keskiviikko, joulukuu 16, 2009

MEU PEQUENO ANO

Meu aniversário deste ano, Alê, Fábio, yo, Strausser.

O ano já acabou? O foguete explodiu e você não viu? Eu estava tomando um ponche e o dia virou em meia-noite e tudo que era doce se acabou? Babou?

Antes que tudo se acabe (novamente!) resolvi fazer minha retrospectiva pessoal. Não venham me cobrar a resolução de Copenhague e a morte de Lombardi, meu blog é um blog pessoal. Antes de mais nada, manobro os trilhos que passaram por mim. Revi meus próprios posts e concluí:


Fábio, Strausser, Simone, Wesley, no Rio.


Fizemos a virada no Rio. Poderia ter sido melhor. Fomos a uma festa que poderia ter sido grande estilo, mas que acabou sendo festa do interior - fagulhas e pontas de agulhas. Ao menos ninguém deu OD.

A gente (eu - veja aí) trocou pneu dia 1 na linha vermelha. Roubaram um dos meus rins, mas eu não estava usando.



Terminei jogando DS num hotel ordinário à beira-mar.


No começo do ano...





Ah, sim, teve o show do Peter Murphy, o legendário vocalista do Bauhaus! Tudo bem que ele pode estar caidaço, mas a voz estava em cima, para mim ele estava em cima e é sempre bom ver essa gente pela primeira vez ao vivo. Foi uma realização na minha vida.



Com o Alê também fiz mais uma instalação no Sesc Pinheiros. Adoro fazer essas coisas. Fico feliz de fazer essas coisas. Principalmente porque não tenho menor talento pra essas coisas, e tenho todo talento pra essas coisas. Digo, não tenho menor talento para artes plásticas, mas adoro poder criar personagens, idéias, imagens e frases para alguém com talento executar plasticamente. Assim foi mais uma instalalação de artes plásticas que fiz com Alexandre Matos no Sesc Pinheiros.





Também teve filha nova, a Jurema, que minha mãe adotou. Tudo bem que nos últimos meses, pelo que eu sei, minha mãe pegou mais dois cachorros novos, que eu nem conheço, porque ando ausente da casa de campo dos Nazarian. Mas a Jurema já faz parte da família. E eu adoro todo tipo de bicho.


Falando nisso...




Aí minhas editoras. Estou fechado com a Record até 2011. Mais dois livros. Um de juvenil (com a Ana aí da esquerda) e um de contos (com a Ana aí da direita).

Embora eu devesse ficar escrevendo, passei grande parte do ano cozinhando...




Acho que o melhor prato do ano foi mesmo minha lula a dorê. Apesar de ter feito belos risotos e ...






.... esse belo marreco recheado. Talvez o marreco recheado tenha sido o melhor, mas era gorduroso demais, como todo marreco (ainda mais que em seguida fomos ver aquela peça "Cloaca!" que engordurou tudo...).


E o amor...




Não esquecer que a revista Criativa deu o belo beijo gay meu e de Fábio, em página inteira na edição de junho, embora a militância nem tenha se dado conta. (Mix Brasil que cobra um beijo gay do mundo, nem percebeu...)


E a arte...


Teve também esse mega-ultra lançamento, mas ninguém notou... (Bem, o livro foi bem comentado, pouco resenhado, o lançamento saiu em tudo quanto é lugar. Mas você não leu. Achei um pouco muito frustrante, principalmente porque teve gente muita bacana que o identificou como meu melhor livro, mas ele ficou num meio termo desconfortável. Preferia ter sido apedrejado. Isso é que dá não haver uma crítica consistente neste Brasil.)


(Saiba que eu vou me vingar.)


(De qualquer forma foi um grande orgulho. Trabalhei três anos nesse livro e fiquei feliz que saiu - pela Record- em grande estilo. Esta aí. E nunca foi para ser para qualquer um...)



Teve mais um vez o Programa do Jô. Terceira vez. Ele já é brother e eu peço pra ele vir dar comida pro meu iguana quando vou viajar. Essa vez foi a que eu gostei mais; bem calcadada no universo do livro. Não vou nem falar que no dia de gravação tava uma chuva torrencial e eu fui acordado de última hora de uma ressaca de pó...





Ah, Marimoon também já é brother. E dá comida ao meu canário... se eu tivesse um. Foi mais uma série de entrevistas que eu dei, e que de certa forma me frustaram por perceberam que é mais fácil eu aparecer cinco minutos em rede nacional falando sobre meu livro do que um ser humano passar alguns dias lendo de fato....




