31/10/2020

OS MELHORES FILMES DE TERROR DE 2020

Como já virou tradição, no Halloween faço minha lista pessoal dos melhores filmes de terror do ano - do final de 2019 até agora. 

Claro que a pandemia prejudicou muito os lançamentos - como no adiamento dos aguardados "Quiet Place 2" e "Halloween Kills". Mas é sempre nos lançamentos independentes que estão as maiores surpresas. E ainda consegui pegar um ou outro grande filme no cinema, no começo do ano. Então vamos lá: 


O FAROL


Esse vi ainda no final de 2019, depois de ter feito a lista dos melhores do ano passado. É um belo conto de marinheiros perdidos numa ilha, que vão enlouquecendo durante uma tempestade. Com direção de Robert Eggers (de "A Bruxa") e atuações brilhantes de Robert Pattinson e William Dafoe, além da belíssima fotografia em preto e branco, foi um crime ter sido ignorado no Oscar. 



WILKOLAK

Durante a Segunda Guerra, um grupo de crianças judias consegue escapar de um campo de concentração e se refugia numa casa abandonada. Lá são cercados por cães nazistas, que elas tomam como lobisomens, e vão vivendo num clima crescente de paranoia e competição. Está no limite entre terror e drama de guerra, mas é belíssimo filme polonês e já se tornou um dos favoritos da VIDA. 


MARIA E JOÃO

Dos grandes lançamentos do ano, que ainda deu para ver no cinema, é uma recriação do conto de fadas de Joãozinho e Maria (ou "Hansel e Gretel") aqui focando mais na Maria e no empoderamento feminino. Tem um final bem anticlimático, mas até lá tem uma atmosfera e uma direção de arte belíssimas. 


O HOMEM INVISÍVEL

Não dava nada para esse, mas foi uma bela surpresa. Mais do que um filme de monstro com efeitos espetaculares, trata mais da paranoia e do medo de uma mulher que consegue escapar de um relacionamento abusivo, mas acredita que o marido está sempre à espreita. Ótimo. 


O POÇO

Dos filmes mais discutidos do ano, está longe de ser perfeito, mas é bem pertinente e original. Trancafiados numa prisão vertical que é um "experimento", os prisioneiros se alimentam com as sobras dos andares superiores, e precisam encontrar maneiras de sobreviver e burlar o sistema. Uma alegoria meio óbvia do capitalismo, que não deixa de gerar questionamentos importantes. 


COME TO DADDY

O personagem de Elijah Wood vai visitar o pai ausente que ele nunca conheceu, mas o estranhamento e o desconforto vão se tornando crescentes. A primeira meia hora do filme é maravilhosa (e o tipo de coisa que eu gostaria de ter escrito), depois se torna um filme mais convencional de gangsteres e tortura. Mas ainda é BEM divertido. 


RELIC

O terror da terceira idade. Neta e filha vão cuidar de uma idosa que vive isolada, e que vai se tornando cada vez mais assustadora à medida que sua debilidade mental se agrava. Terror de primeira qualidade. 


AFTER MIDNIGHT

Após ser abandonado pela esposa, um homem recebe visitas noturnas diárias, "depois da meia noite", de uma criatura desconhecida. Terror minimalista de baixíssimo orçamento, é uma ótima surpresa. 


ALONE

Um novo "A Morte Perde Carona". Perseguida pelas estradas por um psicopata, uma mulher precisa encontrar maneiras de escapar. É inteligente, arrepiante e com um final excelente. 


KOKO-DI, KOKO-DA

A maior surpresa da lista: filme sueco que beira o surreal. Tentando superar a morte da filha, um casal vai acampar no mato, mas vive um pesadelo em espiral, que se repente infinitamente sempre com resultados trágicos. Foi considerado como uma mistura de Babadook com Feitiço do Tempo. 


E uma menção honrosa: 


SEM CONEXÃO:

Esse vi ontem. É outro polonês, meio trash, mas bem divertido. Adolescentes que são mandados para um acampamento "sem conexão", para se curarem do vício em celular, são atacados por uma dupla de psicopatas deformados. Tem boas ideias mal-desenvolvidas/aproveitadas. A própria ideia de os assassinos serem gêmeos - não é um spoiler, mas deveria ser. Poderiam ter feito a surpresa de acharmos que era um assassino só, mas serem dois iguais, mas eles revelam isso já quase no começo, sem clima algum. Ainda assim, é o slasher mais divertido do ano. 


(E saindo do horror. Meu filme favorito de 2020 é mesmo "1917".) 

17/10/2020

NOTAS SOBRE O APOCALIPSE



No Ibirapuera, num dia nublado. 


O apocalipse não acabou, mas a quarentena parece que sim. Cada vez mais vejo pessoas nas ruas, saindo, encontrando amigos, postando fotos juntinhos.

Do outro lado, ainda tem gente histérica, mandando ficar em casa, com uma síndrome de cabana ao contrário - seria agorafobia?

