02/06/2020

A ÚLTIMA AVÓ

Eu e ela, há uns vinte anos. 

Ontem se foi a última dos meus avós, vítima de covid. 

Não vou me esquecer de chegar na casa dela, sempre aquele cheiro de canela no ar, ela na frente do fogão, a panela borbulhando, o avental sujo de chocolate, sempre preparando algo...

Não vou me esquecer porque isso nunca aconteceu. Essa imagem de avó eu não tive. “Sua avó não sabe nem pegar uma maçã da geladeira”, foi uma frase ótima da minha mãe, que até usei no livro novo. E não era exagero. Se minha avó queria uma maçã, ela tocava um sininho e alguma empregada trazia numa porcelana, limpa e cortada. Nunca trabalhou. Nunca cozinhou. Mas não deixou de receber os netos com guloseimas – compradas na Ofner e devidamente servidas à francesa pelas empregadas.

“Ninguém pode dizer que sou racista, porque todos os meus criados são de cor”, é uma frase real dela que escutei e nunca esqueci. Minha avó tinha valores estranhos... Quando postei no Facebook que ela havia sido hospitalizada, recebi dezenas de mensagens carinhosas, de gente que provavelmente a enxergava com sua própria imagem de avó, ou como um clichê de avó, como uma santa.

Talvez ela pudesse ter sido outra coisa, seguido outro rumo, se não tivesse tido de casar tão cedo, dentro da colônia armênia, se pudesse ter continuado a estudar, viajar, as coisas que ela gostava. Mas daí eu não estaria aqui...

A verdade é que ela já estava havia muitos anos debilitada, nada lúcida, tinha acabado de fazer 94 anos, morando numa casa de repouso. Então estava na hora, apesar de ser um momento tão complicado...

Eu gostava dela, como ela gostava de mim. Fui dos netos favoritos – e era generosa nos presentes, de viagens à Disney a intercâmbio na Inglaterra, ou o "Castelo de Grayskull". Durante a infância, sua casa no Jardim Europa era recheada de brinquedos para nós, e antes de eu aprender a ler, ela me lia as revistinhas da Marvel compradas na banca de esquina, da rua Groenlândia, Hulk principalmente. Ela era uma avó amorosa, mas não como as pessoas visualizam.  Desde criança eu nunca estava totalmente à vontade, por ela ser tão elitista. Na minha adolescência e começo da idade adulta, saíamos para jantar nos melhores restaurantes de São Paulo – meu lado burguês casava com o dela; o gosto pela gastronomia, as viagens, o cinema – porém os conflitos de valores, o moralismo, foram pesando cada vez mais pra mim. Foi ficando difícil conviver. Ela foi a única pessoa da família com quem nunca pude falar da minha homossexualidade. 

Foi a única imagem de avó que tive, afinal. Minha avó paterna morreu há uns dez anos, mas nunca convivemos – ela nunca deu bola para os “netos bastardos armênios”, embora (ou talvez porque) a família da minha mãe tivesse mais grana do que a dela. Me impressionou muito ler o livro do (meu primo) Rafael Cortez, na forma como ele narra essa minha outra avó (paterna), Helena, porque para mim ela nunca esteve presente.

Mas a avó "armênia", Zília Nazarian (de solteira, Gasparian, filha de Gaspar Gasparian, irmã de Fernando Gasparian, já falecido, fundador da Livraria Argumento e editor da Paz e Terra), mãe de minha mãe, deixará saudades. Ficou dez dias internada no Einstein, com o melhor tratamento que poderia ter. Triste que não podia receber visitas, por causa do covid, morreu sozinha, minha mãe querendo ir lá...

Não tivemos velório, mas houve um rápido enterro no cemitério da Cardeal. Foi bom para encontrar a família - a reunião possível, todos de máscara, sem ninguém se abraçar -, tenho tios e primos queridos. Uma tia inclusive não foi porque também está com covid. E foi a primeira oportunidade que tive de caminhar pelas ruas em muitas, muitas semanas. Ao cemitério e de volta. A gente sente falta de coisas tão básicas...

E é irônico que minha avó termine assim, bem quando lanço meu livro armênio, tão baseado nela (e no meu avô), passado na antiga casa deles ("a última sobrevivente da Avenida Europa", que hoje é uma concessionária Mercedes Benz), num livro que fala tanto sobre velhice, sobrevivência e resistência. 

A sensação que fica é aquela: a fila existencial anda. Já se foram todos os meus avós. Meus dois pais ainda estão vivos. Mas os tempos não são nada promissores.  

29/05/2020

PERCA PESO NA QUARENTENA

A forma na quarentena. 


Continuando a carreira paralela de blogueirinho fitness, dou as dicas de como exercitar (e sobreviver) na quarentena.

Consegui emagrecer mais um pouco (mas pouco) nesses dois meses e pouco de isolamento. Dos 75 fui aos 73, agora estou com 74kg. É um bom peso (para meus 1,78m) e posso manter (se bem que para mim nunca se é magro demais...)