Erika tá linda. Mas eu estava com um look tão 2007... (E tava mesmo! )

Fiz mais esse último SPFW com a Erika, de longe, dei uma entrevista bem bacana pra ela, mas me mantive meio longe desse mundo da moda., das festas... Aliás, me mantive longe do jornalismo em geral. 2009 foi um ano muito mais de trabalhos - intensos - de tradução, pareceres, críticas, tudo no meio editorial. Estou ainda fazendo a conta, mas acho que foram.... OITO livros traduzidos em 2009).






A diva do meu ano foi Ana Paula Maia. Seu "Entre Rinhas de Cachorros e Porcos Abatidos" é meu livro nacional do ano (pronto, dei!) e isso sem segundas intenções, porque não somos, assim, amigos, amiiiiiiiiiiigos, nem sei se ela leu meu livro... nem sei se gostou...


Enquanto eu flano...



Olha, de viagem este ano eu destaco o Peru. O Peru foi o mais legal, mais bonito, mais divertido. Fui à feira do livro de lá, participei de uma antologia e ano que vem lanço um livro ("O Prédio") um país surpreendente e estranho. Quero mais.



Também foi legal no Peru encontrar escritores que já tinha encontrado pela América Latina, Bogotá, Chile, Argentina. Aos poucos a gente vai sentindo que tem uma carreira internacional. Este ano senti que enraizei ainda mais minhas entranhas na América Latina. Melhorei meu espanhol. Bacana.





Dani Umpi também foi um grande amigo que fiz por lá, que já reencontrei por aqui. Escritor-cantor-performer, artista sobretudo.



Leo Felipe é outro escritor que me convidou para um país inédito em 2009, Venezuela. Adorei conhecer... Quem sabe, eu volto.




Aqui em Campinas mesmo deu pra se divertir, com Marcelino Freire.




E agora no final do ano reencontrei em grande estilo grandes ídolos como João Silvério Trevisan e João Gilberto Noll. Pronto. Acabou.

Hum, foi pouco, não? Tudo bem que nem fiz questão de mencionar coisas tipo Bienal... Mas olhando assim, estou achando esse ano curto, acho que foi tudo muito mal aproveitado. Muito mal temperado para quem tem tanto sal nas têmporas como eu. Problema seu. Você me desperdiçou. Quem sabe em 2010 a gente não se acerta?

Fico por aqui, mas o blog deste ano ainda não acabou. Estou sempre online. Stay tuned para pseudo novidades. Semana que vem parto para Floripa, para pseudo-férias de verdade.


maanantai, joulukuu 14, 2009

A SOLUÇÃO FINAL

Crítica minha sobre o livro de Michael Chabon, "A Solução Final," publicada na Folha de hoje (aqui, na íntegra).


Verão de 1944, sul da Inglaterra. A Segunda Guerra Mundial ainda não acabou, o país vive tempos de paranoia e as pessoas procuram ajudar umas às outras com uma solidariedade austera. Linus é um garoto judeu alemão de nove anos. Vítima de aparentes traumas, ele se tornou mudo e sua única ligação afetiva é com um papagaio cinza, que vive em seu ombro e repete constantemente números aleatórios. Os dois são adotados pelos Panicker, uma família da região que enfrenta problemas com o filho delinquente, mas vive em razoável conforto e em segurança.

Até que outro hóspede da casa dos Panicker, o sr. Shane, é encontrado morto. Recebeu um golpe
atrás da cabeça e o papagaio desapareceu. A polícia inicia sua investigação. Teria Shane tentado roubar o papagaio e sido morto? Surpreendido o ladrão e assassinado por isso? Seria um crime passional, por um possível romance entre a sra. Panicker e o sr. Shane? Os policiais seguem o caso solicitando a ajuda de um velho apicultor, que guarda um passado de investigações e, quem sabe, não é o próprio Sherlock Holmes no final da vida.

Essa é a insólita premissa da novela de Michael Chabon, "A Solução Final", publicada originalmente em 2004. Uma obra de ficção revisionista (que se aproveita de personagens e tramas criados por outros autores) e que mistura crônica histórica, trama de detetive e até piada de papagaio. Se a mistura é homogênea, não chega a ser saborosa. Falta profundidade à crônica, perspicácia à história de detetive e graça na piada. Mesmo o óbvio talento do autor com a escrita ralenta-se pela tolice da história; as experiências literárias não fazem jus ao que está sendo contado. Já a investigação limita-se a observações óbvias e anagramas banais que podem ser desvendados de primeira pelo leitor.