Assisti esta semana ao terrível documentário “Welcome to Chechnya” sobre a perseguição a homossexuais nessa república autônoma da Rússia. O filme foca uma organização que os ajuda a escapar para o exterior – mas eles vivem a vida toda como perseguidos políticos.

É da HBO.


Uma dessas vítimas, uma menina lésbica de 21 anos, tem de viver escondida sozinha num apartamento até conseguir um visto para deixar o país. Depois de 6 meses ela não aguenta mais ficar trancada. E os militantes LGBT descobrem que ela acabou saindo e desapareceu.

É um exemplo ilustrativo para aqueles que falam: “Na guerra os judeus-armênios-chechenos viviam meses-anos escondidos, e nós não conseguimos com todo o conforto da vida atual.” Mas a verdade é que a maioria não conseguia... ou não teríamos milhões de mortos.

Mas acho que já falei isso aqui...

Eu agora já flexibilizei bem. Já recebi gente em casa.  Já fui à casa de gente. Tenho ido todo dia à academia. Todos usam máscara e passam paninho com álcool nos aparelhos antes e depois de treinar (o que cada vez mais tem me parecido mais uma “simpatia” do que algo cientificamente necessário-eficaz.)

Na maromba. 

Ainda não tive coragem-clima para ir a restaurantes e bares, mas dou uma volta e corro pelas ruas quando não há sol... Quero ver como passaremos o verão com máscara – não só pelo calor, mas pelo bronzeado...

Na feira, com a Gaia. (E quem tirou a foto foi meu querido amigo-vizinho-cineasta, o Marco Dutra).

Nas andanças pela rua, está voltando aquele clima do começo do ano, de encontrar e cumprimentar vizinhos. Alguns eu não reconheço de máscara, alguns agora eu SÓ reconheço de máscara. Todo dia me apaixono por um novo menino na academia – um belo par de olhos. Mas quando ele abaixa brevemente a máscara para beber água é aquela decepção (como no meme da odalisca do Pica-pau...).




Transporte público não pego desde março, mas também é muito raro eu pegar, trabalhando em casa, morando do lado da Paulista e fazendo tudo a pé. Para mim uma, duas horas de caminhada é de boa... mesmo de máscara... se não tiver sol.

Correndo hoje na Paulista.

01/10/2020

INFERNO RENOVADO

Temos Fé. 



Saiu enfim uma edição regular do meu "Fé no Inferno" - até agora só estava sendo impresso sob demanda pela Companhia das Letras, era difícil achar em livrarias físicas, mas foi o que decidiram fazer durante a pandemia. 

Então recebi enfim minha cota de autor (30 livros), aproveitei para vender mais alguns e enviar alguns para pessoas-chave. (Agora parei de novo com as vendas.)

A má notícia é que agora o livro físico custa R$80, uma facada, mas não tenho muito o que fazer. É um livro grande, ao menos, com quase 400 páginas... Essa edição nova está idêntica à sob demanda, que é bem bonita. 

A recepção tem sido boa, muitos amigos e colegas escritores bastante impressionados - todos dizendo que é meu melhor livro, mas isso não quer dizer muita coisa, todo livro novo que lanço falam que é meu melhor, e talvez ainda não seja bom o suficiente...

O espaço na mídia está bem esquisito. Praticamente não há mais crítica - mas eu mesmo tenho falado bastante do livro em programas de TV (Metrópolis, Arte1, Canal Curta), rádio (CBN) e em todas as lives que têm me convidado. Em jornal, teve a bela crítica de duas páginas da Tatiana Salem Levy no Valor Econômico... e só. (Mas a Folha ao menos deu um capítulo inteiro, há alguns meses.) Também teve uma entrevista na revista Poder (Joyce Pascowitch sempre uma querida) e o Suplemento Pernambuco publicou um texto meu falando dos bastidores da escrita. 

Semana passada traduzi para o inglês alguns capítulos, para minha agente tentar vender lá fora - também não tenho grandes esperanças, nunca tenho sorte com isso, toda editora com que vendo/publico lá fora acaba falindo... É a maldição de Nazarian!

"Você tem que entender que é um autor underground", disse uma vez minha antiga agente. Eu diria mais "alternativo" do que underground. Mas meus temas, minha estética acabam sempre se encaixando num Lado B, que limita a visibilidade, a aceitação e o respeito. 

Ao menos esse agora tem um "tema sério" (o Genocídio Armênio e a perseguição de minorias), o que faz instantaneamente que meu livro seja considerado "mais maduro". 

Acho isso meio besteira, acho a maturidade superestimada, ainda mais na literatura. A literatura é dominada pelos tiozões - então quem precisa de MAIS UM autor maduro? Sempre me interessa mais o entusiasmo, o fresco e a irreverência da juventude...

Mas jovem não mais sou. 