É o que tem. 

O segredo... não tem segredo, é continuar se exercitando, continuar na dieta. Sei que para muita gente está foda, porque saíram totalmente da rotina, estão trancados em casa, então estão comendo, bebendo, fazendo pão. Mas como eu sempre trabalhei em casa, só tive de me adequar a me exercitar aqui também.

PARA DE COMER PÃO!

Continuo fazendo o jejum de 24h duas vezes por semana (de domingo pra segunda e de quarta para quinta). Fim de semana continua TUDO liberado . Ganho peso no fim de semana e perco durante a semana (no fds passado ganhei TRÊS quilos – comi horrores de feijoada - e achei que tinha exagerado, mas, como de costume, terça comecei a mijar, mijar, mijar, e se foram três quilos basicamente em líquido. No saldo acabei PERDENDO mais 400 gramas da sexta passada para esta.)

(É. Tem que ter balança. E pesar cada grama.)

A dieta durante a semana é o que já falei: proteína (magra, tipo peito de frango, omelete, peixe) e salada. No máximo duas refeições ao dia (almoço e jantar, só). Café (sem açúcar) está liberado. Também tomo duas vezes ao dia, ao acordar e depois do treino, um chá termogênico feito com:

- Hibisco
- Gengibre
- Casca de laranja
- Casca de Maçã
- Louro
- Canela
- Cravo
- 1 Limão espremido depois de tudo fervido.
(é basicamente um quentão sem álcool – e sem açúcar, claro. Gelado. Se quiser tomar com um chapéuzinho de caipira dançando uma quadrilha faz mais efeito.)

Agora vamos aos exercícios:

Dá para fazer em casa. Sem equipamento nenhum. Como eu fiz muito tempo de funcional (com o personal em Maresias e depois com a querida Elisângela aqui em SP), tenho repertório. Mas ainda sigo alguns dias as lives no Instagram da Bluefit – minha academia, que está fechada como todas. É bom para variar e ter uma pessoa ao vivo dizendo o que fazer... se bem que quando faço sozinho a trilha é bem melhor.

Esta barra está fixada neste apartamento há mais de 15 anos. Só voltei a usar agora. Muita gente diz que não é confiável, que pode ceder. Mas, por enquanto, estou segurando a barra. 

Fiquei dois meses treinando só com um colchonete (que é bom para coisas como abdominais, para não fazer no chão duro, mas não é imprescindível – dá para improvisar com toalha), mas também tenho uma barra e semana passada comprei pelo site da Decathlon aqueles elásticos de treino (de três intensidade: 15, 25 e 35kg).

Elástico leve para ombros. (tem que fazer cara de mau, ou não funciona). 

Treino por pouco mais de uma hora, SEIS dias por semana (só não treino aos sábados), variando os estímulos.

Vou dar uma amostra do treino, mas quem quiser seguir pode começar com bem menos repetições e tempo. Não faço tudo isso num dia só (mas alguns dias faço quase tudo, e dá quase duas horas).

Vamos lá:

AERÓBICO(4 REPETIÇÕES DE CADA SÉRIE):

- 50 POLICHINELOS
- 45 BURPEES
- 45 FLEXÕES
- 40 AFUNDOS

FORÇA (4X):

- 15 BARRAS ABERTAS
- 15 BARRAS FECHADAS
(45s)
- TRICEPS COM APOIO
- REMADA ALTA COM ELÁSTICO (25kg)
- OMBROS COM ELÁSTICO (15KG)

GAP (3X):
(1 minuto cada)
- SENTADO COM APOIO NA PAREDE
- ESCADA SUBINDO NUMA CADEIRA (1 min cada perna)
- ELEVAÇÃO GLÚTEOS (1 min cada perna)
- ELEVAÇÃO DE PANTURRILHAS

ABDOMINAL (3 SÉRIES):
(45s cada)
- TESOURA
- INFRA
- SUPRA
- REMADOR
- BICICLETA
- PRANCHA
- LATERAIS DE PÉ COM ELÁSTICO (45kg, 45s cada lado)

Como isso aqui não é um manual, só umas dicas, quem realmente estiver interessado pode pesquisar como se executa cada exercício.

Ainda estou me acostumando com os elásticos e aprendendo outras coisas com eles. (Flexão com elástico eu já vi que é ótimo também).

Funciona, viu? Mas tem que ter força de vontade (ou ser obsessivo como eu). Lembre-se de que não tenho metabolismo de moleque, sou um homem de 43 anos, bebo e como bem aos finais de semana – e se tenho histórico de atleta, também tenho histórico de obeso (cheguei a 107kg, há pouco mais de um ano).

Mas gosto de comer, gosto de beber, malho pra isso. Se pra você os prazeres não são tão orais, o efeito pode ser maior e mais fácil. Eu NUNCA poderia ficar em forma sem fazer nada. Se paro uma semana engordo literalmente 3 quilos. Já experimentei e vi no que deu.