Americano de 1963, Chabon escreveu, entre outros, o romance "Garotos Incríveis" (levado às telas em 2000) e "As Incríveis Aventuras de Kavalier e Clay" (que recebeu o prêmio Pulitzer de 2001). Também foi um dos autores do argumento do filme "Homem Aranha 2" e escreveu livros assumidamente de fantasia e juvenis. Aqui, em "A Solução Final", o autor parece tentar uma experiência literária que não engrena e conclui-se preguiçosa como suas 112 páginas.

Felizmente, Chabon nunca dá nome a seu velho protagonista. O leitor pode se aproveitar do benefício da dúvida. Ainda que haja certo lirismo no retrato do investigador que está no final da vida, não se pode deixar de pensar que Sherlock Holmes já esteve em muito melhor forma.

(ruim)

torstai, joulukuu 10, 2009

NAAAANCY!!!




Esse é um trailer feito por um fã, mas já dá um pau no trailer do verdadeiro remake de "A Hora do Pesadelo". Adorei esse Freddy em chamas.

sunnuntai, joulukuu 06, 2009

ENTREVISTA

(Publicada esta semana na capa do caderno de cultura do Jornal "O Popular," de Goiânia. Gracias ao leitor André, que colocou o texto na íntegra lá na comunidade do Orkut)

Caminhos de Santiago

Rogério Borges

Santiago Nazarian é um escritor jovem, prestigiado e que está entre as estrelas da nova geração da literatura brasileira. Aos 32 anos, ele acaba de lançar seu quinto livro – O Prédio, O Tédio e O Menino Cego (Ed. Record) –, um romance em que elenca personagens envoltos em metáforas que, numa fase difícil da vida, mostram como bons e maus sentimentos podem interagir e até se complementar. O que marca, porém, este novo trabalho de Nazarian não é a temática, mas o que o autor faz com ela. Aí está a diferença entre quem sabe escrever e quem pensa que sabe. Nazarian sabe e seu maior talento é imprimir um ritmo seguro e atraente às narrativas. É assim neste mais recente livro e foi assim em seus títulos anteriores, como Feriado de Mim Mesmo e Mastigando Humanos. Tocando em feridas sem ser panfletário, abordando assuntos polêmicos sem transformar sua literatura em bandeira de grupo, criticando a intolerância sem se isolar em guetos, o autor vem construindo uma obra consistente e interessante. Nesta entrevista ao POPULAR, Santiago Nazarian dá sua visão sobre a arte de escrever ficção, informa quais são suas fontes de inspiração, opina sobre inadaptabilidade e preconceito e revela que não tem saudades da infância.

Muitos de seus personagens caracterizam-se por não se enquadrar em padrões, por ser marginalizados. Como é criar seres que não querem ou não conseguem se adaptar?

Meu tema básico – de todos meus livros – é a construção e a preservação da identidade. O indivíduo tentando sobreviver numa sociedade massificada e imbecilizada pelo cotidiano (como nos três primeiros livros) ou por ataques de dinossauros ou zumbis (que surgiram como uma alegoria pop desse embrutecimento, nos dois últimos romances). Acho que essa visão do outsider é bastante natural para um escritor – que já é um excluído e pertence a uma minoria por princípio. Eu ainda tenho outros potencializadores dessa diferença por ser gay, por ter valores um pouco diferentes da maioria... Mas a verdade é que todo mundo pertence a algum tipo de minoria, todo mundo tem seu grau de marginalização – por ser gordo, por ser negro, por ser pobre, homossexual. A questão é que a maioria das pessoas – talvez muitos dos escritores, inclusive – busque os pontos em comum, busque o que nos aproxima, não o que nos diferencia. Eu sempre procurei ressaltar e expor as diferenças, o individualismo, a identidade. E isso se deve basicamente à minha criação, onde a diferença era verbalmente ressaltada. Todos na minha família próxima – pais e irmãos – são artistas. Então sempre houve essa valorização da diferença. Mas ao mesmo tempo, eu não posso me considerar marginal no quesito socioeconômico. Nunca estudei em escola pública, cresci em casa com piscina, fui pra Disney... Se isso tem um lado alienante, tem o outro de estar ouvindo sobre Kafka na sala de jantar.


Nas suas narrativas há a denúncia da intolerância entre as pessoas. Vivemos em tempos inóspitos?