Voltando à tradução para o inglês, é bem mais complicado do que do inglês para o português, mas comecei a fazer há uns três anos, para mim mesmo, minha agente gostou e começou a pedir para outros autores. Prefiro fazer quando é uma "sample", ou seja, para vender o livro lá fora, porque daí não é um produto final. Ou então quando são textos pequenos. O problema é que levo o dobro do tempo do que uma tradução para o português, e não consigo cobrar o dobro, então se estou com muito trabalho acaba não compensando. 


Uma amostra. 


(A sample.)



Para encerrar, para quem quiser OUTRO livro meu autografado, a Companhia está com uma promoção do "Neve Negra", meu livro de (pós)terror que lancei em 2017. Está bem mais baratinho, R$34, e vai autografado (não vai com o nome do comprador, porque autografei 100 livros e entreguei pra editora - não tenho nenhum para vender pessoalmente - mas coloquei em cada um uma frase de efeito diferente ;)

Meu livro mais Trevoso. 


Dá para comprar direto pelo site deles, aqui: 


07/09/2020

NOTAS SOBRE O APOCALIPSE

Sol ainda só na sala. 


Nesse momento de “flexibilização”, tenho visto muita gente perdida. Gente que acha que liberou geral. Gente que precisa de rigor para poder respeitar. Gente ainda trancada em pânico, com medo de ter de voltar ao “velho normal”, ao transporte lotado, escritório insalubre...

 

Eu flexibilizei. Voltei para a academia. Visitei uma pessoa ou outra – minha sobrinha que eu não via há meses; tenho dado algumas voltas de máscara. Mas ainda não tive coragem/clima para sentar num bar, num restaurante (também se tornou tão cômodo ter delivery de praticamente TUDO), não tive vontade de receber amigos...  (Bom, nunca fui de receber amigos), menos ainda de viajar para a praia, Florianópolis, que é/foi minha segunda casa...

 

Minha mãe eu não vejo desde janeiro.

 

Vejo também amigos indignados, sem entender como gente que pregou tanto a quarentena hoje está saindo, visitando amigos, depois de 100 mil mortes...

 

Bem, é que depois de 100 mil mortes, seis meses depois, as mortes estão caindo, mas acho que isso não é o principal para as pessoas estarem saindo. A questão é que (1) as pessoas são sem noção mesmo; (2) as pessoas estão cansadas; (3) já se sabe mais sobre o vírus, como se contamina e como se protege; (4) ficou claro que a solução da vacina não virá tão cedo, SE VIER; (5) muita gente acredita-quer-acreditar que já pegou e pode estar imune.

 

Eu mesmo não tenho certeza, sabe? Lá no começo da quarentena, tive uma gripe, uma tosse esquisita e persistente por uns dez dias. Na época recomendavam não procurar ajuda médica se não se sentisse falta de ar. Não tive nada mais grave, não tive febre (continuei trabalhando e malhando em casa, por exemplo) e passou.

 

Tenho histórico de atleta.

 

(Mas também tenho histórico de obeso, nunca me esqueço. Qual será que conta mais?)

 

Preciso dizer que apoio essa flexibilização, por vários motivos que já falei: já sabemos mais sobre o vírus, como nos precavermos; os números estão caindo; é preciso também preservar a saúde mental... e a economia, claro. E, porra, se já são mais de QUATRO MILHÕES de casos confirmados, com todas as subnotificações e tanta gente que nunca fez o teste (como eu), quantos mais ainda podem se contaminar?

 

OK, ok, sei que pode ser “wishful thinking” (que em português pode ser traduzido como “pensamento mágico”, mas não tem a mesma força).

 

O problema é que o povo não sabe “flexibilizar”, para muitos é tudo ou nada.

 

Mas ainda não entendo algumas medidas para controle, como o horário de funcionamento do comércio. Horário reduzido não promove aglomeração, concentrando todo o público ao mesmo tempo? Não é como a redução da circulação do transporte público? Horário de fechamento de bares às 22h é para quê? Para o Corona dormir mais cedo? É algo mais simbólico? Ou é puro moralismo? Pergunto porque não entendo mesmo...

05/09/2020

PÃO E LIVRO


Presentes do Alexandre Staut. 


Nesses meses todos que passei trancado, li muito menos do que nos meses “liberto”. A ansiedade do confinamento, a (grata) carga de trabalho e as bebedeiras de final de semana, para espairecer-esquecer dificultaram a concentração, a leitura (e mesmo a escrita, não tenho escrito nada, mas disso não me cobro, acabei de lançar um romance de 400 páginas).

Mas nas últimas semanas voltei a um ótimo ritmo de leitura e reparei que foi justamente quando voltei a malhar fora de casa, veja só.

É minha rotina de marombeiro que garante minha produtividade intelectual.

 

Na maromba. 

A “flexibilização”, por mais que seja condenada, por mais que esteja longe da vida ideal, está aos poucos colocando minha cabeça no lugar. Até estou fazendo um detox, e neste fim de semana troquei o gim pelo leite de cabra. Da semana passada para cá conseguir ler três livros inteiros.