Então aproveita as dicas, faz aí, e depois me mandas as nudes.

Mortais sem academia. 

27/05/2020

FÉ NA QUARENTENA

Já dá para ler. 

O ebook do meu novo romance, Fé no Inferno, já está disponível pela Companhia das Letras (376 pags).

https://www.amazon.com.br/F%C3%A9-no-Inferno-Santiago-Nazarian-ebook/dp/B085VQZH59/ref=tmm_kin_swatch_0?_encoding=UTF8&qid=1590526094&sr=8-1


A versão física chegou a entrar em pré-venda, daí teve pandemia, a editora segurou todos os lançamentos e agora tive a surpresa do ebook já estar disponível. Não é pré-venda, é uma espécie de "soft opening", já dá para baixar HOJE.

(Se tinha alguém ansioso - o que não creio - é o que temos.)

O impresso depende da pandemia, das livrarias e de toda a força que vocês puderem dar ao livro, porque o contexto não está ajudando em nada, e ainda não sei como será a divulgação/lançamento.


No Suplemento Pernambuco deste mês dei um pouco dos bastidores da escrita:

https://www.suplementopernambuco.com.br/edi%C3%A7%C3%B5es-anteriores/67-bastidores/2487-os-bastidores-de-f%C3%A9-no-inferno-,-novo-romance-de-santiago-nazarian.html?fbclid=IwAR3fxa2VOFhxNcjN9IuhGz5ZYBa7Jv1n_Cb8QLHY2WzwGQvbfeERoof00ns

E na Folha saiu há alguns meses um dos capítulos do livro:

https://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/2020/03/novo-romance-de-santiago-nazarian-mescla-genocidio-armenio-e-brasil.shtml


Segue release:

Estamos numa época de minorias perseguidas, de nativos expulsos de suas próprias terras, da religião majoritária se impondo sobre um povo. Estamos no Brasil de 2017, às vésperas de uma eleição reveladora; e estamos em 1915, em plena Primeira Guerra Mundial. Quem une essas duas épocas é Cláudio, um jovem cuidador de idosos que vai trabalhar para Domingos, um senhor armênio, no bairro dos Jardins, em São Paulo. Como homossexual e neto de indígenas, Cláudio sabe bem o que é ser minoria, e na convivência com Domingos conhece uma história que remonta a mais de um século: o genocídio armênio perpetrado pelos turcos. A partir da leitura de um livro de memórias, Cláudio começa a suspeitar de que possa estar diante de um dos últimos sobreviventes de um dos maiores massacres do século XX, e sua responsabilidade como cuidador é mantê-lo vivo. Com Fé no Inferno, Nazarian se firma como um exímio contador de histórias, mestre indiscutível do ritmo e da condução. Com duas linhas narrativas que se cruzam e se entrelaçam, e mesclando pesquisa histórica, folclore armênio e uma observação mordaz do Brasil contemporâneo, este romance mantém o leitor emocionado e absolutamente envolvido até seu desfecho surpreendente.



(não sei se concordo com tudo isso - nem se o final é surpreendente, mas tá valendo)

22/05/2020

A HISTÓRIA DO CORPO

Pelado, tatuado, abandonado e quarentenado. 

Nesse período masturbatório, em que só podemos vasculhar nós mesmos, fiquei pensando nas tantas perguntas que já fizeram sobre minhas tatuagens...

“Mas e se você se arrepender?” “Vai ficar velho cheio de tatuagens?” “Dói?” São das perguntas que mais fazem a quem é tatuado; além, é claro, sobre o significado de cada uma. Então vamos responder algumas.

Talvez alguns saibam que, antes de me tornar escritor, eu toquei numa banda de glam rock e também conquistei certo reconhecimento como performer de body art: fiz fotos e vídeos de auto-mutilação por São Paulo, entre os 18-20 anos, no final dos 90. Chegaram a fazer um documentário, exibido em festivais, saiu em jornais e passou na TV Cultura. Não me envergonho, mas não me orgulho, porque era mais uma experimentação de um jovem trevoso do que tudo... Bem, talvez me orgulhe sim, de ter começado chutando a porta, mas como “obra” estava longe de ser algo consistente...

Primeira matéria no jornal, em 97. 

E nesse clima fiz minha primeira tatuagem aos... 18? Por aí. Também não sei direito qual foi, mas acho que foi umas duas ou três pequenas, na verdade, com a Zuba, que era mais conhecida por fazer piercings (já tinha feito piercing na minha sobrancelha, nariz e dois mamilos – que não tenho mais) e meio que dividimos uma namorada... Coisas dos anos 90...

Com a querida Zuba. 

Dessa primeira leva eu tenho uma formiguinha no peito, que eu adoro como conceito, mas já está bem borrada. Tinha a ver com esse consumo da doçura - acho que era uma despedida da inocência. A Zuba também fez uma serpente em S no meu braço direito que já não tem tanto sentido e já tem o olho quase fechado.