Por incrível que pareça, eu tenho uma visão bastante otimista nesse campo. Acho que hoje há muito mais espaço para a diferença, com toda essa segmentação, a internet, centenas de canais a cabo. Na minha adolescência, os diferentes ainda estavam isolados. Hoje o moleque esquisito do interior do Mato Grosso pode montar um fotolog, postar vídeos no Youtube, escrever um blog e virar uma celebridade alternativa em São Paulo, encontrar “sua tribo”. Mas não foi com essa realidade que eu cresci, talvez então por isso uma intolerância se reflita nos meus textos. Eu não estou escrevendo especificamente sobre hoje, não estou escrevendo sobre ontem. Estou escrevendo sobre um tempo e um universo próprios, reflexo de tudo isso que vejo, que vivo e que vivi.

Narrativas que falam das dúvidas e decisões de adolescentes e jovens costumam ser associadas ao gênero romance de formação. Como você situa seu último trabalho neste sentido?

Eu gosto do romance de formação. E uma das grandes influências desse meu livro novo é um romance de formação clássico: A Fábrica da Violência, do Jan Guillou. Mas eu também tenho um pé forte no pop, no trash. Então prefiro definir como “existencialismo bizarro”.

Estilo direto de narrativa, mas com muitas subversões. Como é trabalhar estes níveis da criação literária, mesclando inovações do estilo com algumas tradições?

Eu me sinto muito confortável nesse universo. Escrevo com prazer, então é tudo muito natural. E eu deixo fluir todas as minhas maiores influências. Eu não tenho filtros – como acho que já tive – de pensar: “ah, não, talvez isso não seja tão literário” ou “talvez isso seja literário demais, talvez seja um pouco pedante”. Nos três primeiros romances eu ainda quis tornar flagrante minha densidade e consistência, então não havia muito espaço para o humor, para as referências, para a brincadeira. Em Mastigando Humanos foi o contrário, eu quis tentar ser o mais lisérgico, debochado e pop possível. Agora acho que estou chegando a um equilíbrio. E um equilíbrio formado por todo meu repertório, tudo o que me constitui.

O que você guarda dos tempos de adolescência? Aquelas experiências o inspiram a escrever?

Não tenho a menor saudade. Principalmente, não tenho saudades da infância. Não passei fome, não sofri grandes traumas, mas era uma criança muito tímida, não socializava, não gostava das coisas de que os meninos gostavam... Acho muito cruel essa fase da infância, de não poder ser quem realmente é, de ter de se enquadrar; até porque você não tem plena consciência ainda da sua identidade e cumpre um papel que esperam de você – e, claro, você não pode arcar com sua própria vida. Na adolescência, principalmente uma adolescência mais avançada, você já começa a assumir sua identidade. Por isso considero essa uma fase mais especial, ainda que dolorosa e difícil. Mas acho que a juventude, quando você já mora sozinho, pode arcar com sua própria vida, e ainda está em plena forma física, é a melhor fase da vida.


Você é um autor reconhecido por seus livros, mas que não abdicou de escrever em seu blog. Como avalia esta relação entre suportes diferentes para a criação literária? Blogs podem ser literatura? O livro de papel vai acabar?

Literatura de blog pode ser literatura, mas no meu blog não é. Lá eu falo de livros que li, de filmes a que assisti, de eventos em que vou participar, de coisas que escreveram sobre meus livros. E, na verdade, minha história com a internet – ou com o blog – veio depois da minha história com a literatura. Eu criei o blog depois de publicar A Morte Sem Nome porque achei que precisava desse espaço para divulgar meus lançamentos, ter esse veículo independente de expressão e, por que não, autopromoção. Acho importante para o escritor de hoje. É uma forma de o leitor o achar, saber mais sobre você, seu universo e seus livros, antes de comprar. Mas eu uso o blog principalmente para isso, não o contrário. Já recusei fazer matérias e participar de exposições sobre blogs porque meu interesse principal é que o blog leve as pessoas aos meus livros (e aos livros, filmes, músicas, peças de que gosto). Quanto a se o livro vai acabar, não creio. Acho que há espaço para literatura em papel e na tela.

Seu trabalho desperta o interesse de grandes editoras, fazendo-as disputarem seu passe. Como é trabalhar com este respaldo e com esta responsabilidade?

Normal. Na verdade, desde o segundo livro publico por grandes editoras (Planeta e Nova Fronteira). E as editoras não interferem no texto. Inclusive elas não querem ter esse trabalho, elas querem o mais pronto possível, para diagramar e distribuir. Não considero “uma responsabilidade” publicar por uma grande editora. Meu texto está lá, já escrito. Se ela comprou, é porque acha que tem possibilidades comerciais. Eu ajudo no que for possível, mas vender é responsabilidade da editora. A minha é escrever; e quando assino um contrato de um livro, já cumpri essa minha parte.