 

Meu amigo-vizinho-editor-escritor Alexandre Staut está começando os trabalhos (literalmente) com sua editora Folhas de Relva, que o pouco que já publicou é de excelente qualidade. Já falei aqui do livro de contos do Alexandre Willer, “Nunca Mais Voltei”, e o romance fodão do Hugo Guimarâes, “Igor na Chuva”, do qual inclusive assino a orelha.

Bela passagem. 


Terminei agora “Só os Diamantes São Eternos”, lançado por ele, escrito por Tailor Diniz, escritor gaúcho veterano, com quem já dividi uma mesa anos atrás, na Feira de Porto Alegre.

O romance é narrado em dois tempos: os dias atuais com dois velhos amigos militares se encontrando e combinando um “acerto de contas”, e as memórias dos primórdios de um dos personagens. A força lírica maior está nessas memórias, como na (bela) página acima, porém Diniz é tão bom no naturalismo dos diálogos, nos detalhes da micronarrativa, que a parte nostálgica atravanca um pouco o ritmo do romance. De todo modo, é um belo exercício de personagens, com o pano de fundo da ditadura. Gostei bem.

Outra bela passagem do livro do Diniz. 


Outro romance nacional que li nesta semana em duas sentadas foi “O Próximo da Fila”, do camarada Henrique Rodrigues. Estava há tempos no meu Kindle, eu já havia começado, mas confesso que não consegui avançar. Primeiro porque sempre sinto rusgas por parte do Henrique, depois porque o  romance começa de forma bastante... senso comum: o garoto classe média que perde o pai e fica pobre, muda para escola pública, é pressionado pela família para ajudar em casa – tudo já visto antes em algum lugar, embora escrito magistralmente por ele. Era um universo que não me interessava.

Não é lançamento, mas tá valendo. 


Mas depois de conversar esses dias com o Henrique resolvi insistir. E o centro do livro é quando o garoto (um alter-ego do autor) vai trabalhar numa lanchonete (que se entende que é o Mcdonalds), transformando a obra num “romance de formação fast-food.” São os bastidores de um universo que a gente conhece bem, mas de fora, e que a gente não costuma ver tão bem retratado – difícil alguém com o “lugar de fala” do Henrique e tamanho domínio da escrita.

 

(Essa passagem me lembrou uma vez que fui ao McDonalds, que tinha um garoto lindinho na minha frente na fila, e quando ele chegou ao caixa - acho que a menina já o conhecia - o olhar dela era tão evidentemente apaixonado, tão bonitinho... Até me deu saudades de ser jovem!)


O final achei abrupto e decepcionante. E esperava que ele desse a receita do molho especial do Big Mac. Mas é um livro bonito e gostoso de ler.

Falando em bonito... Headless! Personagem de "Found", que gerou dois filmes. 


E nesta mesma semana ainda li “Found”, do americano Todd Rigney, que gerou o filme de terror indie (beirando o amador) de mesmo nome.

O livro é narrado em primeira pessoa por um garoto de dez anos que descobre que o irmão mais velho é um serial killer. Começa de maneira brilhante, com um humor negro maravilhoso. A voz do narrador é impressionante, Rigney consegue encarnar com perfeição o garoto de dez anos – muitas vezes parece um livro infantil com uma trama ultra-hardcore (incluindo decapitações, estupro, incesto e necrofilia). Só que faltou uma edição pesada; (nem sei se HOUVE edição, parece mais uma auto-publicação).  Tem passagens e diálogos que se alongam, se repetem, não vão a lugar nenhum. O tom infantil às vezes se torna infantiloide. Deixa a gente na dúvida se o autor encarnou tão bem um garoto de dez anos porque é de fato o nível de escrita dele. De toda forma vale pela originalidade e o peso. É BEM PESADO. É um retrato interessante (e por vezes terno) da relação entre irmãos. E está pau a pau (literalmente) com o filme, nos méritos e defeitos.

Belo começo. Coloco uma tradução ligeira abaixo: 



 "Meu irmão guarda uma cabeça humana no armário."

  "Guarda numa sacola de boliche. Não sei o que ele fez com a bola. Não tenho visto no quarto dele. Deve ter jogado fora. Foi assim que descobri, sabe. Tipo, eu ia jogar boliche com meus amigos e queria pegar emprestado a bola dele, mas ele não estava em casa. Então peguei sem pedir, o que é uma furada. Quando abri a sacola no boliche, quase chorei. Não contei pra ninguém e usei a bola de um amigo. Menti falando que a que eu tinha trazido era pesada demais pra mim. Fico surpreso que ninguém tenha sentido o cheiro."

31/08/2020

ESTOU PENSANDO EM ACABAR COM TUDO

Sei que muitos tradutores lutam para serem mais reconhecidos, terem seu trabalho creditado, nome na capa e tudo mais.

Mas eu, pessoalmente, acho que se exagera.


Em livrarias online e em sites de avaliação como Skoob, na busca pelo meu nome aparece uma caralhada de livros que eu traduzi - alguns bacanas, muitos ruins - e às vezes até livros que eu NÃO traduzi, que as editoras creditam errado.


