismo na bela faixa "Monument". E agora eles voltaram para um disco inteiro.



A versão original-encurtada de "Monument"

"The Inevitable End" não é o melhor disco do Röyksopp, nem para quem curte o lado mais pop, nem para quem curte o lado mais experimental, mas é um bom caminho entre os dois. Funciona como uma coletânea de tudo o que eles fazem de melhor (e de pior).

Abrindo com "Skulls", cumpre a promessa de um som mais sombrio, com vocoders e distorções reconhecíveis, e não deixa de ter um ritmo delicioso. Segue com "Monument" e "This Sordid Affair", a melhor surpresa do disco, um pop suave que lembra "Poor Leno" (do primeiro disco) com vocal de Ryan James.


A melhor do disco?

O disco tem várias faixas lentas, bem lentas e minimalistas com vocal de Jamie Irrepressible (basicamente um Antony mais alternativo ainda do que o dos Johnsons) e faz a Robyn passar recibo de tosca com o vexame de "Rong". O ponto alto são as duas faixas com a (genial cantora norueguesa) Susanne Sundfor - "Save Me", um elektro-pop meio bagaceiro, mas divertidíssimo, e "Runing to the Sea", que já havia sido lançada como single há quase dois anos, e é das coisas mais lindas que eles já escreveram (que de certa forma destoa um pouco do disco pela elaboração e afetividade). Resumindo: conseguem ser divertidos sendo toscos, conseguem ser toscos sendo toscos, conseguem ser profundos sem divertir, conseguem divertir sendo profundos, e tudo o que resta entre isso.


Não dá para fazer elektro pop melhor do que isso. 


Talvez o que me atraia no Röyksopp seja o que sempre me atraiu na Escandinávia em geral, o clima melancólico,  onírico-etéreo, que já visitei tantas vezes como turista e breve morador na Finlândia, Dinamarca, Suécia e Noruega. Talvez por estar tão longe ou talvez tão próximo do meu espírito latino, continua me inspirando muito mais do que qualquer samba daqui. "The Inevitable End" não é sempre prazeroso - é amargo, azedo, com um toque de frutas vermelhas - mas é como tomar um suco concentrado de Escandinávia. E faz efeito.


(Amo essa foto, na fronteira da Finlândia com a Noruega, em outubro de 2011. Dá uma olhada no mapa para ver como é norte pra caralho, fim do mundo mesmo.)

01/11/2014

FÓRUM

Minha mesa com Raphael Montes, Simone Campos e Júlio Ludemir, no Fórum das Letras de Ouro Preto. 

Já estou no aeroporto voltando de Ouro Preto. O debate que mediei ontem foi sério, profundo e tranquilo, ainda que um pouco frio. O belo Cine Rica intimida um pouco e no começo de uma tarde de sexta ainda tinha um público meio aéreo. Mas valeu.

O melhor desses eventos muitas vezes acontece nos bastidores mesmo, os encontros em mesas de bar, de restaurante, nos hotéis e translados. Pude reencontrar muita gente querida - como o Ferrez, Ana Paula Maia e o Lucas Bandeira, meu editor - aprofundar noite à fora e falar muita bobagem também.

O Fórum continua até amanhã, mas volto mais cedo porque estou quase há um mês indo e voltando de viagens, e preciso arrumar a casa, cuidar da minha coelha, terminar traduções e, quem sabe, descansar.

Mas daqui a dez dias já volto à estrada. Estarei em Porto Alegre dia 11 (terça) no lendário Sarau Elétrico do Ocidente, e no dia 12 num debate na Feira do Livro, às 18h. Dia 13 lanço BIOFOBIA em Florianópolis, às 19h, na Saraiva do Shopping Beira Mar, com a parceria e debate do grande escritor catarinense Carlos Henrique Schroeder, que também estará lançando seus Fantasias Eletivas. Até.


30/10/2014

CONFINS E CONEXÕES

 Altos papos na estrada com Manuel da Costa Pinto e Ferrez. 