Já ouvi gente dizendo que seus livros são melancólicos. Você concorda? Você é melancólico?

Sim. Talvez seja até uma coisa meio classe média, esse tédio, esse ar blasé. Não posso fugir disso. Eu gostaria de ser mais hardcore, de ser mais pesado talvez, mas consigo me aproximar mais de uma apatia, de uma melancolia. Acho que isso funcionou bem em Feriado de Mim Mesmo, que é um livro muito calcado no tédio. Eu sou muito entediado, até por ser hiperativo. O mundo corre muito lento pra mim.

Os autores brasileiros costumavam reclamar que não era possível viver de literatura. Hoje, alguns deles declaram que o cenário já mudou. Você vive de sua literatura?

Sim. Acho que hoje o escritor é visto como um “detentor de conteúdo espontâneo” que permite que ele sobreviva. Por exemplo, uma revista mensal queria fazer uma matéria sobre a Hebe Camargo, mas a Hebe não queria dar entrevista. “Chame o Santiago, que ele pode escrever sobre a Hebe sem nem falar com a Hebe!” Eu vejo isso de forma muito positiva. Eu acho que o escritor tem uma função diferente do jornalista, até do cronista; ele pode escrever sobre o que não está lá, sobre o que não existe. E as pessoas, os veículos estão cada vez mais carentes desse conteúdo. A informação está por todos os lados, as pessoas precisam de algo além. Isso amplia as possibilidades de trabalho para o escritor. Eu vivo dessas coisas e muito de tradução, que também é um trabalho intimamente ligado com minha literatura, me ensina muito e que eu gosto.


Um escritor jovem desperta curiosidade ou desconfiança?

Ambos. Talvez eu esteja chegando na fase ideal; não sou mais um moleque, então já há mais respeito, e ainda tenho certo frescor... Eu não posso reclamar do reconhecimento que já tive, mas quero sempre mais. Ainda há prêmios a ganhar, e leitores a colonizar.

perjantai, joulukuu 04, 2009

MOMENTO QUEER

O filme dos irmãos gays apaixonados desde a infância.


Fui ver Do Começo ao Fim. Não gostei. Entendo a proposta "comercial de margarina", com todos lindos, ricos e sem conflitos; acho que cumpriu a proposta; acho até bacana que se faça esse tipo de filme no Brasil; mas eu não gostei.

Primeiro porque essa idéia de um mundo hiper-idealizado, irreal, soa bacana em teoria, mas na prática rende apenas um filme piegas. É uma água com açúcar só, uma sessão da tarde para o público gay. Talvez se eles tivessem carregado um pouco mais na dose (de idealização), pudesse se tornar interessante, não sei. Na primeira cena em que Julia Lemmertz aparece, para abraçar os filhos pequenos em câmera lenta, até fiquei na dúvida se o filme não era uma sátira.

Depois porque eu acho que o grande atrativo do filme está aí, para o público, gay, uma relação bonita entre dois homens lindos, mas como eles não me apetecem, o filme não me fisgou. (O loirinho até que é meu naipe, mas acho broxante essa coisa de gay masculino...)

Dizer que o filme discute algo além, que poderia ser qualquer outro tabu é uma besteira. O filme não discute nada (até porque não tem conflito, todo mundo aceita a relação). Mas ainda acho válido. Fui ver no Frei Caneca (aqui do lado de casa) e obviamente só tinha gays na sala. Acho que muitos gostaram, acharam bonitinho, e não acho que tudo precisa ter profundidade, drama e sangue; só que a mim não pegou.

A peça do casal gay discutindo a relação.

Quase num extremo-oposto está a peça do querido Duilio Ferronato, Se Você me Amasse, em cartaz no Satyros 1 (quartas e quintas, 23h). Mostra uma relação gay já desgastada, cheia de crises e inseguranças, passando por uma metalinguagem cínica. É uma ótima crônica dos relacionamentos gays, bem realista, mas um tanto amarga e agressiva com a platéia (ainda que não interativa, felizmente). Gosto do texto, gosto do Chico Ribas (um dos atores), mas não entendo o que o Duilio quis provocar no público, além de uma identificação constrangida.

Mas os meninos são bem bonitinhos...


Talvez minha conclusão final sobre as duas obras seja que eu não gostei do filme, mas acho legal existir; e gostei da peça, mas acho que não precisava...

sunnuntai, marraskuu 29, 2009

DANÇANDO E RODANDO EM RITMO DE FESTA

Vanessa, aqui em casa.