Esses títulos confundem os leitores que estão buscando minha obra como autor- e muitas vezes aparecem antes da minha própria produção (porque são sucessos maiores de venda).


A imensa maioria das coisas que eu traduzo não tem nada a ver com meu trabalho como autor...


(Até porque meu trabalho como autor é ÚNICO.... kkkk)


Agora tô até vendo créditos sobre o FILME "Estou Pensando em Acabar com Tudo", dizendo que é "baseado no livro de Iain Reid e SANTIAGO NAZARIAN!"


(Eu adorei esse livro. O filme ainda não vi. Mas é puta informação errada, não posso receber esse crédito.)


Digitando agora por esse título no Google, aparece de cara APENAS o meu nome como autor, veja só.






(Se ao menos tradutor recebesse direitos autorais das vendas...)

18/08/2020

VIREI VEGANO E OLHA NO QUE DEU!

(Clickbait do caralho. É mentira, desculpe.)


Eu gosto muito de cozinhar, de comer, me interesso pela gastronomia como cultura, por isso estou sempre pesquisando, vendo tendências e possibilidades.

Sinto que o veganismo é uma tendência crescente, de modo até que faz a gente pensar se daqui a algumas décadas (anos?) não se torne norma. O impacto da pecuária na questão ambiental, o modo cruel como os animais são tratados, talvez em pouco tempo consumir carne se torne algo como possuir escravos. Mas me restam certas resistências:

O principal para mim é que a lógica vegana não faz sentido. A questão de “amar” todos os seres vivos. Me parece um argumento bicho-grilo que esbarra no religioso (eu como ateu). “Por que você ama esse e come esse?” Dizem propagandas veganas mostrando um cachorro e um porco. Bem, AMAR é uma eleição, uma escolha. Você não pode amar a tudo e a todos. Quem ama a todos não ama ninguém. Então não entendo essa lógica vegana de amar porco, vaca, cachorro, peixe, barata...

A empatia, a solidariedade, se torna mais fácil de entender quando se vê as condições que esses animais ((de abate) sofrem, dá para associar o porco ou mesmo o frango de granja ao cachorrinho que você tem em casa. Mas essa questão ideológica ainda não se resolve.

Se a pecuária é cruel para o meio ambiente, se as condições em que os animais de abate são criados são desumanas, se o consumo de carne até pode ser considerado prejudicial à saúde, não me responde por que consumir "proteína animal em si", é pior do que consumir proteína vegetal.

E sim, daí podemos chegar até aos insetos.

Porque num mundo de escassez de alimentos e procura por proteínas alternativas, não entendo por que a resistência do consumo de insetos, além do “nojinho” e da ideologia vegana de “todos os bichos são lindos”.

É em pontos como esse que a ideologia vegana para mim se torna totalmente inválida. Dando o mesmo valor a vida de um boi (ou de um humano) a um inseto, pregando esse amor incondicional, que se torna literalmente bicho-grilismo.

(Você não mata barata? Não mata mosquito?)

Ainda acho muito cruel a forma como os animais são tratados na pecuária. Tenho acompanhado e estudado as alternativas propostas do veganismo. Mas ainda acho tudo num terreno muito pouco racional, muito “bandeiroso”. Talvez o futuro seja mesmo poupar os bois, mas qual é o problema da cochonilha? E se comemos insetos por que não camarão de cativeiro? E se camarão por que não cachorro? São fronteiras que para mim não estão muito certas, mas que partem do princípio tosco de que “mas se matamos uma alface’...” porque afinal estaremos sempre consumindo outros seres vivos.

(e sim, já comi gafanhoto, camarão, boi, urso, rena, rã, jacaré, pato, peru, coelho... tendo uma coelha em casa.)

Adoraria debater mais com gente como o Fábio Chaves (alguém faz chegar a ele), o Marcelo Maluf, a Daniela Pinotti Maluf. Pena que veganos geralmente sejam tão agressivos, pouco abertos ao debate, como se estivéssemos comendo as mães deles, que mais afastam do que agregam. 

15/08/2020

NOTAS SOBRE O APOCALIPSE



A live de ontem foi com Ivana Arruda Leite. 


- Neste ano em que estamos todos trancados em casa, minha agenda de encontros e debates está das mais movimentadas. 

- É que agora é tudo por “lives”, né? Instagram, Zoom. Não tem de pagar passagem, não tem de pagar cachê, daí fica mais fácil convidar.

- Não que eu seja dos autores mais caros... Se for um lugar bonito, já topo pela passagem/hospedagem + um boquete...

- Mas acho que o povo tem é medo dessas besteiras que eu falo. Me falta certo filtro, eu sei, mas também não é parte da graça?

- (Nunca vou esquecer quando falei isso pro querido Rodrigo Lacerda, que achava que muitos eventos literários não me convidavam por medo e ele disse que sentia o contrário. “Eu acho que não me chamam porque me acham sem graça.” Cada escritor tem sua cruz e seus complexos.)

