02/01/2012

ANO NOVO

Brindando ao fim do mundo.

Reveillon para mim é indispensável viajar. Morando em São Paulo, sempre acho deprê passar em São Paulo. Ano passado estava morando em Floripa, e achei sem sentido sair de lá, já que é um grande destino de verão e eu tinha uma casa na praia para receber amigos.

Este ano, mesmo morando temporariamente em Helsinque, achei meio deprê passar aqui. Pesquisei lugares mais bucólicos, como a Lapônia, e estava tudo lotado, caro e complicado.

Minha gravata dândi comprada em São Petersburgo para o fim de ano. (Ela tem algo de metalizado, sim.)

Estocolmo não é das minhas cidades favoritas, mas acho a viagem entre Helsinque e Estocolmo bem divertida. Há diversas ferries que fazem essa travessia, que leva cerca de 17 horas – você pega de tarde e chega na manhã seguinte. São grandes navios com cabines, restaurantes, bares, boate, karaokê, cassino e tudo mais – é uma balada em si, e muita gente faz a travessia só por isso.

Eu já fiz essa travessia umas 4 vezes (a última tinha sido em outubro do ano passado, com post no blog inclusive) e comecei a pensar que seria uma forma engraçada de passar o ano novo. Os navios da Viking Line são bem, bem cafonas, com umas famílias comprando loucamente nas lojas duty-free, adolescentes bebendo até cair, e o povo se entupindo de comida nos bufês. Chequei então a disponibilidade, eles ainda tinham cabines para o ano novo, propus ao Jere e lá fomos nós...


O patinador e seu empresário.

A virada foi no navio em si (“Mariella”), e achei mais engraçado do que nunca. Estava bem, bem lotado, mas o Jere parecia ser o único finlandês à bordo. Muitos, muitos russos, alguns somalianos, indianos, enfim um programa para turistas. Parece glamuroso dizer que passei o ano novo à bordo de um navio, indo para a Suécia, mas a coisa é relativa. Todos os finlandeses com que comentei que ia passar o réveillon lá, inclusive, me pareceram um pouco assustados – “Hum, vai ser... uma experiência” – e acho que o Jere mesmo se arrependeu várias vezes de eu tê-lo convencido, especialmente quando embarcou.

Finlandeses e russos não se bicam – a Finlândia já esteve sob domínio da Rússia, a guerra foi feia e até hoje o jeito bruto e despojado dos russos assusta um pouco o povo tímido daqui. “Olha só a roupa dessa mulher,” comentava o Jere sobre uma menina de micro-saia, “uma finlandesa nunca usaria uma coisa dessas.”

Um bom exemplo dessas diferenças foi que ouvimos mais gritos e comemorações às dez da noite (quando era meia noite em São Petersburgo) do que à meia noite.

Você sabe o que é caviar? O buffet de ano estava repleto de renas, filés, salmões e camarões, mas a gente afundou mesmo nas ovas, de todas as cores.


O navio também é um programa majoritariamente heterossexual, repleto de famílias. Alguns russos vinham puxar papo e combinei com o Jere a história de que ele era “patinador de gelo” e eu era empresário dele. No final, nos entupimos no bufê, compramos no free-shop, jogamos no cassino, bebemos no bar, aproveitamos bem a cabine e foi tudo lindo.


Almocinho de domingo com a família do Jere em Estocolmo.


Passamos só o domingo em Estocolmo, que eu já conheço razoavelmente bem. Encontramos um primo do Jere, casado com uma chilena, passeamos pela cidade com eles e voltamos no final de tarde para o navio. A viagem de volta foi bem mais tranquila, o “Mariella” bem mais vazio. Mas achei bem gostoso ficar vendo a banda tocar ao vivo aquelas músicas de festa de casamento (“Mamma Mia”, “La Bamba”, “I Will Survive”) com uns velhinhos dançando de rosto colado, uns bêbados perdidos na pista, crianças dançando com as mães - Ah, e tinha um barzinho mais “cozy” com um cara que cantava ao piano e fez inclusive uma versão de “Hurt” do NIN, quando estava pronto para encerrar a noite.


Perdidos na Suécia.
Vanessa, uma chilena nordizada.


Acreditando na neve: essa aí tinha sido tirada de uma pista de patinação.

Enfim, foi de fato um EVENTO, como eu acho que ano novo tem de ser. Jere também se divertiu e deu o braço a torcer que foi uma boa ideia, afinal. Eu mesmo tenho certeza de que se ele fosse para o Brasil iria querer me arrastar para uma micareta, um carnaval de rua, os desfiles do Rio ou qualquer coisa bagaceira desse tipo.

Os drinques finais do novo ano.


Chegamos hoje de volta a Helsinque, e de tarde a cidade começou a se cobrir de neve; já não era sem tempo. Fui e voltei à pé para a academia, debaixo de uma nevasca. Não vim para a Finlândia para fugir disso. Cruzando parques vi coelhos correndo, patos voando, a vida selvagem enfim tomando conta da cidade...


Agora sim!

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Do alto de Medellin.  Voltando da Colômbia, após cinco dias em Medellin, numa daquelas viagens mais proveitosas do que divertidas. Via...