Quando me mudei para Porto Alegre, um ex me mandou um email que me incomodou e comentei com uma colega. Minutos depois, outra colega me pediu para que eu trouxesse um livro sobre a evolução das espécies que eu tinha em casa. Eu anotei um “EX” na mão, para não esquecer, e a primeira colega achou que eu não queria me esquecer do ex. Achei um conceito bacana - ainda acho – e logo em seguida tatuei esse “ex” na mão esquerda (algo que passou, mas que precisa ser lembrado). Sendo esse ser nostálgico, eu ainda gosto da ideia, da tatuagem, mas é algo que chama muito a atenção e é muito chato explicar. (Vê que nem aqui consegui explicar de forma sucinta.)


Bianca e eu com ossos ocos como água de coco. 

Algumas pessoas já fizeram tatuagens de livros/textos meus, tem a capa de “A Morte Sem Nome” na Rebeka, uma leitora querida do Recife, algumas frases em algumas leitoras pontuais (curiosamente, pelo que sei só foram mulheres), assim como tem a Bianca, de Porto Alegre, que fez a mesma tatuagem que eu do “ossos ocos como água de coco”, do Mastigando Humanos, uma tatuagem que adoro porque ressalta meu caráter trevoso, cômico e ensolarado numa imagem só.

Meu lugar favorito no mundo. 

No período em que morei em Florianópolis, fiz com a Magéli Martinez tatuagens bem significativas, como o mapa da ilha (que amo)  e uma tatuagem-piada. Eu via tanto aqueles meninos de 14 anos com o nome da namorada do antebraço, e tanta gente perguntando sobre minhas tatuagens, que tatuei como paródia: D. A. A. M.T.  – que se traduz como “Don´t Ask About My Tattoos” – Não pergunte sobre minhas tatuagens. Talvez o mais correto teria sido” D.N.A.A.M.T”, já que o “don´t é uma contração do “Do Not”, mas enfim, posso tomar como DO Ask About My Tattoos, e minha tatuagem não tem de passar pelo Cambridge...

Com a querida Magéli. 
Na minha temporada na Finlândia fiz meu “veadinho da playboy”, ou “rena”. Tirei a ideia de uma estampa de camisetas e cuecas que eles vendiam na lapônia – comprei várias, uma camiseta tenho até hoje (as cuecas eu gastei...).  Para eles o veado, a rena, o chifre, é um símbolo de virilidade, então significava meio que um comedor finlandês. Gostei do duplo sentido que tinha por aqui e tatuei por lá.


E o tatuador ia preenchendo  o desenho perguntando: "Tem certeza de que não quer um nariz vermelho?"

(Por sinal, lembrei que fiz outra tatuagem na Finlândia, lá em 2002, desenhada por um namorado alemão que eu tinha na época. É uma espinha de peixe na minha nuca/começo da espinha. Eu nunca vejo, então sempre esqueço, mas me dizem que está zoada.)

No lado esquerdo do peito fiz uma em homenagem à minha primeira coelha, pouco antes de ela morrer. O falecido também tem uma igual, no antebraço. Mas a minha não ficou muito boa, infeccionou, teve muito problema de cicatrização – não sei porque, foi a única vez que tive problemas assim – e acabou bem borrada. Decidi mudar de tatuadora. (e de marido.)

Entre o cometa e a coelha. 

Também precisava fazer uma tatuagem pela Armênia, depois da minha viagem e de toda minha pesquisa sobre a história dos meus antepassados. O escudo do brasão tinha a melhor ideia, o monte Ararat (que pude contemplar desde meu quarto de hotel) que é um símbolo dos armênios e uma fronteira. Mas pedi para tirar a arca, para afastar qualquer imagem religiosa. Essa é das mais recentes que fiz com a Luiza Peccin, uma querida com um estúdio na Augusta.  

Essa é do ano passado. 

E com ela também fiz a mais recente, meu diabinho desenhado pela minha sobrinha. Estava com 20 tatuagens, queria ir para o 21-impar (dizem que) e não sabia o que fazer. Quando vi minha sobrinha de 7 anos desenhando um diabo não tive dúvidas: o Diabo visto pelos olhos de uma criança.

Falei para minha sobrinha que quando ela voltasse das férias iria ter uma surpresa para ela.

No meio da semana, minha irmã disse que ela tinha perguntado se eu já tinha deixado algum presente...

Constrangido em dizer que era uma "surpresa", mas não um "presente", até deixei na casa delas um pacote de chocolates da Kopenhagen. Mas expliquei que não era a "surpresa".

Quando minha sobrinha viu a tatuagem, desenhada por ela, ainda fresca em meu braço, com minha irmã ressaltando "Olha, é para sempre é uma prova de amor!" Minha sobrinha deu de ombros e voltou a comer as línguas de gato.