- O foda é que esse esquema novo está abusando das novas conexões de Wifi, celular, câmera, microfone. Eu não sou nada tecnológico (lembra que até ano passado não tinha nem Whatsapp, e fiquei quase dois anos até sem celular!) e estou me desdobrando para dar conta com um iPhone 6S. Na entrevista que eu gravei pro Metrópolis eles queriam até que eu arrumasse DUAS câmeras, para ter dois ângulos diferentes. Ontem me fodi aqui gravando uma entrevista pro Arte1 e o vizinho marretando na casa em frente.


A entrevista no Metrópolis que foi ao ar na TV foi bem curtinha. Mas no Instagram deles tem mais sobre o livro. 

- Se as coisas continuarem assim, vou ter de investir em câmera, microfone, iluminação...

- O pior fruto da pandemia é esse, vai nos transformar todos em YOUTUBERS!

Recebendo o prêmio da Unesco no Rio, em março, com minha editora na Melhoramentos. 

- Saudades dos eventos literários. Não só das mesas, mas de encontrar os colegas no hotel, na piscina, nos bares (ao menos tive uma ótima despedida disso, no Rio, em março, quando fui receber o prêmio da Unesco). A gente sempre trabalha tão sozinho, que é fundamental esses encontros para trocar experiências (trocar complexos), daí a gente vê que não está tão sozinho, tão fodido.

No Rio em março também teve festinha com Samir Machado de Machado e Raphael Montes. 

- Por sinal, acho tão curioso que, agora que tá TODO MUNDO sozinho, todo mundo fodido, parece que o povo é mais solidário com o outro. Eu vivo tantos momentos de solidão, trancado neste apartamento, tive tantos momentos de falta de dinheiro, de falta de trabalho, e o povo todo parecia que estava cagando. Os amigos deixavam claro que eu estava incomodando.

- Agora ao menos estou numa fase boa de trabalho, já há um bom tempo, mas... solidão né, minha filha? Pelo menos não sou só eu que estou sozinho. Pelo menos posso culpar a quarentena. (Porque provavelmente se não tivesse quarentena eu estaria da mesma forma, trancado sozinho, abandonado nesta casa...)

Gravando entrevista pro Arte1.
Gravando entrevista pro Arte1. 

 

07/08/2020

NOTAS SOBRE O APOCALIPSE



- A quarentena acabou...

- Ou deveria... Ou teria de acabar. Quantos dias tem uma quarentena? Podemos (devemos, sempre) culpar Bolsonaro, as autoridades locais, mas a verdade é que ninguém sabe direito o que fazer – não era para usar máscara, depois devia usar máscara; assintomáticos não transmitem, depois transmitem. A ciência ainda está descobrindo sobre a doença e somos todos cobaias.

- A quarentena ACABOU de fato porque é inviável neste país. 

- A questão é que ninguém sabe se haverá mesmo vacina, se a vacina funcionará, quanto tempo funcionará, quando virá, daí fica um jogo de paciência:

- Você aceita ficar mais seis meses enclausurado esperando a possibilidade de uma vacina? Você ficaria mais? Se não houver vacina, você ficaria indefinidamente? Uma vida inteira? É possível sobreviver assim? Desejável?

- A reabertura das escolas acho que também passa por isso. Entendo que muitos pais achem precoce, tenham medo, mas se já há uma ideia forte de que vacina não é possível, as escolas nunca mais vão reabrir?

- Estamos todos esperando. Mas esperando pelo quê?

- (E antes que venham me dizer que há sei lá quantas vacinas promissoras, Oxford, China, etc, há a mesma promessa de que as vacinas não funcionem.)

- De toda forma... acho que quem pode esperar é sempre cauteloso. É tipo aquele filme, "The Mist", né? Em que o pai mata a família pouco antes de o exército chegar... (Ops, spoiler do fim da quarentena.)

- O "novo normal" é um termo odioso, mas que talvez faça sentido. Porque ficar trancado em casa esperando indefinidamente o "velho normal" voltar talvez seja uma utopia. (muito) Provavelmente as coisas não voltarão a ser como era antes, então vamos ter de sair e nos acostumar com os novos tempos... os últimos tempos?

- Adorei um meme que postaram falando: "Ai, não dá para treinar de máscara" com uma foto do Fofão da Carreta Furacão, que saltava e se desdobrava com essa fantasia. Estou pensando em ir malhar vestido de fofão.

- Sim, voltei a malhar em academia, há uma semana. Tá bem esquisito, não deixo de ter receio, passar alquingel em tudo, chegar em casa e me desintoxicar com gin, mas o que posso mais fazer da vida?

- (Entenda, não que eu seja um marombeiro suicida. Mas eu moro sozinho, sem filhos, sem amor. Eu vou passar o resto da minha vida trancado esperando o quê?)

- Ainda vejo defensores ferrenhos da quarentena, mas devíamos fazer uma escala de privilégios nesse cenário: você está fazendo quarentena acompanhado? Faz sexo? Tem uma casa confortável? Com quintal/ uma área ao ar livre? Talvez seja mais fácil pra você defender/manter, não é?