Voltei do Uruguai e já estou em Ouro Preto. Vim mediar uma mesa no Fórum das Letras com Simone Campos, Júlio Ludemir e (para variar) Raphael Montes. Não por acaso, foi uma sugestão minha (e basicamente todas as mesas que sugeri com o Raphael emplacaram; haverá mais uma ainda este ano). Acho bem bacana fazer mediação – leio bem os contemporâneos, gosto de assistir mesas e acompanhar tendências e discussões, então acaba sendo uma atividade natural. É a oportunidade que tenho para questionar, trazer debates realmente. E é o que pretendo fazer amanhã – me cansam as mediações preguiçosas que só levantam os currículo dos autores.


Com Murilo, em Punta. 

Uruguai foi gostoso – longos passeios de bicicleta, boas refeições, muitas fotos. Gostei bastante de Montevidéu, que tem certo charme decadente, e Cabo Polônio, que é outro mundo. Punta del Leste é bem sem personalidade, não me atraiu. O país todo está muito caro e o povo não é exatamente simpático, mas valeu bem a visita.


O cão e o lobo marinho. 

Outubro foi um mês intenso de viagens e minha coelhinha Asda sofreu com minha ausência. Quando viajo à trabalho, Murilo fica com ela. Viajando juntos, tive de recorrer aos serviços de uma Pet Nanny. Recomendo bem. Ela deu comida, limpou a bandejinha higiênica e distraiu um pouco a diaba em visitas diárias. Mandava relatórios com fotos e mostrou um carinho além do profissionalismo. E o preço foi bem ok (cerca de 300 reais – mas varia conforme as necessidades do animal e o tempo das visitas). O site é: http://www.mypetsnanny.com.br/

 Montevidéu.

Por último, mas não menos importante, estreia amanhã finalmente no canal +Globosat a série PASSIONAIS, que roteirizei com Paula Szutan e Mirna Nogueira, para a Pródigo. A cada episódio, uma história cabulosa de crime passional, numa montagem artística e lúdica. Foi um trabalho gostoso de fazer, em que participei desde o começo, da criação dos argumentos e acompanhei algumas filmagens. Não chega a ser uma obra exatamente minha, porque tem a visão dos diretores, a produtora, interferência do canal, a interpretação dos atores, mas tenho orgulho de fazer parte.


Nos bastidores com Betty Faria, que faz um dos episódios mais legais. A série também tem participação de Marcelo Tas, Luis Miranda e grande elenco.

Horários: 

EPISÓDIOS INÉDITOS
SEX 19h
SEX 19:30
REPRISES
DOM 11h
DOM 11:30h
TER 12h
TER 12:30h
QUI 6h
QUI 6:30h


Na piscininha do hostel em Punta. 

26/10/2014

URUGUAI


Cabo Polônio.

Há alguns anos estabeleci a meta de conhecer pelo menos um país novo por ano. Eram 25 - muitos dos quais já visitei mais de uma vez; em sete deles fui como escritor convidado. O Uruguai era uma carta na manga: perto, fácil e relativamente barato, para eu conhecer quando não surgisse outro convite. Estive semana passada como autor convidado no México, que não era um país inédito, e aproveitei as férias do Murilo para seguir direto aqui para o vigésimo sexto no vizinho. 

 
Em Punta del Leste. 

Murilo planejou tudo. Demos uma rápida passada em Montevideo e já seguimos para Cabo Polônio, a cinco horas de ônibus, mais meia hora de 4x4 entre pântanos e dunas. É uma vilazinha de 400 habitantes numa reserva ecológica à beira mar, repleta de leões marinhos. Não há energia elétrica, a noite é iluminada apenas pelas estrelas e o oponente farol. A vila se sustenta basicamente pela pesca e turismo, destino de ôrganicos e bichos grilos de todo mundo. 


O pequeno sereio.