Essa fiz em janeiro. 

Tem várias outras, mas isso já está ficando aburrido pra mim mesmo, imagina pra você...
....


Respondendo às perguntas iniciais: Arrependimento: Zero. Várias tatuagens que eu fiz hoje não têm mais tanto sentido para mim, mas ficam como uma marca da época. A gente vê tanto que perdem um pouco o significado, é como uma pinta na pele – talvez para quem tenha tatuagens mais “comunicativas” – quem tatua um “Homer Simpson”, sei lá -  o arrependimento seja maior, mas para mim não acontece. Já me arrependi um pouco do LUGAR que coloquei algumas tatuagens, porque impossibilitaram de colocar outras que ficariam melhores lá, mas vou resolvendo acrescentando.

Vou ficar velho cheio de tatuagens? Claro que não! Coronavírus chegou!

Sarcasmos à parte, se hoje é (pouco) estranho ver um velho tatuado, não será em breve, porque minha geração toda está se tatuando.

Eu ainda evito tatuagens no rosto e pescoço (embora eu adooooore no pescoço e esteja tentado a fazer),  por causa da resistência que AINDA existe. No final dos 90 me disseram que não podiam me contratar numa escola de inglês porque eu tinha tatuagem na mão; no Japão implicavam bem com minhas tatuagens em lugares como academia de ginástica; sei que ainda tem um peso (mas a gente faz por isso, não?); então me contenho (um pouco).  

Por fim: Dói? No bolso, sim.

Nah, na verdade nem é tão caro se fizer pequenas e chapadas (como as minhas) e não dói muito – depende de onde você for fazer...

Não, não tenho no pau.

Braço esquerdo:  8
Peito: 3
Virilha: 1
Perna Esquerda: 2
Braço Direito: 6
Nuca: 1

18/05/2020

NOTAS SOBRE O APOCALIPSE



Gravando vídeo (ainda vestido), em quarentena. 


“Tire os sapatos antes de entrar, pedi ao abrir a porta. Entrando, ele já foi tirando as meias, a calça, camisa, cueca. Tinha o cheiro orgânico de animais que não se pode pedir por delivery. Toquei primeiro sua testa, de luvas. Como identificar quão quente deve ser o corpo do outro? Corpo estranho. Esperava que ele não notasse minha hesitação por trás da máscara, a falta de excitação dentro da calça...”

Início de “Corpo Estranho”, conto que escrevi sobre encomenda pra revista Gama, para uma edição de contos eróticos sobre a quarentena: (dá pra ler todo aqui: https://gamarevista.com.br/semana/ta-pensando-em-sexo/janela-indiscreta-minicontos-eroticos/?video=1&fbclid=IwAR2_l4-ynBSnnSzYZFzDFfGXLW1ZCnEVNVJIkEk-rGjz95q9RoviGMR_Xao .

Gostei de fazer, principalmente porque não tenho... não tinha feito nada de ficção nos últimos meses. Um mini conto é pouco. Não sou daqueles que se diz escritor porque faz meia dúzia de mini-contos, ou uma dúzia de frases de efeito. Mas já é um pequeno exercício...

Minha agente também pediu outro “mini conto” para outro mini projeto que deve sair em breve. Mas, diabos, ninguém mais pode escrever/publicar um CONTO de FATO! Com cinco, dez, TRINTA páginas?

(bom, ninguém quer pagar por isso.)

Tenho saudades... Saudades de quando passava uma tarde, uma semana escrevendo contos assim. Saudades mas não vontades; ainda sinto que não tenho muito o que dizer. Mas, pra minicontos, basta.

(Por sinal, esse conto que minha agente pediu pra eu gravar em vídeo, eu colei na parede para decorar, e agora toda vez que passo na sala tenho um sobressalto achando que alguém deixou uma mensagem para mim. Feriado de Mim Mesmo feelings...)



Tenho saudades de tantas outras coisas...

Na verdade minha vida está basicamente tão solitária como sempre, mas agora as pessoas parecem entender (compartilhar) o que eu passo, e agora vejo menos possibilidade de mudança. A gente tem de se apoiar exclusivamente nas redes sociais para socializar, sensualizar, paquerar – mas continuo achando essa ideia de trocar nudes tão broxante (é como foto de comida, pouca gente sabe fazer direito – sem sentir o cheiro, o gosto, a temperatura, acaba ficando meio asqueroso).

Nunca gostei de sexo ficcional, de interpretar papéis, me chama disso ou daquilo, gosto de conhecer a pessoa e estar com a pessoa – se posso entrar em detalhes: se o cara fica de quatro eu broxo, gosto de corpo colado. E isso porque deixo o contato pro sexo, apenas pro sexo, no dia-a-dia não aguento abraço de amigo, nem de mãe, detesto que encostem em mim, não supoooorto massagem.