- Acho sim, que surgiu uma nova classe que está em pânico de voltar à velha vida, que se acostumou com o conforto de casa, do marido, que não quer voltar à vida miserável de antes, muito menos uma vida miserável com menos contato físico. 

- Não estou defendendo de forma alguma a balbúrdia, as aglomerações - sexta passada um amigo  meu convidou pra Roosevelt e achei um pouco demais, eu mesmo não tive coragem de frequentar um bar, um restaurante. Mas começo a flexibilizar...

- Eu passei... passo a quarentena sozinho. Só com uma coelha. (E te digo, a coelha segurou uma barra, porque era um ser vivo para eu interagir diariamente;  quem não tem animal de estimação não entende a diferença que faz). Agora comecei a flexibilizar, porque acho mesmo isso, que não tem sentido viver numa quarentena indefinida.

- Minha avó morreu de covid. Estava muito debilitada, poderia ter sido qualquer gripe, mas o problema da covid é que ninguém pôde visitar, não pôde ter velório. Ela morreu sozinha. Minha mãe dizia que queria visitá-la, não conseguiu. Eu não vejo minha mãe desde janeiro.

- Ontem fui visitar minha sobrinha. Não via havia seis meses. Ela tinha sete e agora tem oito e está muito maior. Jogamos videogame. Era um jogo que eu não conhecia, tipo Mario Kart, eu ganhei com muita facilidade (para quem não sabe, também tenho meu lado gaymer), e em meio às partidas achei que deveria dar uma canja. Confesso que deixei ela ganhar (bom, foi 2 a 3 – eu ganhei 3). Sou cavalheiro, mas tenho de sair por cima.


31/07/2020

NOTAS SOBRE O APOCALIPSE



Há mais de quinze anos tenho uma vizinha que hoje está com 90 e tantos. Nunca falamos mais do que bom dia. Moro no segundo andar, não preciso pegar elevador, e sou daqueles moradores reclusos, que tem licença para ser excêntrico porque é escritor e “já foi no Programa do Jô.”


Há algumas semanas ela tocou aqui em casa. Perguntou se eu podia trocar o gás dela, porque o prédio está sem porteiro. Troquei, claro, e disse que qualquer coisa que ela precisasse poderia tocar.
Dois dias depois ela tocou me oferecendo um pedaço de bolo.

Eu disse que não podia comer bolo. (E é verdade, só como doce nos finais de semana.)
Ela disse que era leve, “você está tão magrinho; você emagreceu muito, eu lembro que você era forte...” E eu agradeci, mas disse que não.

Então me senti culpado. Pensei se não deveria ter aceitado, jogado no lixo. Mas daí toda semana ela ia aparecer com o bolo...

Estou ensaiando voltar à academia. Ainda não tive coragem. Ao menos aquela nojeira de compartilhar equipamentos vai terminar. Sou daqueles que quando um equipamento está ocupado vai para outro, mas daí sempre aparece um coió suado pedindo para revezar...

"Revezar Equipamentos Faz Parte do Seu Treino", estava escrito pela academia. My arse! Agora o mundo vê que eu estava certo!

A restrição do contato físico em geral para mim é grata. Detesto contato – já disse que nem minha mãe eu abraço; detesto cumprimentar amigos com beijinhos. Contato mesmo, só na hora do sexo...

Mas agora faz teeeempo...

Saindo para o mercado de máscara, tenho notado maior troca de olhares com os meninos aqui pela Frei Caneca. Será que estão todos mais carentes, desesperados, ansiosos por qualquer contato? Será que fico mais bonito de boca tapada?

Não tenho tido mais paciência pros aplicativos. Povo não tem nada a dizer, só quer trocar nudes. Daí é melhor ver as fotos de profissionais.

Bem... também não tenho visto muito as fotos de profissionais. Deve ser o frio. O frio, o trabalho, a resignação de ser para sempre um velho escritor solitário.

(Nessa de escritor solitário, esta semana gravei uma entrevista pro Metrópolis - ainda não sei quando vai ao ar. Foi aqui de casa, por Zoom. Saudades do estúdio, do "rolê", pó compacto na cara...)

(A vizinha velhinha do bolo nunca mais voltou.)


24/07/2020

DEDO NO OUVIDO


(O que é que faz na quarentena?)

Nas últimas semanas tivemos lançamentos de discos do Rufus, Kylie, Irrepressibles, Pretenders, Adriana Calcanhotto; alguns dos meus artistas favoritos.

(esse clipe do Irrepressibles foi a trilha da minha quarentena sem balada.)


Não tenho ideia de como é lançar um disco na pandemia. Como leigo, eu diria que hoje não faz diferença, que talvez seja até melhor, porque as pessoas estão mais em casa, mais em busca de “distração”, divertimento...

(o do Rufus) 

Mas é uma visão total de leigo... E talvez TODOS sejamos leigos nesse novo contexto. Porque mesmo na literatura... eu achava que poderia ser bom lançar livro nesses tempos... Agora não sei...