Fotografando um leão marinho. 

Um dos bichinhos.


As pedras infestadas. 


Os sapos Darwin - pretos com manchas amarelas - são exclusivos da região. 

Ficamos na melhor pousada da vila - La Perla - que tem energia elétrica de gerador apenas algumas horas de noite, ótima comida e quartos confortáveis. Diária de 90 dólares - que acabará sendo o hotel mais caro que pagaremos por aqui, embora o país esteja longe, longe de ser barato. Comer tem sido uma atividade caríssima, mesmo nas padocas da esquina. 


Nossa pousada. 



A vista do quarto. 



O maior mercado da vila. 


Voltando ao Cabo: é uma experiência. Ouvi muitos comentários entusiasmados de que era "o lugar mais incrível do mundo", blablablá. Não é para tanto. Longe de ser um "paraíso", tem uma beleza desolada, bastante melancólica, mesmo com sol e céu azul (o mar é sempre um gelo; coisa para leão marinho mesmo). É mais curioso do que lindo (não se compara a paisagens como as do Deserto do Atacama, no Chile, por exemplo, ou mesmo Florianópolis, se é que se pode comparar bode com ovelha). Mas gostei bem de ter ido. 

A entrada da reserva de Cabo Polônio. Daqui, só com veículos autorizados. 


Drinques num restaurante improvisado à beira mar.

De lá seguimos para Punta del Leste, que é exatamente o que eu esperava: um condomínio de luxo à beira-mar. Também tem uma beleza bastante desolada, um pouco triste. Agora fora de temporada não há ninguém nas ruas. Então hoje alugamos bicicletas e pudemos pedalar tranquilamente pelas ramblas e avenidas. Tem feito dias perfeitos de sol, com noites frias. 

 De bike em punta. 



Ficamos aqui até amanhã, daí para os três últimos dias em Montevideo. Murilo é sempre uma ótima companhia, o país é gostoso e tranquilo, embora não me desperte grandes entusiasmos. Vamos ver qual será o saldo final. 

Sempre sorrindo. 


20/10/2014

DEUS E O DIABO NA TERRA DE BOLSONARO

De repente, todo mundo se tornou comentarista político. E, de repente, até que faz sentido. Todo mundo sabe onde o calo aperta, no bolso, na saúde, na riqueza e na pobreza. Na falta de cultura e na escola para os filhos, todo mundo é instruído. A dona de casa que duela diariamente com o preço nos supermercados pode ter uma visão mais real da economia do que o executivo que só acompanha os índices indicativos. O autor alienado que gira o mundo e se exila na Finlândia pode ter reais comparativos de como funciona um país de primeiro mundo, com ideais socialistas aplicados a um sistema capitalista...

Todo mundo entende muito de política. Daí a gente se pergunta como reelegem Bolsonaro, Feliciano, Alckmin, Tiririca.  Eu bem que avisei, eu sempre soube. Hate to say I told you so, já postava e apostava sobre isso quando o gigante despertava, até porque minha especialidade sempre foi o negativismo.

Vivemos a era da segmentação, o aparente domínio da internet. Não há mais domínio, é literalmente cada um por si e Deus por todos. Ou seja, a grande massa ainda é dominada pela religião, o grande irmão, um poder superior intangível, inatingível, imbatível e fantasioso a ser usado por qualquer um com um pouco mais de oportunismo sobre qualquer um com menos instrução.

Acompanhamos pelo nosso mural do Facebook os amigos, colegas, breves conhecidos comentando sobre política e achamos hoje que o mundo é isso, vendo da mera janela de nosso jardim. Mais janelas ainda dão para a fachada da Universal, o programa do Ratinho, a revista Veja e o caldeirão do Huck.