Mas sexo virtual é algo que nunca fiz e nunca farei... espero que nunca tenha que fazer... que eu consiga terminar este mês sem isso...

Prefiro enrolar em plástico bolha.



Dog Man Star ou Atividade Paranormal?

12/05/2020

FESTA NO FIM DO MUNDO


Fiz 43. Em meio à pandemia.

Não foi tão ruim. 43 não é uma idade tão emblemática e, como eu disse, ano passado eu estava bem pior.

Este ano fiz o que eu pude, o que dava, acordei cedo, trabalhei pouquinho, malhei, bebi, pedi um sushi - uma audácia em tempo de coronavírus - e fiz uma live no Instagram às 20h.

Agradeço a todos que assistiram, que mandaram perguntas, nunca tinha feito isso, então me perdi um pouco, não consegui responder a todos, me disseram que minha imagem ficou meio craquelada, mas é que meu esteticista não é serviço essencial.

Rafael Cortez (meu primo querido, comediante e ex-CQC) e os escritores Marcelino Freire, Andrea del Fuego, Penelope Martins e Raphael Montes participaram ao vivo em vídeo, além de comentários de leitores e amigos queridos, incluindo a célebre Laura Albert-JT LeRoy (que me exigiu um trecho em inglês).

Não foi um grande aniversário, mas foi um aniversário diferente, por isso já está valendo. O carinho de todos fez a diferença.

04/05/2020

NOTAS SOBRE O APOCALIPSE

Ontem, olhando a vida pela janela. 


Semana que vem é meu aniversário, já sei que ainda estaremos em quarentena. Não acho tão ruim, para mim. Apesar de tudo, ano passado eu estava pior, deprimido, obeso, mórbido, tinha acabado de me separar. Busquei colo nas amigas, convidei as mais próximas para jantar – mas nenhuma podia por causa do dia das mães (mesmo com filhos grandes, mesmo eu marcando na noite do domingo). Uma com uma sensibilidade tocante me disse algo como “terminar relacionamento não é drama nenhum.” Não falo com duas delas desde então. Sou rancoroso assim.

Acabei jantando com meia dúzia de rapazes queridos que puderam. Mas ainda foi meio deprê, porque eu estava deprê. E homem não oferece grande colo.

Este ano brinquei que não sabia se fazia uma LIVE ou me suicidava. Acho que vai ser live mesmo. Dá para eu pedir meu prato favorito, fazer uma gin tônica, responder embriagado com o soro da verdade às perguntas de quem assistir. Se bem que meu prato preferido é sushi – comer sushi nesses tempos equivale ao suicídio?

Um brinde a mim. 

O mundo está acabando e eu estou bem melhor do que quando EU acabava meu relacionamento – veja só. O sofrimento é subjetivo ou é puro egoísmo? Estou com bastante trabalho, por enquanto as contas estão pagas – não que eu esteja ganhando bem (como tradutor, a gente nunca está), mas também não há como/onde gastar. Com trabalho e o corpo em forma, a cabeça fica no lugar...

A não ser naquelas noites, naquelas madrugadas de insônia, em que acordo achando-sabendo que o mundo vai acabar.

Estacionei nos 74-76kg (74 nas sextas, 76 nas segundas, depois dos abusos  do fim de semana). Para mim está ok, desde que não volte a engordar. Continuo fazendo mais de uma hora de funcional todos os dias, acompanhando as lives da academia ou por conta própria. Até que tem dado um resultado legal, meu corpo está menos musculoso, mais definido.

Tenho acordado cedo, por volta das 7h. Tenho vontade de correr pelas ruas. Estou pensando em deixar meu celular debaixo do edredom, com um monte de travesseiros, assim o Dória não descobre que eu saí.

Tenho histórico de atleta. E de obeso. E de junkie. Qual será que vence?

Entendo a necessidade da quarentena, mas acho pouco sensível quem está em sua casa com jardim, piscina, varanda, família, xingando o pobre que vive no cortiço e só pode dar uma volta na praça. Não é à toa que agora querem fechar avenidas na Zona Leste, na periferia. É lá que o povo vive mais aglomerado, com menos espaço. Enquanto não for proibido, não cabe a nós julgar a necessidade do outro de sair.

Eu mesmo tenho buscado aquela fresta da janela, na sala, por onde consigo tomar meia hora de sol por dia. Olhando para fora, o que eu vejo? As varandas imensas dos apartamentos do primeiro andar – os únicos do prédio que têm isso. Imagino o prédio todo cobiçando aquele espaço (e os moradores de lá já reclamaram que cai de tudo das janelas – de cigarro aceso a camisinha usada). São moradores bacanas, de todo modo... (mas ainda tenho de ouvir, sozinho, na insônia, na madrugada, a vizinha que tem varanda-gramado-cachorro gemendo de prazer. Sim, ela também é bem servida de marido).

E ainda tem uma família de labradores. A grama do vizinho é mesmo mais verde. 


