10.30.2014

CONFINS E CONEXÕES

 Altos papos na estrada com Manuel da Costa Pinto e Ferrez. 


Voltei do Uruguai e já estou em Ouro Preto. Vim mediar uma mesa no Fórum das Letras com Simone Campos, Júlio Ludemir e (para variar) Raphael Montes. Não por acaso, foi uma sugestão minha (e basicamente todas as mesas que sugeri com o Raphael emplacaram; haverá mais uma ainda este ano). Acho bem bacana fazer mediação – leio bem os contemporâneos, gosto de assistir mesas e acompanhar tendências e discussões, então acaba sendo uma atividade natural. É a oportunidade que tenho para questionar, trazer debates realmente. E é o que pretendo fazer amanhã – me cansam as mediações preguiçosas que só levantam os currículo dos autores.


Com Murilo, em Punta. 

Uruguai foi gostoso – longos passeios de bicicleta, boas refeições, muitas fotos. Gostei bastante de Montevidéu, que tem certo charme decadente, e Cabo Polônio, que é outro mundo. Punta del Leste é bem sem personalidade, não me atraiu. O país todo está muito caro e o povo não é exatamente simpático, mas valeu bem a visita.


O cão e o lobo marinho. 

Outubro foi um mês intenso de viagens e minha coelhinha Asda sofreu com minha ausência. Quando viajo à trabalho, Murilo fica com ela. Viajando juntos, tive de recorrer aos serviços de uma Pet Nanny. Recomendo bem. Ela deu comida, limpou a bandejinha higiênica e distraiu um pouco a diaba em visitas diárias. Mandava relatórios com fotos e mostrou um carinho além do profissionalismo. E o preço foi bem ok (cerca de 300 reais – mas varia conforme as necessidades do animal e o tempo das visitas). O site é: http://www.mypetsnanny.com.br/

 Montevidéu.

Por último, mas não menos importante, estreia amanhã finalmente no canal +Globosat a série PASSIONAIS, que roteirizei com Paula Szutan e Mirna Nogueira, para a Pródigo. A cada episódio, uma história cabulosa de crime passional, numa montagem artística e lúdica. Foi um trabalho gostoso de fazer, em que participei desde o começo, da criação dos argumentos e acompanhei algumas filmagens. Não chega a ser uma obra exatamente minha, porque tem a visão dos diretores, a produtora, interferência do canal, a interpretação dos atores, mas tenho orgulho de fazer parte.


Nos bastidores com Betty Faria, que faz um dos episódios mais legais. A série também tem participação de Marcelo Tas, Luis Miranda e grande elenco.

Horários: 

EPISÓDIOS INÉDITOS
SEX 19h
SEX 19:30
REPRISES
DOM 11h
DOM 11:30h
TER 12h
TER 12:30h
QUI 6h
QUI 6:30h


Na piscininha do hostel em Punta. 

10.26.2014

URUGUAI


Cabo Polônio.

Há alguns anos estabeleci a meta de conhecer pelo menos um país novo por ano. Eram 25 - muitos dos quais já visitei mais de uma vez; em sete deles fui como escritor convidado. O Uruguai era uma carta na manga: perto, fácil e relativamente barato, para eu conhecer quando não surgisse outro convite. Estive semana passada como autor convidado no México, que não era um país inédito, e aproveitei as férias do Murilo para seguir direto aqui para o vigésimo sexto no vizinho. 

 
Em Punta del Leste. 

Murilo planejou tudo. Demos uma rápida passada em Montevideo e já seguimos para Cabo Polônio, a cinco horas de ônibus, mais meia hora de 4x4 entre pântanos e dunas. É uma vilazinha de 400 habitantes numa reserva ecológica à beira mar, repleta de leões marinhos. Não há energia elétrica, a noite é iluminada apenas pelas estrelas e o oponente farol. A vila se sustenta basicamente pela pesca e turismo, destino de ôrganicos e bichos grilos de todo mundo. 