No meu mural, houve um tom de perplexidade com a reeleição automática do Alckmin, com o resultado geral das eleições. A mim não. Talvez nem tanto por eu ser esclarecido ou observador, talvez apenas pelo negativismo. Pode conferir, postei em pleno clima de euforia das manifestações, em 18 de junho de 2013:

Foi lindo mesmo. E você pode ter achado a rua linda, seu mural do Facebook lindo. Você se identificou com o que viu lá fora e o que viu aqui. Mas não se esqueça de que, o que você não viu, talvez seja o verdadeiro povo brasileiro, que não se juntou à classe média nas ruas. Que ainda acha que são "um bando de baderneiros filhinhos de papai", que vota no Russomano, Bolsonaro, Feliciano. Tá, eu sou um escroto mesmo, negativista, desesperançoso que acredita que se há centenas de milhares nas ruas, há dezenas de milhões em casa, assistindo a cobertura do Datena. Mas já é um começo.

Agora chegamos a um segundo turno que parece exigir polarizações, como se as polarizações realmente existissem. O bem contra o mal. Lula contra Collor. Hoje Collor ao lado de Lula apoiando Dilma contra Aécio. Não entendo. Não entendo mais de política do que poderia uma dona de casa, uma patricinha conectada ao Facebook. Dá para ser entusiasta tão convicto de uma candidatura contra a outra? Esse contra aquele e alguém por nós? Não é mesmo cada um por si? Quanto tempo levará para vermos uma aliança de Aécio com Dilma?

No primeiro turno, votei de ponta a ponta PV. Não acho que tinha os candidatos mais preparados, mas merecia votos para preparar candidatos, para uma futura eleição. Agora no segundo turno não estarei no Brasil; votaria Dilma. Não acredito no PT, assim como não acredito no PSDB. E nem acredito que os partidos façam sentido neste país. O PT apenas busca representar ideais mais próximos do que os que eu acredito – transparece mais hipócrita exatamente por isso. Mas como eu poderia votar num partido que assumidamente vai contra muito do que acredito?

Sou um negativista positivo. Acho que os males virão para o bem. Sou um otimista negativista, espero sempre o melhor e nunca me contento com o que recebo. Mas acima de tudo sou um relativista, e ainda me surpreendo com a paixão ingênua com que tantos ainda defendem um ou outro,  Deus ou o Diabo, Dilma ou Aécio. Tudo discussão para convertidos. Por sinal... “paixão ingênua”... não seria um pleonasmo?


19/10/2014

FORASTEIRO APIMENTADO


Está chegando ao fim minha segunda visita ao México. A Feira do Livro de Zócalo foi mais organizada do que eu esperava, considerando que o convite foi feito bem em cima e até a última hora eu não conhecia a programação nem quem mais estaria comigo.


As mesas foram cheias, com moderadores bem preparados e boa participação do público. Minha segunda, com Maria Alzira Brum Lemos e moderação de Consuelo Muñoz, foi um pouco redundante, no mesmo espaço e com o mesmo tema da primeira. Mas lembrei de trazer um texto que publiquei há anos no Clarin, sobre esse papel do escritor como eterno forasteiro, tendo que representar o seu país em eventos como este, que acho que resumiu bem tudo o que tenho dito por aqui. 

Dani Umpi e Maria Alzira, que dividiu a mesa comigo. 

Foi lindo também encontrar o (cantor e escritor uruguaio) Dani Umpi na plateia. Nos conhecemos em 2010 no Peru e desde então o encontro por concidência em feiras do livro pelo mundo a fora. Um grande artista e amigo querido de viagens.

Patotinha bacana. 


Aqui no México tive o prazer de conhecer a Melissa, estudante de letras portuguesas que me levou com seus amigos para as noitadas mexicanas. Uma coisa excessiva, absurda, cansativa e divertida, como o México. 

Locas noches mexicanas. 

Foi legal ver tantos estudantes, professores e pesquisadores da literatura portuguesa por aqui. Gente como a Consuelo, que já conhecia bem minha obra (e adora Feriado de Mim Mesmo) e que está batalhando para minha publicação no México. 


Consuelo experimenta meu chapéu novo. 