21/04/2020

NOTAS SOBRE O APOCALIPSE



"Art, the Clown."

 
Estamos todos trancados, mas algum olham as estrelas...

Não, pera, isso já postei (?).

Estou me perdendo nas minhas próprias notas e começo a achar que estou postando sempre a mesma coisa. A vida não pode mudar tanto num mês, em setenta metros quadrados.

Povo trancado podia estar lendo, podia estar maratonando séries, mas a vibração que sinto é que o povo está mais é cozinhando. O que mais vejo é receitas, em fotos feias, pães embatumados, pudins molengas. Nem pedir delivery o povo tem mais coragem.

O resultado é que o povo poderia ficar grato aos artistas, que fizeram livros, que fizeram filmes, que agora o povo pode consumir para passar o tempo – mas sei que isso vai ser considerado cada vez mais como supérfluo; povo é mais grato ao entregador de pizza. Então vai, enche esse bucho de pão!

Eu não tenho lido mais, não tenho cozinhado mais, não tenho feito nada a mais. Estou seguindo como um soldado, na rotina de sempre (que não chega a ser espartana): traduzo de segunda a sexta. Fim de semana reviso. Faço dieta de segunda a sexta. Jejum de 24h duas vezes por semana. Funcional 90 minutos por dia. Sigo emagrecendo.

E começo a me perguntar para quê?

A resposta mais óbvia é a boa forma (para quem?), mas acho que a mais certeira está no fim de semana. Eu faço dieta, sigo na programação, para que no final de semana eu possa comer, possa beber tudo o que eu quero. É a velha lógica de recompensa, infantil, capitalista, de poder aproveitar a vida só dois dias por semana. Mas faz sentido, porque ao menos a gente sabe que tem algo ali a se esperar. Eu, que trabalho em casa há tantos anos, sempre precisei disso para separar um dia do outro.

Um dia após o outro, o mercado literário vem sendo destruído. Se essa crise servir para destruir de vez o mercado, as chances de se reinventar já estão há muito sendo dadas: editora comercializar os próprios livros; ebooks mais baratos; povo que quer comprar o livro físico quer autografo do autor... Ou povo não quer comprar, como já não compra mais música, filme... chegaremos ao streaming de livros?

A literatura, como sempre, sobrevive, porque para realizá-la não é preciso muito mais do que papel e caneta. Mas, para que ela volte a circular pelas ruas, é preciso um novo sopro.

E um sopro hoje pode ser fatal.

17/04/2020

NOTAS SOBRE O APOCALIPSE

Ilustração de Marco Túlio R. para meu "Mastigando Humanos."



“O erro dos dinossauros foi querer aparecer demais”, era um dos meus "memes" em “Mastigando Humanos” (bom, naqueles tempos se chamava de frase de efeito, ou bordão, mas eu casei com imagens - então criei os memes?).  Esse dias vi uma charge... digo, um meme de dinossauros avistando o meteoro. Um deles dizia: “Vai destruir a economia.” E, apesar do inteligente sarcasmo, aparentemente foi o que aconteceu. O meteoro não matou os dinossauros, só criou condições (climáticas) que dificultaram a sobrevivência daqueles que dominavam a terra.

Agora parece que somos colocados diante de uma escolha moral. O vírus promete matar milhões dos mais fragilizados. Se nos sacrificarmos todos, morrerão algumas centenas de milhares que não estavam na promessa inicial. Sacrificar a sociedade toda para poupar alguns milhões de seus mais fracos parece ser uma escolha bastante “civilizada”, no que o termo tem de mais contemporâneo – porque sabemos que não era assim que era feito em sociedades tribais.

Me surpreende que essa civilidade apareça agora, que algo como o coronavírus faça essa civilidade aparecer. Auxílio emergêncial, proibição no corte de luz, uso de leitos privados para atender a população: são todas medidas que poderiam/deveriam ter sido usadas há tanto tempo no país, tantas emergências – que me surpreendo que cheguem antes tarde.

O “presidente”, é claro, é contra. Mas ele não pode ser usado nem como termômetro moral, porque é um QI muito, muito baixo. Eu diria inimputável. Como as pessoas podem estar só dando conta disso agora? O homem estava na televisão há uma década falando as maiores asneiras com tremas. EU estou avisando há pelo menos cinco anos!

E a porra do vírus não foi capaz nem de acabar com ele. Ele não ter se contaminado depõe terrivelmente contra e eficácia do vírus. Se ele contraiu e omitiu, pior ainda, o “histórico de atleta” de um deficiente mental na terceira idade é o suficiente para livrá-lo de complicações.

Esta semana morreram Garcia-Roza, Rubem Fonseca, Moraes Moreira – não diretamente do coronavírus, mas o clima não ajuda - e morrerão muitos mais, se os idosos estão mais em risco e nossas grandes lendas estão na terceira idade. Sobre Moraes Moreira, ouvi os comentários típicos: “Morreu dormindo, que bom, morreu em paz.” Morre em paz para quem vê de fora, quem está desperto. Quem garante que quem dorme morre em paz? A pessoa pode estar em seu pior pesadelo, revivendo seu pior momento, estar sonhando com seu pior sofrimento e isso enfim se torna sua morte.