O pequeno sereio.


Fotografando um leão marinho. 

Um dos bichinhos.


As pedras infestadas. 


Os sapos Darwin - pretos com manchas amarelas - são exclusivos da região. 

Ficamos na melhor pousada da vila - La Perla - que tem energia elétrica de gerador apenas algumas horas de noite, ótima comida e quartos confortáveis. Diária de 90 dólares - que acabará sendo o hotel mais caro que pagaremos por aqui, embora o país esteja longe, longe de ser barato. Comer tem sido uma atividade caríssima, mesmo nas padocas da esquina. 


Nossa pousada. 



A vista do quarto. 



O maior mercado da vila. 


Voltando ao Cabo: é uma experiência. Ouvi muitos comentários entusiasmados de que era "o lugar mais incrível do mundo", blablablá. Não é para tanto. Longe de ser um "paraíso", tem uma beleza desolada, bastante melancólica, mesmo com sol e céu azul (o mar é sempre um gelo; coisa para leão marinho mesmo). É mais curioso do que lindo (não se compara a paisagens como as do Deserto do Atacama, no Chile, por exemplo, ou mesmo Florianópolis, se é que se pode comparar bode com ovelha). Mas gostei bem de ter ido. 

A entrada da reserva de Cabo Polônio. Daqui, só com veículos autorizados. 


Drinques num restaurante improvisado à beira mar.

De lá seguimos para Punta del Leste, que é exatamente o que eu esperava: um condomínio de luxo à beira-mar. Também tem uma beleza bastante desolada, um pouco triste. Agora fora de temporada não há ninguém nas ruas. Então hoje alugamos bicicletas e pudemos pedalar tranquilamente pelas ramblas e avenidas. Tem feito dias perfeitos de sol, com noites frias. 

 De bike em punta. 



Ficamos aqui até amanhã, daí para os três últimos dias em Montevideo. Murilo é sempre uma ótima companhia, o país é gostoso e tranquilo, embora não me desperte grandes entusiasmos. Vamos ver qual será o saldo final. 

Sempre sorrindo. 


10.20.2014

DEUS E O DIABO NA TERRA DE BOLSONARO

De repente, todo mundo se tornou comentarista político. E, de repente, até que faz sentido. Todo mundo sabe onde o calo aperta, no bolso, na saúde, na riqueza e na pobreza. Na falta de cultura e na escola para os filhos, todo mundo é instruído. A dona de casa que duela diariamente com o preço nos supermercados pode ter uma visão mais real da economia do que o executivo que só acompanha os índices indicativos. O autor alienado que gira o mundo e se exila na Finlândia pode ter reais comparativos de como funciona um país de primeiro mundo, com ideais socialistas aplicados a um sistema capitalista...

Todo mundo entende muito de política. Daí a gente se pergunta como reelegem Bolsonaro, Feliciano, Alckmin, Tiririca.  Eu bem que avisei, eu sempre soube. Hate to say I told you so, já postava e apostava sobre isso quando o gigante despertava, até porque minha especialidade sempre foi o negativismo.

Vivemos a era da segmentação, o aparente domínio da internet. Não há mais domínio, é literalmente cada um por si e Deus por todos. Ou seja, a grande massa ainda é dominada pela religião, o grande irmão, um poder superior intangível, inatingível, imbatível e fantasioso a ser usado por qualquer um com um pouco mais de oportunismo sobre qualquer um com menos instrução.

Acompanhamos pelo nosso mural do Facebook os amigos, colegas, breves conhecidos comentando sobre política e achamos hoje que o mundo é isso, vendo da mera janela de nosso jardim. Mais janelas ainda dão para a fachada da Universal, o programa do Ratinho, a revista Veja e o caldeirão do Huck.