Passei o ano todo cuspindo em você, mas no final do ano bate aquela solidão e preciso rever os amigos todos juntos, ao mesmo tempo, de uma vez e para sempre. Então estou aproveitando para tirar o atraso e fechar 2009 em ritmo de festa.

Sexta foi uma maratona. Para começar, festinha patrocinada da Motorola, para pegar meu presente de Natal antecipado.



Esta foto eu roubei do site da Joyce (Glamurama).


Esta eu roubei do Flickr da Recheio: Vanessa, eu, Fabbie.



Eu, Pedro de Deus e, de costas... só pode ser a Mari Moon (flickr da Recheio)


Teve show do Stop Play Moon, com a fuderosa Geanine. (Glamurama)



Motorola Dext. (Achei meio estranho pegar minha camerazinha antiga para fotograr uma câmera-celular-mp3-telefone-notebook e o caralho, mas tá valendo).


Esse foi o presentinho que os convidados receberam. Ainda estou aprendendo a mexer (e acho que nunca vou aprender), mas é bem bacana, e de repente consigo twitar mais por ele. Só não gostei desse Moto Dext ter esse pacote chamado Moto Blur. Botei um "Filmstar" de ringtone no meu e rebatizei de Moto Suede.

(ei... pode-se considerar este post propaganda espontânea, ok?)


Depois ainda estiquei com a Vanessa ao Studio SP ver a banda "Heroes", do André Frateschi (que era o "menino mais velho amigo da minha irmã", quando eu estava no colégio). Do caralho. Covers do Bowie impecáveis, e longe do karaokê. (foto do Multiply deles).
Arlindo é Harrold, o retrato da minha juventude.

O querido Arlindo (Lopes) também estava em SP e conseguimos almoçar no sábado. Domingo fui conferir a última apresentação de "Ensina-me a Viver" (com ele e Glória Menezes, que já tinha visto e já tinha propagandeado por aqui) e de quebra ele ainda me deu um belíssimo livro de fotos da peça. Só não gostei do Teatro Bradesco como teatro, é grande demais. Serve melhor como casa de espetáculos musicais.

Dani Umpi também deu as caras no meu apê. E despejei nele toda a cultura brasileira trash que ele, como uruguaio brasilófilo, tem direito.

Assim recheio minha coluna social alternativa. A festa continua. Mas eu continuo atolado em traduções...

Terminei a noite com Cauby Peixoto.



perjantai, marraskuu 27, 2009

E OS MELHORES...





Música do ano.

Conheci o Camera Obscura há poucos meses, apesar de ser uma banda com mais de dez anos. O álbum é bacaninha, e essa música (que ainda não virou single) é matadora. Principalmente porque a letra não faz sentido algum:

There are flowers in my house
[And] I bought them myself
No surprises in my record collection
You must have thought I was someone else
I'm still afraid to get lost in a city I might explore
But I'm not afraid to have an eloquent boy at my door
At my door, at my door, at my door

You want to be a writer
Fantastic idea
You say you've never seen America
I really think you'd like it there

Maybe you should travel with me
Is this the best idea?
Because you've never seen a Redwood
And you've never touched a Deer
A deer, a deer, a deer
A deer, a deer, my dear

Are swans deceiving us all?
I for one should know
I've never felt myself so graceful
And I've never swam so slow
So slow, [so] slow, so slow
So slow, so slow, so slow
[So slow, so slow, so slow]



Álbum do ano.

Esse eles lançaram no começo do ano, e não teve pra ninguém. É um tanto kitsch, bem gay, às vezes resvala até no drag, mas ainda assim é perfeito-perfeito.


Revelação do ano.

Sorry, sorry, tenho muitos amiguinhos tocando, gravando cd, fazendo música da melhor. Mas ninguém chegou perto de Filipe Catto. Em 2010 ele estará no poder.



sunnuntai, marraskuu 22, 2009

MOMENTO MÁGICO DO MUNDO DE MICKEY MOUSE


Momento histórico: João Silvério Trevisan, eu, João Gilberto Noll. Hoje.

Ahhhhh... Está acabando a Balada Literária. Ótima, ótima, ótima. Divertida, reflexiva e provocativa. Foi uma série de mesas, shows e discussões literárias, que se estenderam pelos bares e pela noite, como tem de ser.



Melamed, Dani Umpi e Nazarian: manguaçados.