A quarentena foi prolongada em São Paulo. Termina em 10 de maio. (Felizmente meu aniversário é dia 12, e já estarão abertos todos os bares, restaurantes, as pessoas estarão sambando pelas ruas.) Toda semana o pico da epidemia é projetado para duas semanas além, e é natural que as pessoas comecem a se entregar à sorte ao niilismo. Todos nós precisamos copular. Suponho que, quando o próprio contato social se torna arriscado, as pessoas comecem a desprezar camisinha, anticoncepcionais. Temos mais nove meses?

14/04/2020

NOTAS SOBRE O APOCALIPSE

Ilustração de Alexandre Matos para meu "O Prédio, o Tédio e o Menino Cego."



Será que daqui a trinta anos lembraremos dessa época dizendo: “Não sabe como foi louco quando tivemos de ficar de quarentena em casa”? Ou será: “Não sabe como era bom quando a humanidade podia andar em bando”? Será que teremos humanidade daqui a trinta anos?

Estou entrando em inferno astral, embora não acredite nisso. Estou entrando em inferno astral sem Fé no Inferno. O livro foi adiado, talvez para maio, talvez para junho... Certamente não será para o meu aniversário (no 12 de maio – já tínhamos agendado o evento de lançamento para sábado dia 9).

Me dá mais desânimo do que ansiedade. Não dá para ficar ansioso com um lançamento nesta época (com aniversário nesta idade). E afinal, é o décimo segundo... tantas vezes tive grandes expectativas que não deram em nada. Ou deram em pouca coisa. Deram. Cada livro foi um pequeno degrau, que manteve minha carreira fluindo. (Enquanto tanta gente lança dois, três livros, e sorve pelo resto da vida como escritor...)

O mais prazeroso para mim sempre foi o ato, escrever, criar, quando engreno num livro novo – esse é o momento que mais quero compartilhar, quero que as pessoas vejam, leiam – mas desse momento até o livro ser lido levam meses, anos. Daí o pique já esfriou, o livro já ficou distante, já é menos meu, já tenho outras coisas a dizer...

Só que agora não tenho nada a dizer.

Sempre invejei os artistas que trabalham “ao vivo”, que têm respostas imediatas do público: os músicos, os atores de teatro. Escritor não recebe aplauso.

(Ato falho ou não, tinha escrito "sempre invejei os artistas que TRABALHAVAM ao vivo" - será que agora ao vivo só em live de Instagram?)

Eu devia era começar outro romance – não é isso que todos os escritores estão fazendo? Ou fazer uma novelinha, um conto, um microconto, um post de Facebook. Bem, ao menos tenho mantido aqui atualizado.

11/04/2020

NOTAS SOBRE O APOCALIPSE


Wilde



O amor livre dos anos 70 teve o golpe violento da AIDS nos 80, que agora parecia estar sendo domada com as PrEps, mas para estragar a festa vem coisa pior; e agora ninguém pode nem se cumprimentar.

Há indícios fortes de que o novo coronavírus mate apenas heterossexuais – pois seria uma forma de a natureza conter a hiperpopulação humana. Por isso não morrem crianças. O vírus poupa quem ainda é virgem.

Pelo menos foi o que li numa corrente de Whatsapp.

(Por sinal, tenho Whatsapp há um ano, apenas um ano, mas não estou em grupo nenhum, nunca recebi corrente nenhuma; sinceramente ainda não entendo essa coisa de “correntes de Whatsapp”; pra mim funciona como o antigo “torpedo” de celular. Abro uma vez por dia. Geralmente pra ver mensagens dos meninos que migraram do Tinder, do Grindr. Ainda não entendi qual é todo o fuss...)

(Sim, sou velho.)

Tem ficado cada vez mais confuso para mim essa quarentena, me parece insustentável, parece que nunca vai acabar. Por que acabaria? A “curva vai ser achatada” quando? Antes a gente não devia usar máscara, agora sim. Agora até animais domésticos podem pegar a doenças – especialmente gatos -; vi nessa madrugada na Globonews, que recomendava que doentes ficassem longes de seus animais.

Por que não podemos todos simplesmente morrer?

Ontem acordei em mais uma madrugada de insônia e vi um amigo postando no Facebook: “Olhem só como o céu está estrelado”. Olhei pela janela e vi o mesmo céu acre de quando o homem dominava a terra.

Parafraseando Wilde: Estamos todos na sarjeta... E o melhor é procurar moedas no asfalto.

ÚLTIMA AULA DO ANO

Vou dar minha última aula este ano, em cima dos textos de vocês. Me mande as dez primeiras páginas ou o projeto de um romance em que esteja ...