No meu mural, houve um tom de perplexidade com a reeleição automática do Alckmin, com o resultado geral das eleições. A mim não. Talvez nem tanto por eu ser esclarecido ou observador, talvez apenas pelo negativismo. Pode conferir, postei em pleno clima de euforia das manifestações, em 18 de junho de 2013:

Foi lindo mesmo. E você pode ter achado a rua linda, seu mural do Facebook lindo. Você se identificou com o que viu lá fora e o que viu aqui. Mas não se esqueça de que, o que você não viu, talvez seja o verdadeiro povo brasileiro, que não se juntou à classe média nas ruas. Que ainda acha que são "um bando de baderneiros filhinhos de papai", que vota no Russomano, Bolsonaro, Feliciano. Tá, eu sou um escroto mesmo, negativista, desesperançoso que acredita que se há centenas de milhares nas ruas, há dezenas de milhões em casa, assistindo a cobertura do Datena. Mas já é um começo.

Agora chegamos a um segundo turno que parece exigir polarizações, como se as polarizações realmente existissem. O bem contra o mal. Lula contra Collor. Hoje Collor ao lado de Lula apoiando Dilma contra Aécio. Não entendo. Não entendo mais de política do que poderia uma dona de casa, uma patricinha conectada ao Facebook. Dá para ser entusiasta tão convicto de uma candidatura contra a outra? Esse contra aquele e alguém por nós? Não é mesmo cada um por si? Quanto tempo levará para vermos uma aliança de Aécio com Dilma?

No primeiro turno, votei de ponta a ponta PV. Não acho que tinha os candidatos mais preparados, mas merecia votos para preparar candidatos, para uma futura eleição. Agora no segundo turno não estarei no Brasil; votaria Dilma. Não acredito no PT, assim como não acredito no PSDB. E nem acredito que os partidos façam sentido neste país. O PT apenas busca representar ideais mais próximos do que os que eu acredito – transparece mais hipócrita exatamente por isso. Mas como eu poderia votar num partido que assumidamente vai contra muito do que acredito?

Sou um negativista positivo. Acho que os males virão para o bem. Sou um otimista negativista, espero sempre o melhor e nunca me contento com o que recebo. Mas acima de tudo sou um relativista, e ainda me surpreendo com a paixão ingênua com que tantos ainda defendem um ou outro,  Deus ou o Diabo, Dilma ou Aécio. Tudo discussão para convertidos. Por sinal... “paixão ingênua”... não seria um pleonasmo?


10.19.2014

FORASTEIRO APIMENTADO


Está chegando ao fim minha segunda visita ao México. A Feira do Livro de Zócalo foi mais organizada do que eu esperava, considerando que o convite foi feito bem em cima e até a última hora eu não conhecia a programação nem quem mais estaria comigo.


As mesas foram cheias, com moderadores bem preparados e boa participação do público. Minha segunda, com Maria Alzira Brum Lemos e moderação de Consuelo Muñoz, foi um pouco redundante, no mesmo espaço e com o mesmo tema da primeira. Mas lembrei de trazer um texto que publiquei há anos no Clarin, sobre esse papel do escritor como eterno forasteiro, tendo que representar o seu país em eventos como este, que acho que resumiu bem tudo o que tenho dito por aqui. 

Dani Umpi e Maria Alzira, que dividiu a mesa comigo. 

Foi lindo também encontrar o (cantor e escritor uruguaio) Dani Umpi na plateia. Nos conhecemos em 2010 no Peru e desde então o encontro por concidência em feiras do livro pelo mundo a fora. Um grande artista e amigo querido de viagens.

Patotinha bacana. 


Aqui no México tive o prazer de conhecer a Melissa, estudante de letras portuguesas que me levou com seus amigos para as noitadas mexicanas. Uma coisa excessiva, absurda, cansativa e divertida, como o México. 

Locas noches mexicanas. 

Foi legal ver tantos estudantes, professores e pesquisadores da literatura portuguesa por aqui. Gente como a Consuelo, que já conhecia bem minha obra (e adora Feriado de Mim Mesmo) e que está batalhando para minha publicação no México. 