Também bacana encontrar novamente o Gustavo Pacheco, que cuida da parte cultural da embaixada e já me recebeu muito bem na Argentina e ano passado em Guadalajara. Ele ofereceu um jantarzinho esta semana na casa dele, com vatapá e chorinho ao vivo. (Ok, meio sem sentido fazer isso no México, mas estava gostoso.)

Gustavo e a esposa - sim, ela é a cara da Alice Braga. 



Comi bem, bebi bem, acordei sempre disposto a vasculhar mais da cidade. Mas, como bem me avisou Marçal Aquino, depois de cinco dias a comida e a altitude me derrubaram. Ontem, tentei ir à casa da Frida Kahlo de bicicleta. A chuva me obrigou a desistir e acabei voltando ao hotel tonto e exausto. Cancelei as festas de sábado e me revirei no quarto de hotel com uma leve febre. Hoje já acordei disposto e peguei a bike novamente. 


Explorando o México de bike. 


Amanhã estou de volta ao Brasil num pulo rápido para ver minha coelhinha, pegar meu loirinho e embarcarmos para o Uruguai, país ainda inédito, que será o 26 da minha lista. 

Escamoles - uma iguaria que é... ovo de formiga saúva. É gostoso... mas não gostei muito não. 

Aproveito e coloco a versão em português do meu texto do Clarin, que li na mesa de sexta. Algumas coisas ficaram um pouco datadas, mas é basicamente o que ainda acredito. 

EU CONTRA O BRASIL

Eu não sei sambar. Não jogo futebol. Não mato cobras na porta de casa e sandálias Havaianas provocam bolhas em meus pés.

Sou escritor. Escrevo romances apocalípticos sobre suicidas, jacarés assassinos e cidades infestadas por zumbis. Quando minha carreira alargou fronteiras e eu comecei a ser convidado para eventos literários e publicações fora do Brasil, me vi estranhamente no papel de representante de um país. O país que me gerou, por certo, mas ainda não exatamente o país a que pertenço. Um país que não lê o que escrevo (porque não lê em geral), e que perturba minhas horas de escrita e de leitura com rojões, gritos de torcida, carnaval.

O que há desse país em mim, para eu representar?

Escrever sobre o Brasil... a mim me parece um paradoxo. O Brasil não existe por escrito. Não pode ser capturado nos dedos e não tem concordância verbal. Brasil pontuado e com todos os acentos está muito distante do que vive o povo, do que é feito o povo, do que se vive aqui de fato.

Num encontro com o escritor americano Daniel Mason, em 2003, na Festa Literária Internacional de Parati (FLIP), ele me revelou o desejo de escrever um romance passado no Brasil. “Mas não gostaria que fosse o olhar de um estrangeiro,” me confessou, o que para mim parecia uma missão utópica. Como se pode examinar algo quando se faz parte dele? Aquela velha máxima: só se pode perceber a Terra como redonda olhando-se de fora. O próprio escritor brasileiro deve adotar essa postura, sua porção de estrangeiro, se deseja realmente compreender e interpretar o Brasil.
Eu não me atrevo. Como escritor, me interessa sempre criar um universo próprio, impreciso, uma terra onde me sinto mais confortável... mesmo com zumbis. (Por sinal, aparentemente Mason transformou o projeto de Brasil num país fictício, em seu romance, A Far Country, publicado em 2007.)

O olhar do escritor será sempre o de um forasteiro. Escrever - quando estão todos sambando, comemorando gols, matando cobras na porta de casa – já torna você um estrangeiro, excluído, pária.

Bem, talvez eu esteja exagerando...

Talvez minha experiência como brasileiro seja atípica não apenas por ser escritor. Talvez haja a estranheza adicional por minha homossexualidade – veja só, mais uma minoria. Ou talvez seja apenas o trauma de infância por não jogar futebol...