Eu tive o privilégio de apresentar a mesa de João Gilberto Noll, contando um pouco da minha história (literária) com ele, fazendo perguntas e abrindo para o público, que compareceu em peso, mesmo sendo às 11h da manhã de um domingo. Vendo o Noll falar, dava vontade de sair correndo de lá e sentar na frente do computador, para escrever. Mestre. Depois fomos almoçar.



Alê (meu ilustrador) agora é ilustrador dele, em dois livros juvenis.


Também assisti a duas mesas com jovens (e experientes) poetas. A primeira com Binho, Analu Andriguetti, Hugo Guimarães, Jesús Ernesto Parra e Maria Rezende; a segunda, com Chacal, Nicolas Behr, Dani Umpi e Michel Melamed.


Umpi, Melamed, Chacal, Behr.

Foi ótimo perceber que, na poesia - até por absoluta necessidade de sobrevivência - as formas e os temas estão muito menos estagnados, há muito mais possibilidade de brincadeira, do pop, de irreverência do que na prosa (brasileira), que ainda é tão formal, tão conservadora.



O grande poeta anárquico Jomard Muniz de Britto.


Xico Sá.

Também foi bacana ver toda a organização do evento, a quantidade de público, gente ótima anotando frases, pegando autógrafos, tirando fotos. Dava até para se sentir na Disney dos escritores. E tinha uma gente bonitinha, viu? Coisa rara em eventos literários...



Os lindos Cristhiano Aguiar e Michel Melamed.




Umpi e os meninos do coletivo "Muito Barulho por Nada" (Salvador).





Nesta tarde de domingo teve Lygia (Fagundes Telles) falando para uma multidão na Livraria da Vila.




Marcelino e Ivam.



Evandro Affonso Ferreira dá uma entrevista para a Brasil 2000.




Também teve exposição de fotos de escritores feita pelo Edson Kumasaka. Eu saí uma coisa pós-coito broxada, olha aí.




Marcelino é o organizador do evento. Fez (muito) bem feito.




A jovem poeta (e matadora de orquídeas) Analu Andriguetti foi minha coleguinha de tanque de areia na escola.



Michel Laub e Adilson Miguel.





Acho que por este ano é só (de eventos literários). Espero que o ano que vem continue com tudo. Os trabalhos em si (tradução, crônicas, contos e pareceres) prosseguem. Vou inclusive viajar no final/começo de ano para Floripa de notebook, porque não vai dar pra parar. Mas assim que é bom.




Por aqui no blog, continuamos, porque não tiro feriado de mim mesmo.



E todos nós.

tiistai, marraskuu 17, 2009

ALTERNATIVAS ALTERNATIVAS

"Eu não sou uma dama, eu sou um travesti..."

Está vindo mais um feriado. E você que está com a consciência negra, como eu, pode aproveitar os programinhas culturais bizarros de São Paulo e as alternativas alternativas da cidade.

Para começar, está rolando o Festival Mix Brasil de cinema e vídeo, que é sempre divertido. Fui ver "Meu Amigo Cláudia", documentário do Dácio Pinheiro sobre a vida e carreira de Cláudia Wonder. Óoooooooooootimo. Acaba formando um panorama maior, do que foi a vida dos travestis da década de 70 para cá, com a ditadura, a luta pelos direitos gays e toda uma revolução e reinvenção da estética nessa época. Os depoimentos também são hilários, com Zé Celso, Kid Vinil, Glauco Matoso e uma Grace Gianoukas mais do que louca, entre outros.

Veja quando passa de novo e toda a programação do festival no:


http://www.mixbrasil.org.br/


Meu favorito.

Na área das letras, tem a Balada Literária, organizada pelo meu amigo e irmão Marcelino Freire. É uma série de debates, oficinas e shows em torno da literatura. Eu estarei lá, apresentando uma mesa com o grande, o maior, o imenso JOÃO GILBERTO NOLL, simplesmente o maior escritor brasileiro vivo.

O horário é meio ingrato... Domingo, 11h da manhã, na Livraria da Vila (Fradique Coutinho). Mas apareça para tomar café da manhã com a gente... Ou uma pastilha extra de seu after-hours.

Você pode ver toda a programação aqui:

http://baladaliteraria.zip.net/


Esto es todo.

Para terminar, tem o filme do Michael Jackson...