Consuelo experimenta meu chapéu novo. 

Também bacana encontrar novamente o Gustavo Pacheco, que cuida da parte cultural da embaixada e já me recebeu muito bem na Argentina e ano passado em Guadalajara. Ele ofereceu um jantarzinho esta semana na casa dele, com vatapá e chorinho ao vivo. (Ok, meio sem sentido fazer isso no México, mas estava gostoso.)

Gustavo e a esposa - sim, ela é a cara da Alice Braga. 



Comi bem, bebi bem, acordei sempre disposto a vasculhar mais da cidade. Mas, como bem me avisou Marçal Aquino, depois de cinco dias a comida e a altitude me derrubaram. Ontem, tentei ir à casa da Frida Kahlo de bicicleta. A chuva me obrigou a desistir e acabei voltando ao hotel tonto e exausto. Cancelei as festas de sábado e me revirei no quarto de hotel com uma leve febre. Hoje já acordei disposto e peguei a bike novamente. 


Explorando o México de bike. 


Amanhã estou de volta ao Brasil num pulo rápido para ver minha coelhinha, pegar meu loirinho e embarcarmos para o Uruguai, país ainda inédito, que será o 26 da minha lista. 

Escamoles - uma iguaria que é... ovo de formiga saúva. É gostoso... mas não gostei muito não. 

Aproveito e coloco a versão em português do meu texto do Clarin, que li na mesa de sexta. Algumas coisas ficaram um pouco datadas, mas é basicamente o que ainda acredito. 

EU CONTRA O BRASIL

Eu não sei sambar. Não jogo futebol. Não mato cobras na porta de casa e sandálias Havaianas provocam bolhas em meus pés.

Sou escritor. Escrevo romances apocalípticos sobre suicidas, jacarés assassinos e cidades infestadas por zumbis. Quando minha carreira alargou fronteiras e eu comecei a ser convidado para eventos literários e publicações fora do Brasil, me vi estranhamente no papel de representante de um país. O país que me gerou, por certo, mas ainda não exatamente o país a que pertenço. Um país que não lê o que escrevo (porque não lê em geral), e que perturba minhas horas de escrita e de leitura com rojões, gritos de torcida, carnaval.

O que há desse país em mim, para eu representar?

Escrever sobre o Brasil... a mim me parece um paradoxo. O Brasil não existe por escrito. Não pode ser capturado nos dedos e não tem concordância verbal. Brasil pontuado e com todos os acentos está muito distante do que vive o povo, do que é feito o povo, do que se vive aqui de fato.

Num encontro com o escritor americano Daniel Mason, em 2003, na Festa Literária Internacional de Parati (FLIP), ele me revelou o desejo de escrever um romance passado no Brasil. “Mas não gostaria que fosse o olhar de um estrangeiro,” me confessou, o que para mim parecia uma missão utópica. Como se pode examinar algo quando se faz parte dele? Aquela velha máxima: só se pode perceber a Terra como redonda olhando-se de fora. O próprio escritor brasileiro deve adotar essa postura, sua porção de estrangeiro, se deseja realmente compreender e interpretar o Brasil.
Eu não me atrevo. Como escritor, me interessa sempre criar um universo próprio, impreciso, uma terra onde me sinto mais confortável... mesmo com zumbis. (Por sinal, aparentemente Mason transformou o projeto de Brasil num país fictício, em seu romance, A Far Country, publicado em 2007.)

O olhar do escritor será sempre o de um forasteiro. Escrever - quando estão todos sambando, comemorando gols, matando cobras na porta de casa – já torna você um estrangeiro, excluído, pária.

Bem, talvez eu esteja exagerando...

Talvez minha experiência como brasileiro seja atípica não apenas por ser escritor. Talvez haja a estranheza adicional por minha homossexualidade – veja só, mais uma minoria. Ou talvez seja apenas o trauma de infância por não jogar futebol...