(Assim com o meio literário) a indústria fonográfica está há muito ameaçada. Foram os MP3, o pirateamento, depois o streaming. Mas se a indústria despenca, a arte não acaba porque a necessidade de expressão é imortal. Não morre no final.

A verdade é que os artistas estão sempre dispostos a fazer, mesmo de graça.

Eu entrei na adolescência nos anos 90, com a consagração do CD, então nunca vivi realmente a era do LP, nunca nutri esse fetiche. (De fato, os poucos vinis que eu tinha se foram todos na separação). Os CDs permanecem todos. E são alguns milhares.

Dos primeiríssimos CDs que comprei, estão aqui:

Dangerous do Michael Jackson
Erotica da Madonna
Eurythmics Greatest Hits
Us do Peter Gabriel
Off the Ground do Paul McCartney
Best of Santa Esmeralda

(Criança viada, né? Todos que ainda adoro. Madonna talvez menos.)

Logo peguei uma época em que o dólar era um pra um (plano real), em que CDs importados custavam o mesmo (ou menos) do que os nacionais, e era-a-era do Britpop, e eu fiz intercâmbio, depois trabalhei numa livraria que vendia CDS, numa agência de publicidade que pagava bem... Assim fui montando meu acervo.  

Viajei para a Europa algumas vezes no final dos 90 e começo dos 2000 e trouxe tantos CDS, singles, aqueles formatos que não fazem mais (CD-Single parte 1, parte 2; depois até DVD-Single), tudo uma mega exploração da indústria fonográfica da época, colocando só duas ou três faixas (inéditas) a mais, para abusar dos fãs. Eu caía. Do Suede tenho praticamente todos os singles – na época não tinha outro jeito de ter/escutar as faixas; a internet engatinhava, era discada e não tinha como baixar.

(Can't Get Enough, de fato. Cada um tinha só duas faixas inéditas.)

Tinha a rádio também, claro. Eu passei brevemente por isso, mas deixou boas lembranças. A Brasil 2000, com o Kid Vinil, o programa dele tocava esses B-sides, esses alternativos (assim como o programa Lado B, com o Fábio Massari, na MTV). Foi no programa do Kid que ouvi (e gravei em cassete, perdendo o começo) pela primeira “My Dark Star” do Suede (B-side do single “Stay Together”). Um amigo meu também ligou lá e pediu para ele tocar para mim “Common People”, o novíssimo single do Pulp. Eu mesmo liguei uma vez e pedi Golden Palominos...


(das melhores músicas deles; e ter ouvido primeiro na rádio deixa tudo mais bonito.)


Essas eram as formas de escutar, porque para se atualizar, havia os amigos, os primeiros foruns de internet, fanzines (como o "Esquizofrenia", do Gilberto Custódio, onde li pela primeira vez sobre o Pulp) e mesmo as publicações britânicas impressas. Na época do dólar sob controle comprava regularmente revistas como Vox, Select, Q (que este mês encerrou atividades...). 

Ainda tenho essa (o cassete que veio junto não sei...)


Como nunca tive compromisso em me atualizar nas tecnologias, resisti de migrar dos CDS. Teve uma época em que eu ainda andava pelas ruas com um discman enorme no bolso, enquanto o povo ouvia iPod. Hoje o povo está no streaming... eu ainda tenho iPod.

Ainda tenho um iPod Classic, de 160G, 30 mil músicas, que me acompanha diariamente. Já deu vários paus – já tive de revirar a Santa Ifigênia para encontrar quem arrumasse, já troquei placa, mas ele segue firme..

Ainda acho a melhor coisa, porque você ouve música offline, baixa de todos os meios possíveis – tenho tanta coisa que não se pode encontrar nas plataformas de streaming. Mas agora tenho me rendido ao streaming também...

Só recentemente, como sempre, vencido pelo cansaço, Spotify me ofereceu uma oferta (porque a versão gratuita com anúncios é impossível) e eu aceitei. Comecei a ver a praticidade de encontrar os novos álbuns, ou pesquisar artistas antigos. (Para você ver como sou tiozinho, esta manhã malhei deixando meu Spotify num shuffle de Tom Jones e Shirley Bassey.)

Também tem a praticidade de compartilhar as descobertas e playlists com amigos. Tenho feito regularmente playlists e postado nas minhas redes (bem, tenho postado apenas no Facebook, porque, como eu disse, sou velho e apegado).

Mas ainda não desapeguei totalmente do CD (muito menos do iPod), se não resgatei o fetiche pelo vinil, vira e mexe ainda compro os álbuns de que mais gosto. A cópia física ainda me parece a única segurança de permanência, sobrevivência, de que estaremos sempre com aqueles que amamos...

FLIP 2026

Literatura em Desacordo: Eliana Alves Cruz e eu, mediados por Diogo Borges.  Foi-se mais uma Flip. Para mim, foi só a terceira. Estive na pr...