Eu fui ver. Em Caracas. Chaaaaaaaaaaato... Parece os extras de um DVD que não aconteceu. Jacko (evidentemente) não estava em sua melhor forma. Nem na voz, nem na dança, nem de cabeça. Pelo filme, dá pra ter uma idéia de como seria grandiosa a produção, mas só uma idéia (porque nada está finalizado). Vale como curiosidade... mórbida.

sunnuntai, marraskuu 15, 2009

CARAS E COROAS



Voltei de Caracas. Viagem bacana. Gostei bem de ter conhecido, principalmente porque é daquelas cidades que pouca gente daqui conhece, e que eu mesmo jamais pensaria em ir. Mas assim vou fechando meu mapa da América Latina: Argentina, Chile, Peru, Colômbia, Venezuela...


Os aspectos positivos: Fiz bons amigos. Conheci gente bacana. E a cidade é mais bonita do que eu esperava. Deu tudo certo, apesar do clima constante de insegurança (alimentado por eles, inclusive) e da truculência não só da polícia na saída, mas da população em geral.

Os aspectos negativos: Um clima de constante insegurança. E uns valores culturais bastante discutíveis:

"Aqui na Venezuela o carro diz quem a pessoa é. Por isso todo mundo quer ostentar, ter o maior carro, carro importado," - me disse uma das minhas alunas.


"Aqui na Venezuela não se têm a cultura do serviço," me disseram alguns outros, o que faz com a gente sempre se sinta mal-tratado nos restaurantes (caros), no hotel, nas lojas. "Aqui ninguém se acha inferior, pode ser o mais pobre diante do mais rico, ele não abaixa a cabeça." O que pode ser visto de maneira positiva, e explicar a arrogância com que todos se tratam.


Arrogância que se reflete no trânsito. Caótico. Eles não param. Eles passam mesmo por cima. Passam no sinal vermelho e aceleram quando vem um pedestre. E isso porque estou acostumado com São Paulo...

"50% por cento dos blackberries do mundo estão na Venezuela." É um povo obcecado com o celular. Estão teclando durante a aula, nas boates, nos restaurantes... Ninguém larga o blackberry para nada.


Por fim, a cidade é absurdamente cara. Paga-se fácil, num restaurante despojado, 200 reais num almoço. 1400 num Ipod... nano. Comprei uma mochila para laptop por 230... uma pechincha, numa promoção.

Felizmente ganhei mais do que consegui gastar. O Instituto Cultural Brasil Venezuela pagou tudo, hotel, passagens e uma boa quantia para eu me manter por lá. No final, em bolívares, sobrou o equivalente a 600 reais, que deu para comprar... um cinto, um chocolate e duas garrafas de rum no free-shop de lá.

Fui convidado para participar de uma mesa com os escritores locais Francisco Suniaga e Enrique Belmonte (fotos no post anterior), e me pediram também para dar uma oficina de 4 dias. Não gosto de oficinas, detesto oficinas, não acredito em ensinar alguém a escrever, mas achei que valia a pena para conhecer a Venezuela, mergulhar na cultura e treinar (bem) meu espanhol.

Mais do que ensinar a escrever, coordenei discussões sobre "universo literário pessoal", focado em "cenário interno", "personagens próprios", "referências e influências" e "para que serve a literatura?"

Meus (sete) alunos eram personagens em si. Queridíssimos, interessantíssmos, que trouxeram idéias bem bacanas. Eu os vi como brotos de feijão, crescendo de um dia para o outro em algodão, sugando as gotas que caíam de meus dedos. (Hohoho...)


Entre os exercícios (orais e bizarros) que propus estava imaginar qual prato seria Dom Quixote, Harry Potter, Dorian Gray... Que personagem seria uma caipirinha, uma paella, uma cachapa con avocado...


No último dia, eles me levaram para comer sushi, porque não aguentava mais o peso dos pratos locais...


O DJ Rey alucina com o cd que gravei com Claudia Wonder, Karine Alexandrino, Multiplex, Tetine, Bonde do Rolê, Pullovers, Ludov, Filipe Catto, CSS, Thiago Pethit e outros amigos.


Simon pira é no Iphone... durante a aula. Bom que sou um professor desencanado.


Rossana ama música brasileira, estuda português e tem um carro maior do que meu apartamento.



O enigmático Luiz sabia mais do que falou.



Kira sabia de tudo.


Keyla trazia vários personagens na cabeça e um gestando na barriga.


Julio guardava histórias para si.




Eyeletne (tenho certeza de que não é assim que se escreve...), discordava de todos e trazia um novo ponto de vista.





Graziela, que também deu aula no Instituto, voltou comigo ao Brasil.




Viajar, agora acho que só no reveillon. E apesar dos percalços, de estar dez dias fora de São Paulo, e ter muito trabalho para colocar em dia, ainda não estava com vontade de voltar para cá.