“Para que time você torce,” é a primeira pergunta que todo menino escuta quando entra num novo colégio, quando conhece novos meninos. Sua habilidade para jogar bola na infância determinará se você será uma criança integrada ou não. Você vê os dois meninos mais populares da classe escolhendo os jogadores para seus times e você vai ficando por último, junto aos gordos, os mancos, os amaldiçoados.
Eu ainda conseguia conquistar alguns amigos pelo videogame – fui o primeiro a ter o Nintendo de 8-bits do meu colégio (veja só, um geek de raiz). Mas, no final, meus amigos sempre acabavam sendo roubados pelo meu primo, que jogava bola e tinha um campo de futebol em casa. (Eu ficava trancado no quarto, tentando matar o Drácula de Castlevania.)

Em meu romance Mastigando Humanos, um jacaré solitário tenta escrever num quarto de hotel, enquanto a cidade toda é sacudida por Godzilla. O jacaré prepara um grande romance sobre sua vida, mas se pergunta quem se interessará por essas picuinhas quando há um réptil tão maior, mais perigoso, sem a mínima delicadeza ou sofisticação destruindo a cidade. Ronaldo Fenômeno é meu Godzilla. Que se torna notícia instantânea em todo país (e além) apenas por uma contusão no joelho (ou por ser pego num motel com travestis), enquanto anos de meu trabalho se tornam um 1/4, quem sabe meia página, numa resenha de jornal.

Seremos sempre minoria.

Mas não é preciso nem pensar apenas em nós escritores (nós leitores), animais sempre tão exóticos, penso nos esportistas menos óbvios, ginastas, tenistas. Gente que passa anos e anos treinando contra todo o país, o país lutando contra, o país investindo apenas em futebol, sem conseguir patrocínio, sem lugar para treinar, as quadras ocupadas por campos. Esportistas que pagam caro para conseguir um ginásio, uma raquete, uma passagem internacional. E quando conseguem uma medalha num grande mundial.... Vitória do Brasil!!! Vitória do Brasil? Eu reclamaria essa vitória só para mim.
Lutar contra também forma o que somos.

E isso tudo é o que nos forma, o que me forma genuinamente brasileiro. Relendo este texto, vejo o que tenho para contar, que minha experiência de vida é intrinsecamente formada por eu morar no Brasil. As Copas do Mundo, os carnavais, o samba e todos os clichês inevitavelmente fazem parte de minha vida. (Aliás, levei chineladas de Havaianas na infância...). Ser excluído dos times talvez tenha tornado o futebol mais importante para minha formação do que para os campeões da minha infância.
Mas estou apenas nos clichês... Será que é só isso de que é feito o Brasil e os brasileiros?

Eu não saberia dizer. Como eu disse, me falta algo do olhar do estrangeiro, por isso não me atrevo a escrever (em livro) sobre o Brasil. O que há no meu país além do clichê é algo que eu, peixe mergulhado na água, não posso perceber. Só posso tentar decifrar e explicar minha experiência como brasileiro com o que existe de estereótipo, com o que se vê comentado pelo estrangeiro, com o que chama a atenção de fora. Há várias outras coisas em mim tipicamente brasileiras, que eu não poderia perceber.
Em países como Finlândia, recebo olhares curiosos. Tenho olhos e cabelos castanhos, um tom de pele certamente não- escandinavo, de repente também uma malemolência, algo que visto de fora, de longe, por olhos cristalinos, pode formar a figura precisa de um latino. “Você é brasileiro mesmo? Brasileiro nascido no Brasil?” Veja só, conquisto uma grife. Aproveito toda essa estirpe e chachachá num país que não está acostumado a receber tantos turistas.
Eu não sou moreno, não ouço Caetano e não tenho rixas com argentinos. Mas moro na praia, pratico kite-surf, e faço uma caipirinha como ninguém.