“Para que time você torce,” é a primeira pergunta que todo menino escuta quando entra num novo colégio, quando conhece novos meninos. Sua habilidade para jogar bola na infância determinará se você será uma criança integrada ou não. Você vê os dois meninos mais populares da classe escolhendo os jogadores para seus times e você vai ficando por último, junto aos gordos, os mancos, os amaldiçoados.
Eu ainda conseguia conquistar alguns amigos pelo videogame – fui o primeiro a ter o Nintendo de 8-bits do meu colégio (veja só, um geek de raiz). Mas, no final, meus amigos sempre acabavam sendo roubados pelo meu primo, que jogava bola e tinha um campo de futebol em casa. (Eu ficava trancado no quarto, tentando matar o Drácula de Castlevania.)

Em meu romance Mastigando Humanos, um jacaré solitário tenta escrever num quarto de hotel, enquanto a cidade toda é sacudida por Godzilla. O jacaré prepara um grande romance sobre sua vida, mas se pergunta quem se interessará por essas picuinhas quando há um réptil tão maior, mais perigoso, sem a mínima delicadeza ou sofisticação destruindo a cidade. Ronaldo Fenômeno é meu Godzilla. Que se torna notícia instantânea em todo país (e além) apenas por uma contusão no joelho (ou por ser pego num motel com travestis), enquanto anos de meu trabalho se tornam um 1/4, quem sabe meia página, numa resenha de jornal.

Seremos sempre minoria.

Mas não é preciso nem pensar apenas em nós escritores (nós leitores), animais sempre tão exóticos, penso nos esportistas menos óbvios, ginastas, tenistas. Gente que passa anos e anos treinando contra todo o país, o país lutando contra, o país investindo apenas em futebol, sem conseguir patrocínio, sem lugar para treinar, as quadras ocupadas por campos. Esportistas que pagam caro para conseguir um ginásio, uma raquete, uma passagem internacional. E quando conseguem uma medalha num grande mundial.... Vitória do Brasil!!! Vitória do Brasil? Eu reclamaria essa vitória só para mim.
Lutar contra também forma o que somos.

E isso tudo é o que nos forma, o que me forma genuinamente brasileiro. Relendo este texto, vejo o que tenho para contar, que minha experiência de vida é intrinsecamente formada por eu morar no Brasil. As Copas do Mundo, os carnavais, o samba e todos os clichês inevitavelmente fazem parte de minha vida. (Aliás, levei chineladas de Havaianas na infância...). Ser excluído dos times talvez tenha tornado o futebol mais importante para minha formação do que para os campeões da minha infância.
Mas estou apenas nos clichês... Será que é só isso de que é feito o Brasil e os brasileiros?

Eu não saberia dizer. Como eu disse, me falta algo do olhar do estrangeiro, por isso não me atrevo a escrever (em livro) sobre o Brasil. O que há no meu país além do clichê é algo que eu, peixe mergulhado na água, não posso perceber. Só posso tentar decifrar e explicar minha experiência como brasileiro com o que existe de estereótipo, com o que se vê comentado pelo estrangeiro, com o que chama a atenção de fora. Há várias outras coisas em mim tipicamente brasileiras, que eu não poderia perceber.
Em países como Finlândia, recebo olhares curiosos. Tenho olhos e cabelos castanhos, um tom de pele certamente não- escandinavo, de repente também uma malemolência, algo que visto de fora, de longe, por olhos cristalinos, pode formar a figura precisa de um latino. “Você é brasileiro mesmo? Brasileiro nascido no Brasil?” Veja só, conquisto uma grife. Aproveito toda essa estirpe e chachachá num país que não está acostumado a receber tantos turistas.
Eu não sou moreno, não ouço Caetano e não tenho rixas com argentinos. Mas moro na praia, pratico kite-surf, e faço uma caipirinha como ninguém.




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 Tem sido difícil atualizar o blog com a concorrência de todas as outras redes sociais. Eu acabo usando como um apanhado de momentos especia...